Quinta-feira, 29.10.09

Obama: Guerra e Paz

publicado por Nuno Lobo às 10:45 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Fazer Minhas as Palavras dos Outros

"O que me impressionou na experiência MFL não foi a guerrilha que lhe fizeram. Essa é uma planta nativa no ambiente local. O que me impressionou foi que as críticas à forma, ao conteúdo e ao método utilizados por MFL foram francas: aquela gente não quer um chefe que diga a verdade, que não prometa leite e mel, que recuse fazer gracinhas para os media.
Por último, a ideologia. Alguém, no seu juízo perfeito , julga que uma alcateia de lobos produz ideologia? O partido terá, daqui a uns anos, um conjunto de leituras da realidades e um punhado de princípios orientadores se estudar e recolher ideias. Caso contrário continuará a ouvir. O uivo dos lobos."
FNV in Mar Salgado
publicado por Fernando Martins às 00:47 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Banalmente Ridículo ou Ridiculamente Banal?

Embora não me surpreenda, sinceramente não sei o que é mais ridículo. Se convidar Passos Coelho, que é, ao menos por enquanto (?), coisa nenhuma, para ir dar uma entrevista a um programa sobre "economia" na SIC-N na dupla qualidade de candidato a candidato a líder do PSD e de candidato a candidato a candidato a candidato a primeiro-ministro. Ou se é Passos Coelho dispor-se aceitar tal convite parecendo não querer ver o duplo ridículo a que se expõe. E duplo porquê? Porque ainda (?) não é nada e porque, como se viu e ouviu, não tem nada para dizer além das banalidades do género José Sócrates.
publicado por Fernando Martins às 00:15 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Quarta-feira, 28.10.09

O Ministério que já não o é

Com Augusto Santos Silva a Ministro, e agora Marcos Perestrello como seu Secretário de Estado, torna-se evidente que as ambições deste novo Governo quanto à Defesa Nacional são nulas. O Ministério da Defesa é assim relegado à irrelevância, transformado num género de prateleira dourada, onde repousam, até à próxima batalha, os bravos e leais que se sacrificaram pelo partido. O pormenor é que, apesar de tudo, (ainda) se trata de um órgão de soberania.
publicado por Alexandre Homem Cristo às 22:23 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

A ler

«O respeito pelos eleitores também se mede por coisas destas. Marcos Perestrello, o aparelhista chique do partido do governo, era há um ano vice-presidente da C.M.L, o primeiro depois de Costa. Há pouco mais de quinze dias protagonizou a candidatura do dito partido à câmara de Oeiras e foi eleito vereador. Agora é secretário de Estado da tropa.»
Questões de respeito, de João Gonçalves
publicado por Alexandre Homem Cristo às 21:43 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Olhos bem abertos para as barbaridades de Aceh e bem fechados para as barbaridades de Portugal

Louvo a condenação de leis iníquas como aquela que em Aceh prevê a criminalização da homossexualidade ou o apedrejamento até à morte dos adúlteros. A sugestão que faço aos homossexuais e aos adúlteros da Indonésia é mudarem de país, designadamente para Portugal, onde temos uma nada iníqua lei do divórcio e nos preparamos para ter uma menos iníqua ainda lei do casamento homossexual. Já não percebo a docilidade perante leis como aquela que em Portugal possibilita que sejam interrompidas mais de 4 gravidezes por cada dia que passa. Até porque as 4 vidas que diariamente são condenadas em Portugal são as que certamente mais atenção e cuidado exigem de nós. Pior ainda, não encontro para essas 4 vidas uma solução tão benevolente como aquela que encontro para os homossexuais e adúlteros da Indonésia. Talvez a condenação da nossa lei do aborto como ainda mais bárbara e iníqua que a lei de Aceh já seja qualquer coisa.
publicado por Nuno Lobo às 16:17 | comentar | ver comentários (35) | partilhar

Again


Rather than blaming things for being obscure, we should blame ourselves for being biased and prisoners of self-induced repetitiveness. One must forget many clichés in order to behold a single image. (...) Proper exegesis is an effort to understand the philosopher in terms and categories of philosophy, the poet in terms and categories of poetry, and the prophet in terms of prophecy.

Abraham Joshua Heschel

publicado por Jorge Costa às 12:55 | comentar | partilhar

O problema do beijo

Tive um grande professor na Universidade. Chama-se João César das Neves. Não é só um grande professor de economia. É um grande professor. Ponto. Mesmo antes de ser meu professor, já eu o importunava, anos a fio, quase semanalmente com perguntas, umas mais comezinhas, do género de lhe pedir para comentar pela seiscentésima vez os 2,4% de inflação ou de aumento do consumo privado, outras menos. Era jornalista, e a profissão obrigava. E ele respondia sempre, com paciência. Aprendi imenso com ele. Além da inteligência e do saber, a ironia e a generosidade são os seus grandes dons.

Um dia, para explicar a não tão comezinha questão da relação entre o ponto de vista e o objecto visado, disse assim: «Até é possível analisar o fenómeno do beijo, ou um poema, do ponto de vista económico. O problema é que, desse ponto de vista, nada de essencial se aprende sobre o assunto.»

Assim com o ponto de vista estético sobre a Bíblia. Vem isto ainda a propósito da «brutalidade» de Richar Zimler. Aqui em baixo.
publicado por Jorge Costa às 10:13 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Cada tempo tem a arte que pode; e o nosso pode pouco

Vasco Pulido Valente colocou um ponto final no caso que o Pedro Picoito chamou aqui, com muita graça, o episódio do Mono Luso. Mas hoje, no i, o nosso camarada Paulo Tunhas foi mais além e despertou em mim um pensamento óbvio mas esquecido: os textos bíblicos são também muito aquilo que cada um consegue ver através deles. A Alemanha da primeira metade do século XVIII ainda teve a possibilidade de ter Bach e a “Paixão Segundo São Mateus”. Infelizmente para todos nós, matéria ainda formada por aqueles princípios ateus e pseudo-científicos que estiveram na origem de Auschwitz e do Gulag, somos uns grandessíssimos analfabetos do fenómeno religioso. Cada tempo tem a arte que pode e o nosso não consegue ir além de Saramago. Vale-nos a esperança de que a "Paixão Segundo São Mateus" será ouvida por todos os homens daqui a 100 anos e nenhum deles lerá "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" ou "Caim".


publicado por Nuno Lobo às 09:08 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Terça-feira, 27.10.09

Piadas estúpidas

A Srª (?) Gay McDougall, observadora-chefe das Nações Unidas para os direitos das minorias, iniciou um périplo de dez dias pelo Canadá (sim!), para inquirir in loco sobre alegados e persistentes abusos desses direitos. Países onde eles são escruplosamente observados, como a China, Cuba, a Líbia, a Arábia Saudita, a Rússia ou o Zimbabwe jamais mereceram semelhante cuidado.

Como Gay McDougall é mais conhecida pelo seu activismo na defesa e promoção da Conferência de Durban I, pergunta o UN Watch se o caso não terá nada a ver com o facto recente de o Canadá ter sido o primeiro dos dez países ocidentais a mandar à m. a Conferência de Durban II. Pois.
publicado por Jorge Costa às 21:18 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Alá é grande e Gorjão é o seu profeta

É uma calúnia.
Não precisam de ser virgens.
publicado por Pedro Picoito às 17:47 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Richard Zimler e a brutalidade

Richard Zimler escreve hoje no Público um extenso artigo sobre a irrelevância de responder aos comentários analfabetos de Saramago sobre o «Antigo Testamento», dedicando-lhe mais de uma dezena de longos parágrafos, contrapondo a esse analfabetismo a sua visão sobre o assunto. Não os vou reproduzir aqui, porque o essencial deles se resume assim: o «Antigo Testemento» é poesia (ou ficção, como «qualquer romance ou outra forma narrativa...»), e Saramago é incapaz de compreender que a um romance, ou a um poema, se acede de múltiplas maneiras. É incapaz de compreender, no fundo, um poema ou um romance, que, diz-nos Zimler, tem como um dos seus principais nós exegéticos a «brutalidade de Deus e da humanidade».

Estamos de acordo quanto ao primarismo de Saramago. Saramago não consegue aceder à Bíblia, nem mesmo de um ponto de vista estético.

Acontece que a Bíblia, acredite ou não Zimler, não é uma obra de arte. Atribuir-lhe esse estatuto é fazer violência ao texto, e não creio que essa violência seja, no fundo, essencialmente diferente da que lhe faz Saramago. A «brutalidade» de que fala, no fundo, é o sinal claro de que é o ponto de vista estético que domina o olhar de Zimler sobre a Bíblia, e a distorção que um tal ponto de vista implica fica manifesta.

Acontece que a Torah, para nos atermos apenas aos cinco livros de Moisés, é, como quer dizer literalmente o seu nome hebraico, «Instrução». Instrução ética, em primeiro lugar, e não arte. É, para o dizer de outra maneira, um assunto sério.

Não é preciso lembrar a Richard Zimler o lugar central que o decálogo desempenha nesses livros - Eu sou o Senhor teu Deus; Não adorarás outros deuses além de mim; Não usarás o nome de Deus em vão; Recordarás o Shabbat para o santificar; Honrararás o teu pai e a tua mãe; Não assassinarás; Não cometerás adultério; Não roubarás; Não prestarás falso testemunho contra o teu próximo; Não cobiçarás nada que seja do teu vizinho.

Acontece que à Torah - e por extensão à totalidade da Bíblia - não se acede tão-pouco de um ponto de vista estritamente ético, sem incorrer na distorção que envolve necessariamente a desadequação entre o ponto de vista e o objecto visado. De facto, filosoficamente falando, é impossível sustentar o sistema ético da Bíblia, sem o reconhecimento da autoridade soberana.

Acontece que o Primeiro Mandamento do decálogo tem a estranha forma sintática: Eu sou o Senhor teu Deus. Acontece, pois, que à Torah, se se quiser evitar fazer-lhe violência, não se acede sem pelo menos perscrutar o que possa ser o ponto de vista religioso. Não estou a dizer que tenha de se ser religioso para se tentar compreender a Torah, ou a totalidade da Bíblia. Eu não preciso de ser ateu para tentar compreender um ateu e fazer jus ao que ele diz, sem distorcer o que ele diz.

Mas se me recusar, por princípio, a aceitar ler um texto nos termos em que ele se me propõe, então estou a cometer uma brutalidade.
publicado por Jorge Costa às 12:13 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Patriotismo: Cosa è?

Em tempos, Maquiavel escreveu numa carta: "amo mais a minha pátria do que a minha própria alma". Durante muito tempo este passo foi usado como uma invocação do mais sublime patriotismo. Mas na verdade a compreensão desta frase sugere a ponderação do estatuto da pátria e do estatuto da alma. Só depois dessa ponderação se pode conferir a dose de patriotismo que aí está envolvida. E só depois dessa ponderação poderemos situar o amor pela pátria, em primeiro lugar, na hierarquia dos amores que o homem nutre, e, em segundo lugar, no horizonte abrangente do seu destino.
Patriotismos há muitos. Desde o sentimentalismo irracional que une os afectos à comunidade de origem - o sangue, a raça, a história das origens, muitas vezes imaginárias - até ao hiper-racionalismo do patriotismo constitucional, tudo responde pelo mesmo nome de patriotismo. Mas sempre se pode dizer o seguinte. O patriotismo é uma forma de amor, mas não de um amor qualquer. O seu modelo na experiência comum das homens é o amor filial que se sente pelo pai (ou talvez para ser mais rigoroso, e apesar da palavra, pela mãe). Aos olhos deste amor, os nossos patrícios são, portanto, nossos irmãos. Estão bem mais próximos de nós, e ligados a nós, do que o estrangeiro.
A inquietação do Pedro é com a Pátria que está subjugada por cleptocratas. Essa é talvez a dificuldade menor do patriota. Quantos filhos andam por esse mundo desgostosos com os seus pais (ou mães), alguns dos quais deixam pura e simplesmente de lhes falar, renegando-os? Haverá quem o faça com ligeireza e violando as obrigações naturais mais elementares - conheço alguns casos. Noutras ocasiões é mais difícil decidir. Mas, entre os que renegam, há quem mesmo nessas ocasiões mais complexas não consiga extinguir inteiramente a mágoa e a dor - conheço alguns casos. Quem renega a pátria, mas não consegue extinguir o seu sofrimento por ela continuar sangrar, é um patriota também. Apesar de viver lá longe. Apesar de abanar a cabeça reprovadoramente sempre que lhe falam nas suas desgraças e pecados.
publicado por Miguel Morgado às 11:37 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O Fôlego de Pacheco Pereira

Pacheco Pereira foi convertido no "whipping boy" da democracia portuguesa deste final de 2009. O homem nem sempre tem razão, como é evidente, mas cheira-me muitíssimo a esturro quando vejo quem tem o whip na mão. No texto lincado, Pacheco Pereira volta a pôr o dedo na ferida. O que num País pequeno, pobre, estranhamente absorvido em si mesmo, causa um ardor desconfortável.
Uma última nota: a dada altura no texto Pacheco Pereira diz: "E, ao fim de dez em onze comentadores e jornalistas na SICN ou na TSF ou na RTPN a dizerem o mesmo, quem é que se atreve a duvidar?". Registo com agrado que Pacheco Pereira não incluiu a TVI24 na matilha.
publicado por Miguel Morgado às 10:26 | comentar | partilhar

Leitura recomendada

A Direita que a Esquerda quer, por Rui Albuquerque
publicado por Nuno Gouveia às 09:52 | comentar | partilhar
Segunda-feira, 26.10.09

O resultado

Cá está o resultado de vinte e sete de Setembro.

This is what you want, this is what you're gonna get...
publicado por Carlos Botelho às 20:29 | comentar | partilhar

Comentário Político


Quem é que convidou o Javier Bardem para o Governo?

publicado por Joana Alarcão às 19:01 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Leitura cretina

Há muitos modos de ler um texto. Inclusive um texto quase forçosamente simples, como um post. Muito comum é o de ignorar completamente o que ele diz, se o que ele diz não encaixa no que eu já sei, e reagir, não ao que ele diz, mas ao que eu «sei» que o seu autor quer dizer, ou quer omitir. É a elasticidade mental da pedra.
publicado por Jorge Costa às 17:58 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

George Lemaître


O autor da teoria do Big Bang, a explicação científica hoje mais aceite sobre a origem do universo, foi um padre belga: George Lemaître.
No ano internacional da astronomia, o Centro Cultural Pedro Hispano convidou o seu principal biógrafo, Dominique Lambert, a fazer uma conferência sobre este tema em Lisboa.
É amanhã, 27 de Outubro, às 18h30, no anfiteatro A2 da Universidade Católica Portuguesa. A entrada é livre.
publicado por Pedro Picoito às 17:54 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Da série "A concorrência faz melhor"

Com tanta rotunda pelo país fora, como é que ainda ninguém levantou uma estátua a este homem?
publicado por Pedro Picoito às 17:52 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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