Quinta-feira, 28.01.10

Alberto Martins deve explicações

Alberto Martins garantiu durante a campanha eleitoral que a ANA não seria privatizada. Agora que o governo confirmou que vai avançar com a privatização, será que Alberto Martins vai retirar consequências políticas dessa mentira? Ou vai assobiar para o lado como se não fosse nada com ele?
publicado por Nuno Gouveia às 22:18 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

J.D. Salinger - 1919-2010


(Via Rua da Judiaria e via José Manuel Fernandes, treze contos de Salinger, que a New Yorker pôs on-line).
publicado por Jorge Costa às 22:06 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Ceci, c'est une pipe


(...) Além disso, o ministro lembrou que «há um conjunto de medidas que estão em curso e que uma vez passada a crise serão desnecessárias», com efeitos na redução da despesa. «Temos aí uma folga.»

Ele estará bem?

publicado por Jorge Costa às 21:48 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Porque não se cala ele?


No fim do dia, os mercados ignoraram a cautela das agências de notação. Os «seguros» contra incumprimento de dívida portugueses, CDS no jargão dos mercados, atingiram máximos históricos – de sempre. As OT (obrigações do Tesouro) portuguesas alargaram o «spread» face às Bunds (instrumentos de dívida soberana alemães para a mesma maturidade), negociando-se as nossas a 115 pontos de base acima.

O ministro das Finanças atacou mais uma vez as agências de rating (notação de risco). Não há ninguém que lhe explique que, sempre que abrir a boca para as atacar, nos enterra a todos mais um pouco? Que a única estratégica possível não é defensiva, é ofensiva, só pode ser ofensiva? Que, se está desarmado para isso, porque acabou de apresentar um orçamento, o melhor é calar-se? Que já deveria estar a preparar a ofensiva, em vez de nos afundar com as suas declarações intempestivas? Que vai ter de habituar-se a uma evolução da realidade à velocidade dos foguetões? Que o business as usual a-c-a-b-o-u? Que o silêncio pode ser, não digo de ouro, neste caso, mas pelo menos sem propriedades sulfurosas?

Dr. Vítor Constâncio: uma vez que tem sido parte significativa do problema, não se importa de explicar qualquer coisinha ao senhor ministro de Estado e das Finanças?
publicado por Jorge Costa às 17:00 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

A repressão continua

Dois iranianos foram executados pelo regime de Teerão esta madrugada. Nos últimos tempos, o Irão saiu dos holofotes da imprensa internacional mas isso não significa que a repressão tenha diminuído. Estas execuções são prova disso. Entretanto, nada se tem feito para impedir que o Irão adquira capacidade nuclear. Ontem, vários senadores republicanos e democratas apelaram ao Presidente Obama para empreender esforços relativamente ao Irão. A resposta de Obama, no discurso do Estado da União, surgiu numa nota de rodapé. Impressiona-me a passividade da comunidade internacional, especialmente dos Estados Unidos, como se o Irão não representasse uma das mais sérias ameaças à paz mundial. Será que já desistiram do Irão?
publicado por Nuno Gouveia às 16:21 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

8 reflexões na ressaca do orçamento+1

  1. É excepcionalmente benigna a abordagem das agências de notação de risco ao comportamento irresponsável do Governo e das oposições que contam, relativamente ao Orçamento de Estado: em vez de censurarem a irresponsabilidade, anunciam, com excepção provável da Fitch, que esperarão pelo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), a ser submetido à Assembleia da República em Fevereiro, para concluírem da existência, ou não, de perspectivas de redução, sustentadas no médio prazo, do défice e do ritmo de crescimento do endividamento.
  2. A verdade é que a prova de que o Governo e as oposições poucas ou nenhumas garantias dão de que isso possa acontecer acaba de ser dada pelo próprio orçamento negociado (?), que é uma abdicação face a essas putativas perspectivas.
  3. Notícias de hoje – a confirmarem-se – e aí está o que a oposição responsável deveria mandar inquirir – sobre um possível empolamento dos números da execução orçamental de 2009, para criar a ilusão de que em 2010 o esforço de consolidação tem alguma dimensão – a confirmarem-se, repito – e seria fundamental que as oposições que contam nos garantissem que há inquérito ao problema, sublinho –, mostrariam que o Governo teria ultrapassado todos os limites imagináveis de responsabilidade política e cívica, e deveria ser imediatamente objecto de uma censura.
  4. A Assembleia da República, em princípio, dispõe de um serviço técnico orçamental, que deveria ajudar. As instituições que levantaram a suspeita deveriam ser ouvidas para alegarem o bem (?) fundado das suas posições tornadas públicas.
  5. Não sei se, no cálculo táctico político, as oposições se acham em condições para o fazer, e assumir as consequências disso. O que sei é que não serve Portugal, nem agora, nem amanhã, nem daqui a um mês, qualquer gesto de complacência com semelhante acto.
  6. Nem de um ponto de vista da ética das convicções, nem de um ponto de vista da ética da responsabilidade, tantas vezes álibi para as piores cumplicidades, o silêncio e a ausência, neste caso, são aceitáveis. Está errado e pode vir a causar-nos seriíssimos danos. Se for falso, as instituições que levantaram a suspeita – a CIP e o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Universidade Católica (NECEP) – receberão inevitavelmente a censura.
  7. A CIP é um parceiro social, um interveniente de primeira linha na conversa cívida de que se faz a democracia, e quem falou em nome do NECEP é João Borges de Assunção, que, além da vida académica, é assessor do Presidente da República.
  8. Em todos os casos, no mundo onde vivemos saber-se-á que alguém, em Portugal, garante a credibilidade das instituições e não deixa que elas se afundem com a economia; que as oposições não dormem e o país não é um bando.
  9. O Programa de Estabilidade e Crescimento para o qual se voltam agora as atenções – numa espécie de segunda chance – pode ser um instrumento de credibilização – do Governo e das oposições. Se: a) além de traçar uma trajectória de redução do défice e da dívida pública, mostrar claramente com que medidas concretas tais objectivos vão ser atingidos; o que implica, além da sua descrição, a quantificação dos seus efeitos orçamentais; e b) que seja aprovado pelas oposições que contam, comprometendo-as para o futuro. De outra forma é ficção e não vale a pena ser levado a sério. Os tempos do business as usual, para o caso de não saberem, acabaram.
publicado por Jorge Costa às 13:07 | comentar | ver comentários (17) | partilhar

The night Pessoa met Constantine Kavafy

Em 21 Outubro de 1929, o cruzeiro Saturnia parte de Trieste, rumo à América. Leva a bordo emigrantes de diversos países do Mediterrâneo. Um jovem grego que embarcara em Patra será testemunha de um encontro inesperado entre dois grandes vultos das letras do século XX - Fernando Pessoa e Constantine Kavafy. Os dois poetas têm preocupações comuns e fontes de inspiração idênticas. A Fundação Gulbenkian, vai projectar o documentário The night Fernando Pessoa met Constantine Kavafy, do realizador grego Stelios Charalambopoulos. Será hoje, 28 de Janeiro, às 17:00 horas, seguido de debate. [Publicidade institucional]

publicado por Paulo Marcelo às 11:59 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Quarta-feira, 27.01.10

O pesadelo de Primo Levi - 27 de Janeiro, memória do holocausto


Então resigno-me a deitar-me assim, obrigado a ficar imóvel. Com metade do corpo no rebordo da madeira. Todavia estou tão cansado e aturdido que em pouco tempo também deslizo no sono, e parece-me estar dormir nos carris do comboio.

O comboio está a chegar: ouve-se o ofegar da locomotiva, que é o meu vizinho. Não estou ainda num sono tão profundo que não me aperceba da dupla natureza da locomotiva. Trata-se precisamente da locomotiva que puxava hoje na Buna os vagões que nos mandaram descarregar; reconheço-a porque também agora, como quando passou perto de nós, se sente o calor que liberta das suas paredes pretas. Deita fumo, está cada vez mais próxima, está sempre prestes a atropelar-me, e, pelo contrário, nunca chega. O meu sono é muito leve, é um véu; se quiser, rasgo-o. Sim, quero rasgá-lo, assim poderei atirar-me aos carris. Quis mesmo, e agora estou acordado: mas não totalmente acordado, só um pouco mais acordado, no degrau superior da escada entre a inconsciência e a consciência. Tenho os olhos fechados e não quero abri-los para não deixar escapar o sono, mas posso ouvir os barulhos: este assobio longínquo tenho a certeza que é verdadeiro, não provém da locomotiva sonhada, ecoou objectivamente: é o assobio da Decauville, provém da obra que trabalha também de noite. Uma longa nota firme, depois outra mais baixa de um semitom, a seguir de novo a primeira, mas breve e cortada. Este assobio é uma coisa importante e, de certo modo, essencial; tantas vezes o ouvimos, associado ao sofrimento do trabalho e do campo, que se tornou o seu símbolo, e evoca directamente a sua representação, como acontece com certas músicas e com certos cheiros.

Surgem a minha irmã, alguns amigos meus não identificados e muita gente. Todos estão a ouvir-me, enquanto conto precisamente isto: o assobio em três notas, a cama dura, o meu vizinho que queria afastar, mas tenho medo de acordá-lo porque é mais forte do que eu. Falo pormenorizadamente também da nossa fome, do controlo dos piolhos e do Kapo que me bateu no nariz e a seguir ordenou que fosse lavar-me porque sangrava. É um prazer imenso, físico, inefável, estar na minha casa, entre pessoas amigas, e ter tantas coisas para contar; mas não posso deixar de me aperceber de que os meus amigos não prestam atenção. Pelo contrário, são totalmente indiferentes: falam confusamente de outras coisas entre si, como se eu não estivesse lá. A minha irmã olha para mim, levanta-se e vai-se embora sem dizer nada.

Então nasce dentro de mim uma pena desoladora, como certas dores, de que mal nos lembramos, da primeira infância: é uma dor no seu estado puro, não temperada pelo sentido da realidade e pela intrusão de circunstâncias estranhas, parecida com as que fazem chorar as crianças; e é melhor para mim voltar uma vez mais à superfície, mas desta vez abro os olhos deliberadamente, para ter diante de mim a garantia de estar efectivamente acordado.

Se isto é um homem, Primo Levi
publicado por Jorge Costa às 23:42 | comentar | partilhar

Notícias do bloqueio

No presente OGE, a dotação do Ministério da Cultura passa dos 0,3% do ano passado para 0,4%.
Estamos muito longe do mítico 1% dos programas partidários, mas mais perto do que vai na alma do Primeiro-Ministro.
Hoje sabemos o que valia o lamento de Sócrates, em vésperas de eleições, por não ter investido na cultura. Valia 0,1%.
publicado por Pedro Picoito às 23:42 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Aviso ao Banco de Portugal


Parece-me que o artigo mais importante que hoje foi publicado na imprensa é este, de Pedro Braz Teixeira, no Jornal de Negócios. Explica-nos o estado da banca, o canal por intermédio do qual temos construído o tremendo défice externo, das suas vulnerabilidades em termos de musculatura finaceira - os bancos estão insuficientemente capitalizados para aguentarem com segurança o embate que o Governo provocou -, da sua dependência excessiva do mercado monetário interbancário, e a atitude permissiva do Banco de Portugal em relação ao controlo dos rácios, face ao que lhe compete como entidade supervisora e reguladora. Está tudo no relatório do Fundo Monetário Internacional. Não é segredo. Mas não me consta que alguém tenha ligado sobremaneira ao assunto. É só mais um aviso.

Diz Pedro Braz Teixeira: «Parece-me que o Banco de Portugal tem a obrigação de revelar quais foram os BPNs em potência que os testes de stress [conduzidos pelo FMI] revelaram [o Banco de Portugal impôs a sua não revelação individualizada], sobretudo porque o próximo BPN será muito maior do que o original.» Já aqui tinha aflorado muito levemente o assunto (algum receio de chamar o azar). Pode ser que alguém leve a sério o problema, agora que o FMI falou, e o Pedro Braz Teixeira analisou e sublinhou. Ainda não é completamente impossível reduzir danos...
publicado por Jorge Costa às 16:32 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

As minhas previsões

O défice este ano vai ser inferior aos 8,3% do PIB projectados pelo Governo. À paulada, mas vai. Eis o meu fundo de incorrigível optimismo.
publicado por Jorge Costa às 14:39 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

O que eles dizem lá fora

A acompnhar. O foco das notícias internacionais é:

1. O défice de 2009 é inesperadamente mais elevado do que o esperado; ver France Press; The Wall Street Journal; Financial Times.

2. O Wall Street Journal faz analogias: «No ano passado, o reconhecimento grego de que o seu défice orçamental era muito maior do que antes se pensara desencadeou uma acentuada subida nos custos de financiamento do país (...).»

3. O fraco crescimento, a eventual insuficiência dos cortes no défice por forma a «curvar» o pessimismo das agências de notação e o alerta de que os mercados estão à espera das «notícias» destas são os restantes eixos das notícias que pude ler, nos linques em cima.
publicado por Jorge Costa às 13:41 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Outras leituras recomendadas

Mudando de assunto, uma vez que a desgraça nacional, hoje, é velha. Ler Paulo Tunhas, hoje, no i.

«A tragédia é que o mundo como um todo não faz sentido. Há, modestamente, "sentidos", parciais e contraditórios, que podemos conceber legitimamente. E o bem e o mal não são absolutos.»

A tragédia não é essa. O mundo como um todo tem de fazer sentido - para uma pessoa religiosa, como eu (para quem, justamente, a tragédia seria a irremissível falha do sentido), por exemplo, e alguns outros biliões. Isso é algo de extremamente concreto, e empírico, para me socorrer das palavras de Paulo Tunhas. A dificuldade está em encontrar alguma possível abertura a essa exigência de sentido - uma ideia reguladora da razão, kantianamente falando -, a partir (e comunicando com) dos «sentidos» empírcos e concretos, «modestos», de que ele fala, necessariamente plurais nos suas formulações imediatas. Que isso seja terrivelmente difícil, não deixa de ser uma exigência da razão. Mas é próprio da razão, como ensina Kant, no primeiro parágrafo do primeiro prefácio da sua da primeira crítica, não declinar essa exigência.

Human reason, in one sphere of its cognition, is called upon to consider questions, which it cannot decline, as they are presented by its own nature, but which it cannot answer, as they transcend every faculty of the mind.

publicado por Jorge Costa às 11:38 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Nunca esta imagem foi tão actual

José Sócrates, há poucos meses, antes das eleições, prometeu um défice de 5,9% do PIB. Soubemos ontem que o défice será (pelo menos) 9,3% em 2009. Isto sem contar com a desorçamentação massiva que tem sido feita. As parcerias público privadas (PPP), por exemplo, não entram nestas contas. Tal como o novo aeroporto, o TGV e as novas auto-estradas não têm "impacto" neste orçamento, mas terão de ser pagas no futuro. O desemprego voltará a subir para 9,8%, com muito optimismo claro, porque os números podem ser bem piores quando terminarem os "estágios" e a formação profissional apoiada com dinheiros públicos. Algo me diz que teremos mais surpresas em 2010.

publicado por Paulo Marcelo às 11:07 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Jornal de Negócios arrasa o Orçamento de Estado - e explica por que é que é um «zero à esquerda»

A frase mais conseguida, até agora, para resumir num sound-byte o Orçamento, é da autoria de Pedro Guerreiro, no editorial do Jornal de Negócios - indiscutivelmente o que importa ler, nestes dias: Há morte além do défice: a dívida.
publicado por Jorge Costa às 10:43 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Orçamento para liquidar o PSD?

É incomentável, se for verdade como dizem os jornais (tenho alguma dificuldade em «realizar» o absurdo), que o grande braço-de-ferro entre o PSD e o PS, na ronda negocial do Orçamento, tenha sido em torno da Lei das Finanças Reginonais. Se fosse conspirativo, pensaria que o Orçamento foi uma maquinação de Sócrates para liquidar o que resta do PSD. E pensar que...

Parafraseando Aguiar-Branco, é muito importante que o PSD não falhe a escolha do próximo líder. Por exemplo: que escolha alguém que nem sequer estava cá, quando aquilo aconteceu.
publicado por Jorge Costa às 10:05 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Como é que se diz "mudar" em "norte-americano"?



publicado por Fernando Martins às 00:21 | comentar | ver comentários (12) | partilhar
Terça-feira, 26.01.10

Títulos giros, momentos inesquecíveis

Da noite orçamental, até agora, este foi o título mais giro. Teixeira dos Santos aspira a estabilizar o rácio de dívida pública. Eu também aspiro, tu também aspiras, etc. Com a sua graça, é também uma caixazinha onde se clica, no Económico, e onde se lê: Orçamento de Estado 2010, tudo o que vai mudar no país, tendo por imagem de fundo uma fotografia do primeiro-ministro e da líder da oposição. É curiosa, a coisa.

Já na tv, fascinantes as imagens em que Teixeira dos Santos chega, às 22h22m, ao gabinete de Jaime Gama, entrega a pen, Jaime Gama recebe-a, passa-a da mão direita para a mão esquerda, abana-as - afinal eram duas! -, Lacão sorri, e depois sentam-se no sofá, todos, mais Emanuel Santos, e outros que não reconheci. Os jornalistas saem da sala, e ficam apenas as imagens sem som. Gostei.
publicado por Jorge Costa às 22:31 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Por onde seguir informação sobre o Orçamento de Estado

Para os interessados. O Jornal de Negócios está com uma óptima cobertura do Orçamento. O Governo - ignora-se a razão - contra tudo o que foi prática até hoje, só entrega o Orçamento na Assembleia às 22 horas. Está, entretanto, a fazer sair informação a conta-gotas. Normalmente, o Orçamento é entregue ao princípio da tarde.
publicado por Jorge Costa às 21:31 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Dos diabos - O Titanic da União Nacional

Eu sei, eu sei. Estou obcecado com o défice. Acontece. E não me canso de vos propor coisas deprimentes. Mas acho que convém que saibamos o que nos espera. Há quatro dias, era assim que Anthony Thomas, da satânica Moody's, falava a Marc Faber, da demoníaca CNBC, sobre Portugal. Não é difícil adivinhar o que julga ele, agora, ou amanhã, quando souber tudo. Vai ser mesmo dos diabos.

Reparem, a 3'39", nas previsões para a economia portuguesa: uma contracção de 0,8%. Acrescento que isto é mesmo um detalhe, bastante mau, mas um detalhe. O problema não está aí, nessas décimas acima ou abaixo. Está, como toda a gente já sabe, em todo o mundo, na tendência de crescimento a que se refere Anthony Thomas - na proximidade do zero. E na incapacidade do Governo - do sistema político todo - de lidar com o problema orçamental nestas condições. O sistema pode ser, eu sei, eu sei, uma forma evasiva de referir as coisas. Poder-se-ia dizer que estamos com um défice... de coragem? Mas não deixa de ser verdade que este poderia, até, vir a ser cognominado como o Orçamento-União Nacional: Banco de Portugal, o primeiro a divulgá-lo e recomendá-lo, PS, PSD, CDS, etc., etc. O Titanic da União Nacional.



Agradeço ao comentador Ruben Correia a sugestão.
publicado por Jorge Costa às 18:48 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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