Quarta-feira, 02.04.08

Nomeações na cultura

Muito curiosa, a nomeação de Jorge Barreto Xavier para a Direcção-Geral das Artes. Depois do Pedro Mexia para a Cinemateca, eis o segundo nomeado pelo novo Ministro da Cultura, desta vez por demissão do anterior ocupante do cargo, Orlando Farinha. E se Mexia terá sido uma escolha de Bénard da Costa, já Xavier foi uma opção directa do Ministro.
O ex-Instituto das Artes é um lugar mais sensível por lhe caber a sempre polémica distribuição de subsídios, mas Xavier tem um perfil semelhante ao de Mexia: da mesma geração, católico, exterior ao circuito, politicamente ao centro.
Sem pôr em causa o óbvio mérito dos dois, será coincidência ou Pinto Ribeiro está a piscar o olho à direita?
publicado por Pedro Picoito às 23:33 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Coelho CEO

Confesso que me faz muita confusão que Jorge Coelho seja o próximo CEO da Mota-Engil.
Quando os accionistas escolhem um novo CEO, hão de ter em conta a qualidade do profissional, a coerência entre a pessoa e a estratégia, e as mensagens que se transmitem ao mercado e internamente.
Estou certo que haverá gestores que façam tão bem o lugar como Jorge Coelho, mesmo sendo este o redactor do Plano Estratégico; a mensagem para o exterior é "Agora que temos um conjunto importante de Obras Públicas, queremos fazê-las todas"; e não percebo qual é a mensagem que o Eng. António Mota quer transmitir para dentro.
publicado por Joana Alarcão às 10:25 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Algumas linhas sobre o fenomenal U2 3D

Imagine-se
o leitor desta linha, um não amante de música
o desta, um não apreciador de U2
e o desta, alguém com fobia a salas fechadas.
Imagine-se ainda
um alérgico ao cinema
um revoltado com o preço dos espectáculos ao vivo
ou um amedrontado com os encontrões de uma plateia ao rubro.
Agora imagine-se
sentado numa sala de cinema, sem sentir a sensação de lá estar
ouvindo palavras sentidas que falam da conturbada história da Irlanda, aliadas à Declaração Universal dos Direitos do Homem, cantadas em nome do Amor
e rodeado por uma multidão imensa que vibra e que salta - sem que o pisem.
___//___
Anda por aqui a sensação que fica do filme U2 3D. Um concerto ao vivo, em Buenos Aires, integrado na tournée "Vertigo" dos U2.
Um espectáculo por si só, filmado com multi-câmaras em tempo real, aliando imagens em 3D com som Surround 5.1 e criando uma experiência sensorial que, acredito, é coisa para alterar de vez a história do cinema.
É impossível sair indiferente ao conjunto
à combinação da música, mensagem, imagem e som
à música que tem toques para todos os gostos
à mensagem que apetece
à imagem do braço da guitarra que alcança o meio da sala, à imagem da mão de Bono que parece tocar-nos, à bateria à nossa frente, à multidão que nos engole (sem nos pisar)
E no fim, os U2.
Para quem gosta, é de ir.
Para quem não gostava, é de descobrir.

Pelo preço de um cinema.
E pelo prazer de uma descoberta.
publicado por Joana Alarcão às 01:02 | comentar | partilhar
Terça-feira, 01.04.08

O que há de novo a Oeste?

Um homem magro, com uma testa muito branca e larga, como talhada para alojar pensamentos altos e puros, ensinava, falando das instituições da Cidade Antiga. Mas, mal eu entrara, o seu dizer elegante e límpido foi sufocado por gritos, urros, patadas, um tumulto rancoroso de troça bestial, que saía da mocidade apinhada nos bancos, a mocidade das Escolas (...). O Professor parou, espalhando em redor um olhar frio e remexendo as suas notas. Quando o grosso grunhido se moderou em sussurro desconfiado, ele recomeçou com alta serenidade. Todas as suas ideias eram frias e substanciais, expressas numa língua pura e forte; mas, imediatamente, rompe uma furiosa rajada de apitos, uivos, relinchos, cacarejos de galo, por entre magras mãos, que se estendiam levantadas para estrangular as ideias. Ao meu lado, um velho, encolhido na alta gola dum macfarlane de xadrezes, contemplava o tumulto com melancolia, pingando endefluxado. Perguntei ao velho:
- Que querem eles? É embirração com o professor... é política?
O velho abanou a cabeça, espirrando:
- Não... É sempre assim, agora, em todos os cursos... Não querem ideias... Creio que queriam cançonetas... É o amor da porcaria e da troça.
Então, indignado, berrei:
- Silêncio, brutos!

Não, o desgraçado da testa 'talhada para pensamentos altos e puros' não é um catedrático na Sorbonne durante o pavoroso Maio de 68. E não, isto também não é uma descrição do nosso, tão nosso, terrível PREC. E nem é uma aula das nossas horrendas escolas públicas (os 'cacarejos de galo' não são toques de telemóvel). É uma passagem d' A Cidade e as Serras. Por isso, tenham calma. Parem de rasgar as vestes e avistar esbugalhados o fim da Civilização. Está bem?
publicado por Carlos Botelho às 20:34 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Câmara de Comuns

Começou hoje um novo blog onde escrevem vários amigos meus e de vários outros cachimbos. Vejam em Câmara de Comuns. Sejam bem-vindos camaradas! Bons textos e melhores ideias.
publicado por Paulo Marcelo às 17:44 | comentar | partilhar

O que faz falta é ensinar a malta (1)

A propósito do meu post sobre o "caso do telemóvel", AAAS acusa-me, nos comentários, de criticar tudo e todos sem apresentar soluções. Eu diria que diagnosticar a doença é o primeiro passo da cura, mas o desafio é tentador. Até porque tenho o hábito de responder a desafios por menos do que isso.
Se tenho hábitos simples, não tenho soluções simples. Ninguém tem. O grande erro de quase tudo o que li sobre o "caso", na imprensa e na blogosfera, está justamente em propor soluções rápidas e universais.
A direita pede mais autoridade, regresso aos valores e o par de tabefes que tanto faz lembrar o "safanão a tempo" da outra senhora. Sem isto, temos o apocalypse now. A escola é o Vietname da direita: uma selva primitiva que civilizaremos com Wagner e napalm.
A esquerda pede mais dinheiro, regresso a Rousseau e turmas pequenas em utópicos amanhãs que cantam. Com isto, temos o melhor dos mundos. A escola é o Iraque da esquerda: apesar das evidências, continua a dizer que ganhou a guerra.
Uns e outros estão enganados.
A escola vive desde o 25 de Abril, talvez mesmo antes, uma crise de crescimento que se chama "ensino obrigatório", para a direita, ou "democratização", para a esquerda. Todas as críticas que lhe fizermos devem ter isso em conta, bem como o que isso traz. E isso traz duas notícias - uma boa e outra má.
A boa notícia: maior qualificação para muitos, maior coesão social, maior igualdade de oportunidades. Não vale a pena sonhar com a escola de antigamente porque antigamente só os filhos da burguesia iam à escola. E esses sabiam que tinham de respeitar o sistema se queriam fazer parte dele, o que hoje está longe de ser óbvio (mesmo para os filhos da burguesia, quanto mais para os outros).
A má notícia: a escola é agora, e será cada vez mais, o espelho da sociedade. Apenas devolve, ampliados pelas lentes de políticas educativas vesgas, os problemas que os alunos levam de casa. Quanto mais alunos, mais problemas. Mera estatística. A anomia e a violência nas aulas que o país descobriu, horrorizado, não vão diminuir tão cedo. Pelo contrário, tudo indica que irão aumentar na exacta medida em que a anomia e a violência, real ou simbólica, aumentarem na sociedade - na política, na família, no emprego, no trânsito, no futebol, nos media, na internet, no rap, no rock, no roll, na minha casa e na vossa.
Os pais queixam-se de que os professores não ensinam, não disciplinam, não sabem ou não querem transmitir regras, mas quantos acompanham os trabalhos de casa dos filhos ou conhecem a data do próximo teste? Sem falar nos que cedem ao mínimo capricho dos herdeiros, da famoso telemóvel à televisão no quarto, ou no gang de Guimarães que falsificou dezenas de atestados médicos para poupar os rebentos ao trauma dos exames... do 12º ano.
Os empresários queixam-se da falta de uma "cultura de rigor e exigência" dos portugueses, mas quantos se preocupam que os seus empregados, talvez em nome da tal "cultura de rigor e exigência", fiquem a trabalhar até às 9 da noite? Quem é que eles julgam que irá educar "os nossos filhos"? A avozinha? A empregada romena? A televisão no quarto? Sem falar no vago desprezo pelos teóricos que só dão aulas e nunca fizeram mais nada.
Em suma, os problemas da escola vão muito para além da disciplina e muito para além dos alunos. São mais profundos, mais complexos, mais difíceis de resolver e, sim, mais da responsabilidade de todos nós do que se tem dito por estes dias de som e fúria.
Também da responsabilidade dos políticos? Também. E muito. Porque, se não há soluções simples, há pelo menos soluções já experimentadas. É o que tentarei mostrar no próximo post.
publicado por Pedro Picoito às 17:24 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Hoje é um dia tão bom como qualquer outro

Uma vez mais, nova pausa.
publicado por Joana Alarcão às 01:43 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Randy Pausch Lecture

O jornal Público de ontem dedicava duas páginas no P2 ao caso de Randy Pausch.
publicado por Joana Alarcão às 01:31 | comentar | partilhar

A escolha de Medeiros Ferreira

Passei há uma hora pelo Prós e Contras da RTP 1. Vi e ouvi Paulo Guinote, um antigo aluno de Medeiros Ferreira, e apenas vi Joana Amaral Dias, camarada do mesmo Medeiros Ferreira nos Bichos Carpinteiros. Visto isto, aguardo com curiosidade pelo juízo que o professor e bloguer fará das intervenções daqueles dois.
publicado por Fernando Martins às 00:14 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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