Segunda-feira, 02.02.09

Cachimbo na rádio

Hoje às 23 horas, o Paulo Marcelo e o Miguel Morgado estarão no programa sobre blogues do Rádio Clube Português, como sempre (muito bem) conduzido pelo Alexandre Honrado.
Ou muito me engano, ou o Primeiro-Ministro vai ficar com as orelhas a arder...
publicado por Pedro Picoito às 20:08 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sol na eira e chuva no nabal

Lemos no DN de hoje a história de professores que nunca conseguiram colocação depois de terminarem o estágio. Segundo Mário Nogueira, o sindicalista da Fenprof, muitos professores foram obrigados a trabalhar em áreas não relacionadas com o ensino. Deixando de lado o facto de serem poucas as formações académicas que garantem o exercício da profissão a alguém pelo simples facto de ter esta ou aquela habilitação – porque motivo seriam os professores a excepção? – vale a pena lembrar Mário Nogueira que a condenação de tantos e tantos bons professores jovens ao não exercício da profissão, para a qual estão especialmente vocacionados, muito se deve ao regime estatista de contratação e gestão da carreira docente. A não inclusão no sistema de ensino dos professores jovens muito bons é o preço que se tem de pagar pelo regime que obriga à eternização na carreira dos maus professores antigos.
publicado por Nuno Lobo às 17:28 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

O outro lado dos pacotes de intervenção do Estado

"Fiscal stimulus can be great politics, at least in the short run. The beneficiaries of government largesse know who wrote them a check. The businesses and consumers who end up getting less credit, and the businesses that can’t sell them products, can only blame “the crisis,” and call up their congressmen to get their own stimulus. Roosevelt understood this, and his biggest stimulus came as political support was flagging. But President Obama has such widespread support, he doesn’t have to buy votes any time soon."
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-- John Cochrane, Universidade de Chicago
publicado por Miguel Morgado às 16:54 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Que setinha para o jornalista das setinhas (3)

Johanna Sigurdardottir tem na última página do PÚBLICO de hoje direito a uma setinha virada para cima. Quem ler o textozito fica sem saber ao certo qual o motivo da homenagem: se a grave crise financeira e política que levou à demissão de Geir Haarder; se a homossexualidade assumida da nova primeira-ministra islandesa; se a grande experiência política da antiga ministra dos Assuntos Sociais. Quase que aposto que a setinha está virada para cima porque a senhora é lésbica. Se eu não estiver enganado, temos então a homossexualidade elevada ao estatuto de medida da competência política.
publicado por Nuno Lobo às 16:42 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

A “democracia” de Chavez

Hugo Chavez pretende ser presidente até 2049, ano em que completará 50 anos no cargo. E acabei de saber que o “protoditador” instaurou o dia 2 de Fevereiro como feriado nacional, celebrando a sua chegada ao poder em 1999. Quando será que os seus apoiantes europeus irão criticar a “democracia” bolivariana? Quando será que assistiremos a manifestações de repúdio pela falta de liberdade na Venezuela? Ou continuam a pensar que isto é perfeitamente normal?

publicado por Nuno Gouveia às 16:17 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Sobre Cândida Almeida

A ler "Boys and girls", I, II, e II, por Rui Castro, no 31 da Armada

"Depois dos socialistas, nomeadamente o primeiro-ministro, terem feito do caso Freeport uma questão política, será que a procuradora se sente capaz de, de forma imparcial e isenta, continuar a coordenar o inquérito?"
publicado por Nuno Gouveia às 14:46 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

O princípio da incerteza


Só nos faltava isto. Por cima da crise económica, com empresas a fechar todos os dias (esta semana parece ser a vez da Quimonda), que se pode transformar em emergência social, com desemprego, insegurança e talvez fome, temos agora um Primeiro-Ministro politicamente moribundo. Sim, apesar dos esforços de Sócrates para explicar o seu envolvimento na aprovação do mais famoso outlet do país, persistem demasiadas perguntas sem resposta. Essas dúvidas fragilizam o chefe do governo. Não basta falar de “campanhas negras” e invocar “forças ocultas”, como fez Sócrates na sua quinta-feira-negra. Sobram ainda muitas coincidências, pressas, reuniões, mails, tios e primos, por explicar. Há algo de podre no "ambiente" do último governo Guterres. Não falo aqui da (eventual) responsabilidade criminal do ex-ministro do Ambiente. Isso fica para as polícias investigarem e os tribunais julgarem. Falo de responsabilidade política, sem presunções de inocência, que pode e deve ser questionada pelos cidadãos. Nesse plano, é incontornável que o político José Sócrates sai muito fragilizado, numa altura em que mais precisávamos de um primeiro-ministro forte. Pior ainda. Há sinais de que o Governo está mais preocupado (e ocupado) em defender a honra do primeiro dos seus ministros do que em enfrentar a crise.
Com tudo isto os próximos meses serão marcados pela incerteza. A evolução política do país tornou-se imprevisível. Ninguém sabe, Governo, partidos, nem sequer o Presidente da República, o que vai acontecer. O que não dá confiança às pessoas, nem às empresas. Não começou nada bem este ano.
publicado por Paulo Marcelo às 12:31 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Inocêncios e Culpídios

Anteontem, num jantar (umas favas que nenhum poder oculto perturbou) com uma amiga e um amigo brasileiro e a mulher (sobrinha de Chico Buarque, por sinal), a conversa girou fatalmente para a questão da corrupção em política. Às tantas, o meu amigo lembrou que um político brasileiro a quem o destino tinha dado o nome de Inocêncio, e que, de acordo com a opinião pública, era a própria corrupção encarnada, passara a receber quase sistematicamente, nos jornais, o nome de “Culpídio”.

Os brasileiros – goste-se ou não da prática – têm imenso jeito para estas coisas, e fartámo-nos de rir. Depois, a minha amiga lembrou que, regra geral, em Portugal, não gostamos de considerar nenhum político culpado – por os acharmos todos assim. O que é, em grande parte, verdade. E a conversa continuou, longa, por esses caminhos, com palpites à mistura. Em privado, não fazem mal.

Os palpites (“É Inocêncio” – “Não, é Culpídio”), fora da esfera privada, não interessam nem ao Menino Jesus. E as paixões, que vulgarmente os acompanham, idem aspas aspas. Em contrapartida, neste caso do “Freeport”, há várias coisas que interessam.

Em primeiro lugar, o jornalismo (mesmo admitindo todos os excessos e defeitos) tem vindo a fazer um trabalho meritório. Porque, diga-se o que se disser, várias das notícias que vieram à tona (presumindo-as verdadeiras) são alarmantes. Negá-lo, é absurdo. Num livro que li no outro dia (To Jerusalem and Back), Saul Bellow nota que “uma grande quantidade de inteligência pode ser investida na ignorância quando a necessidade de ilusão é profunda”. Não chegarei ao excesso de dizer que, na negação da importância das notícias em questão, tenha sido investida uma grande quantidade de inteligência – provavelmente não se encontrava disponível. Mas certamente que a necessidade de ilusão era poderosa.

Mas nem é isso o mais grave. O mais grave é o espectáculo da aterradora ineficácia da investigação da Procuradoria Geral da República – especialista, aparentemente, na criação de monstros “Inoculpidêncios” – que, sem o jornalismo, teria, segundo toda a probabilidade, deixado arrastar mansamente o processo até às calendas gregas. Em relação a essa gente – muito mais do que em relação a Sócrates – é que um bocadinho de paixão furiosa até é perdoável. Pagamos-lhes, e, segundo se vê, não fazem aquilo para o qual lhes pagamos. Espero que não haja “Inocêncios” por lá. Porque, se há, merecem bem o nome de “Culpídios”.
(Também no ABC do PPM)
publicado por Paulo Tunhas às 07:45 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Leitura recomendada (em voz baixa)

Uma citação do Sermão do Bom Ladrão, do Padre António Vieira:

'Pagou o furto quem elegeu e quem deu o ofício ao ladrão.'

Continuando a citar "descontextualizadamente", porque só "descontextualizadamente" vale a pena citar:

'O roubar com pouco poder, faz os piratas, o roubar com muito, faz os Alexandres.'

É de facto um homem perigoso. O Vieira.
publicado por Carlos Botelho às 01:18 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Domingo, 01.02.09

E se D. Afonso Henriques, sem deixar de ser D. Afonso Henriques, tivesse nascido em data e local diferentes do que nos ensinaram?

Toda a gente sabe que D. Afonso Henriques nasceu em Guimarães em 1111.
Toda a gente?
Não!
Uma pequena aldeia gaulesa - ou, no caso vertente, o historiador Armando Almeida Fernandes - publicou há década e meia um livro com o título bombástico Viseu, Agosto de 1109, Nasce D. Afonso Henriques. Resultado, curiosamente, de uma encomenda da Câmara Municipal de Guimarães para um congresso na cidade-berço, a sua tese era que o primeiro rei de Portugal tinha nascido na urbe beirã e dois anos antes da data vox populi. Não o li, mas estive no tal congresso em Guimarães e posso garantir que, do Magnífico Reitor da Universidade do Minho ao último contínuo do campus de Gualtar, choveram referências pouco abonatórias à genealogia do erudito.
Entretanto, Almeida Fernandes morreu, mas os argumentos para mudar a história convenceram José Mattoso e outros especialistas. E foi a vez de Viseu tomar conta da ocorrência. Uma fundação da cidade reeditou a polémica obra e o próprio município, descontente com o resumo das glórias locais a Viriato e ao Francisco Mendes da Silva, entendeu organizar outro congresso em honra da sua dama, perdão, do seu herói. Que terá lugar no próximo mês de Agosto, a nova data dos 900 anos do pai da pátria... Um colega meu já disse, com graça e um suspeito brilhozinho nos olhos, que se algum historiador quer enriquecer até ao Verão, só tem que forjar certo documento.
A bem do orgulho e do turismo, as forças vivas de Viseu hão-de ser generosas.
publicado por Pedro Picoito às 23:44 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Leitura Recomendada

«Portugal enquanto “grande autarquia”», por João Miranda.
publicado por Manuel Pinheiro às 16:18 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Da série "Grandes expectativas que infelizmente (infelizmente?) nunca se cumprirão"

"Obama não vai pedir à Europa apenas mais tropas para o Afeganistão e fundos para o Médio Oriente: vai propor-lhe uma muito mais activa acção diplomática - o que forçará a UE a redefinir-se politicamente."

Jorge Almeida Fernandes, no Público de hoje (P2, p. 9).
publicado por Pedro Picoito às 15:32 | comentar | partilhar

Memória

publicado por Nuno Gouveia às 15:20 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Garanto-vos: tenho saudades de Souto de Moura

É com certeza mau feitio meu, derivas economicistas da minha parte, mas tenho a estranha mania de avaliar a competência das pessoas por resultados. E o ministério público, que em quatro anos não conseguiu investigar na totalidade o processo Freeport - por inércia ou por temor reverencial perante um dos envolvidos no processo, entretanto promovido a Primeiro-Ministro - revela-se de uma incompetência atroz. E como também pago impostos, e recordo novamente o mau-feitio, irrita-me à séria andar a pagar os ordenados desta gente que finge que trabalha desde que nada se concretize.

Eu não sou jurista, mas o tio de Sócrates não confessou já um caso de tráfico de influências? Segundo o senhor, facilitou uma reunião entre o tal Smith e o Zezito, sendo que posteriormente a sua família veio reclamar junto do Freeport a recompensa pelo favor (mesmo que apenas pedindo a adjudicação de campanhas publicitárias a fazer pelo Freeport). O que espera o ministério público para o inquirir? E ao Primeiro-Ministro, que, sabendo-o ou não, esteve envolvido num caso de tráfico de influências?

E, se não custar muito ao MP e ao DCIAP, agradecia um esclarecimento: porque razão recaiem suspeitas (segundo Cândida Almeida) sobre o tio de Sócrates, e não sobre este, no caso Freeport? É que para a minha cabecinha certamente formatada em excesso e incapaz de ver nuances processuais, para os promotores e intermediários do Freeport o tio de Sócrates só tinha uma mais-valia: precisamente ser tio do Zezito.
publicado por Maria João Marques às 00:15 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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