Terça-feira, 02.09.08

Desculpe?...

Mal pude acreditar no que ouvi há pouco de José Sócrates pela tsf (sublinhado meu):

'Facilidade', gritou ele. Que 'facilidade'?
Ele, se não fosse um homenzinho arrogante, saberia que, no lugar que ocupa e com a responsabilidade pública que detém, para mais falando dentro de uma Escola e tocando (desgraçadamente, com os pés) num assunto sensível, saberia que não se fala daquela maneira a e de ninguém.
Alguém devia lembrar-lhe que ele é apenas um primeiro-ministro, que não está no serviço em que está por nenhuma espécie de privilégio "ontológico", mas sim porque outros (entre estes decerto muitos "facilitados") o puseram lá com o seu voto.
Aqueles milhares a quem ele arremessou, grosseiro, a inacreditável acusação insultuosa da 'facilidade' (e sem mostrar qualquer respeito nem pelo papel educativo que têm tido, nem pela situação delicada em que agora os colocaram), esses, são licenciados. Repito: licenciados. Isto é, obtiveram sem aspas uma licenciatura sem aspas. Certamente que, esses, não teriam de se achar embaraçados em explicações(?) trapalhonas para justificar "licenciaturas" obscuramente escolhidas numa "universidade" inenarrável ganhando um "diploma" da farinha Amparo. Um "diploma" fácil.
publicado por Carlos Botelho às 19:48 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

O Peido de Ana Gomes


Com o devido pedido de desculpas aos meus escassos leitores mais susceptíveis, devo dizer que cheguei à conclusão de que Ana Gomes ou bem que tem um sentido de humor que não consigo entender, ou então é bem mais politicamente sectária e estúpida do que se poderia imaginar. Este texto da “eurodeputada” sobre Sarah Palin, a quem chama a "lasca" do "Alasca", é, apesar de legítimo, o texto mais boçal que alguma vez li na blogosfera sobre "as mulheres na política". Mesmo que todos tenhamos direito, e Ana Gomes certamente que os tem, aos nossos momentos maus, para não dizer péssimos... ou que os nossos intestinos não sejam tão fiáveis como tantas vezes gostaríamos!
publicado por Fernando Martins às 19:39 | comentar | ver comentários (15) | partilhar

Quando é que deixamos de pagar a RTP1?


De há uns anos para cá, depois de concluir que hábitos antigos dificilmente se perdem, decidi não ter televisão em casa. O único problema são os jogos do Sporting. Ontem lá tive ir ver o jogo em casa emprestada. Como cheguei cedo, ainda tive oportunidade de ver uma parte do Telejornal. Apanhei uma reportagem que anunciava solenemente que os portugueses sofrem de depressão com o fim das férias e o regresso ao trabalho. Esperamos ouvir os psiquiatras dizer que a afluência aos consultórios aumenta exponencialmente por esta altura do ano e os farmacêuticos dizer que o Prozac chega a esgotar. Mas não. Primeiro, entrevista com pessoas a dizer que o fim das férias é uma chatice e que custa sempre voltar a ter de acordar cedo e aturar o patrão. Ainda cheguei a suspeitar que um dos sintomas da depressão fosse o bronzeado da praia. Depois, entrevista com o que deveria ser um especialista no assunto a dizer que nesta altura do ano as pessoas até costumam brincar com o regresso ao trabalho com frases do género "Ainda agora recomecei o trabalho e já estou a precisar de férias". Finalmente, a conclusão da autora da reportagem a dizer que a depressão dos portugueses não chega a ser uma depressão!!! Compreende-se: uma notícia sobre o facto dos portugueses preferirem mais uns dias de férias em vez de começarem já a trabalhar não é notícia. Como não há notícia, inventa-se uma depressão colectiva. De seguida, consigo ainda ver e ouvir o clip com os colaboradores da RTP a cantar "Somos o primeiro!" E são os primeiros, de facto. Os primeiros a gastar mal o nosso dinheiro. Os primeiros a gastar mal o nosso tempo. Valeu o Sporting para me salvar o serão. Um golo do leão Postiga e a confirmação de que este ano não apenas queremos ser campeões como temos equipa para sermos campeões. A haver depressão, será para os lados das águias e dos dragões.
publicado por Nuno Lobo às 12:35 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Notícias da América

Mais do que o elitismo juvenil de Barack Obama, mais do que qualquer outro político nas últimas décadas, Palin representa o melhor da democracia americana, a sua proximidade dos instintos do cidadão comum.

Bruno Maçães, DIÁRIO ECONÓMICO 2 Setembro 2008

publicado por Nuno Lobo às 10:57 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Segunda-feira, 01.09.08

Entre Whitman e Tolstoi

Já depois de ter escrito o post em que ergo o pendão do Ocidente contra czares e mandarins, li o artigo de Eduardo Lourenço no Público de hoje. Admiro-o por ser o último intelectual português que tem a coragem de pensar dento dos limites de ideias suspeitas como nação, civilização, literatura e outras coisas desacreditadas pelo pós-modernismo (isto é um elogio). Derradeiro representante do progressismo iluminista de corte francês, que tão profundamente influenciou as nossas elites nos séculos XIX e XX, o autor do Labirinto da Saudade fustiga todos os que querem obrigar a Europa a tomar partido contra a Rússia na crise do Cáucaso.
Porquê? Porque estariam a ressuscitar os "clichés mais estafados da antiga guerra fria, com Moscovo no papel óbvio de mau da fita", assim prestando vassalagem à América que, "na sua expressão superimperialista", se tornou "a única superpotência do Ocidente" e está ao despique com a Rússia "via Geórgia". Há, pois, um mau da fita, mas não é óbvio.
Perante isto, a "velha Europa, mãe de todas as utopias universalistas e, hoje, entre parênteses de si mesma", não teria nada que se meter. Sob pena de "subalternização política, ideológica e até cultural, digna do Império Romano", aos Estados Unidos, que fizeram o que se sabe no Afeganistão e no Iraque.
Foi o insuspeito Aron quem chamou à América a república imperial, mas eu não insistiria na comparação. Primeiro, porque a última vez que alguém invocou uma utopia universalista, no caso a democratização do mundo islâmico, acabou a fazer o que se sabe no Afeganistão e no Iraque. E depois porque que não se vivia mal dentro do Império, como os Bárbaros adivinharam. De resto, ao chamar à Geórgia "antigo e até simbólico espaço moscovita" e à Ossétia e à Abkhazia "antigos pedaços do seu ex-império", Eduardo Lourenço mostra os limites do paralelismo. Tem razão: há gente que ainda está na "antiga guerra fria". Do Atlântico aos Urais.
Por isso declara com candura que "não temos que escolher entre os Estados Unidos e a Rússia, entre Whitman e Tolstoi". Acontece que temos - se quisermos ser fiéis à mais modesta utopia universalista. Não escolher significa colocar no mesmo plano moral uma democracia com erros e uma falsa democracia. Há 60 anos que Orwell criticou asperamente a ingenuidade perversa dos esquerdistas e compagnons de route que não se incomodavam com a vitória do nazismo sobre as democracias burguesas porque, para eles, era tudo igual. A perversidade, menos ingénua, repetiu-se na "antiga guerra fria", quando os comunistas ocidentais fizeram activamente o que podiam para derrotar o capitalismo. E continua a ser usado pelos órfãos da União Soviética que sobrevivem. Nem sequer é preciso "evocar o espectro de Munique", antecipadamente sacudido do capote por Lourenço. Basta lembrar os esforços do PCP para nos afastar da querida Europa após o 25 de Abril.
Acontece também que escolher entre os Estados Unidos e a Rússia não significa escolher entre Whitman e Tolstoi. O dilema não passa de retórica. Como critério de acção política, tem tanto valor como o sketch dos Monty Pithon em que uma equipa de filósofos alemães joga futebol contra outra de filósofos gregos. Servir-se dele como argumento é aplaudir Munique (lá estou eu...) porque os europeus de 1939 não tinham que escolher entre Thomas Mann e Thomas More. Se bem me lembro, houve um certo Primeiro Ministro português que confundiu os dois, para grande indignação dos cultores locais das "utopias universalistas". Nem quero pensar no que terá dito então Eduardo Lourenço.
publicado por Pedro Picoito às 22:52 | comentar | partilhar

Silêncio

Silêncio, silêncio, mas a verdade é que nunca se falou tanto da Universidade de Verão do PSD.
publicado por Pedro Picoito às 22:32 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

"Cuidado com as imitações (Casimiro)"

Aos "obamomaníacos" portugueses dedico estes versos de um excelente tema com letra e música de Sérgio Godinho (Album Campolide, 1979).
Estimado ouvinte, já que agora estou consigo
Peço apenas dois minutos de atenção
É pra contar a história de um amigo
Casimiro Baltazar da Conceição
O Casimiro, talvez você não conheça
a aldeia donde ele vinha nem vem no mapa
mas lá no burgo, por incrível que pareça
era, mais famoso que no Vaticano o Papa
O Casimiro era assim como um vidente
tinha um olho mesmo no meio da testa
isto pra lá dos outros dois é evidente
por isso façamos que ia dormir a sesta
Ficava de olho aberto
via as coisas de perto
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava male como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)
Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações
Lá na aldeia havia um homem que mandava
toda a gente, um por um, por-se na bicha
e votar nele e se votassem lá lhes dava
um bacalhau, um pão-de-ló, uma salsicha
E prometeu que construía um hospital
Uma escola e prédios de habitação
e uma capela maior que uma catedral
pelo menos a julgar pela descrição
Mas... O Casimiro que era fino do ouvido
tinha as orelhas equipadas com radar
ouvia o tipo muito sério e comedido
mas lá por dentro com o rabinho a dar, a dar
E... punha o ouvido atento
via as coisas por dentro
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava male como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)
Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações
Ora o tal tipo que morava lá na aldeia
estava doido, já se vê, com o Casimiro
de cada vez que sorria à plateia
lá se lhe viam os dentes de vampiro
De forma que pra comprar o Casimiro
em vez do insulto, do boicote, da ameaça
disse-lhe: Sabe que no fundo o admiro
Vou erguer-lhe uma estátua aqui na praça
Mas... O Casimiro que era tudo menos burro
tinha um nariz que parecia um elefante
sentiu logo que aquilo cheirava a esturro
ser honesto não é só ser bem falante
A moral deste contovou resumi-la e pronto
cada qual faz o que melhor pensar
Não é preciso ser
Casimiro pra ter
sempre cuidado pra não se deixar levar.
publicado por Fernando Martins às 19:44 | comentar | partilhar

Mania

O Rui Tavares confessou padecer de obamomania. Há manias piores. Mas, se ele tiver razão no que tem escrito e dito, Obama perderá as eleições.
publicado por Carlos Botelho às 18:11 | comentar | partilhar

O regresso da História

Pouco tempo depois da queda do Muro de Berlim, um conselheiro até aí desconhecido da Casa de Branca, de seu nome Francis Fukuyama, escreveu um livro que o tornou célebre: O Fim da História e o Último Homem. Como se lembrarão, Fukuyama afirmava que o fracasso do comunismo na Europa de Leste teria por inevitável consequência a universalização da democracia e do mercado e, assim, uma era kantiana de paz entre as nações. À qual chamou "o fim da História".
Como também se lembrarão, a profecia falhou. A Rússia e a China, dois supostos derrotados da guerra ideológica, mostraram nos últimos anos que é possível ter um capitalismo galopante e um débil regime democrático. Mais: a Rússia e a China, depois de ter passado em menos de um século do feudalismo ao socialismo e do socialismo ao capitalismo (contrariando Marx, além de Fukuyama), mostraram que, por baixo dos terramotos da política, as placas tectónicas das nações assentam na geografia.
Foi o que vimos por estes dias no Cáucaso e em Pequim. A Rússia dos milionários pós-modernos que compram clubes ingleses é ainda o império dos czares, brancos ou vermelhos, que enfrentou as potências ocidentais na Crimeia, na Checoslováquia e no Afeganistão. A China dos Jogos Olímpicos e da "abertura" é ainda o maior e mais antigo despotismo do mundo, com extensões nunca esquecidas em Taywan e no Tibete.
A História está de volta, diz Robert Kagan. E vem a cavalo nos nacionalismos do costume.
publicado por Pedro Picoito às 15:09 | comentar | partilhar

Os Loucos Anos 80 (52)

Não há melhor maneira de comemorar um regresso...

"Armageddon Days Are Here", dos The The*.


*Com a tolerância magnânima dos cristãos (e dos outros) entre nós.
publicado por Miguel Morgado às 13:01 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbo de volta


Jack Girbal, O General Lasalle (s.d.)
publicado por Pedro Picoito às 11:39 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

E até havia, pela manhã, um bocadinho de nevoeiro

O Cachimbo está de volta. Bem tentámos largar o vício, mas não dá. E aqui segue-se o conselho de Oscar Wilde: a única maneira de acabar com uma tentação é ceder-lhe.
Somos menos, mas não melhores.
Estamos mais velhos, mas não mais sábios.
Outro Verão passou sobre nós. Viajámos pelo Sul de França, pela Catalunha, pelas areias de uma certa baía do Oeste, pelos corredores de um certo palacete à Lapa. Há quem traga um filho novo de férias (eu avisei, não estamos mais sábios). Ninguém acabou a tese (eu avisei, etc).
Mas se a Guerra Fria voltou, a criminalidade voltou, o futebol voltou - porque não há-de voltar o Cachimbo?
publicado por Pedro Picoito às 11:20 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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