Sexta-feira, 01.02.08

O directório: um mau sinal e um mau começo

Na terça-feira, em Londres, Angela Merkel, Gordon Brown, Nicolas Sarkozy, Romano Prodi e José Manuel Durão Barroso discutiram a crise financeira. Na quinta-feira, em Palma de Maiorca, José Luis Rodríguez Zapatero e Angela Merkel discutiram a crise financeira.
Vítor Bento refere o óbvio, mas que importa lembrar e sublinhar:
«Exacto. Como reagir na Europa?
Na Europa, há países em situações económicas muito diferentes mas faz sentido que a resposta seja integrada. Aliás, este é um teste ao modelo de integração que nos prometeram com o novo Tratado. E em relação ao qual a reunião de ontem é um mau sinal e que reforça os receios que muitos têm apresentado.
A resposta deve vir da UE, não de um grupo de países, é isso?
Sim, o Ecofin deve ser o centro desta discussão. A reunião de [ante]ontem é um mau começo do novo Tratado (Jornal de Negócios, 1.2.2008: 48)».
publicado por Joana Alarcão às 22:23 | comentar | partilhar

Atlântico nas bancas

Aí está a anunciada Atlântico de Fevereiro. O prato forte é o exercício de história virtual de Rui Ramos, ficcionando o que seria o país se D. Carlos tivesse sobrevivido ao atentado que o vitimou.
Mas há mais. Destaco o artigo de João Marques de Almeida sobre a crise da esquerda europeia e a recensão do Francisco Mendes da Silva a um dos meus eleitos de Evelyn Waugh, O Ente Querido.
Além das habituais pérolas avulsas nas colunas finais, como esta do Bruno Alves: "Felizmente, ter ou não ter filhos é uma questão que, a mim, não se põe. As regras da selecção natural são demasiado exigentes para que os meus genes se possam perpetuar, e só mesmo nos meus sonhos é que Kirsten Dunst quer que eu a ajude a salvar o modelo social europeu".
Tem razão o moço. Há causas que justificam todos os sacrifícios.
publicado por Pedro Picoito às 18:06 | comentar | partilhar

Detergente Clinton

Agora que Hillary Clinton descobriu a sua punch line é que ninguém a vai calar.

publicado por Miguel Morgado às 16:01 | comentar | partilhar

Como lidar com os lobbies?

Oradores, moderador e organizadores estão todos de parabéns pelo êxito desta iniciativa. Uma palavra em particular de elogio para a Secção F do PSD e para todas as secções efes dos partidos políticos que insistem em enriquecer o espaço público com debates como este. João Villalobos já resumiu as intervenções. Nada a acrescentar.
publicado por Joana Alarcão às 14:13 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Vitória, vitória, acabou-se a história

O Bloco de Esquerda conseguiu que o Governo impedisse a presença não sei de que banda militar numa cerimónia evocativa do regicídio.
É uma grande vitória do Bloco.
Proibir uma banda de tocar na comemoração de um facto ocorrido há cem anos.
É mesmo a maior vitória desde o referendo do aborto.
publicado por Pedro Picoito às 13:14 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Está vivo e de boa saúde

Refiro-me ao «circuito da carne assada».
publicado por Joana Alarcão às 12:41 | comentar | partilhar

A Obra e o seu Autor


O tema não é novo e tem merecido muita discussão.
Há Autores que se revêm na sua obra, numa simbiose quase perfeita, de tal modo que não chegamos a perceber onde termina um e acaba o outro.
Outros Autores há que se distanciam da sua criação. A obra ganha vida própria, independente da do Autor, e deve responder com os argumentos que lhe são próprios e imanentes.
Mas, se nem todo o autor é Autor , não é menos verdade que nem toda a obra é Obra. Assim como nem todo o Engenheiro é Engenheiro e, se quiserem, nem todo o Sócrates é Zokrates.
Enfim, o tema é
público e, bem se vê, não diz respeito ao Plano Tecnólogico.
Já todos suspeitávamos, mas de ora em diante ninguém pode ignorar: o Primeiro-Ministro esteve-se a obrar para o interior!
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 12:06 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

O Tratado de Lisboa e a Concorrência (I)

A tinta ainda mal secou nas páginas do novo tratado assinado em Lisboa. Falta a ratificação pelos 27 EM para que possa entrar em vigor, na melhor das hipóteses, no início de 2009. No catálogo das alterações introduzidas, a mais polémica é sobre concorrência. Por exigência do presidente Sarkozy, foi eliminado o princípio da “concorrência não falseada” (artigo 3.º), que constituía um instrumento essencial para a concretização do mercado comum e para a “competitividade” das economias europeias (artigo 2.º do Tratado de Roma). Por exigência inglesa, a "concorrência" foi remetida para um simples Protocolo anexo ao Tratado.

Qual o significado desta despromoção no direito comunitário da concorrência?

A Comissão Europeia não se tem cansado de repetir que o essencial se mantém, uma vez que o novo Protocolo tem uma força jurídica vinculativa semelhante ao próprio Tratado. Mas seria ingénuo julgar inocente esta alteração. Recordo que o tema “concorrência” foi apontado como uma das razões do “não” francês no referendo à defunta constituição europeia. Durante a campanha eleitoral, o candidato Sarkozy proferiu declarações polémicas sobre os “campeões nacionais” franceses, exigindo mais poder para a França (inclusive de veto) na defesa das suas empresas estratégicas. Esta posição não é, aliás, uma originalidade do novo provocateur do Eliseu, mas insere-se na longa tradição gaulesa de intervencionismo estatal que remonta ao século XVII.

Será este um sinal de uma nova vaga proteccionista na Europa?

[continua]

publicado por Paulo Marcelo às 10:07 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O Bombeiro

Ângelo Correia busca inspiração superior perante a tarefa ciclópica com que se depara no seu regresso activo à vida política (Foto: Luiz Carvalho/Expresso).
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«A par da constituição da equipa política surge, em grau de importância, a equipa técnica com que o novo líder do PSD conta para credibilizar as propostas que contraporá às de José Sócrates.
Além de porta-vozes para cada uma das áreas da governação, Menezes terá um Governo sombra a divulgar antes das legislativas. E projecta um grupo de reflexão estratégica que olhe o país a médio e longo prazo (Ângela Silva/Expresso, 5.10.2007: 2)»
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«Então Santana não pode ser líder parlamentar?
Quem dirige e comanda é o dr. Menezes, eu sou apenas um discreto oficial do Estado Maior. Proponho-lhe duas opções: um líder parlamentar que lute com intensidade e calor e aí pode ser Santana. Ou um líder com um carácter de unificação e que protagonize o Grupo Parlamentar como emblema do que tem que se replicar em todo o partido, e aí seria Mota Amaral.
E o dr. Menezes, tem equipa?
Tem e vai apresentá-la. No Congresso aparecerá uma equipa política, mas haverá uma equipa técnica preparada.
Um Governo sombra?
Mais do que um Governo sombra - um Governo e enormes equipas técnicas preparadas para que, daqui a três, quatro meses, tenhamos em todas as áreas da governação pessoas avalizadas para prepararem o nosso programa de Governo e também o contraponto a tudo o que o Governo do PS faça.
O que é que Menezes precisa de limar?
Ele vai ter que pronunciar-se menos vezes sobre tudo. Vai ter que meditar profundamente e só emitir opinião quando tiver certezas (Ângela Silva e Cristina Figueiredo/Expresso online, 4.10.2007)».
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Reler o que foi escrito há alguns meses é um exercício que se aconselha. Sem pensar muito, o leitor consegue dizer o nome de um ou dois vice-presidentes da actual liderança? Um ou dois nomes da tal equipa política maravilha?
E a equipa técnica preparada, onde é que ela anda? Já passaram os tais três ou quatro meses, não foi? Onde andam as tais pessoas avalizadas?
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Luís Filipe Menezes depara-se com os mesmos problemas -- piores, mesmo -- com que se deparou Luís Marques Mendes. Está a senti-los na pele. A indisponibilidade para dar a cara pelo PSD a título oficial. A indisponibilidade para colaborar para além do contributo pontual.
No meio do descalabro e face a um Menezes relativamente isolado, Ângelo Correia é uma peça com influência sobredimensionada. Um autêntico bombeiro para todo o serviço, com um grau de intervenção muito acima daquilo que seria normal para um presidente da mesa do congresso. Está em todo o lado. Numa semana negoceia com Rui Pereira os poderes do secretário-geral do Sistema Integrado de Segurança Interna. Noutra surge a dinamizar uma reunião do PSD com um grupo de economistas.
Isto dito, a sua influência tem limites. A discordância que manifestou não impediu a escolha de Santana Lopes. Mais importante, ignorando os seus conselhos, Menezes continua a pronunciar-se muitas vezes, sobre tudo e sobre nada. Bem vistas as coisas, um bombeiro sozinho não consegue extinguir todos os incêndios.
publicado por Joana Alarcão às 01:27 | comentar | partilhar

Cesário c`est moi (ou talvez não)

Via Da Literatura, fico a saber que Maria Filomena Mónica respondeu ontem no Diário de Notícias a alguns críticos da sua biografia de Cesário Verde. Eduardo Pitta não reparou, mas o "estruturalista" visado é obviamente António Guerreiro, que fez a recensão da obra para o Expresso. Ignoro se o "ressabiado" será o Pedro Mexia. O que sei, com mais estruturalismo ou menos ressabiamento, é que ambos têm uma certa razão.
Vejamos. Será possível escrever a vida de um poeta que morreu aos 31 anos, publicou 80 páginas dispersas, teve uma profissão obscura, nunca exerceu um cargo público e quase não frequentou o meio literário? Filomena Mónica entende que sim e o resultado é Cesário Verde. Um Génio Ignorado. Mas ela própria reconhece que a tarefa é difícil devido à escassez de fontes. Dificuldade que tenta superar por meio da correspondência de Cesário, dos seus poemas e da imprensa da época.
Infelizmente, estas fontes não chegam. A correspondência exige uma crítica rigorosa que só outras fontes directas poderiam fornecer. Fontes que não temos. Os poemas não são uma fonte fiável: nada nos garante que os versos aparentemene mais autobiográficos sejam realmente autobiográficos. E a imprensa da época é de uma notável cegueira quanto ao "génio ignorado" de Cesário, uma cegueira de que ele se queixava com amargura e parece ser a raiz da percepção de que tal ignorância se terá mantido até hoje. Pode ser que sim, pode ser que não e até pode ser um bom motivo para escrever a vida de alguém. Mas não ajuda muito.
Daí que Filomena Mónica oscile, ao longo do livro, entre a biografia histórica, para a qual lhe falta a carne, e a interpretação literária, para a qual lhe falta a alma. Ou que recorra por vezes à especulação para situar acontecimentos e factos que lhe despertam manifesta curiosidade. Teria Eça de Queirós conhecido os poemas de Cesário? Teria este visto de longe Victor Hugo quando foi a Paris? Porque se confiava ele tão abertamente ao seu amigo Macedo Papança, um poeta muito inferior? Quem seria a "milady" aludida no famoso verso "Milady, é perigoso contemplá-la"...?
Em parte, Filomena Mónica tenta explicar o génio de Cesário, um cometa no céu de pequeninas estrelas da literatura do seu tempo, pela análise do Portugal em que viveu. Steiner nota que nunca mais olhámos do mesmo modo para os ciprestes provençais desde que os vimos pintados por Van Gogh. Pode dizer-se o mesmo da Lisboa de Cesário, com as suas "varinas de ancas opulentas" e os cães que passam "amareladamente". Mas o esforço de historicização é inglório. O génio não se explica. Compara-se, descreve-se, narra-se, mas não se explica. Com todo o respeito, que é muito, o Cesário de Maria Filomena Mónica ainda está um pouco verde.
publicado por Pedro Picoito às 01:24 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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