Terça-feira, 29.09.09

O Ministro das Praxes.

publicado por Fernando Martins às 10:05 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Tempo de reflexão

O PSD obteve uma clara derrota. Nas próximas duas semanas não haverá grande tempo para pensar, pois há umas eleições autárquicas para ganhar. E aí, tudo aponta para que as coisas corram bastante melhor. Mas depois disso, será tempo de iniciar uma profunda reflexão interna sobre o que falhou nestes últimos quatro anos, onde o PSD teve três líderes, contestação interna e confusões sobre os seus princípios programáticos. Um partido não pode ter grande futuro quando após um líder ser eleito, imediatamente a seguir começa a contagem de espingardas para o destronar ou minar a sua liderança. Foi assim com Marques Mendes, com Luís Filipe Menezes e com Manuela Ferreira Leite. O PSD, para voltar a ser uma alternativa de governo credível, terá de deixar de ser uma quinta com vários grupinhos e tendências. Este é o tempo de uma clarificação interna dentro do PSD. Manuela Ferreira Leite foi líder do partido numa altura extremamente difícil. Só ela saberá se tem condições para continuar à frente do partido. Mas caso saia após as autárquicas, é tempo de mudar de vida.

O melhor candidato ao seu lugar será aquele que se apresentar, não como líder de facção ou de sensibilidade, não aquele que representar a ala liberal ou conservadora, mas sim o que se apresentar como capaz de dotar o PSD de uma nova alma, federar a maior parte dos militantes em seu redor, adquirir uma coerência ideológica (concordo com o Pedro quando diz que o PSD deve transformar-se, sem preconceitos, num grande partido de centro-direita) e mostrar que está pronto para ganhar as próximas eleições legislativas. Honestamente, se for para continuar a ser um partido de facções, onde a que está fora do poder prossegue em clima de guerrilha, mais vale dividir o partido e cada um ir à sua vida. O PSD não pode continuar a ser um partido de guerrilhas.

publicado por Nuno Gouveia às 01:01 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

PS-ocracia

O PS esteve, nos últimos 14 anos, 11 no governo. Se cumprir esta legislatura até ao fim, somará 15 no poder em 18. São números muito importantes, que demonstram a dificuldade sentida pelo PSD em se impor após os governos de Cavaco Silva. A derrota nestas legislativas de 2009 foi, para muitos, o acto simbólico que põe um ponto final no chamado ‘cavaquismo’, pela inevitável saída de Manuela Ferreira Leite da liderança do partido, agora ou mais tarde. É indesmentível que o partido vive ainda, em muitos aspectos, sob o espectro do tal ‘cavaquismo’, mas ao contrário do que muitos já por aí andam a gritar, a saída de MFL não é o factor determinante para o futuro do PSD. Note-se que o PSD tem acumulado, nos últimos 4 anos, lideranças fracassadas, todas elas acusando a pressão interna. Nesse sentido, a saída de MFL será apenas mais uma para somar às anteriores, se feita com a mesma precipitação. E, note-se, isto não significa que não deva sair, apenas que essa saída deve ser ponderada em virtude de uma definição interna do partido, que tem de decidir, de uma vez por todas, a sua identidade política (e assumi-la). É tempo de reflectir, não de dar passos inconsequentes.

E essa reflexão passa, antes de mais, pelo que o Pedro Picoito já disse na sua enumeração dos três principais erros do PSD nestas legislativas: o partido está numa encruzilhada ideológica. Tem razão em todos os pontos que salienta, mas se os dois primeiros foram apenas erros estratégicos de campanha, o terceiro, como ele próprio indica, reflecte uma questão de fundo e crucial de esclarecer: o PSD quer ser o partido de centro-direita que o país precisa, ou quer lutar no território do PS pelo espaço do centro-esquerda? A resposta poderá ser mais complexa do que, à primeira vista, aparenta. Afinal, muitas das características de políticas de centro-direita foram repetida e publicamente recusadas pelo partido ao longo da campanha, embora reúnam apoios fortes entre as bases do partido.

A propósito disto, recordo amargamente uma declaração de Marques Mendes durante a campanha, aliás repetida no artigo de apoio ao PSD que escreveu para o jornal i. Dizia ele que o PSD não é, como muitos julgam, um partido de direita, mas sim um partido social-democrata. Desconfio que Marques Mendes não tenha razão, porque nem ele nem ninguém sabe exactamente o que é o PSD. Ele sabe o que queria que o partido fosse, assim como há quem o queira à direita. Decidam-se. E depois, sim, pense-se na liderança. O partido precisa de pensar em conjunto, não de um auto-de-fé.
publicado por Alexandre Homem Cristo às 00:21 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Segunda-feira, 28.09.09

Laranja Lima

O Pedro Picoito pergunta se o CDS voltará a chamar-se PP. Percebo a provocação.
Também o Fernando Martins evidencía o seu mau sentimento em relação ao CDS ao afirmar, injustamente, que Paulo Portas, Loucã e Socrates são farinha do mesmo saco.
A pergunta que coloco aos dois é apenas uma. Se o PSD tivesse ganho as eleições com o resultado do PS diriam a mesma coisa de Paulo Portas e do CDS ou estariam a defender uma coligação com o CDS?
publicado por Pedro Pestana Bastos às 23:22 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

O país é diferente

«Regressado» com um atraso de 24 horas sobre os resultados das eleições, estou em ressaca desfasada. Não gosto mesmo do que se me antolha. Penso que o país mudou. É a primeira vez na história da democracia, que não há alternância numa fase depressiva do ciclo económico, com a curva do desemprego a subir. Coincidência - ou não, parece-me -, nunca um governo foi confirmado em semelhantes circunstâncias. Até domingo passado.

É para a esquerda socialista, de preferência radical, que o país «cresce». Terei de ver melhor os resultados. Mas que vivemos num país com medo de si, em fuga de si, parece-me evidente. Que as respostas de uma alternativa à direita não colhem, é evidente. Que o país quer genericamente mais do mesmo, é evidente. Que isso não seja possível, pouco importa.
publicado por Jorge Costa às 22:35 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Nasceu uma nova autoridade política.

publicado por Fernando Martins às 22:06 | comentar | partilhar

À Espera

Na TVI24 alguém garantiu que Pedro Passos Coelho se vai candidatar à presidência do PSD. A partir desse dia prometo dar alguma folga a José Sócrates.
publicado por Fernando Martins às 21:55 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Farinha do Mesmo Saco




publicado por Fernando Martins às 21:51 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Alguém terá de pagar

Reparei que Bagão Félix, com umas contas que não são implausíveis, calculou o défice do Estado para 2009 e chegou ao astronómico número de 9%. Bagão Félix à parte, há vários sinais de que as contas públicas estão em quase perfeito colapso. E agora que a campanha eleitoral já terminou, e o circo também, espero que o confronto com a realidade não volte a ser confundido com o "pessimismo". Agora que a campanha eleitoral já terminou, será que se pode dizer aquilo que em qualquer outro país do mundo em circunstâncias parecidas com as nossas se diria de um descalabro semelhante das contas públicas, isto é, que se trata de um problema da maior gravidade, que se trata de uma calamidade?
Mas estou certo de que o Banco de Portugal, cuja precisão nestas matérias sobe até às centésimas de ponto percentual, está vigilante e se apressará a corrigir estes números catastrofistas. Também estou certo que os entusiastas das mega obra públicas não se deixarão intimidar por ninharias deste tipo. Para a frente é que é caminho. De resto, com eleições presidenciais em 2011 o mais provável é daqui até lá o circo continuar. A realidade que tire umas férias. Mas como diria o meu conterrâneo Mourinho: "alguém terá de pagar".
publicado por Miguel Morgado às 21:01 | comentar | partilhar

Hierarquia das preferências

O Pedro Picoito diz quase tudo neste seu post excepto um ponto muito importante: as preferências do eleitorado. E destas é importante passar por cima da barragem do chamado "não conseguir passar a mensagem". Parece-me claro que muitas das mensagens de Manuela Ferreira Leite passaram, desde as PMEs à asfixia, do endividamento à questão dos grandes investimentos públicos passando pela necessidade de mudanças tranquilas nas políticas sociais, das diferenças entre o artificialismo de Sócrates e a transparência devida no discurso político. Tal como toda a gente percebeu a diferença de perfil entre Manuela Ferreira Leite e o Sócrates das licenciaturas, OCDE's, etc. O problema é que o eleitorado não valorizou estas diferenças. Podemos alegar que é sempre possível contratar um brasileiro melhor para empacotar a coisa e eleger um salesman em vez de um estadista, na esperança entusiasta nas capacidades da campanha. Como se pode alegar que algumas escolhas de MFL não vincaram estas diferenças, como a famosa questão António Preto. O argumentário é longo, mas houve algumas opções claras sobre a mesa e houve uma hierarquia de preferências da maioria que nos foi desfavorável. Numa escolha aparentemente sem custos não me parece que só se mude se o produto for muito melhor e não apenas melhor, a não ser que Sócrates gere habituação. Mesmo com os problemas que o Pedro aponta (e com os quais concordo), com as divisões internas no partido e com a imprensa a não fazer um trabalho propriamente exemplar, no final do dia o eleitorado avaliou a coisa e 36,5% preferiu o que tinha.
publicado por Manuel Pinheiro às 19:42 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Não exageremos

A votação do CDS foi boa, ainda bem que ficou à frente do BE e da CDU e, sendo má, é melhor uma coligação PS-CDS do que essa personagem de filme de terror que seria uma coligação PS-BE (ou PS-CDU). Vale a pena, no entanto, não exagerar. O resultado do CDS não alterou substancialmente, ao contrário do que se vai lendo por aí, a política socialista dos últimos anos e também não, não foi o agente da mudança. O PS continua governo, certo? Lamenta-se, mas esse papel e essa capacidade continuam exclusivos do PSD.
publicado por Maria João Marques às 17:57 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Bolsa de apostas

Quem será o próximo Ministro da Cultura? Aposto em Jorge Couto, o actual director da Biblioteca Nacional. Aceitam-se outros palpites na caixa de comentários.
publicado por Pedro Picoito às 17:53 | comentar | ver comentários (40) | partilhar

Alentejo (18)

Arraiolos. Entrada das muralhas ao entardecer.
publicado por Alexandre Homem Cristo às 15:55 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

E agora, PSD?

Espero, para o bem do País, que o PSD não ceda à tentação de interpretar o resultado eleitoral com os olhos postos nas deficiências de comunicação de Manuela Ferreira Leite e na excelente forma política de Paulo Portas; que abra os olhos e se prepare para assumir sem dramatismos uma retórica política liberal na economia e conservadora nos costumes. Os 21 deputados do CDS eleitos são muito bem vindos para minorar os estragos esperados, mas é claro que não chegam para mudar o rumo de um País estranhamente paralisado à esquerda. Portugal precisa de um PSD atento às mudanças no mundo, conhecedor da literatura política recente, com um pensamento descomplexado e a coragem de se apresentar como partido de direita.
publicado por Nuno Lobo às 15:26 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

A tentação do CDS

Ao CDS, que pode agora estar tentado a coligar-se com o PS, convém repetir a frase com que, conta-se, Santo Inácio de Loyola convenceu São Francisco Xavier a entrar na Companhia de Jesus: "o que vale ganhares o mundo se perderes a alma?".
E se manter a alma não for incentivo suficiente, talvez pensarem que a recompensa seria voltarem aos seis ou sete por cento nas próximas eleições.
publicado por Maria João Marques às 14:55 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbos de lá


Ray Caesar, Vendedora de sonhos, s.d.
publicado por Pedro Picoito às 13:53 | comentar | partilhar

Outra pergunta

O excelente resultado do CDS é atribuível, sem dúvida, ao desempenho de Paulo Portas em campanha. Ou seja, são votos que se devem mais a Portas do que ao partido, assim como as maiorias absolutas do PSD são inseparáveis de Cavaco. O CDS é um partido cada vez mais unipessoal.
E quando Portas se for embora, o CDS aguenta-se ou passará por tudo o que o PSD passou no pós-cavaquismo?
publicado por Pedro Picoito às 13:44 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Um problema do regime


Ontem à noite muitos se congratularam pela importância acrescida que estas eleições devolveram ao Parlamento. E, claro, lá veio a ladaínha do costume: uma "vitória" da democracia, "boas notícias" para a democracia, "revitalização" da democracia.
Não gosto de ser desmancha-prazeres, mas parece-me que se confundiu actividade parlamentar genuína com mais comunicação e negociação entre as direcções dos partidos políticos. Não é a mesma coisa. E já agora: com fenómenos como o desprezo completo dos Portugueses pelos seus partidos políticos, aqui assinalado, tenho enormes dúvidas de que os tempos que vamos viver irão renovar o prestígio do Parlamento, dos partidos ou de qualquer outra instituição. A crise de confiança que vivemos não vai lá com operações de marketing e slogans baratos. Porque se a confiança teve boas razões para se dissipar, continua a não ter boas razões para voltar.
publicado por Miguel Morgado às 12:03 | comentar | partilhar

Dúvida de Português

O que será uma... trangi... versão?... Trangiversões?...
Talvez se encontre a solução nalguma Fenomenologia da Língua.
publicado por Carlos Botelho às 11:40 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Momento Lúdico

Love, peace and harmony?
Love, peace and harmony?
Oh, very nice
Very nice
Very nice
Very nice...
But maybe in the next world.

The Smiths, "Death of a Disco Dancer" (Strangeways, Here we Come)

publicado por Miguel Morgado às 11:16 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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