Quinta-feira, 25.02.10

Uma imagem forte

Fortemente perspicaz. Sobre uma certa relação. Um género de relação. Uma relação que determina os seus correlatos. Lede, irmãos. E ride.
publicado por Carlos Botelho às 23:34 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

A rachar

Há cerca de um ano, um reputado economista português, que já teve responsabilidades políticas de primeira ordem em Portugal, dizia que Portugal estava cerca de 3 meses atrasado em relação à Grécia. Só em parte é que a proposição é verdadeira, mas percebe-se a ideia. No entanto, a verdade da proposição depende da sua confirmação empírica. Para não estarmos sempre a insistir na nas variáveis económicas, experimente-se um outro teste. Por enquanto aqui na lusa pátria ainda mantemos as agências de rating e o neoliberalismo no banco dos réus, ao passo que na Grécia essa acusação entretanto perdeu novidade e já se passou à categoria superior. Na velha Hélade as bandeiras da União Europeia ardem nas ruas. Mas isso não chega. É ainda insuficientemente concreto. Pela boca do Vice-Primeiro Ministro grego, aquele que vem logo a seguir ao chefe do executivo, recorda-se agora o nazismo alemão. E por cá: o que se irá inventar daqui por 3 meses? Seja lá o que for, não há dúvida de que as coisas estão a ficar perigosas. A “casa comum europeia” está a rachar.
publicado por Miguel Morgado às 18:46 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Esclarecimento

Peço só um bocadinho de atenção. Ao contrário do que sugerem alguns comentários a posts que venho fazendo sobre a tragédia – reparem: isto não é um modo de falar; quero mesmo dizer «tragédia» – em que nos metemos, eu nunca «advoguei» uma saída do euro: disse apenas que me parecia haver cada vez menos saídas. Que não essa.

A ideia de que estamos escravos da dívida parece-me um bom ponto de partida para pensarmos onde estamos e para onde vamos. Com a expressão «escravos da dívida» há-de querer dizer-se, certamente, uma vez mais, literalmente isso. Um escravo tem escolhas? Tem opções? Um escravo não tem liberdade, não escolhe, não opta. Faz o que lhe mandam e quando mandarem.

É certo. Não há nos tratados nenhuma cláusula que preveja a expulsão de um país do euro. Acreditavam os seus autores que, uma vez lá dentro, sempre lá dentro. E o euro era eterno. O paraíso, enfim. O paraíso tornou-se um inferno. E há muitas maneiras de sair. Os tratados são tão eternos como o euro. Sairemos quando os custos de permanecer forem superiores aos de ficar. Para quem manda e para quem pode.

O caos económico e financeiro que ocorrerá no tempo imediatamente a seguir a uma eventual saída só é importante na medida em que contaminar quem manda e pode. É evidente que o incumprimento, que resultaria automaticamente da saída do euro, e o colapso do sistema financeiro, que esta acarretaria, pesam na deliberação sobre se ficamos ou não apenas na medida em que significarem mais danos para quem pode e manda do que os causados pela nossa já muito evidentemente nociva presença.

Contra todas as evidências, a eurocracia insistiu em que as nações e os Estados em que estas se constituíram eram coisas do passado. Estamos a aprender, da maneira mais extrema e violenta, que elas e eles existem. E nós, «europeus», nada somos fora delas e deles. Não há como as situações-limite para a verdade se revelar.

É bom que nenhuma das saídas possíveis passe pelo salto em frente que resultaria na eliminação de quaisquer restos de Estado nacional, varridos na voragem da união política. Continuo a dizer: o que está em causa é isto – Portugal. Se não houver nenhuma saída senão o salto para a união política, então eu estava errado: Portugal já não existia e eu não dei por isso.

P.S.: Eu fiz parte do consenso nacional sobre a adesão ao euro. Depois de me ter convencido que ele não era uma simples utopia e ia para a frente, acabei por aderir. Julgo que, de todos os erros de avaliação que cometi como cidadão, nenhum foi tão grave.
publicado por Jorge Costa às 17:02 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Possivelmente a Frase Política da Década.

Manuela Ferreira Leite, 25 de Fevereiro de 2010
publicado por Fernando Martins às 16:58 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Pinto Monteiro ainda não se demitiu?

Os investigadores do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro ficaram intrigados com as mudanças que ocorreram no discurso sobre o negócio da compra da TVI pela PT e que coincidem com uma reunião que teve lugar na Procuradoria-Geral da República que contou com a presença de Pinto Monteiro, do procurador Marques Vidal e do procurador distrital de Coimbra Braga Themido.

Estas datas coincidem também com a altura em que alguns dos arguidos, nomeadamente Armando Vara e Manuel José Godinho, mudaram de telemóvel ou começaram a utilizar cartões diferentes. A revista avança também que o Departamento de Investigação e Acção Penal de Coimbra está a investigar as eventuais fugas de informação nesta fase da investigação e que poderão ter comprometido o caso.

Numa escuta gravada a 25 de Junho Rui Pedro Soares, administrador da PT que recentemente apresentou a demissão, garante que conversou com o primeiro-ministro sobre o negócio da compra da TVI e assegura mesmo que José Sócrates estaria furioso por não ter sido informado antes. A conversa, que aconteceu com o advogado Paulo Penedos mostra que, ao contrário do que tinha vindo a afirmar nas escutas anteriores, José Sócrates só então tomou conhecimento das intenções de negócio da operadora de telecomunicações.

[notícia da Sábado, explicada no Público; negritos meus]
publicado por Alexandre Homem Cristo às 16:52 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sobre Ron Paul

O congressista republicano do Texas tem muitos seguidores em Portugal. Causa-me uma certa estranheza que alguém com ideias tão exóticas suscite tanto entusiasmo. Sobre o assunto, aconselho a leitura do post A (não) revolução de Ron Paul, do José Gomes André.
publicado por Nuno Gouveia às 15:59 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

O Nacionalismo de Alegre

Tenho sérias dúvidas quanto ao tipo de nacionalismo que Manuel Alegre efectivamente defende e, por conseguinte, não concordo com o João Rosas quando afirma, em defesa de um pretenso nacionalismo tolerante e progressista (logo de esquerda) por oposição ao nacionalismo de sangue ou étnico (logo de direita), “Este outro tipo de nacionalismo pode ser apelativo para mais pessoas e transparece no discurso de alguns políticos de esquerda (por exemplo, Manuel Alegre).”
Para começar: não existem nacionalismos de esquerda e de direita. Existem sim concepções de nacionalismo cultural, nacionalismo político, nacionalismo liberal, nacionalismo cívico, nacionalismo étnico, nacionalimo romântico-colectivo, nacionalismo liberal-individualista, apenas para enumerar algumas categorizações possíveis para o mesmo fenómeno.
Sou defensora do nacionalismo liberal cujo principio basilar é a assunção de um sentimento de pertença a uma comunidade nacional, existe, é sentido e utilizado como fonte de identificação dos sujeitos. Este sentimento de pertença potencia um outro, o da solidariedade entre os membros de uma comunidade nacional. O ponto de partida é o da liberdade individual, não de uma perspectiva atomista mas sim de uma perspectiva do social.
Penso que é este o nacionalismo que o João Rosas gostaria que Manuel Alegre defendesse, mas esquece que o cerne das leituras liberais do nacionalismo se centram num ponto fundamental: a possibilidade de ser ultrapassada a necessidade do direito à auto-determinação. E este é um ponto em que Manuel Alegre não abdica. Assim, o nacionalismo de Alegre é um puro exercício de retórica que somado ao seu fascínio pela extrema-esquerda contraria em absoluto o nacionalismo liberal.
publicado por Eugénia Gamboa às 15:32 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Um Figo

A ler: Linhas de sobrevivência, do Pedro Lomba.
publicado por Miguel Morgado às 14:09 | comentar | partilhar

Quo vadis Rangel?

Quando lançou a candidatura à liderança do PSD, Paulo Rangel afirmou que não dispunha de exércitos, nem estava comprometido com notáveis ou estruturas partidárias. Avançava por estar «convicto de era necessária uma ruptura com este caminho de inércia e apatia para o abismo de um país endividado e sem horizontes para as gerações presentes e futuras. Rangel disse ainda que «não alinhava em consensos moles, oportunistas ou de mera conveniência», criticou o «apodrecimento lento das instituições» e falou da necessidade de fazer «um corte, uma clarificação, uma ruptura para libertar o futuro (...) que não basta mudar é preciso romper».

Palavras fortes estas. Ninguém pode acusar Rangel de falar em politiquês, ou de falta de coragem ou clareza no discurso. Mas há ainda muito por explicar. É preciso dizer ao que vem. Que ruptura é essa de que ele está sempre a falar. E o que se propõe fazer como líder da oposição, num país a viver uma crise profunda. Perante isto, confesso que estou curioso com o que Paulo Rangel vai dizer logo à noite (25 de Fev, 21h30), no Hotel Tivoli em Lisboa, na apresentação das principais linhas programáticas da sua candidatura aos militantes e simpatizantes do PSD.
publicado por Paulo Marcelo às 00:11 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Noites assim



Direcção de Pierre Boulez. Perfeito.
publicado por Jorge Costa às 00:06 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Quarta-feira, 24.02.10

Uiii mudava tanta coisa ...


Se a minha Mãe fosse lésbica muita coisa mudava na minha vida.
Poderia ser filho natural, mas sendo a minha mãe lésbica eu não teria sido gerado numa relação de amor, pois uma lésbica sente atracção sexual por outras mulheres e biologicamente duas mulheres não geram vida.
Não era indiferente e muita coisa mudava na minha vida.
Sendo filho natural eu até poderia viver com o meu Pai e com a minha Mãe mas numa relação sem amor, pelo menos sem o amor entre um Pai e uma Mãe na medida em que a minha seria lésbica.
Não era indiferente e muita coisa mudava na minha vida.
Sendo filho natural poderia também viver sem o meu Pai. A minha mãe poderia viver sozinha ou com uma companheira. Eu não teria um Pai e uma Mãe.
Não era indiferente e muita coisa mudava na minha vida.
Porventura seria um filho adoptivo e também não teria o meu Pai a viver comigo.
Não era indiferente e muita coisa mudava na minha vida.
Se a lei aprovada no Parlamento entrar em vigor e a minha mãe me quisesse adoptar só o poderia fazer caso não fosse casada, porque se fosse casada com a pessoa que ama já não me poderia adoptar.
Não era indiferente e muita coisa mudava na minha vida.
Finalmente não é indiferente que a Cml suporte custos com a afixação e divulgação desta campanha. Há tantos problemas em Lisboa que não são resolvidos por falta de recursos que não se compreende que uma câmara desvie recursos para patrocinar uma campanha destas.
publicado por Pedro Pestana Bastos às 18:45 | comentar | ver comentários (29) | partilhar

Do Corta-Fitas a São Vicente

O Corta-Fitas prossegue a melhor série da blogosfera portuguesa em tempos recentes. Não sei onde é que os cortafiteiros foram desencantar a autora, mas as fotografias de Lisboa são fantásticas. É, aliás, uma curiosa ironia que, num blogue onde escrevem vários monárquicos e um descendente de alemães (o Rui Crull Tabosa, se bem percebi), a série tenha começado com uma vista de São Vicente de Fora.
O mosteiro de São Vicente, hoje sede do Patriarcado, foi desde sempre um símbolo da presença régia em Lisboa. Fundado por D. Afonso Henriques logo após a conquista de 1147, serviu de cemitério aos cruzados alemães e flamengos mortos durante o cerco. O direito de padroado, isto é, a nomeação do prior, pertenceu sempre à coroa, em contraponto a Santa Maria dos Mártires, no lado oposto da cidade (embora não exactamente no local onde hoje está), que o rei ergue em memória dos cruzados ingleses, mas doa a Gilberto de Hastings, o primeiro bispo pós-1147. Em São Vicente será até cultuado pela primitiva comunidade monástica, composta por premonstratenses flamengos, um cruzado alemão, Henrique de Bona, que aí recebera sepultura e fama de santidade - nunca oficializada por qualquer processo de canonização. Uma curiosíssima devoção local que só esmorece com a chegada das relíquias do próprio São Vicente, em 1173, e sobretudo dos cónegos regrantes de Santo Agostinho, que se instalam no mosteiro até à extinção das ordens religiosas em 1834.
Entretanto, a última dinastia de Portugal, de D. João IV a D. Carlos, faz-se enterrar na cripta. Trocando o seu panteão de Vila Viçosa pelo mosteiro régio de Lisboa, os Bragança selavam um destino nacional. Tal como, antes deles, fizera Filipe I, o rei espanhol, que manda reconstruir por completo a velha igreja românica original. O resultado foi a obra de arte maneirista que hoje podemos contemplar e o terramoto de 1755 poupou.
Vale a pena subir as centenas de degraus até ao telhado. Pelo caminho, pareces forradas a azulejos dos séculos XVII e XVIII com cenas de trabalho e de caça. Lá em cima, a vista sobre a zona oriental, um dos tesouros mais bem guardados de Lisboa. Amplíssima, com o Tejo aos pés, apanha todo o cotovelo onde começa o Mar da Palha. Ao fundo, vê-se distintamente a Expo, a ponte nova, Sacavém, Vila Franca, Palmela, a Arrábida, Alcochete, o esteiro que entra pelo Barreiro dentro. Num dia bom, é de perder o fôlego. Às vezes, enterrados no trânsito ou nos corredores do Metro, esquecemo-nos de que a cidade tem recantos deslumbrantes. Obrigado ao Corta-Fitas por nos lembrar.
publicado por Pedro Picoito às 13:35 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Novo blogue sobre a Economia Portuguesa

Este blogue chama-se The Portuguese Economy. Abriu hoje e é escrito em americano. Não por um saloio pretensiosismo dos autores, mas porque o Pai Fundador do blogue, o Pedro Lains, quis abrir a discussão sobre a economia portuguesa ao público internacional que não fala senão americano. Fez muito bem.
publicado por Miguel Morgado às 11:32 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Madeira

«Ó infelizes mortais! Ó deplorável terra! Ó agregado horrendo que a todos os mortais encerra! Exercício eterno que inúteis dores mantém! Filósofos iludidos que bradais "Tudo está bem"; Acorrei, contemplai estas ruínas malfadadas, Escombros, despojos, cinzas desgraçadas, Estas mulheres e crianças amontoadas Estes membros dispersos sob mármores quebrados Cem mil desafortunados que a terra devora (...) Direis vós, perante tal amontoado de vítimas: "Deus vingou-se, a morte é o preço dos seus crimes" ? Que crime, que falta cometeram estas crianças Sobre o seio materno esmagadas e sangrando? Lisboa, que já não é, teve ela mais vícios Que Londres ou Paris, mergulhadas em delícias? Lisboa em ruínas, e dança-se em Paris.»
publicado por Paulo Marcelo às 10:45 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Terça-feira, 23.02.10

Euro ou não Euro?

Não parece haver outras opções. Ou saímos desta com o Euro, ou rompemos com a União Monetária e adoptamos uma nova moeda bem desvalorizadinha. Esta segunda solução é politicamente insustentável. Seria a morte política de PS e PSD que tudo apostaram, tudo conciliaram, para termos o Euro. O Euro é o símbolo máximo do "sucesso" da nossa integração no espaço político-económico europeu. Morrendo o Euro, morre este regime que por enquanto ainda subsiste.
O problema é que superar a crise em que estamos envolvidos amarrados ao Euro coloca imensas dificuldades económicas. A ponto de se dever considerar não apenas cortes nos salários nominais, já que num ambiente sem inflação a coisa só lá vai assim, mas também cortes nas prestações sociais e muito provavelmente nas pensões de reforma. Vai ser a doer. Como diz o Jorge Costa (sim, o homem que "treslê"), quer a gente queira, quer não.
Mas antes que se prepare o assalto ao Banco Central Europeu é preciso notar que uma hipotética nova moeda desvalorizada não nos pouparia à dor. Bem pelo contrário. A experiência de outras economias que foram forçadas a desvalorizar em circunstâncias semelhantes sofreram colapsos económicos severíssimos. Em particular, quando, como nós, a dívida privada era elevada. Nestas condições, uma moeda sem credibilidade e com necessidade de desvalorizar equivale a pressão esmagadora sobre a banca.
É verdade que o gráfico da trajectória económica de países que fizeram a experiência de desvalorizar é, com excepções, um pronunciado V: queda abrupta, recuperação relativamente rápida. Mas essa rapidez depende da profundidade das mazelas sofridas pelo sector bancário. Alguém quer arriscar?
publicado por Miguel Morgado às 22:08 | comentar | ver comentários (16) | partilhar

Sinais de fogo


Não sei se todos, ou algum, têm por Jorge de Sena a espécie de veneração que eu tenho, pela particular sorte que tive de o conhecer, quando era miúdo e nada sabia ainda, excepto que o meu pai, o meu herói, e os seus amigos, outros heróis, tinham por ele uma admiração exemplar. Um dia, vindo do exílio, na abertura marcelista, lá foi a Lourenço Marques. E eu, miúdo, lá fui com o meu pai a todas as palestras que deu, sobre Camões e outros temas, em que ele (pouco) veladamente zurzia no regime e no país, em salas cheias, inclusive de pides anónimos e disfarçados, fazendo servil e lealmente o seu trabalho de marcação. Lembro-me que uma foi no cinema Gil Vicente, outra na Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra, de que era presidente, julgo, Almeida Santos, outra ainda no anfiteatro da Faculdade de Medicina. Depois, pude ouvi-lo algumas vezes, em serões e ocasiões mais íntimas, porque andava lá pela casa dos amigos que ele tinha ou fez em Lourenço Marques, como o saudoso Rui Knopfli. Depois ainda, cheguei a saber de cor uma série de poemas dele. Acho que li tudo o que havia para ler dele. O Knopfli punha-ma a ler o que fosse necessário.

Ontem com os sinais de fogo, pois, lembrei-me dele, como não? E deste poema, de que reproduzo aqui os versos finais. É a

Carta aos meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya
...
E, por isso, o mesmo mundo que criamos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.


Para o ler ou ouvir na íntegra, como merece, aqui.
publicado por Jorge Costa às 21:44 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

É só gente sombria

Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI

Outro doido que não compreende a bondade de Pedro Passos Coelho.
publicado por Jorge Costa às 17:12 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quem diria?



O que são as coisas. Há meia dúzia de meses, quando Cavaco teve aquela sucessão de desastres que começou na comunicação ao país sobre as escutas à Presidência e acabou na demissão de Fernando Lima assassina para o PSD, muita gente vaticinou o seu óbito político. Uns com horror, outros com júbilo. Eram os tempos em que Sócrates se dava à provocação triunfal de chegar meia-hora atrasado a uma audiência. Eu lembro-me.

Hoje, com o Primeiro-Ministro enfraquecido, o Governo à deriva, o PSD em busca de rumo, um Parlamento que se permite ser insultado por jornalistas em sede de comissão, um poder judicial enredado em contradições e esoterismos e, ó doce vingança dos deuses de Boliqueime providenciada pelo Dr. Soares, dois rivais à esquerda que já começaram a esgadanhar-se e vão fazer do seu regresso a Belém um passeio, o Presidente surge como a grande referência de estabilidade e confiança do regime. Para uns com horror, para outros com júbilo. São os tempos em que se comprova, mais uma vez, que as notícias da morte política de certas pessoas tendem um pouco ao exagero. O que também vale, diga-se de passagem, para Sócrates.
publicado por Pedro Picoito às 14:04 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Bons sonhos

Isto não está mesmo nada bem. Na imprensa séria da Europa discute-se o fim da «Europa». A nossa praça pública parece-se mais com uma imensa casa mal afamada, onde a expressão «corno» já serve para explicar alguns dos lances. Ou para os escamotear. Por exemplo, ontem, Sócrates pretendeu convencer o país que era o maior «corno» de todo o sempre. A «Europa», essa, onde estamos metidos até ao fundo, e cujo fim se debate, não existe aos olhos dos portugueses, concluirão com espanto, daqui a uns anos, os historiadores da nação (ou sem espanto, também pode ser.) Como, por aqui, pouco do que se opina tem interesse - estamos presos às «pontas» do primeiro-ministro -, não há como medir a desgraça a sério pelo que lá fora, em locais mais bem frequentados, se escreve. Diz-nos absolutamente respeito, mesmo que nos custe a acreditar.

Gideon Rachman escreve hoje um importante artigo no FT. A Grécia ameaça mais do que o euro, é o título e é verdade.

Sublinha a natureza emininentemente política da crise por que passamos. Compreendê-la nesses termos parece-me essencial, para, quando acordarmos deste torpor de bas-fonds, sabermos pensar uma resposta à altura da situação. Há uns dois ou três anos traduzi e anotei com gosto o livro de Pierre Manent, A Razão das Nações - Reflexões sobre a democracia na Europa, a obra que, de tudo o que li até hoje, me parece ter ido mais fundo na análise e na história do desastre sobre o qual se debruça hoje Gideon Rachman. Aconselho.

Mas para compreendermos a dimensão do problema como resultado, talvez valha a pena ler hoje este post de Izabella Kaminska no FT Com Alphaville. Tecnicamente é exigente. Conclui: o FMI pode estar indisponível para financiar e manter [mesmo cumprindo o actual plano de ajustamento] uma tal situação de endividamento. Caso em que, diz o analista [do Barclays], a restruturação da dívida seria, de facto, a única opção. Há alguns números sobre nós, e referências oblíquas, cuja consideração se recomenda. Bons sonhos.

publicado por Jorge Costa às 13:01 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Ler os outros

Da classe. João Gonçalves
O que merecemos. Tiago Moreira Ramalho
publicado por Alexandre Homem Cristo às 12:00 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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