Quarta-feira, 28.01.09

Ronda da noite

Esperei até agora para ver, mas parece que se confirma: o Luís M. Jorge pôs fim ao Vida Breve. Era seu leitor diário, sempre fui, mesmo quando ele, por razões conhecidas, se zangou com o Cachimbo.
O Luís tem aquele dom (raríssimo na blogosfera e agora apenas exercido pelo Filipe, pelo Casanova e por alguns happy few) de fazer ironia sem sarcasmo. Para se fazer ironia é preciso distanciamento, dizia o Pessoa, luxo que os blogues não favorecem. Uma disciplina difícil, sobretudo porque os cultores da ironia são também particularmente dotados para o sarcasmo. Ler Ruy Belo ajuda.
Vou ter saudades, lá isso vou.
publicado por Pedro Picoito às 23:34 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Obrigado

O Sr. Vital Moreira (PCP): - Mesquinho!

O Sr. Vital Moreira (PCP): - Que vergonha, que miserável!

O Sr. Vital Moreira (PCP): - (...) Cada um tem os patrões que tem e o Sr. Deputado António Maria Pereira é um bom e fiel servidor.

O Sr. Vital Moreira (PCP): - (...) O senhor mamou nas tetas do fascismo, e agora mama nas tetas do imperialismo!

O Sr. Vital Moreira (PCP): - Que grande insulto chamarem-lhe fascista!..

O Sr. Vital Moreira (PCP): - Miserável!

O Sr. Vital Moreira (PCP): - Miserável Provocador!

O Orador (António M.P.) (PSD): - Fascista, aqui, é a bancada que está à minha frente, Sr. Presidente, porque essa é que subscreve um totalitarismo que não respeita os Direitos do Homem. Isso é que é ser fascista.

(Assembleia da República, Diário das Sessões de 29/3/1980)

«(...) desencadearam, por parte da bancada do PCP, um clamor de insultos contra mim, numa desesperada tentativa para me obrigar a calar. "Fascista", "racista", "miserável", "vai ter com os teus patrões", etc. foram alguns dos impropérios com que Vital Moreira e os seus comparsas totalitários me mimosearam no hemiciclo.
(...)
De novo a bancada comunista, sob a batuta de Vital Moreira, se ergeu aos berros e insultos
(...)
Cristo ensinou que quando se é esbofeteado num lado da face, se deve oferecer a outra face (...) Só que Cristo nunca foi deputado em 1980, em Portugal, e nunca teve por isso o inefável privilégio de estar no Parlamento enfrentando os insultos de Vital Moreira e do seu grupo de totalitários.»

(António Maria Pereira, O Pensamento de Sá Carneiro em Política Externa, 1981.)
publicado por Manuel Pinheiro às 21:25 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Percebem?

Percebem por que é que os portugueses cada vez menos confiam nos políticos, nos partidos, nas instituições? É começar por aqui.
Aos poucos, com o aprofundar da crise económica, com o descrédito gradual da reputação de instituições centrais da democracia portuguesa, é o regime que vai sendo posto em causa. É bom que a economia mundial, e a europeia em particular, recuperem depressa. Porque isto por aqui, entregue à sua própria dinâmica, não vai longe. Ou melhor, vai para lugares muito pouco recomendáveis.
publicado por Miguel Morgado às 20:01 | comentar | partilhar

Leitura Nova

A Torre do Tombo colocou online todos os forais da Leitura Nova de D. Manuel. Só faltam os do Algarve.
Projecto interessantíssimo porque a Leitura Nova, como sabem os nossos ilustres leitores, é a revisão dos forais medievais efectuada pelo Venturoso nas primeiras décadas do século XVI. Por outras palavras, é nada mais nada menos que o maior assalto aos privilégios judiciais, fiscais e administrativos dos concelhos na história de Portugal. Esvaziar as comunidades políticas intermédias e homogeneizar a sociedade foi o caminho da maioria dos Estados modernos para centralizar o poder. Tocqueville descreveu o processo em França, mostrando que a Revolução apenas concluiu o que o Antigo Regime começou. Por cá, a uniformização dos forais acompanhou a dos pesos e medidas, a das crenças e etnias (expulsão de mouros e judeus), a das consciências (pedido da Inquisição ao Papa) e a das leis (Ordenações manuelinas).
A nobreza já estava domesticada pela corte e pelo funcionalismo régio "d`aquém e d`além-mar", tentando um derradeiro acto de rebeldia na conspiração contra D. João II - que o Princípe Perfeito esmagou impiedosamente. A Igreja, atemorizada pelas notícias de monges alemães e reis ingleses em dissídio com Roma, rezava pelo sucesso das armas nacionais urbi et orbi. E as ordens militares, os maiores proprietários do Centro e do Sul do país, acabaram por ficar também nas mãos do soberano com o próprio D. Manuel, Mestre de Cristo, e com D. João III, Mestre de Avis e de Santiago em 1551. Pela primeira vez, os bens da Coroa cobriam mais de metade do território.
Assim se fez a pátria. Podem ver um pouco da história aqui: http://ttonline.dgarq.gov.pt/
publicado por Pedro Picoito às 17:15 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Mother Love

publicado por Joana Alarcão às 13:07 | comentar | partilhar

Código de Trabalho: uma oportunidade perdida


O Parlamento aprovou finalmente o novo Código de Trabalho. Apesar de alguns avanços positivos (licença parental, banco de horas, adaptabilidade de horários, simplificação de procedimentos, etc.) o resultado final é medíocre, muito aquém das expectativas. A lei permanece complexa, burocrática e dirigista.
O novo código persiste em dois erros essenciais. O primeiro é basear-se num único modelo de relação laboral -o trabalho subordinado para toda a vida- que já não é dominante. Como tantas vezes acontece, a vida foi mais rápida do que a lei. Existem hoje múltiplas formas de exercício profissional. Já não há carreiras para a vida, nem empregos 100% seguros, nem mesmo para os funcionários públicos. Não faz sentido, por isso, que a lei admita apenas um padrão único de contrato, conferindo-lhe uma protecção quase absoluta.
O segundo erro é focar-se apenas nas empresas de grande dimensão, quando o tecido económico nacional é constituído, em larga maioria (98%), por micro e pequenas empresas. Certas exigências legais tornam-se demasiado pesadas e burocráticas para estas empresas, sobretudo num contexto de crise.
Quando a lei é ultrapassada pela realidade o incumprimento generaliza-se. Os recibos verdes, tantas vezes falsos, tornaram-se banais em Portugal, mesmo dentro do próprio Estado. São já mais de 450 mil, segundo os sindicatos, formando um mercado laboral paralelo, onde a informalidade conduz muitas vezes à negação de direitos.
Na noite escura dos outsourcings não há licenças de maternidade, nem férias pagas, subsídio de natal, ou direito à formação profissional. Os descontos para a Segurança Social (quando existem) são suportados pelo prestador, que tem ainda de pagar o IRS como qualquer outro trabalhador. Não parece que a situação vá melhorar. Quando a lei está desajustada de pouco servem as multas ou as "presunções ilidíveis" da existência de contrato de trabalho, que aumentam o trabalho, sim, mas só nos tribunais.
Mas o mais grave desta pseudo-reforma é o falhanço em promover uma cultura de mérito e de oportunidades nas empresas. Os absentistas e os incompetentes podem dormir descansados: se não fizerem uma falta grave tudo ficará na mesma. A não ser, claro, que a empresa vá à falência, ou faça um despedimento colectivo, penalizando indiferenciadamente todos os trabalhadores, o que se tornou tristemente banal com o agudizar da crise.(...)
[Versão integral no Diário Económico de hoje]
publicado por Paulo Marcelo às 09:54 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 27.01.09

A OCDE é outra coisa

Seguindo o exemplo do Governo, encomendei um estudo à OCDE. Fi-lo hoje de manhã e (a OCDE é lixada) acabou de me chegar quentinho às mãos agora mesmo. Vinha assinado (com uma cruz) pela senhora da tabacaria do lado e pelo senhor de bigodes do Restaurante Romaria que me costuma vender frangos assados. Tratava-se de saber (i) se a correspondência entre a cadelinha Fidèle (do segundo andar esquerdo) e a cadelinha Medji (terceiro direito) cumpre as normas do recente acordo ortográfico, e se (ii) a Lua é de facto fabricada em Hamburgo por um artífice coxo, e é de má qualidade. A OCDE garantiu-me a pés juntos que não há correspondência nenhuma entre a Fidèle e a Medji e que a Lua não é fabricada em Hamburgo, sendo, ainda por cima, a sua qualidade excelente. Era já, de resto, a opinião da senhora da tabacaria e do senhor de bigodes do restaurante Romaria. Eu também pensava assim, mas agora estou mais sossegado. Com a OCDE é outra coisa.
publicado por Paulo Tunhas às 18:05 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Keynes sobre a "Prioridade ao Emprego" e o "Investimento Público" dos socialistas

Sobre o emprego como prioridade política:

«We are more likely to succeed in maintaining employment if we do not make this our sole or even our first aim»

Sobre o investimento público:

«Organized public works, at home and abroad, may be the right cure for a chronic tendency to a deficiency of effective demand. But they are not capable of sufficiently rapid organisation (and above all cannot be reversed or undone at a later date), to be the most serviceable instrument for the prevention of the trade cycle

Aliás, sobre a lógica de protecção do emprego que os socialistas têm defendido, Keynes preferia a lógica que tem sido proposta pelo PSD de redução da "taxa social única":

«I doubt if much is to be hoped for to offset unforeseen short-period fluctuations in investment by stimulating short-period changes in consumption. But I see very great attractions and practical advantage in Mr Meade's proposal for varying social security contributions according to the state of employment

Os socialistas, que exaltam um certo "keynesianismo" e não propriamente Keynes, deveriam no entanto manter alguma calma quando citam Keynes durante a Grande Depressão, e não pregar até ao absurdo um ou outro documento subscrito por Keynes à data, sobretudo porque Keynes sobreviveu e avaliou vários dos erros cometidos durante essa época. Sobre a Grande Depressão é sem dúvida interessante perceber o que Keynes disse à data, mas do ponto de vista da aprendizagem sobre políticas de resposta é mais importante o que Keynes escreveu depois. E suponho que disso os socialistas não vão gostar, quer económica quer politicamente. Se há algo que Keynes não gostaria seria de ver as decisões de investimento público tomadas isoladamente por Sócrates, Lino & Cª. Keynes defendia que este tipo decisões, deixadas a um partido político, seriam entregues a ignorantes:

«too much will allways be decided by those who do not know at all what they are talking about»

A solução para este problema, como para outras áreas da esfera pública, seria a "entrega" a comissões semi-independentes e orgãos de administração:

«Semi-independent corporations and organs of administration to which duties of government, new and old, will be entrusted - without, however, imparing the democratic principle or the ultimate sovereignity of Parlmient»

Olhar para o que os socialistas estão a fazer e citar Keynes só é plausível se esse Keynes for não o John Maynard, mas um outro qualquer personagem de ficção. E todos sabemos a relação recente dos socialistas com a ficção.
publicado por Manuel Pinheiro às 16:00 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Da série "Cachimbos de lá"

George Groz, Rua de Nova Iorque (1932)
publicado por Pedro Picoito às 15:28 | comentar | partilhar

Sócrates

Não tenho certamente nada contra José Sócrates. Grande parte do que ele faz de eventualmente reprovável é (com uma ingenuidade excessiva, admito) importado de lá fora (regimentação da vida individual, etc.), ou, quando não o é (aquela mania das obras públicas), segue a ortodoxia de uma seita que ele absorveu, como podia ter absorvido uma outra ortodoxia qualquer, se lhe fosse mais útil. Sem lhe supor um ódio vesgo à pátria, acho, como muita gente, que Manuela Ferreira Leite seria muito melhor primeira-ministra do que ele. Mas isso não traz consigo qualquer detestação.

É claro que aquela vozinha didáctica (com o seu quê de ameaçador) que usa quando aparece na televisão, provocando urticária, me faz imediatamente tirar o som. É claro que o português que ele usa e que os jornais transcrevem (“bota-abaixismo”, etc.) é abaixo de cão. É claro que ele mistura incompreensivelmente subjectividade e objectividade como se a distinção entre ambas as atitudes nunca lhe tivesse passado pela cabeça (agora deu-lhe para proclamar as vantagens políticas do “optimismo” e a catástrofe intrínseca do “pessimismo”). Isso e muitas outras coisas, sem dúvida. Mas desgostar disto não é exactamente um juízo político: é só não gostar do estilo.

Agora é verdade que a série de trapalhadas que os media publicitam em torno da sua pessoa (“Independente”, “Magalhães”, etc. - agora o "Freeport") traça um perfil um bocado inquietante. Dá, para falar simplesmente, a sensação que ele faz tudo para se desenrascar. Episódio após episódio – e sem necessidade de “prova” – gera-se uma suspeita que cresce. Tanto mais que a resposta à suspeita – resposta dele e dos seus ocasionais delegados - tende para o evasivo. Eu não votaria nele nas próximas eleições, certamente. Mas palpita-me que muita gente que o iria fazer não o vai fazer. E não: não é culpa dos media. Os media têm-no tratado com uma brandura desconhecida em países democráticos. A culpa – culpa política – é dele. Só dele.
publicado por Paulo Tunhas às 15:08 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

A propaganda socrática II

O Carlos Nunes Lopes está a desenvolver um trabalho notável de desmontagem da propaganda utilizada no alegado estudo da "OCDE" sobre o ensino básico em Portugal. Por exemplo, constata-se que os parceiros locais ouvidos foram todos socialistas (mais a inevitável Câmara Municipal de Gondomar). A acompanhar no 31 da Armada.

publicado por Nuno Gouveia às 14:55 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Ler

"Coisas que não compreendo", por Vasco Lobo Xavier, no Mar Salgado. Eu também acho esquisito.
publicado por Paulo Tunhas às 14:10 | comentar | partilhar

Propaganda Vital

Se bem que quando o lemos já sabemos ao que vamos, de vez em quando vale a pena parar e medir bem o sentido das suas palavras. Vem isto a propósito do artigo de Vital Moreira, publicado hoje no PÚBLICO, onde o discurso inaugural de Obama aparece transvestido de propaganda vital.

O mote é dado logo no início: “O notável discurso inaugural do novo presidente não desiludiu, antes pelo contrário, deliberadamente ancorado nas grandes tradições progressistas norte-americanas.” Dois erros: em primeiro lugar, o discurso de Obama não é notável, como foi amplamente difundido nos dias que se seguiram à cerimónia; em segundo lugar, o discurso está ancorado nas grandes tradições norte-americanas mas de modo algum as tradições em que o discurso está ancorado são progressistas. Aliás, conhecendo nós como conhecemos o laicismo radical que condiciona o pensamento de Vital Moreira, tendo em consideração as inúmeras referências às Escrituras e a Deus no discurso de Obama (que até geraram alguma celeuma no domínio da esquerda), parece-me a mim claro que nem o próprio Vital Moreira acredita nas coisas que escreve no artigo de hoje.

Longe de uma análise objectiva do discurso de Obama, estamos face a um instrumento político e ideológico que visa condicionar e direccionar o pensamento da opinião pública. Por exemplo, qualquer pessoa atenta à política americana sabe que o neoliberalismo e o neoconservadorismo não andaram propriamente de mãos dadas durante a Administração Bush; pelo contrário, muitas das críticas a Bush foram feitas a partir da ala liberal do Partido Republicano, concretamente a denúncia do peso excessivo que o Governo Federal tinha na política americana. Que Vital Moreira qualifique o discurso de Obama como tratando-se de um “corte radical com o discurso neoliberal e neoconservador” de Bush, não pode deixar de ser interpretado como o efeito da vontade, tão ao jeito do anti-americanismo europeu, de colar a Bush os dois fantasmas que determinaram o pensamento da opinião pública nos últimos anos.

Para quem ainda não esteja convencido, ou pense que estou a exagerar, atente agora nesta outra afirmação de Vital Moreira: “Obama disse claramente que, embora não existindo alternativa ao mercado como instrumento de criação de riqueza, ele tende porém a sair dos eixos, na falta de um ‘olhar vigilante’”. A verdade é que – e a verdade ainda deve contar para alguma coisa – Obama disse algo que, não sendo completamente diferente do que escreveu Vital Moreira, soa e é completamente diferente. Vejamos: “O poder do mercado para criar riqueza e expandir a liberdade is unmatched.” Aqui o is unmatched não significa apenas a inexistência de alternativa. O is unmatched poderia ser usado para designar, por exemplo, o facto de na história do basketball americano não haver um jogador equiparável a Michael Jordan. Isto é, Obama não se limitou a dizer que não existe alternativa ao mercado como instrumento de criação de riqueza; Obama disse que o mercado tem o poder único de criar riqueza e de – note-se bem – ser um promotor inigualável na promoção da liberdade (liberdade esta, agora sim, indubitavelmente ancorada na tal tradição americana que Vital Moreira erroneamente qualifica de progressista, quando todos sabemos bem que o progressismo de Vital Moreira significa estatismo e não mercado ou liberdade).

A mesma má fé na análise aparece na referência à segurança e ao terrorismo. Onde Obama escreve explicitamente “A nossa nação está em guerra com a uma extensa rede de violência e ódio”, Vital Moreira reduz a situação descrita a uma mera “luta contra o terrorismo” (como se Obama tivesse usado a palavra struggle e não a palavra war).(*)

Curiosa é ainda a aproximação forçada que Vital Moreira tenta fazer entre a América de Obama e a Europa: “Não é temerário antecipar que os Estados Unidos venham também a ficar menos distantes do ‘modelo social europeu’, embora nas suas versões menos exigentes”. O problema aqui, devidamente discutido ao longo dos últimos anos, é que a Europa pode muito bem continuar a ser exigente no domínio social enquanto a América continuar a ser exigente no domínio da segurança. O facto de Vital Moreira encarar a ameaça terrorista como uma mera luta é sintomático da incapacidade europeia para pagar a guerra. Vital Moreira bem pode louvar a vontade de Obama em não sacrificar os valores da América para garantir a sua segurança desde que os contribuintes americanos continuem a sacrificar os seus impostos para garantir a segurança deles - e nossa!

O artigo de Vital Moreira tem como título O regresso da ‘boa América’ e chega a escrever no artigo que “a ‘boa América’ está de regresso ao palco internacional.” Mas esta América de que fala Vital Moreira não é a América. É uma outra coisa qualquer muito próxima da Europa. Porém, se a América fosse essa outra coisa mais próxima da Europa, a América não seria a América e Vital Moreira teria poucas razões para lhe dar a importância que dá hoje.

(*) Ao ler esta passagem do artigo de Vital Moreira, não pude deixar de me lembrar do deputado Pedro Nuno Santos, amigo da JS, que dizia repetidamente na Assembleia da República, a propósito do casamento gay, que estava empenhado num “combate”. É assim que anda o discurso político hoje em dia: eleva-se o casamento gay ao estatuto de “combate” e reduz-se o estatuto da “guerra contra o terrorismo” a uma mera “luta”. É o que acontece quando uma grande civilização está doente.
publicado por Nuno Lobo às 13:45 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Hoje, lembrei-me disto

Mezzogiorno.

«Acabei de ver o filme "Gomorra", de Matteo Garrone. A páginas tantas, o aprendiz de um mafioso que fazia fortuna com o despejo ilegal de resíduos industriais perigosos desiste da sua carreira. Para surpresa do mafioso, o aprendiz diz que não quer mais fazer aquele trabalho, alegando que ele é, enquanto homem, "diferente". Ao que o mestre responde meio em tom professoral, meio em tom defensivo: "Fica sabendo que foram pessoas como eu que puseram este país de merda na Europa".
Esta resposta soou-me à formulação mais directa do síndroma mediterrânico, dessa maleita inefável que afasta o sul da "Europa". A "Europa" é o lugar da ordem, da civilização, da regularidade e, até, de uma certa pureza. O sul não lhe pertence por direito. Melhor, o sul não lhe pertence "por natureza". Só lá chega por vielas estreitas, sinuosas e escuras. Que só o sul conhece.»
publicado por Miguel Morgado às 12:08 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Segunda-feira, 26.01.09

"Foi um gosto trabalhar consigo"

Foi assim que José Sócrates se referiu hoje a Maria de Lurdes Rodrigues, na sessão de apresentação de um estudo da OCDE a Educação em Portugal. Fiquei confuso. Mas não faltam ainda quase nove meses para o fim de legislatura? Será que José Sócrates tem outras intenções?
publicado por Nuno Gouveia às 21:31 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Revivendo o passado

Os que fazem e os que só se opõem. Aqueles os bons e estes os maus. Tão martelados nós estamos pelas arengas do nosso engenheiro, que até parece que é o passado que repete o presente. E neste mundo simples, o Fazismo vai passando.
publicado por Carlos Botelho às 20:38 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Da série "Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé"


Bruno Vieira Amaral, na sua muito recomendável cabana.
publicado por Pedro Picoito às 16:27 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Escolinhas

A transformação da escola num espaço lúdico de (des)aprendizagem não é um fenómeno isolado. As empresas seguem o mesmo caminho. Os locais de trabalho cada vez mais se parecem com locais de lazer. É uma espécie de hipnose: os trabalhadores são induzidos a produzir porque se convencem que aquilo não é trabalho. Nada no trabalho pode lembrar trabalho, começando pela designação do trabalhador, agora colaborador. Os chefes também estão em vias de extinção, substituídos pelo mais moderno e humano "responsável". As ordens foram à vida e só devem sobreviver em zonas de protecção especial, como o Exército e o Futebol Clube do Porto. Agora pede-se aos colaboradores que, se não for muito incómodo, executem (atenção que é uma palavra pesada e dá direito a recusa do colaborador) a tarefa para a qual estão a ser pagos. Isto para não ferir susceptibilidades, porque os responsáveis não podem mandar, têm de sugerir. Num futuro próximo, as "indicações" serão transmitidas por telepatia. A fraca produtividade tem sempre uma desculpa: o responsável não vai com a minha cara, tiraram-nos a internet, não há café de borla, não temos direito a massagens. Para evitar amuos, a empresa organiza jantares e passeios, seminários e sessões de coaching, que os colaboradores desdenham sempre que se realizam fora dos horários de... aquilo. O conceito é, mutatis mutandis, o mesmo que se aplica às escolas com o sucesso reconhecido. As crianças não podem ser contrariadas. E nada melhor para contrariar uma criança do que lhe impor deveres ou TPC (ainda se chamam assim ou já são "sugestões de algumas actividades que poderão realizar em casa se vos apetecer"?). Trabalhar e aprender são coisas que, lamento informar, dão trabalho. O prazer e a satisfação devem ser a recompensa e não as condições. Não explicar isto às crianças é tratá-las de uma forma infantil e irresponsável. Mas não se pode esperar mais de uma sociedade infantilizada.
publicado por Joana Alarcão às 14:44 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Resistir à tentação

Manuela Ferreira Leite não comenta o "caso Freeport".
Faz bem.
A tentação de cavalgar a onda da suspeita é grande, mas o PSD deve resistir. Sócrates tem direito à presunção de inocência, como toda a gente, e o partido não tem o hábito de acusar alguém de ânimo leve. Essa é a escola do Independente, do Bloco de Esquerda e dos justiceiros de café, não é a nossa. Quando o próprio Primeiro-Ministro põe em causa a independência do poder judicial, insinuando perseguições políticas à conta das próximas eleições, quando começam a avolumar-se as nuvens sobre o trabalho da Judiciária e dos tribunais, que teriam o processo parado há quatro anos, quando até se sugere que a investigação da polícia inglesa obedece ao calendário da aldeia (oh God!...), o PSD só pode dar um sinal de confiança nas instituições.
Eis o que se espera de quem quer governar o país, sobretudo agora que o Governo anda de cabeça perdida.
Eis o que se espera de Manuela Ferreira Leite, que não é Menezes nem Santana.
O que está em jogo é demasiado importante para ceder a maquiavelismos de bolso.
Adenda: Depois de ter escrito este post, vi que Bruno Pires, no Corta-Fitas, usa um título semelhante para um post anterior (A última tentação de MFL). Fica o link.
publicado por Pedro Picoito às 10:56 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Existe um nome

Ler absolutamente o editorial de José Manuel Fernandes no Público, em particular a passagem relativa a uma frase inteiramente obscena de um artigo recente de Frei Bento Domingues: "Israel já fez o suficiente para mostrar que, mesmo com o fariseu Madoff na cadeia, os EUA devem continuar com fé em Israel, mesmo depois de todos os crimes contra a humanidade". José Manuel Fernandes alerta, com todas as precauções de cordialidade, para o mundo de pensamento que aquele "mesmo com o fariseu Madoff" revela. Um mundo pura e simplesmente execrável. Para o qual existe um nome.
publicado por Paulo Tunhas às 08:08 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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