Segunda-feira, 29.03.10

Acumula

O facto de ser manifestamente parvo não o obrigava a ser suíno. Mas acumula.
publicado por Jorge Costa às 14:00 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Isto não é notícia

Something funny happened on the road to a Greek bailout: nothing.

Caro Tyler Durden: lamento informá-lo, mas a notícia tinha sido dada em primeira mão pelo primeiro-ministro português, a quem coube a honrosa tarefa de representar os seus pares à saída da reunião. Como deve saber melhor do que eu, o resultado era mais do que previsível. Era necessário. Nada é mesmo a única coisa acertada - se é que ainda as há possíveis - que a Europa pode fazer, de momento, pelo assunto. Dir-me-á que não ouviu o primeiro de que lhe falo. E que a ele competia fazer, ao menos, de conta que algum coisa se passara por lá. Pois. Mas vê-se que não conhece a espécie. Nem do que é capaz um sujeito assaz medíocre em momento de entusiasmo, avesso a qualquer toque de realidade e comissionado para mais um número de propaganda. De tudo.
publicado por Jorge Costa às 12:41 | comentar | partilhar
Domingo, 28.03.10

Alexandre Herculano

No dia 25 de Dezembro de 1872, Alexandre Herculano escreveu uma carta curiosíssima a Oliveira Martins:

Illm.º Am.º e Snr.

Vale-de-Lobos, 25 de Dezembro de 1872

Recebi em tempo o seu livro socialista [Teoria do Socialismo] e quisera logo corrê-lo e ler aquilo que a minha velha e gasta compreensão pudesse alcançar; mas chegou em má conjuntura, na dos começos da colheita e fabrico do azeite. Nesta faina apenas podia tirar alguns pedaços de noite para ir meditando no conteúdo do livro, quando podia traduzir em linguagem inteligível para mim as suas frases. O socialismo é uma espécie de religião e, como todas as religiões, tem dogmas, e os dogmas, por via de regra, pertencem ao mundo do sobre-inteligível. Não se admire, pois, de que eu, pouco familiarizado com as profundezas da nova crença, não saiba ligar nenhuma ideia a certas proposições e frases, em que até o valor dos termos é para mim novo e desconhecido. Não tome isto por ironia. É a pura verdade.

Tenho, por isso, lido pouco: aqui e acolá, às furtadelas. Burguês dos quatro costados, liberal ferrenho e proprietário, ainda que pequeno, tenho todos os sinais que caracterizam a besta do moderno apocalipse do evangelista Proudhon; sou tirano do operário. [...]

Com esse pouco, porém, que tenho visto do seu livro já apanhei uma ruma de dúvidas, para as quais lhe pediria explicação se me coubesse no tempo que desbarato agora com as contas do lagar [...].

Agora o que eu não quisera era deixar de responder às perguntas da sua carta. Assim eu as entenda bem! Pergunta-me se não me parece que da sucessão dos factos da história sai uma lógica da história, e que essa lógica conduz a conclusões diferentes das de um mero concurso de acidentes, determinado por um outro concurso atomístico de indivíduos. Se muitas vezes não atino com o sentido dos seus períodos é pela ignorância em que estou dos progressos modernos. É esse o verdadeiro quid que V. S.ª acha dar-se entre mim e os pensadores actuais. Eu posso lá saber o que é a lógica da história que sai da sucessão dos factos históricos? A lógica, no meu tempo, era o complexo das leis, das regras espontâneas conforme as quais funciona a inteligência: era a fórmula por cujo meio se manifesta a razão no homem. [...] Lógica engendrada pelos factos da vida das nações ainda não havia no meu tempo. É descobrimento mais moderno.[...]

Parece-me que, reduzindo a pergunta a termos chãos, alheios à terminologia nebulosa da filosofia socialista (que seria dela sem essa terminologia?), V. S.ª quer saber se, à vista das suas apreciações históricas, eu acho que a vida das sociedades não resulta dos efeitos da vontade individual, combinados com os acontecimentos fortuitos. Distingo. A vontade individual, ajudada pela superioridade da inteligência, tem, teve e há-de ter sempre uma influência maior ou menor, às vezes grandíssima, na vida exterior das sociedades, e até não raro na sua vida interior, na sua fisiologia. Que esta influência necessariamente é limitada pelas outras vontades inteligentes, também me parece óbvio: que há circunstâncias independentes, tanto de qualquer vontade individual como do complexo de todas, que as limitam, parece-me indispensável. Que estas circunstâncias sejam determinadas pelo concurso das vontades individuais, não o creio, aliás confundir-se-iam com os efeitos delas, e o modo de ser das nações teria essa única origem. Circunstâncias tais dependem de factos anteriores, de leis físicas ou morais, de causas, em suma, que podemos ou não podemos conhecer. Neste último caso chamamos-lhe circunstâncias acidentais, fortuitas. No mundo real não há senão causas e efeitos. Fortuito é um adjectivo inventado para consolar a vaidade humana de ignorar a cada passo a genealogia dos factos e dos acontecimentos. Assim, eu creio que o génio militar e político de Napoleão exerceu uma influência enorme nas condições de existência das sociedades actuais da Europa; que a vontade enérgica de um fidalgo russo, Rostopkéne, modificou, limitou os efeitos dessa influência com o incêndio de Moscovo; que a circunstância fortuita de ser rigorosíssimo o Inverno de 1812 (fortuita, enquanto um mais cabal conhecimento das leis meteorológicas nos não vier revelar porque o Inverno de 1812 foi tão rigoroso) completou a obra do fidalgo russo, dando cabo de um exército de 700 000 homens, que teriam dado cabo do poder da Rússia se tivessem podido invernar em Moscovo; que a destruição desse exército explica Waterloo - Waterloo que, além dessa causa, tem a das vontades em concurso de Wellington, Blücher e talvez Bourmont, de Waterloo, a queda do cesarismo, o remodelamento da carta da Europa, o estabelecimento do governo representativo. Não sei se o concurso destas vontades foi atomístico, porque não sei se emprega este adjectivo no sentido vulgar, se no sentido filosófico de Epicuro ou de Leibniz, ou, finalmente, na significação da química moderna. Se é no primeiro (o que me parece mais provável, para apoucar o indivíduo diante da humanidade), há-de confessar que os tais indivíduos átomos tinham sua acção sobre as sociedades da Europa. Seriam eles já moléculas?[...]

Tenha paciência, meu amigo, visto que me faz perguntas, perguntas sobre questões altíssimas a um pobre lavrador d'azeite! Sofra-lhe as tolices abrutadas. Há na primeira pergunta da sua carta um triunfante e decisivo finalmente, que me atemorizou e me fez a princípio crer que, tendo labutado 25 anos com trabalhos históricos, nada tirara disso senão cair numa esparrela de conclusões erróneas, de que a teoria socialista vinha desembaraçar-me, afinal. Nesses 25 anos (e creia que durante eles trabalhei deveras) pude estudar seriamente apenas uma época da história do meu país, e ainda assim ficaram-me obscuras mais de uma face do poliedro social. Mas as conclusões que tirei dos meus estudos nunca tiveram por alvo o determinar as evoluções passadas, presentes e futuras das sociedades maiores e menores, constituídas pelo género humano nas diversas partes do globo. O único intuito do que escrevi foi deixar às gerações futuras em Portugal alguns meios para uma coisa que me parece hão-de algum dia tentar fazer, isto é, tornar as instituições mais harmónicas, mais consequentes com as tradições e índole desta família portuguesa, a quem V. S.ª nega individualidade própria e que, todavia, já no século XII, chamava com malévolo desdém, estrangeiros aos Espanhóis. A minha crença é que, por esse meio, nós chegaremos a tornar a liberdade verdadeira e real, o que não temos obtido com imitações bastardas de instituições e até de utopias peregrinas. Já vê que não tenho de abrir finalmente os olhos para ver a luz que derrama ante mim a teoria do socialismo. Não pego no facho, porque nada tenho de procurar com ele.

Mas permita-me que duvide que o tal facho alumie coisa nenhuma. O Socialismo, desde que fabricou a humanidade, cujos átomos moleculares eu e V. S.ª com toda a gente nossa conhecida e não conhecida temos a honra de ser, tratou esta abstracção da antiga ciência, que se chama o género humano, com um desprezo por tal modo iníquo que não nos dá esperanças de que o reinado do socialismo seja o reinado de Astréa. Buscando as leis gerais e absolutas que regem a evolução social de Mme. Humanidade, o socialismo vai-se à história dos povos que têm habitado e habitam uma pequena parte do mundo chamada a Europa, e, respigando, aqui e ali, factos bem ou mal averiguados, instituições bem ou mal estudadas, doutrinas bem ou mal compreendidas, adjectiva-as ao seu idealismo, e acha assim a tal lógica que sai da sucessão dos factos e que é a lógica da história. Arranja a sua igrejinha, como se arranjariam dez igrejinhas diferentes ou contrárias, com as memórias passadas, exactas ou inexactas, de 80 ou 100 milhões d' homens e com uma nesga do mapa-mundi. E 300 milhões de Chins e 200 milhões de Hindus, que representam civilizações antiquíssimas e ainda subsistentes? E as civilizações extintas de Assírios e Egípcios e Persas e Tolteques, etc?

publicado por Carlos Botelho às 21:58 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

O Destino da Economia

Este artigo de David Brooks sobre o destino da Economia como área do saber tem de ser lido à luz das admoestações de Greg Mankiw. Há muito tempo que insisto nos pontos que Mankiw refere (e noutros para além desses). Mas Mankiw é Mankiw.
publicado por Miguel Morgado às 20:09 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Israel, EUA, um conflito aberto, uma carta importante

337 congressistas - três quartos da Câmara dos Representantes - assinaram uma carta bipartidária dirigida a Hilary Clinton exprimindo o seu sólido apoio a Israel e a esperança de que as divergências entre Jerusalém e Washington sejam limadas rapidamente e em privado.

Formulações importantes da carta:

- Escrevemos para reafirmar o nosso empenhamento na ligação inquebrantável que existe entre o nosso país e o Estado de Israel e para lhe exprimir a nossa profunda preocupação com a tensão recente. Um Estado de Israel forte é um activo para a segurança nacional dos Estados Unidos e traz estabilidade ao Médio Oriente;

- Preocupa-nos que as tensões altamente publicitadas nas relações não contribuam para fazer avançar os interesses que os EUA e Israel partilham. Sobretudo, temos de concentrar-nos na ameaça que o programa nuclear iraniano representa para a paz e estabilidade no Médio Oriente.

Muito resumidamente, como ler esta carta?

Primeiro: as tensões referidas foram impulsionadas com o episódio infeliz de publicitação da autorização de construção de 1600 casas em Jerusalém, durante a visita de Joe Biden, vice-presidente dos EUA, a Israel. Se a oportunidade do anúncio é discutível, a opção, não. Não há nenhuma razão para Israel suspender a construção em qualquer parte de Jerusalém. Jerusalém não é um colonato, nem o regresso a qualquer divisão interna à cidade, tal como a que existiu entre 1949 e 1967 é uma hipótese negociável - para uma das partes do conflito. A exigência, como condicionante do regresso à mesa das negociações, por parte de Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana, do congelamento de toda a construção na margem ocidental do Rio Jordão e Jerusalém, funcionou como pretexto da sua recusa, até que o Governo de Netanyahu decidiu aceder a uma moratória de 10 meses, no que à construção em torno dos colonatos diz respeito. Ao passo dado por Israel não correspondeu nenhum passo dado pela outra parte, nem pressão nenhuma efectiva por parte da Administração norte-americana, nesse sentido. A Administração insistiu em dar cabimento à exigência palestiniana de extensão da suspensão de construção em Jerusalém, algo que não é negociável por Israel, uma vez que Jerusalém não é, em nenhuma das suas partes, susceptível de uma abordagem do mesmo tipo da aplicável aos territórios ocupados em 1967. A indivisibilidade de Jerusalém foi um princípio enunciado pelo próprio Obama, quando precisou do voto judaico. O abandono de facto desse princípio, ao acolher a exigência palestiniana, insere-se na estratégia de apaziguamento árabe, à custa do enfraquecimento das posições do seu aliado, Israel. A recusa israelita enfraquece os EUA, pois mostra ao mundo, ao mundo árabe, nomeadamente, que o poder de influência dos EUA em Israel não é o que parece. Tem limites. Jerusalém é um desses limites.

Segundo: a publicitação das tensões prende-se, não só com os discursos, ou nem sequer primordialmente com os discursos e tomadas de posição públicas pelas autoridades americanas ou israelitas, embora certamente que dela façam parte, mas, antes de mais, com as humilhações protocolares a que Netanyahu foi sujeito durante a sua visita a Washington. A fúria de Obama perante a irredutibilidade do seu aliado traduziu-se em espectáculos inéditos como o cancelamento de uma conferência de imprensa conjunta no final da visita, e outras exibições de alta tensão. Verdade que Joe Biden não teve uma visita fácil a Israel. Mas a verdade, a verdade mesmo é que não vale a pena tapar o sol com uma peneira: neste momento são muitíssimo profundas as divergências entre os EUA e Israel relativamente à situação de conflito regional.

Terceiro: o fundo da questão, além de incluir a arrogância norte-americana relativamente à presunção de que pode definir, em vez de Israel, o que são condições aceitáveis para o futuro de Israel - designadamente quanto ao estatuto de Jerusalém -, tem a ver com a interpretação do conflito e de tudo o que o envolve. Para Israel, é central conter o ascendente crescente do Irão na região, e vital, nesse sentido, parar o seu programa nuclear. O Irão é um dado essencial do problema: define o campo de forças em que uma solução viável - dois Estados, em paz, lado a lado - pode, ou não, acontecer. Para os EUA de Obama, o conflito israelo-árabe é resolúvel em si, e a sua resolução desactivaria as demais tensões no Médio Oriente. (É possível que os EUA já se tenham resignado a um Irão nuclear.) É a importação em Washington da Weltanschauung dominante na Europa.

Mas não é essa a dos 337 congressistas.
publicado por Jorge Costa às 16:53 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Vão até lá...

...e vejam e leiam: de aqui até aqui.
publicado por Carlos Botelho às 14:47 | comentar | partilhar

Quizz

Esgotadas as suas esperanças de que uma alternativa de resposta política aos desafios do seu país tivesse alguma hipótese de construção, vai:

1. Dedicar-se à cultura (aprender sânscrito, macramé, feng-shui, escrita criativa, etc.);
2. Imigrar para um país viável (os filhos não têm culpa da indigência dos pais, ou, na versão heróica do Padre António Vieira: Portugal para nascer, o mundo para morrer);
3. Esperar que isto passe e logo se vê;
4. Pensar no assunto um dia destes;
5. Poupar;
6. Isto não está bom para ter filhos;
7. Reler os anarquistas conservadores (Jünger, etc.), e reponderar se aquilo é uma saída;
8. Danças de salão;
9. Não sabe/não responde.
publicado por Jorge Costa às 12:59 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

São rosas, senhores, são rosas

Florista fazia 300 € por mês, segundo o Correio da Manhã.
publicado por Paulo Marcelo às 08:55 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Despedimentos

Com a multiplicação nos últimos dias na blogosfera de conselheiros políticos de Pedro Passos Coelho, tenho para mim que na próxima semana, e vistas as novas circunstâncias tão favoráveis, começarão a ser redigidas e enviadas as primeiras "cartas" de despedimento de gente que sempre foi dispensável mas não convinha dizer. Estaremos, portanto, diante de um dos maiores despedimentos colectivos de que há memória na blogosfera política portuguesa.
publicado por Fernando Martins às 02:26 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Sábado, 27.03.10

Algumas notinhas sobre as directas no PSD, Belém e o Illinois

1. A vitória de Passos Coelho foi clara, mas não ficou a dever-se ao que o PSD mais precisa: ideias. Passos ganhou porque os militantes esperam que leve o PSD ao poder o mais depressa possível, tal como há dois anos esperavam o mesmo de Manuela Ferreira Leite. Não funcionou e o país preferiu Sócrates. Agora, o PSD escolheu o que tem de mais parecido com Sócrates. Talvez funcione porque o país, entretanto, está tão farto de Sócrates até um sucedâneo de Sócrates é um mal menor.
2. As eleições de ontem terminaram o ciclo das legislativas. Para parte do PSD, com Passos Coelho à cabeça, as eleições de Setembro foram também um referendo a Manuela Ferreira Leite e os dois últimos anos serviram apenas para lhe fazer oposição. Agora, têm que fazer oposição ao PS. Prevejo alguma dissonância cognitiva.
3. O fim do ciclo das legislativas coincide com o início do ciclo das presidenciais, que vai dominar o próximo ano. O PSD só tem uma alternativa: apoiar Cavaco Silva. Além disso, Belém vai ter um papel cada vez maior perante um Governo fragilizado e minoritário e uma oposição paralisada pelo medo de precipitar a crise política. Passos, dos quatro candidatos às directas, foi o que se distanciou mais de Cavaco. O que o obriga a ser, até às presidenciais, um jogador à defesa no jogo de que PR será o árbitro.
4. Dificilmente o PSD poderá governar sem uma coligação à direita. Passos e os seus apoiantes fizeram questão de sublinhar que o candidato vindo do CDS era Rangel. Mais: se a blogosfera passista reflecte a realidade do passismo (e eu acredito que sim), alguns episódios edificantes dos últimos dias prenunciam sérios problemas de convivência entre os dois partidos. O fino tacto a que já nos habituaram o professor-doutor-para-lá-de-Badajoz-ó-meu-Deus Jekill e outros hermeneutas menores, desta vez em relação à "pequenada" do "Paulo" (sic), não será um ponto de partida auspicioso. No Illinois de baixo talvez se aprenda muita coisa (embora Badajoz fique para o outro lado), mas não se parende, pelos vistos, a distância entre bullyish instinct e stupid instinct.
5. Espero para ver o que acontecerá ao Instituto Sá Carneiro, mas duvido que Passos Coelho tenha a coragem de reconduzir Alexandre Relvas. Pessoalmente, é também um ciclo que se encerra. A convite do Alexandre, colaborei durante dois anos nos grupos "Novas Ideias, Novas Narrativas" e "Portugal 2020". Dois anos de trabalho intenso, de debate vivo, de gente interessante. É isso o que levo da experiência e estou-lhe grato. Para mim, os projectos são pessoas. Só assim concebo a dedicação a uma causa. O meu modesto contributo só faz sentido com uma liderança em que me reveja, seja a de Manuela Ferreira Leite no partido ou a de Alexandre Relvas no Instituto. E não me revejo nas pessoas, nos métodos e nas "ideias" que aí vêm. Até porque li Sartre há muito tempo e podia esquecer-me de alguma coisa.
publicado por Pedro Picoito às 20:40 | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Proteccionismo temporário?

Dada a situação delicada que algumas economias enfrentam em virtude da persistência dos seus défices da balança de transacções correntes, não seria surpreendente que se começasse a a invocar o proteccionismo como solução temporária para esse problema, como o Pedro Lains avisou aqui. Mas é preciso reter um facto renitente relativo ao proteccionismo temporário - a que já se recorreu no passado para apoiar as indústrias nascentes, para garantir termos de troca favoráveis ou para aliviar desequilíbrios macroeconómicos graves. E esse facto é muito simples: nenhum proteccionismo é temporário. Nunca o é porque o proteccionismo, não só rompe com os padrões de comércio estabelecidos, como conduz a uma reafectação dos recursos que, por sua vez, cria fortes grupos de interesse que farão o que for preciso para impedir o regresso à situação anterior.
Há muitos anos, o historiador económico François Crouzet declarou, com bastante exagero, é certo, que a resistência ao comércio livre no seu próprio tempo - a década de 60 - era uma consequência da profunda reafectação de recursos causada pelo Bloqueio Continental das Guerras Napoleónicas. Seja como for, o proteccionismo só é desfeito com lutas políticas graves ou por um choque externo de proporções bíblicas.
publicado por Miguel Morgado às 15:42 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

A paisagem política

publicado por Carlos Botelho às 14:08 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

A Douta Ignorância

Nasceu ontem um blogue que promete tornar-se num espaço de referência da blogosfera nacional. Chama-se A Douta Ignorância e reúne o talento do Bruno Vieira Amaral (aqui da casa), do Tiago Moreira Ramalho e do Rui Passos Rocha (meus colegas no Aparelho de Estado). Ide ler.
publicado por Alexandre Homem Cristo às 13:35 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 26.03.10

Águas de Março

publicado por Paulo Marcelo às 18:17 | comentar | partilhar

A ler

Escolher o Bullying?, de André Abrantes Amaral no site do IFSC.
publicado por Maria João Marques às 15:22 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Período de reflexão

Convinha que os militantes do PSD que hoje vão votar, além de pensar nas lideranças possíveis

pensassem também em

miasmas

e outros problemas não menos sérios. Em princípio, o PSD deveria sobreviver.
publicado por Jorge Costa às 13:04 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

A ignóbil mentira

A lenda do domínio do neoliberalismo e da conspiração dos especuladores em Portugal serve de guarda-chuva ao PS quando a emergência aperta. Assim de repente faz lembrar os partidos constituídos pelos movimentos de libertação em África que para tornar o poder mais seu acusavam o neocolonialismo dos males que eles próprios provocavam. No fundo, é o clássico enredo usado com mestria no filme "Underground" de Kusturica. Todos para a cave de abrigo porque a guerra continua - eis a metáfora para a "nação" que Tito fundou.
É uma mentira, mas não é nobre. A gente acredita?
publicado por Miguel Morgado às 11:43 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

A tripla escolha do PSD


Enquanto Portugal se afunda numa grave crise política e económica, os militantes sociais-democratas têm hoje um triplo poder: escolher o seu próprio presidente, o líder da oposição e o provável próximo primeiro-ministro.
Como líder parlamentar e candidato europeu, Paulo Rangel mostrou um discurso vivo e acutilante, longe do politiquês habitual. Esse registo diferente permite-lhe ser ouvido com atenção tanto pelas elites como pelo povo. A sua vitória nas europeias permite antecipar que será um líder da oposição combativo e eficaz.
O percurso profissional e académico de Rangel, anterior à vida política partidária, aumentam a sua independência face ao aparelho e dão-nos garantias de qualidade e solidez como futuro chefe de governo. Com Rangel nunca teremos problemas de licenciaturas feitas tarde, à pressa ou ao domingo. Não teremos dúvidas sobre ligações pouco transparentes a padrinhos ou grupos económicos que vivem à conta das autarquias ou do Estado.
Em poucas semanas de campanha, Rangel trouxe uma nova linguagem e novos temas de ruptura com o discurso e a propaganda socialistas. Temas como mobilidade social, prosperidade económica, descolonização do Estado, sociedade descentralizada. Não sei se vai ganhar hoje as eleições directas. Mas sei que Rangel é um líder de futuro e com futuro.
publicado por Paulo Marcelo às 11:37 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Cachimbos de lá

Darryl Young, Whaleman, 2008
publicado por Pedro Picoito às 11:32 | comentar | partilhar

Como alguns jornalistas noticiam as sondagens

Hoje a TSF está a noticiar em todos os seus "jornais" o barómetro político da Marktest.
Quando analisamos os números o PS, (o tal que segundo a notícia trava a descida) desce 0.3% em relação a Fevereiro, e o PSD, (o tal que desce ligeiramente) desce 0.1%.
Ou seja o PS desce o triplo do PSD mas é apresentado na notícia com uma carga positiva (travou a descida) o PSD que desce três vezes menos é apresentado negativamente (desde ligeiramente).
Mas como aprendi que nas sondagens tão importante como os resultados é relevante verificar as tendências, fui ao site da Marktest confirmar os resultados dos últimos 6 meses. As evoluções são esclarecedoras.
PS
Outubro - 42.9 %
Novembro - 41.7 %
Dezembro - 41.1 %
Janeiro - 40.5%
Fevereiro - 35,9%
Março - 35,6%
PSD
Outubro - 23.7%
Novembro - 25.6%
Dezembro - 27.4%
Janeiro - 29.2%
Fevereiro - 30.9 %
Março - 30.8%
Nos ultimos seis meses o barómetro da Marktest mostra uma subida acumulada do PSD de 7% e uma descida constante do PS que ultrapassa os 7%.
A subida do PSD não é feita tanto à custa do CDS, que segura valores que rondam os 10%, mas sobretudo à custa do PS.
Tudo isto é indiferente. O importante é noticiar que o PS trava a descida e o PSD desce ligeiramente.
publicado por Pedro Pestana Bastos às 11:09 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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