Sexta-feira, 02.10.09

As consequências económicas sei lá de quê

Não, André. A culpa é do neoliberalismo. Deve ser. Tem de ser.


E há qualquer coisa aqui que não bate certo. Se a economia portuguesa era um conjunto de prodígios que a crise internacional veio estragar; e se a crise internacional foi menos feroz na ditosa Pátria do que no resto do mundo Ocidental; então, como explicar estes constantes reveses?
publicado por Miguel Morgado às 15:00 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Como não sou faccioso...

... aqui vão as dez "dicas" de Sarah Palin para escrever um livro... o dela!
publicado por Fernando Martins às 12:58 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Alentejo (20)

Évora. Aqueduto, perto da Cartuxa.
publicado por Alexandre Homem Cristo às 12:03 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Poder e autoridade

Uma das distinções mais difíceis de fazer compreender a uma cabeça moderna é a que separa e liga - no político - autoridade e poder. O que para os antigos, romanos ou israelitas - pensemos, neste último caso, nos profetas - era uma evidência, esfumou-se, de há uns poucos séculos para cá.

Hoje, falamos em crise de autoridade, como sintoma de perigosa desagregação do corpo político e social, mas já mal sabemos de que estamos a falar e que fazer de tamanha perda. (Sabemos, e não é preciso fazer morosos exercícios de fenomenologia, que, em última instância, o poder sem autoriadade se transforma em violência; nas escolas, onde o poder não se exerce e os professores não têm autoridade, os alunos agridem os professores; nos regimes tirânicos, onde os tiranos exercem o poder sem a mediação da autoridade, exercem-no recorrendo à violência pura).

Uma parte considerável, talvez mesmo a mais importante, da função presidencial, diz respeito ao magistério da autoridade, bem mais do que ao exercício dos poderes de que está formalmente investido.

Por isso, foi tão grave o que esta semana se passou.

publicado por Jorge Costa às 09:49 | comentar | partilhar
Quinta-feira, 01.10.09

Anne Sofie von Otter, dia 2, na Gulbenkian

Vale a pena ouvir Anne Sofie von Otter antes do concerto de dia 2, sobre o que ela vai fazer, porque vai fazer, e como vai fazer. Aqui, e aqui.

Boa noite.
publicado por Jorge Costa às 23:29 | comentar | partilhar

Mais um

Circulavam rumores, mas hoje confirmou-se: José Manuel Fernandes vai deixar a direcção do Público. Segundo notícia do jornal, a demissão foi pedida pelo próprio e em nada se relaciona com "os acontecimentos das últimas semanas".
Vou acreditar que sim. E não direi que começa a ser preocupante o destino de jornalistas, colunistas e bloggers incómodos para Sócrates - porque em Portugal já pouco nos preocupa.
publicado por Pedro Picoito às 20:38 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

O coração de João Cardoso Rosas



De cada vez que leio João Cardoso Rosas no i, tenho imensas dificuldades em acreditar que esse João Cardoso Rosas que lá escreve é o mesmo que eu sempre li na Academia. É que o da Academia é inteligente, arguto, e extremamente lúcido, e o do jornal i é simplista (quase básico), pouco ou nada rigoroso, e intelectualmente desonesto.

Na sua crónica de hoje, JCR identifica o momento a partir do qual o Presidente da República deu o primeiro passo para atacar a cooperação institucional com o Primeiro-Ministro: a questão do Estatuto dos Açores. E porquê aí e não antes? Porque Manuela Ferreira Leite ainda não havia assumido a liderança do PSD. Ou seja, para João Cardoso Rosas, Cavaco cooperou com o PS porque não gostava de quem mandava no PSD, e assim que MFL assumiu a liderança do PSD, Cavaco deixou de cooperar com o Primeiro-Ministro porque gostava de quem mandava no PSD. A prova? O Estatuto dos Açores. Claro que, para João Cardoso Rosas, pouco importa que o Estatuto dos Açores tenha sido declarado inconstitucional pelo Tribunal Constitucional. O importante mesmo é que Cavaco enfrentou Sócrates nessa questão porque queria apoiar o PSD, e não porque tinha razão. No fundo, isto de envolver o Tribunal Constitucional foi um golpe baixo, com o objectivo de minar a cooperação institucional.

João Cardoso Rosas, mais que muitos, deveria saber da tensão entre razão e paixão, e do lugar central dessa tensão no pensamento político. E, por isso, não se deveria ter apaixonado.
publicado por Alexandre Homem Cristo às 14:58 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Sarkozy vs. Obama


"Sarkozy's Contempt for Obama", Jack Kelly, RCP.
.
The contempt with which the president of France regards the president of the United States was displayed in public last week.
Nicolas Sarkozy was furious with Barack Obama for his adolescent warbling about a world without nuclear weapons at a meeting Mr. Obama chaired of the United Nations Security Council last Thursday (9/24).

"We must never stop until we see the day when nuclear arms have been banished from the face of the earth," President Obama said.
What infuriated President Sarkozy was that at the time Mr. Obama said those words, Mr. Obama knew the mullahs in Iran had a secret nuclear weapons development site, and he didn't call them on it.
‘President Obama dreams of a world without weapons...but right in front of us two countries are doing the exact opposite," Mr. Sarkozy said.
"Iran since 2005 has flouted five Security Council resolutions," Mr. Sarkozy said. "North Korea has been defying Council resolutions since 1993."
"What good has proposals for dialogue brought the international community?" he asked rhetorically. "More uranium enrichment and declarations by the leaders of Iran to wipe out a UN member state off the map."
If the Security Council had imposed serious sanctions on the regimes which are flouting UN resolutions, the resolution Mr. Obama proposed about working toward nuclear disarmament wouldn't have been so meaningless, Mr. Sarkozy implied.
"If we have courage to impose sanctions together it will lend viability to our commitment to reduce or own weapons and to making a world without nuke weapons," he said.
The extent of President Obama's naivete - or duplicity - was on display Friday at the G20 summit when the president, flanked by Mr. Sarkozy and British Prime Minister Gordon Brown, revealed to the American public that Iran had a second nuclear weapons site on a military base near the holy city of Qom.
News reports indicated Mr. Obama had been briefed on the site before his inauguration. But he's been conducting his foreign policy as if the mullahs could be trusted.

...
Obama administration officials said the ABM cancellation - regarded as a betrayal by Poland and the Czech Republic, where the missiles and radars were to be located - actually improved U.S. security, because it has made Russia more amenable to sanctions against Iran.
...

President Obama shouldn't count on Russian support, said Soviet expert David Satter.
"Words are cheap for the Kremlin and the Iranians are aware of this," he said. "The Russians, having endorsed sanctions, will now find hundreds of reasons why any specific sanctions package is unfair...The reason is that support for Iran is Russia's most important trump card in foreign relations and there is little likelihood they will give it up."
publicado por Miguel Morgado às 14:44 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Do que nos livrámos



"Um dia depois de ter dito no rescaldo das eleições legislativas que Manuela Ferreira Leite não tem as mínimas condições para se manter na liderança do PSD, Luís Filipe Menezes vem agora dizer que a presidente tem toda a legitimidade para continuar a presidir ao partido."




Margarida Gomes, "Menezes acha que Ferreira Leite deve continuar líder", Público de hoje.
publicado por Pedro Picoito às 13:54 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Calma, sff


Embora a minha confiança em Cavaco Silva não seja tão grande como a que manifestam o Miguel e o Fernando, concordo que o Presidente está muito longe do óbito político. Ainda estamos a meio do mandato: calma. Quem é que admitia, há um ano, que o PS perdesse a maioria absoluta? Cavaco sai enfraquecido do "caso das escutas", mas o tempo corre a seu favor. O PS não vai ter a vida fácil, nem no Parlamento nem na rua, e a intervenção de Belém será obrigatória para garantir a famosa estabilidade. E se Sócrates resistiu à tormenta, basta que haja más notícias sobre o Freeport (que ainda nem foi a tribunal) para tudo mudar.
O grande dilema de Cavaco será, portanto, reconquistar o PSD, que lhe atribui a culpa pela derrota de Domingo, enquanto continua a apresentar-se como "o Presidente de todos os portugueses".
Conseguirá Cavaco a quadratura do círculo?...
publicado por Pedro Picoito às 13:40 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Da série "Grandes Dúvidas"

Que é feito dos críticos ferozes que nos enchiam as caixas de comentários durante a campanha? Deixaram de nos ler?
publicado por Pedro Picoito às 12:51 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

"Sobre o Presidente da República"

Maria João Avillez, no i de hoje.
Ler também "O gajo", de Helena Matos, no Público (ou aqui).
publicado por Pedro Picoito às 12:36 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Pub


publicado por Pedro Picoito às 12:14 | comentar | partilhar

Anne Sofie von Otter, as Canções e o Shabbat: é uma pena

Anne Sofie von Otter dá amanhã um concerto no Grande Auditório da Gulbenkian, Canções de Theresienstadt. Entre o público que de certo acorrerá para ouvir a grande meio-soprano não estarão alguns dos portugueses que mais desejeriam não perder este momento: são os judeus observantes, que guardam o Shabbat. É um pena. Com alguma gentiliza e atenção, a Gulbenkian teria certamente achado outro dia possível para todos. Desejo-vos, aos que vão, um momento inesquecível.
publicado por Jorge Costa às 11:42 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Cavaco Silva Reloaded

Para que conste: também me parece que a comunicação de Cavaco Silva ao País foi um desastre. Também sou da opinião que ele geriu da pior maneira esta estúpida questão das "escutas" e das "vigilâncias". Mais claro do que isto é impossível.
Mas o Fernando Martins toca num ponto essencial. Eu também me recuso a partilhar deste hábito plebeu de julgar por uma escorregadela uma carreira política inteira que foi decisiva para a democracia portuguesa, tanto como Primeiro-Ministro como Presidente da República. Conservar a memória é condição crucial para a manutenção da sanidade política. Porque, ao contrário do que alguns engraçadinhos uivam, o critério da sanidade política também se aplica aos "comentadores", e não só aos actores. Sem memória, limitamo-nos a saltar de histeria em histeria, de julgamento cego em julgamento cego. E digo isto sem jamais ter sido o que corre por aí pelo nome de "cavaquista".
Dirão os arautos democráticos do costume que este horrível Presidente é "causa" de instabilidade política e mal-estar institucional. Talvez. Mas Soares também o foi, e nem por isso deixou de ser idolatrado à esquerda e até à direita. Sampaio também o foi (até hoje ninguém pôs em causa a estabilidade da maioria absoluta que sustentava o governo de Santana Lopes), e nem por isso deixaram de agradecer-lhe pelos serviços prestados à nação.
Ao registar o desprezo com que o Presidente da República é visto por tanta gente que gabou e protegeu políticos e governantes que objectivamente prejudicaram Portugal durante muitos e muitos anos, percebo a desproporção entre o erro e a reacção política. Pode a correcção política mandar que se trate Cavaco Silva como um terrorista político. Quem quiser que fique com ela e dela faça bom proveito.
Ah, e um último ponto. Cavaco não está paranóico quando diz que os Socialistas querem condicionar a sua acção e, em última instância, destruí-lo. Isso faz parte da estratégia socialista há muito tempo. O risonho Vitorino disse isso mesmo há meia dúzia de meses numa conferência que teve lugar numa certa Universidade em Lisboa. Quem lá estava, percebeu a mensagem.
Cavaco cometeu vários erros. Sai daqui enfraquecido? Sai. Com a sua autoridade fragilizada? Sem dúvida. Resta-lhe confrontar todas as consequências que daí decorrem, seguir em frente e aprender com as burrices cometidas. A política também é isto.
publicado por Miguel Morgado às 10:51 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Afinal havia gato?

A Justiça está a deixar de ser cega, no 31 da Armada.
publicado por Miguel Morgado às 10:44 | comentar | partilhar

A aprovação do programa de Governo

O Drº Nuno Rogeiro, que deu aulas de Direito Constitucional na faculdade de Direito, ontem na SIC evidenciou bem a sua boa opção de deixar a faculdade de direito para se especializar em obuses da guerra do Iraque.
Perante a supresa dos demais comentadores, teimou até à exaustão que o programa de Governo teria de ser aprovado pela AR, pelo que seria muito possível que todos os grupos parlamentares votassem contra o programa de Governo, o que levaria à demissão do Governo de José Socrates logo na primeira semana.
Ora, nos termos da constituição, o programa de Governo é apresentado na AR mas não está sujeito a aprovação pelo Parlamento. O que a constituição estabelece é a possibilidade de, até ao final do debate do programa de Governo, qualquer grupo parlamentar propor a sua rejeição e apenas nestes casos é que há votação. No entanto o que é sujeito a votação não é o programa de Governo mas a moção de rejeição ao programa de Governo.
Este pequeno pormenor faz toda a diferença porque saindo das eleições e não havendo na AR uma maioria alternativa que não inclua o PS, não é crível que todos os grupos parlamentares votem a favor de uma moção de rejeição apresentada por um grupo parlamentar da oposição. Se poderia ser admissível a hipótese dos partidos votarem todos contra o programa de governo, já não é verosímil que PSD e CDS votem a favor de uma moção de rejeição apresentada pelo BE pelo PCP ou vive versa. Acresce que basta que um dos grupos parlamentares se abstenha para que a moção de rejeição não seja aprovada pela maioria dos deputados em efectividade de funções.
publicado por Pedro Pestana Bastos às 10:02 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Estender a Mão

Não há praticamente ninguém neste mundo e no outro que, de há um par de semanas a esta parte, não aproveite a mínima oportunidade para fustigar Cavaco Silva. É fácil e fica bem, até porque confere, nestes tempos difíceis, um estatuto de enorme coragem e de grande inteligência e lucidez política. Por mim, como não gosto de ver ninguém apanhar de todos os lados, e detesto unanimismos, sejam estes quais sejam e porque razão sejam, declaro que daqui estendo uma mão ao presidente Cavaco Silva. A ele não lhe importa e não serve de nada. Mas penso que se trata de um gesto que, em consciência, pode e deve ser feito em homenagem a um homem que tem dado, ainda dá e poderá continuar a dar muito a Portugal.
É, portanto, por estas e por outras que pode valer a pena escrever, desculpe-se o palavrão, na blogosfera política. E digo isto independentemente daquilo que possa significar "escrever na blogosfera política".
publicado por Fernando Martins às 00:49 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Por mais que me esforce...

E passadas 24 horas sobre a comunicação ao País, não consigo perceber nem a oportunidade nem o timing da intervenção do Presidente da República em todo este caso das "escutas". Porque razão não adiou para depois das eleições a substituição do seu assessor de imprensa Fernando Lima?
publicado por Paulo Marcelo às 00:15 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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