Quinta-feira, 24.04.08

Correio Expresso: Manuela Ferreira Leite

O Expresso do próximo fim-de-semana promete revelar os bastidores da candidatura de Manuela Ferreira Leite à liderança do PSD. Entretanto, pergunta-nos: MFL é "uma aposta de futuro" ou "um líder de transição"? Por outras palavras, conseguirá gerar o impulso necessário para levar o partido ao Governo em 2009 ou está ser empurrada pelos barões para perder honrosamente com Sócrates, abrindo depois espaço a uma alternativa renovadora?
Confesso que não sei - e duvido que, para já, alguém saiba ao certo. Sob o desconsolado consulado de Santana e Menezes, o PSD chegou a um tal estado de coma político que será difícil reanimá-lo num ano. É possível ganhar as eleições (quem lidera o PSD arrisca-se sempre a isso), mas vai dar trabalho. Exige-se fazer um programa credível, apresentar propostas, escolher uma equipa, definir um rumo político, delinear estratégias e prioridades, fazer uma marcação cerrada ao Governo. Em resumo, fazer tudo o que Menezes deixou por fazer.
Uma coisa é certa, porém: MFL é o único dirigente social-democrata em condições de liderar uma oposição a sério. E esse é o primeiro passo para ganhar as eleições.
publicado por Pedro Picoito às 12:25 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Obama, Clinton e o voto popular

Como agora parece ser um critério decisivo para a escolha que os "superdelegados" terão de fazer na Convenção Democrata, eis o número total de votos recolhidos por cada candidatura (pós-Pensilvânia):
Obama: 14 417 134
Clinton: 13 916 781
Mas se forem contados os votos das primárias de Michigan e Flórida (como Clinton reclama):
Obama: 15 milhões
Clinton: 15,1 milhões
(Note-se que o nome de Obama não constava dos boletins de voto em Michigan.)
Mas Michael Barone acrescenta os seguintes dados, que podem ter a sua importância se o sistema eleitoral das primárias tiver de partilhar o seu lugar com a demografia. Clinton, como se sabe, ganhou a grande maioria dos Estados mais populosos. Obama ganhou a maior parte dos pequenos Estados. Mas como estes estão sobrerrepresentados em termos de delegados à Convenção, isso significa que, apesar de ter menos delegados, Clinton "representa" uma percentagem maior da população democrata do que Obama.
No entanto, não é preciso recorrer a estes raciocínios engenhosos para complicar a escolha da Convenção Democrata. Basta acompanhar a projecção de Barone para os Estados que ainda não votaram. Segundo essa projecção, Clinton vence no total de votos e perde em delegados. E, como se não fosse suficiente, se se contar apenas os delegados escolhidos em primárias - sem os delegados escolhidos pelos "caucuses" - Clinton até pode vencer em número de delegados.
Apesar de tudo, Clinton deve estar a rezar para que o Reverendo Wright diga mais uns quantos disparates. Só ele a poderá salvar.
publicado por Miguel Morgado às 11:10 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Será o PSD masoquista?

Resultados oficiais das Eleições Legislativas de 20 Fevereiro de 2005:

PS: 46% (2.588.312 votos, 121 deputados)
PSD: 29% (1.653.425 votos, 75 deputados)
publicado por Paulo Marcelo às 10:07 | comentar | partilhar

Trinta e quatro anos depois


Quase, quase, trinta e quatro anos depois de "Abril", só um cego não vê que o país, mesmo sem guerras e sem império, mas com "democracia" e "liberdade", está metido num beco saída para onde todos o levámos.
Resta-nos esta bela manhã de Primavera a anunciar um Verão com praia. Mas esta é afinal uma manhã de Abril igual a tantas outras que tivemos nos últimos oitocentos anos.
publicado por Fernando Martins às 09:21 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O candidato da amnésia

publicado por Carlos Botelho às 03:11 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Quarta-feira, 23.04.08

Carme Chacón e a Internet


Espanha é hoje um país muito mais seguro e ainda bem que Chacón não é Thatcher.
publicado por Fernando Martins às 22:27 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

MFL

É curioso que uma grande parte da blogosfera se sinta desgostada por Manuela Ferreira Leite não ter ideias, não se ter afirmado como opinadora sobre assuntos que vão desde a guerra do Iraque às melhores receitas de bacalhau. É curioso que agora tanta gente se entristeça com a ausência de ideias e posições políticas. Permitam-me que recorde o País que o nosso PM eleito com maioria absoluta se destacou na sua campanha eleitoral por um silêncio quase absoluto sobre tudo o que poderia interessar ao eleitorado. Fez promessas? Fez. Mas eu pensava que os críticos queriam "ideias". Não desprezo as "ideias", mas também dá jeito ter um PM são, corajoso, competente, sério, com uma certa indisponibilidade para a palhaçada. Talvez aos nossos críticos agradasse que se citasse Voltaire, como certa vez se pôde ler numa certa entrevista. Eu prefiro que o Voltaire fique em casa.
publicado por Miguel Morgado às 16:18 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Eu Também Não

No Abrupto: «Poderá dizer-se que ainda bem, estrague-se o PSD para fazer outra coisa, mas eu não faço parte daqueles que querem deixar o país entregue ao PS por mais uma década

No Complexidade e Contradição: «Talvez seja uma questão de pura simpatia pessoal, mas não consigo imaginar o que pode levar alguém a declarar expressamente que prefere ser governado por José Sócrates a ser governado por Manuela Ferreira Leite
publicado por Manuel Pinheiro às 16:16 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Mitos em construção

A tese segundo a qual a entrevista de José Pedro Aguiar Branco é responsável pela demissão de Luís Filipe Menezes parece-me muito frágil, para não ir mais longe e dizer que não tem qualquer sustentação. Quanto muito foi a última gota num copo de água que já estava cheio, mas até isso me custa a acreditar. As razões da demissão de Menezes estão seguramente noutros quadrantes.
.
Aguiar Branco tem sido nos últimos dias o saco de porrada preferido. Alvo de chacota por mais um recuo na corrida à liderança do PSD. Evidentemente, colocou-se a jeito, não discuto isso. Aguiar Branco, porém, foi frontal e disse em público aquilo que muitos diziam em surdina. Isso não pode nem deve ser desvalorizado.
publicado por Joana Alarcão às 13:45 | comentar | partilhar

Patético

A lista do Telegraph dos 110 (?!) livros que compõem uma "biblioteca perfeita" é perfeitamente patética e reflecte a ignorância dos leitores dos nossos dias. Mas nem é a escolha dos títulos que me irrita. Qualquer uma destas listas tem um elemento maior ou menor de arbitrariedade. É esta obsessão com as listas e os rankings que reflectem a ideia de que o golpe de vista panorâmico é suficiente para dominar o que há de essencial na paisagem. No fundo, é exactamente a mesma fraqueza que está por trás de muitos artigos de opinião que enchem as páginas dos nossos jornais ditos de referência. Depois admirem-se que haja por aí gente enraivecida com esta tendência para converter tudo em frívolo entretenimento.
publicado por Miguel Morgado às 13:42 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Leituras

Acabou de completar dois anos, mas este artigo de José Pacheco Pereira continua actual. A política tem destas coisas: Pacheco Pereira apoia Manuela Ferreira Leite (como seria de esperar, aliás), mas o conteúdo do seu artigo revela -- digo eu... -- que conceptualmente se encontra muito mais próximo de Pedro Passos Coelho.
publicado por Joana Alarcão às 01:56 | comentar | partilhar

Quando o futuro é refém do passado

Um dos problemas centrais no PSD é o passado. Há demasiado passado. Todos conhecem os pontos fortes e os fracos uns dos outros. Todos sabem o percurso uns dos outros, incluindo os amores e as traições, em sentido político. Há passado em doses asfixiantes. Chegou-se a um ponto em que o futuro é refém do passado. O PSD parece uma pequena aldeia que envelhece e definha, sem encontrar uma forma de o evitar. Sem sangue novo, pessoas e propostas, o prognóstico continua incerto.
publicado por Joana Alarcão às 01:54 | comentar | partilhar

As distritais

A esmagadora maioria dos líderes das distritais do PSD continua em silêncio. Ainda não se percebe a direcção do vento.
publicado por Joana Alarcão às 01:07 | comentar | partilhar
Terça-feira, 22.04.08

Leituras

1. «A síntese improvável», por Pedro Adão e Silva (Diário Económico, 22.4.2008: 2).
publicado por Joana Alarcão às 19:47 | comentar | partilhar

Obviamente, admiro-a

Manuela Ferreira Leite avançou hoje com a sua candidatura à liderança do PSD. Tem o meu voto de militante de base (porque toda a gente sabe que eu sou o único militante de base do Cachimbo; o Marcelo, o Pinheiro, o Martins e o Botelho são das elites). Tem tudo, como escrevi há dias, para vencer eleições no partido e no país. E tem, sobretudo, o que falta dolorosamente a Menezes: peso, nome, credibilidade, experiência governativa, sentido de Estado, coluna vertebral, vergonha na cara, estatura pessoal e política.
Quanto mais não seja, vai parar com o assalto ao património histórico do PSD, alegremente delapidado em tertúlias de tasca pelos moços das cocheiras que ocuparam a São Caetano à Lapa nos últimos anos. Sim, estou a falar dos Santanas, Menezes, Ribaus, Branquinhos e Silvas desta vida. Ou desta vidinha. Manuela Ferreira Leite não mudará de opinião todas as semanas nem perderá um minuto com os colos do Primeiro-Ministro.
É certo que está longe de ser uma alternativa liberal ao neo-socialismo reinante, mas vamos dar tempo ao tempo. Não nos enganemos: Passos Coelho também não é essa alternativa. Por enquanto, nada mais pode oferecer do que alguns chavões simpáticos. Falta-lhe densidade. Para ter ideias novas, primeiro há que ter ideias, diria o senhor de la Palisse.
E resta saber se o PSD vai em liberalismos. Lendo o que se tem escrito pela blogosfera, já estou como o camarada Pinheiro: os liberais não conseguiram fazer uma ala no CDS e querem ensinar o PSD a governar a pátria?
publicado por Pedro Picoito às 16:53 | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Sosseguem os mais impacientes

A ala populista social-democrata apresentará seguramente um candidato forte na corrida à liderança do PSD. Questões de intendência a isso obrigam.
publicado por Joana Alarcão às 14:55 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Acredito

Durante alguns momentos no debate de ontem, referiu-se como uma das causas agravantes da crise actual do PSD a ida de Durão Barroso para Bruxelas. Não sei que opinião têm os militantes do PSD sobre o assunto. Mas parece-me evidente que esse foi um facto de crucial importância. Faço uma proposta aos militantes do PSD: como segundo a tese oficial Durão Barroso foi para Bruxelas em missão patriótica, então que se crie a seguinte narrativa mítica de que o PSD foi sacrificado no altar do interesse nacional. Sá Carneiro e a Constituição, Cavaco Silva e os 10 anos de modernização do País, Durão Barroso e o sacrifício final do partido em nome do País e da Europa. A mim, parece-me muito bem. Votaria num partido destes. Acredite se quiser.
publicado por Miguel Morgado às 11:30 | comentar | partilhar

O óbvio sobre os "think-tanks"

No debate Prós e Contras de ontem não faltou a concordância quanto à necessidade de haver think-tanks, "como na Inglaterra e nos Estados Unidos". Mas fiquei com a impressão de que os participantes ansiavam por think-tanks dos partidos e no interior dos partidos. Permitam-me discordar. Nada para os partidos, nada dentro dos partidos. Faltam think-tanks cá fora, "na chamada sociedade civil" - uma expressão que Pedro Passos Coelho deve ter aprendido algures, a julgar pela pausa que fazia quando a pronunciava. Mas para fazer think-tanks é preciso dinheiro, muito dinheiro. E digo o óbvio quando recordo que esse dinheiro só pode vir de patrocinadores privados. Eles existem em Portugal? Se não existem think-tanks em Portugal, tal não é da exclusiva responsabilidade de Sócrates ou de Marques Mendes, como alguns ontem sugeriram. Porquê Sócrates ou Marques Mendes, ou qualquer outro líder partidário? Para haver "sociedade civil" não basta invocá-la. Há que investir dinheirinho. "Como na Inglaterra e nos Estados Unidos".
Por mais que o socialismo português seja repudiado em público, ele regressa num instantinho. Nem damos por ele chegar. Até parece que faz parte do nosso ser e da nossa essência.
publicado por Miguel Morgado às 11:10 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

As bases

Falar dos militantes do PSD é uma coisa. Falar das bases do PSD é algo diferente. Os mais distraídos poderão falar/escrever sobre as bases como sinónimo de militantes, mas a verdade é que bases e militantes não são sinónimos. Não são, ponto final, parágrafo. Os militantes é uma designação inclusiva. Os militantes são todos iguais, ou pelo menos assim se pretende que seja. Não se trata apenas do mecanismo formal segundo o qual a cada militante corresponde apenas um voto. Há um desígnio substantivo de promover a igualdade na pertença a um partido, independentemente da origem social, da profissão, da cor, ou do género.
Já a expressão bases é selectiva. Mais do que selectiva, é dicotómica na sua natureza. Falar de bases só faz sentido por oposição a qualquer coisa, neste caso às elites. A utilização desta expressão, como facilmente se compreende, institucionaliza e promove a clivagem intrapartidária. Consagra a fractura interna. Mais. A dicotomia bases/elites é uma reminiscência de natureza marxista, o que não deixa de ser irónico. Afinal, tendo em conta que estamos a falar do PSD, esta luta de classes está totalmente fora de contexto. As palavras não são neutras. Nunca foram e nunca irão ser.
publicado por Joana Alarcão às 03:09 | comentar | partilhar

«Guantánamo fiscal»

Ângelo Correia acha que vivemos um «Guantánamo fiscal» em Portugal. Eu acho que anda tudo doido e a precisar de repensar as imagens que utiliza.

publicado por Joana Alarcão às 02:31 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

pesquisa

 

posts recentes

links

Posts mais comentados

últ. comentários

  • ou podre
  • http://fernandovicenteblog.blogspot.pt/2008/07/si-...
  • O pagamento do IVA só no recibo leva a uma menor a...
  • O ranking tal como existe é um dado absoluto. Um r...
  • Só agora dei com este post, fora do tempo.O MEC af...
  • Do not RIP
  • pois
  • A ASAE não tem excessos que devem ser travados. O ...
  • Concordo. Carlos Botelho foi um exemplo de dignida...
  • ou morriam um milhão deles

tags

arquivos

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

subscrever feeds