Terça-feira, 02.12.08

A Melhor Canção de Amor, segundo Pedro Picoito

A pedido do camarada Picoito:

publicado por Miguel Morgado às 17:00 | comentar | ver comentários (17) | partilhar

Política à moda tricolor

De regresso à pátria após uma semana em Paris, vejo que os meus conterrâneos trocaram as perigosas ameaças da Dra. Manuela à democracia pelas tenebrosas ligações do Prof. Cavaco ao capital. Magnos terrores que declino comentar. Vão desculpar-me o pedantismo, mas há mais mundos. Lá pela França, a esquerda saiu à rua em peso, no intervalo da guerra civil do PSF, para protestar contra o que considera o ataque de Sarkozy à escola pública.
Não é fácil resumir a questão porque Monsieur Sarkozy, fiel à velha máxima de Tocqueville segundo a qual os franceses não sabem fazer reformas sem fazer revoluções, quer mexer no ensino de alto a baixo, que é como quem diz do pré-escolar à universidade. Ao lado da mobilização de centenas de milhares de pessoas por todo o hexágono, com os sindicatos à cabeça, as nossas manifs de profs são uma brincadeira de crianças. (Enfim, isto é uma ironia falhada, aviso já, não me acusem agora de insinuar que docentes e discentes lusitanos estão feitos uns com os outros para atirar ovos à determinação reformista dos heróis da 5 de Outubro.) De resto, em França, esse país atrasado e democraticamente imaturo, ninguém se espanta, vejam bem, que os sindicatos contestem o Governo. Será porque o Governo é de direita? Magno terror que declino comentar. Ou talvez os franceses acreditem que o papel dos sindicatos é mesmo esse. Que coisa chata, os sindicatos. Assim não se consegue fazer reformas. O melhor seria suspendê-los, sei lá, durante seis meses... Ooops... Esqueçam.
Voltando à la vache froide, o grande argumento contra as célebres reformas é a defesa da escola pública. Um argumento de peso. A República francesa sempre idealizou a escola como o meio por excelência de chegar à utópica égalité da trindade revolucionária. O debate sobre o ensino público nunca passou pela sua existência ou necessidade, mas pela sua eficácia. Esse consenso fundador explica a força dos contestatários na rua, mesmo com uma oposição, como se diria por cá, inexistente no Parlamento. Pois a esquerda gaulesa teme, com alguma razão, que o "liberal" Sarkozy queira pôr fim ao intocável mito das origens. Não serei eu quem a contrarie. Não serei eu quem o contrarie. Chama-se a isso política. E se o marido da Carla Bruni, o tal que apelou à limpeza da racaille a bem do sossego da burguesia, pode dormir descansado quanto à esquerda partidária, a esquerda sociológica mostrou que sabe mexer-se quando estão em causa diferenças, enfim, políticas.
Estamos livres de tal vírus, portanto. O Dr. Salazar, perdão, o Eng. Sócrates continuará a proteger-nos do mal da política nos próximos tempos. A bem do sossego da burguesia lusa - que gosta muito de reformas, mas pouco de sindicatos.
publicado por Pedro Picoito às 16:53 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

A Melhor Canção de Amor

Quando o Picoito manda, a malta obedece. Desafiado para instituir o prémio da melhor canção de amor de todos os tempos, aqui estou, como disse o alemão que não gostava dos papas, e não posso agir de outra maneira.
O meu contributo tinha de estar circunscrito aos loucos anos 80. Por isso, proponho:
- Leonard Cohen, "Dance me to the end of love" (1984)
- Bob Dylan, "Tight Connection to My Heart" (1983) [http://www.youtube.com/watch?v=4P79EMaKnNw]
- New Order, "1963" (1987) [em cumplicidade com o André]
publicado por Miguel Morgado às 11:37 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Não me lixes pá

Tomo a liberdade de me intrometer no debate sobre a melhor canção de amor de sempre, travado aqui entre o André Pessoa e o Jorge C. Os senhores Cohen, Dylan e Cave parecem-me muito bem, camaradas, mas o Elvis?...
Aproveitando a maré de atrevimento, deixo a minha santíssima trindade: "Hallellujah", também do Cohen, "Hard Love", na versão da June Tabor (garanto que a escolha não se deve só a uma eterna paixoneta adolescente pela dama), e sobretudo o inigualável, insuperável, extraordinário, grandioso, majestoso, sumptuoso, glorioso e todos os adjectivos magnificentes que encontrarem "Ne me quitte pas", do inigualável etc. Jacques Brel.
O facto de os críticos de música do Público traduzirem possivelmente o título de tal cume do génio humano por "Não me lixes pá", lapso freudiano mais fiel ao espírito sacudido dos tempos do que à chanson original, não será motivo que nos impeça de olhar para lá do muro saxão na demanda das mais belas palavras de amor já entregues ao vinil.
Aliás, ó Morgado, em vez de estares praí com o Nobel da Ciência Política, porque é que não lanças um prémio para a melhor canção de amor (pá)?
publicado por Pedro Picoito às 10:58 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Os Loucos Anos 80 (73)

Lou Reed disse, num qualquer momento do século passado, que se os Velvet Underground tivessem continuado eles seriam os Sonic Youth. Com reconhecimento e benção papal, fica aqui o Teen Age Riot do DayDream Nation de 1988, onde podemos também ouvir a voz de Kim Gordon, que nos anos 80 encheu o imaginário de muito boa gente da mesma forma que Britta Phillips (ainda melhor, embora num estilo distinto) o fez na(s) década(s) seguintes(s).

publicado por Manuel Pinheiro às 02:27 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Segunda-feira, 01.12.08

O PCP e o BE

Já alguém disse que o discurso do PCP contra o Bloco de Esquerda não tem apenas, nem sobretudo, o Bloco de Esquerda como destinatário? Destina-se, em primeiro lugar, a "clarificar e separar as águas" dentro do "Partido"!
publicado por Fernando Martins às 19:41 | comentar | partilhar

Disse ela

O discurso de ontem, em Penafiel, em que Manuela Ferreira Leite descreveu certeiramente o patológico modus operandi "socrático", foi talvez o melhor discurso da oposição que o primeiro-ministro já sofreu. Pela nossa parte, temos vindo a sofrer o acicatar da inveja "classista" com a denúncia, insultuosa e aparentemente virtuosa, de "privilégios" - o que não é mais do que um mecanismo falacioso e entoxicante do público que visa, como já tenho dito por aqui, sufocar antecipadamente qualquer veleidade crítica ou mesmo um mero "tropismo" de defesa de um "grupo" (ou será que uma classe profissional deve ser masoquista?). A mínima voz que se ouça - na verdade, quanto mais forte ela for -, o mero escrutínio, será logo a defesa ilegítima de "desigualdades", de "privilégios", da mandriice, etc. Isto é, de acordo com a arteirice de Sócrates e equipa, a justeza das opções políticas do Governo varia na proporção directa da intensidade das reacções (de defesa) que elas provocam. Será preciso dizer que esta forma de miséria política abre a porta a todas as incompetências, arbitrariedades e desmandos do Poder?
Este permanente discurso, com que Sócrates procura legitimar as suas opções, constitui, afinal, uma perversão da saudável necessidade de políticas reformistas (decorrentes) de uma Democracia. Mais, este discurso "terrorista" pode muito bem contaminar no médio prazo o esforço, senão a possibilidade, de reformas autênticas (leia-se ajustadas às necessidades e em condições de se materializarem na realidade). Receio bem que Sócrates não esteja a secar apenas o PS...

É claro que vão aparecer os que, julgando-se cinicamente inteligentes, acusarão Ferreira Leite de "se estar a colar" aos funcionários públicos, aos professores, aos juízes, aos militares e a "capitalizar o descontentamento", etc. É escusado dizer que a aceitação dessas "críticas" àquele tipo de discurso impossibilitaria o discurso consequente de qualquer oposição enquanto tal. Por outras palavras, essas posições, mesmo vindas da "direita" (ou precisamente por virem desse lado), representam aqueles que se comprazem em ser a quinta coluna de Sócrates entre as oposições. São, objectivamente, aliados do primeiro-ministro. As mais que discutíveis opções do Governo estão aí, os conflitos generalizados inúteis e nocivos para todos estão aí - esperar-se-ia que um partido da oposição virasse as costas aos destinatários dessas políticas, que ignorasse a realidade? Deixemos esse papel a Sócrates - ele é bom nisso.
publicado por Carlos Botelho às 14:28 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Prémio Nobel da Ciência Política (3)

A lista anterior foi reduzida a metade. Só sobram 5 candidatos. São eles:

- Robert Dahl
- Samuel Huntington
- Jürgen Habermas
- Harvey Mansfield
- Quentin Skinner

Os comentários estão abertos.
publicado por Miguel Morgado às 14:22 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Os Loucos Anos 80 (72)

O lado B de "True Faith" dos New Order: "1963" (de 1987). "1963" é a razão "B" por que eu mantenho que "True Faith" é o melhor single de todos os tempos. De resto, 1987 foi o ano da glória de "Substance". Irrepetível.
Este tema é dedicado a todos os indefectíveis desta série dos "Loucos Anos 80".
publicado por Miguel Morgado às 13:37 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

A destruição de Zizek

Um belo texto, o mosquito esmagado.
publicado por Joana Alarcão às 00:15 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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