Terça-feira, 03.06.08

Populismo crescente



A sua conversa tem barbas, mas desconhecem-se bons resultados. Porque é que não aprendem? Porque nunca olham para trás.
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 12:43 | comentar | partilhar

Populismo crescente



No dia em que o populismo de esquerda se assinala e tem direito a ser Alegre, divulguem-se os seus heróis. Guerra aos interesses e pão para os injustiçados!
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 12:35 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Mourinho e a língua portuguesa



Parece que na sua apresentação como novo treinador do Inter de Milão, José Mourinho se terá recusado a falar em português com os jornalistas lusos que assistiam à conferência de imprensa. Ainda não tinha visto tamanha discordância pública em relação à recente aprovação parlamentar do acordo ortográfico sobre a língua portuguesa.
Foto: dailymail.co.uk
publicado por Fernando Martins às 11:36 | comentar | partilhar

Manuela Ferreira leite...

...alguém capaz de atar e desatar.
Há, de facto, que atar o que precisa de ser atado e desatar o que tem de ser desatado.
publicado por Carlos Botelho às 11:35 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

RTP

No ano de 2008 continuarão a correr dezenas de milhões de euros de dinheiro do Estado para a RTP. O outro brutamontes dizia que ia logo buscar a espingarda quando lhe falavam de cultura. Em Portugal, só um santo ou um socialista não tem vontade de fazer o mesmo quando lhe falam em serviço público.
.
Presumo que agora Manuela Ferreira Leite esteja à procura de "ideias". Está aqui uma: privatizem a RTP 1. Já passaram alguns anos desde que foi anunciada a reforma dos canais públicos de televisão. O resultado está à vista. Não há nenhuma razão para se persistir neste esbanjamento moralmente ofensivo de recursos com a RTP 1. Está na altura de dizer: "acabou a brincadeira".
publicado por Miguel Morgado às 11:07 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Segunda-feira, 02.06.08

Os pescadores



Não há profissão em Portugal que tenha uma memória histórica da fome, fome real, mais viva do que os pescadores. Talvez só os jornaleiros, que enchem os romances do neo-realismo. Mas os jornaleiros acabaram e os pescadores ainda saem todos os dias para o mar, como sempre, como há séculos, como desde o princípio do mundo.
No tempo em que o Estado social ainda não existia para eles, mais ou menos até meados do século XX, os dias em que os barcos ficavam em terra eram dias de incerteza. Sem rede - literalmente. Sem trabalho, sem pescado, sem subsídios, a pobreza era uma ameaça física. Raul Brandão captou bem essa sensação material de desespero n`Os Pescadores . A pesca está muito mais dependente do clima do que qualquer outra actividade. Três dias de chuva podem deitar abaixo grande parte de uma colheita, mas salva-se o que está nos celeiros. Com a pesca não é assim. Até ao século passado, três dias sem ir ao mar podiam trazer a fome a uma aldeia inteira.
Lembrei-me de tudo isto, hoje, ao ver os piquetes de greve dos pescadores na televisão. Claro que eles estão a cometer uma ilegalidade. Claro que já não passam fome como os avós. Mas o desespero é o mesmo.
Primeiro, um decreto qualquer de Bruxelas mandou-os abater traineiras - para não descer o preço do peixe... Depois, afastaram-nos das costas de Espanha e de Marrocos em nome de uns acordos esquisitos. Finalmente, proibiram-nos de ir pescar à Terra Nova para não extinguir o bacalhau.
Ao que parece, os pescadores são a única espécie não protegida do país.
publicado por Pedro Picoito às 23:24 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

TGV

Segundo a SIC, a mais recente página dourada do governo do PS é um conjunto de maroscas. Mas não se atrevam a negar ao PS e a este governo tudo aquilo que lhe resta. É que até ao final da legislatura já não sobra mesmo mais nada.
publicado por Miguel Morgado às 21:08 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Frase do dia

"O PSD virou a página, mas o livro é sempre o mesmo."

Jerónimo de Sousa, o último marxista-leninista da Europa ( ok, com o Saramago).
publicado por Pedro Picoito às 18:56 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Paradoxo do dia

Então não é que o Daniel Oliveira defende o respeito do contrato matrimonial em nome da igualdade de direitos das mulheres?
Permito-me recordar que esta era uma das minhas razões contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que já são iguais na lei e na prática.
Eu até tenho medo de pensar tal coisa, mas querem ver que ele também é contra...?
publicado por Pedro Picoito às 18:44 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sob a calçada, o deserto (IV)



"JEAN-LOUIS MISSIKA - No fundo, poderá dizer-se que em Maio de 68 preferiu o Estado à sociedade?
RAYMOND ARON - Já não havia sociedade.
DOMINIQUE WOLTON - Pelo contrário, havia sim, e estava em plena efervescência.
R.A. - O que vocês chamam sociedade em efervescência eram os operários em greve, os estudantes na cavaqueira, os funcionários de férias, tudo isso. Era muito agradável, mas não era uma sociedade. Era uma sociedade que deixara de funcionar. Quando De Gaulle fez o seu último discurso, a 30 de Maio, disse: é tempo de os professores ensinarem, de os estudantes estudarem, de os operários trabalharem, e assim sucessivamente. Por outras palavras, era preciso que a sociedade voltasse a ser o que era. Logo, eu não preferi o Estado à sociedade. Disse que a deliquescência do Estado tinha chegado a um ponto onde era sensato parar. (...)
D.W. - Maio de 68 é, de qualquer modo, o mais extraordinário exemplo da fragilidade da França gaullista.
R.A. - Mas de que fragilidade se trata? Talvez seja uma impressão de fragilidade. Tudo isto acabou na sequência de um discurso de cinco minutos do General De Gaulle, decidindo a dissolução da Assembleia. O povo francês conserva um talento excepcional para, do nada, criar acontecimentos dramáticos que depois são comentados indefinidamente."

Raymond Aron, O Espectador Comprometido, 1983 (1981)
publicado por Pedro Picoito às 18:17 | comentar | partilhar

Andar por aí, por ali, por acolá, e ainda um bocadinho por além, mas nunca muito longe

Com a derrota, Santana Lopes deixou no ar a inevitável ameaça de fundar um novo partido. Ele não disse assim, claro, porque é mais do género sibilino: disse que ia rever o seu lugar no PSD, ou lá que era. A ameaça não é nova. Também a deixou em suspenso sobre a cabeça da direita nativa, entre os bocejos dos eleitores e as manchetes dos jornais, durante a sua última travessia do deserto (lembram-se do Partido Social-Liberal?).
Na altura, foi o que se viu. Não será muito diferente agora.
Santana, como Menezes, é o típico exemplo de alguém que, embora cultivando permanentemenmte a imagem do outsider, necessita muito mais do PSD do que o contrário.
Por duas razões.
Primeiro, porque não tem vida fora da política. Não tem uma profissão, não tem uma carreira no sector privado, não tem um lugar de assistente ou consultor, não tem livros para escrever. Só sabe fazer política. E só sabe fazer política no "PPD-PSD". Os 29% que arrancou, contra tudo e contra todos, mostram o que vale no universo laranjinha. Mas nada mais. O que é, ainda assim, preocupante. O homem vai continuar a andar por aí, arrastando as grilhetas da "reflexão", que prometeu "breve" (eu inclino-me mais para "brevíssima"), e invocando o espírito de Sá Carneiro pelos passos perdidos.
Além disso, ele está simplesmente viciado em política. Como todas as criaturas da noite, necessita de um mínimo de luz artificial para viver. Não sendo já Presidente do Sporting e tendo perdido o lugar de menino bonito dos jornalistas, só no PSD a tem. É a única explicação para ter concorrido às directas. Diz que vai rever o seu lugar no partido? Reveja, reveja. Mas desta vez com óculos, se fizer favor.
publicado por Pedro Picoito às 13:08 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

As Vidas de Manuela Ferreira Leite

Os políticos, e sobretudo os políticos, têm muitas vidas. No caso de Manuela Ferreira, uma nova vida começou no passado Sábado. Justamente por causa dos seus quase setenta anos, a nova vida de Manuela Ferreira Leite poderá ser bem melhor do que as anteriores. Não será fácil, mas está perfeitamente ao seu alcance.
publicado por Fernando Martins às 11:48 | comentar | partilhar
Domingo, 01.06.08

Não façam reformas, não...


Ontem ou anteontem, lá tive de ouvir o Primeiro-Ministro ameaçando todos os que não acolhem em delírio a nova auto-estrada em Trás-os-Montes com uma maldição eterna. Sócrates quis colocar os que não se entusiasmam com um novo ciclo de investimentos públicos em infra-estrutruras de transporte no círculo dos infernos reservado aos maléficos opositores do progresso nacional. Ninguém nega que uma auto-estrada dá sempre jeito e é sempre conveniente para quem a usa. Mas só não vê quem não quer que o retorno económico de mais uma unidade desse tipo de investimento é, mesmo em Portugal, cada vez menor. E que as estradas parecem ser um substituto doutro tipo de intervenções mais subtis, mas mais necessárias. Por outras palavras, a inauguração de novas estradas já não anuncia, como outrora, a esperança do desenvolvimento; soa mais a confissão de impotência política, e, por isso, de derrota.
publicado por Miguel Morgado às 23:56 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

As Elites Lusitanas

As imagens da chegada da selecção portuguesa de futebol a uma pequena cidade na Helvécia hoje ao fim da tarde – imagens que mostram nas televisões generalistas umas boas centenas (ou até milhares!) de portugueses que por lá vivem absolutamente felizes e eufóricos – parecem ser a gota de água que leva algumas cabeças bem pensantes cá do burgo a transbordarem. Produzem por isso as ditas cabeças comentários tão sobranceiros como ignorantes sobre os cidadãos deste país. Sucede que a ignorância, tal como a sobranceria, são marcas indeléveis das nossas elites. Ontem, hoje e sempre...
publicado por Fernando Martins às 23:08 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Obama contra Obama

Mais um artigo daquele que é um dos melhores colunistas da América do Norte, Clifford Orwin.
"OBAMA’S BIGGEST CHALLENGE? OBAMA"

It’s as clear that the Republicans will lose this year’s Presidential election as it was that the New York Giants would lose last season’s Super Bowl. But, as the saying goes, that‘s why the play the game – and why they hold the election.
On this page last Friday Jeffrey Simpson observed that for all of Barack Obama’s presentation of himself as a new sort of politician above the partisan fray, his positions are the standard Democratic ones. John McCain, on the other hand, is a very atypical Republican – which is precisely why the Democrats are sparing no expense to cast him as typical. Precisely as an unfamiliar Republican, however, Mr. McCain is a familiar (and iconic) American type: the maverick.
The American working class takes to mavericks. It has yet to take to Mr. Obama. But why is has it been so hesitant to embrace him? Not because of his positions on the issues, for these hardly differ from Hillary Clinton’s, whom white workers have backed so staunchly. Nor is it just that they have preferred her by wide margins in each of the crucial swing states, or that their support for her has hardened even as her chances have waned and her candidacy has become more divisive and injurious to the party’s chances in November. It’s also that they have made their disaffection with Mr. Obama painfully clear. In exit polls from the recent primary in heavily blue collar Kentucky, 64% of Clinton voters denied they would vote for Mr. Obama in November. (Two thirds planned to vote for Mr. McCain, the others to stay home.)
Whatever Democratic Spinmeisters may claim, this refusal to rally behind the Party’s candidate-apparent is stunning. It may even lead us to wonder especially of white working class males if their aversion to Mr. Obama hasn’t always been more powerful than their attachment to Ms. Clinton.
Blue collar coolness toward Mr. Obama is all the more striking in the context of blue collar discontent. Mr. Obama has galvanized his core constituencies of African Americans, the young, and white liberals with his promise of “change we can believe in.” Yet none of these groups surpasses the white working class in its dissatisfaction with the status quo. Contemplating the long term decline in their social status, political clout, and job security, workers are understandably apprehensive about their future. And yet they’re just not buying promises of change from Mr. Obama – again despite supporting Ms. Clinton who proposing the same concrete policies as he does.
I’m not accusing the workers of racism. Some of them doubtless harbor it, but that’s not Mr. Obama’s biggest problem. Even those of his trappings that are least conventionally “black”-- the exotic family history, the Hawaiian upbringing, the fancy education, the tendency toward intellectualism – evoke no responsive cord in white workers. True, as a child abandoned by his father Mr. Obama knew hard times, but nothing in his patrician manner recalls them. He has tried bowling, but proved even worse at it than I am.
In a Democratic Party riven by identity politics, white workers will demand a candidate to express theirs. Because Mr. Obama isn’t that candidate; they were willing to pretend that Ms. Clinton was. (Here the fact that the avowed “postracial” candidate has been racking up 92% of the black vote can’t have helped.) They may or may not forgive Mr. Obama his long and uncomfortably acquiescent association with the Rev. Jeremiah Wright. At the very least remains a huge impediment to his attempt to persuade them that they can trust him as their own. .
Ms. Clinton, with her instinct for the jugular, has raised two other questions of character that will haunt Mr. Obama in the general election. The first is the issue of toughness; the other, closely related to our previous discussion, is that of empathy. She has clearly tried to position herself as not only the only woman but the only real man of the two Democratic contenders: the only one caring enough to respond to domestic afflictions, but also the only one tough enough to duke it out first with Mr. McCain and then with the Nasrallahs and Ahmadinejads.
We needn’t share Ms. Clinton’s high opinion of herself to ponder her critique of Mr. Obama. Does he offer blue collar workers the requisite blend of toughness and concern?
As regards concern, Mr. Obama doesn’t ooze it. (I don’t mean this as a criticism.) He simply doesn’t excel at expressing empathy. His rhetoric may be fervent, but his style is cool, not warm. He’ll persuade you that he’s on a mission, but not that he feels your pain. His eyes are on the big picture, not the plight of the individual before him.
As regards toughness, the mere fact that he will be compelled to establish it places him at a considerable disadvantage relative to Mr. McCain. It may easily lead to ill-considered gambits such as his threat to bomb Pakistan (presumably not on the same day that he’ll be sitting down to talk with Iran and North Korea.)
And then there’s the woman question, as it really does seem that many women quite unfairly blame Mr. Obama for having defeated Ms. Clinton.
Mr. Obama has emerged as a fascinating and complex, even enigmatic, figure. That’s not simply a good thing. Voters want to know what they’re getting. Black voters can see that they’ll be getting a black, and liberal suburbanites and many of the young do indeed credit Mr. Obama as the harbinger of “change they can believe in.” But the rest of the country?I’ve barely touched on the issues of this exciting campaign that’s sure to be rich in them. That’s for a later column. To persuade a given audience on the issues, however, you have to gain a serious hearing from it. The obstacle to Mr. McCain doing so is that he’s a Republican, to Mr. Obama doing so, that he’s Mr. Obama.
-- Clifford Orwin, The Globe and Mail, 28.05.2008
publicado por Miguel Morgado às 11:26 | comentar | partilhar

Algumas notas sobre a vitória de Manuela Ferreira Leite

1. O PSD escolheu o líder que mais confiança suscita aos portugueses e, portanto, que mais hipóteses tem de ganhar a Sócrates. Não se percebe. Ou não se percebe que alguns não percebam. Sobretudo depois de Menezes.
2. Nos momentos decisivos, podemos contar sempre com Santana Lopes. Se ele não se tem candidatado, ganhava o Passos Coelho. Obrigado, Santana: a pátria deve-te muito.
3. Agora que a vitória já cá canta, a sôdona Manela devia dizer ao Público que a história do neto era treta. Isto do marketing está a ir demasiado longe.
4. Espero a todo o momento uma declaração de Sócrates a dizer que Manuela Ferreira Leite era a adversária que lhe dava mais jeito, como as suas "fontes" fizeram saber durante a campanha. E um novo aumento do abono de família, claro.
5 [Adenda]. Escrevi aqui, no Sábado à noite, que Faro tinha sido a única distrital ganha por Passos Coelho. Erro duplo: Passos venceu em mais do que uma distrital e em Faro venceu Santana. É ainda pior do que eu pensava.
publicado por Pedro Picoito às 01:04 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Carácter

Um gesto do homem que não tem carácter: aqui.
publicado por Carlos Botelho às 00:17 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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