Segunda-feira, 03.05.10

Risco: nada se perde

Os alemães, chauvinistas como são, vão adorar. Falta-lhes aqule sentido de Europa que recomendaria que pagassem com gosto o preço de viver, com gosto, e permanentemente, no mundo caótico que os outros criaram. Ver aqui a coisa em antecipação. E o resto.
publicado por Jorge Costa às 10:16 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Citação queirosiana do dia

«Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, politica de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?» (Eça de Queiroz, in Jornal O Distrito de Évora, 1867).

Os nossos problemas são recorrentes. Entre os séculos XIX, XX e o nosso século, as semelhanças são evidentes. Pois. Mas não sei se isso nos deve tranquilizar ou preocupar ainda mais.
publicado por Paulo Marcelo às 10:05 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Domingo, 02.05.10

Ava Gardner: "Can't Help lovin´dat man"

publicado por Fernando Martins às 19:33 | comentar | partilhar

Da série "A concorrência faz melhor"

"...porque é branco, alemão, conservador, teólogo..."
publicado por Pedro Picoito às 19:31 | comentar | partilhar

Papandreou


Para além de toda a admiração que tenho por este homem, George Papandreou, por este lutador que sabe, e mostra em actos que sabe, onde fica a linha vermelha, a fronteira das coisas, o que mais dói é pensar que o ele conseguiu esta semana é uma barragem contra o Pacífico. E que, com razoável probabilidade, a Grécia falirá na mesma, ou será forçada a restruturar preventivamente a dívida. Abençoado país, porém, que pode contar com um homem desta fibra. O seu discurso, hoje, ao anunciar o conseguido, está aqui, publicado na íntegra, sem comentários, como deve ser, no Wall Street Journal. O que não consigo engolir é que o primeiro-ministro que temos nos esteja a conduzir em toda a impunidade para a situação em que a Grécia está mergulhada.

Sobre a verdade das coisas, sem meias palavras, ler aqui.
publicado por Jorge Costa às 18:35 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

(Não só por) uma questão de gosto


Não gosto disto. Apesar de tudo.
publicado por Carlos Botelho às 14:20 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

O que pode o Presidente?


É claro que quem governa é o Governo. E não compete ao Presidente governar. Mas compete ao Presidente algo bem mais fundamental: garantir a independência nacional e o normal funcionamento das instituições democráticas (cf. art. 120º). De acordo com o art. 134º pode o Presidente «pronunciar-se sobre todas as emergências graves para a vida da República.» Manuel Alegre, aqui, faz uma contestação exclusivamente ideológica das últimas declarações do Presidente. Manuel Alegre tem, da incidência das políticas económicas e financeiras sobre questões decisivas da vida da República, em geral, e neste contexto em particular, uma noção mais ou menos parecida com a das redacções da Marta Rebelo. Se a situação que o Governo está a criar, pelos seus actos, é, ou não, atentatória da independência nacional e do normal funcionamento das instituições é algo que não me merece qualquer dúvida - como em breve, se nada for feito, saberemos. Esperava eu, que Cavaco Silva, em quem votei, fosse capaz de o perceber e agir com todos os seus poderes, em nome do mandato que tem. Não se trata de criar uma crise política. Trata-se de minimizar as ameaças de destruição de uma crise nacional, como a que a Grécia está a viver. Se o Presidente da República não usar todos os poderes de influência que possui para contrariar a direcção destrutiva dos actos do Governo, não poderá deixar, no futuro, de ser corresponsabilizado pelo que vier a acontecer. Para a história ficará que o sistema político em que vivemos foi incapaz de lidar com as ameaças. Falhou. O sistema - todas as suas partes e a maneira como se articulam. O preço de deixar andar as coisas pelo caminho que levam pode ser muito elevado. Não compreenderiam os portugueses uma advertência enérgica da parte do Presidente? Depende da maneira como ele se explicar. Mas para isso teria de se explicar. Recordo que as últimas declarações de Manuela Ferreira Leite antes de deixar a liderança do principal partido da oposição foram: «Perdemos a independência económica.» Espero que, numa variação bem mais sombria, não sejam deste teor as últimas de Cavaco. Compete-lhe mostrar-nos que temos direito a um mínimo de esperança, como agora se diz tanto. (Quanto ao teor das declarações do patriota patusco Manuel Alegre, não merecem contradição. Não entra naquela cabeça que o dinheiro pode ser um problema, sobretudo quando, não havendo na pátria, nem havendo ideia de que a pátria o poderá pagar no futuro, quem normalmente o empresta decidir deixar de o emprestar, ou passar a emprestá-lo apenas com garantias e condições proibitivas - aquilo a que ele chama «ataque especulativo». Mundividências do tiro aos pardais.)
publicado por Jorge Costa às 10:26 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

"Tu vuò fà l'americano" em It Started in Naples (1960)

publicado por Fernando Martins às 01:43 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Pergunta escolar

A respeito disto e de toda a discussão que vem detrás, gostaria que os meus amigos respondessem a uma pergunta - suspeito que as coisas ficarão mais claras. (Usem a caixa de comentários à vontade.)


O que é um aluno?

publicado por Carlos Botelho às 01:04 | comentar | ver comentários (29) | partilhar
Sábado, 01.05.10

Insista, sff. Força!

Experimente isto. Não desista. Nunca.

publicado por Jorge Costa às 21:22 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Chicago, 1886

publicado por Carlos Botelho às 17:00 | comentar | partilhar

Cachimbos de lá


Vincent Van Gogh, Auto-retrato com chapéu de palha e cachimbo, 1887
publicado por Pedro Picoito às 14:45 | comentar | partilhar

Resposta ao "Descoberto"

Carlos Botelho e Rui Felício, em "Descoberto" e respectivos comentários, produzem uma série de afirmações e argumentos em defesa da estabilidade de alguns benefícios actuais do nosso sistema educativo público para os seus actores, como sejam as reduções de horários lectivos que ocorrem com a idade e carreira.

Produzem também uma série de afirmações e argumentos para contrariar a hipótese de os pais poderem escolher a escola mais adequada para os seus filhos, com um financiamento do Estado que seria igual por cada aluno captado por uma escola (pública ou privada).

Eu poderia responder a cada argumento isoladamente, a lógica de cada argumento é basicamente "este argumento faz sentido e produz melhores resultados", sendo que, curiosamente, todos estes benefícios que produzem melhores resultados já existem hoje no nosso sistema educativo público, e também curiosamente, os resultados não são famosos.

Eu poderia responder a cada argumento, mas isso não resolveria nada, porque a questão da superioridade é, para eles, uma questão de fé. Porém, é possível argumentar logicamente de uma forma simples que vence todos esses argumentos simultaneamente. É isso que farei. Simplesmente:

SE Carlos Botelho e Rui Felício acreditassem realmente nos seus próprios argumentos, não teriam problemas em que os pais escolhessem as escolas, confiantes de que a superioridade de uma escola que praticasse aquilo que eles advogam, se imporia. Portanto, resulta óbvio que não defendem essa escolha, porque apesar de argumentarem pela superioridade daquilo que defendem, não acreditam realmente que aquilo que defendem produza resultados superiores (ou não teriam problemas em que os pais escolhessem, pois para o mesmo custo, eles escolheriam certamente o melhor).

Daqui resulta que só defendem o que defendem, em defesa de interesses particulares, e não na defesa do interesse geral da população - pois defendem benefícios que não acreditam realmente produzirem os resultados que argumentam, sendo que não estão dispostos a que esses benefícios sejam colocados em causa pela escolha dos pais na defesa do interesse dos seus filhos.
publicado por Joana Alarcão às 13:38 | comentar | ver comentários (16) | partilhar

Um primeiro-ministro de fim-de-semana

Lá está, em directo na prestável RTP, o primeiro-ministro debitando as suas banalidades grandiosas, a partir das cabeças de gado da Ovibeja: como inatacável justificação para a sua casmurrice "ideológica" das grandes obras, ensina-nos que são necessários "nervos de aço" e mais não sei quê. (Talvez vontade de ferro, ou ânimo de bronze, suponho.) Diz o homem também, de peito alçado e rodeado da sua corte sorridente de pescoço esticado para as câmaras, que, agora, precisamos é de "unidade" e "não de divergências" [sic], que era só o que faltava inflectirem-se políticas [sic] e que as diferenças ficaram já todas resolvidas e decididas "nas eleições de Setembro" [sic!]. É assim que funciona aquela cabeça.
Quando for grande, com os nervos de aço e tal, quer ser Führer.
Já é. Com o sufixo -zito.
publicado por Carlos Botelho às 13:14 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

O caso de Inês de Medeiros

Esta semana, na TVI 24, Inês de Medeiros em discurso directo falou do seu interesse pela política, do seu entusiasmo pelos trabalhos que está a desenvolver no Parlamento, e da desilusão pelo que se tem escrito quanto ao pagamento das suas viagens. O parecer jurídico da Assembleia da República autorizou o pagamento, mas a última palavra cabe agora aos partidos. Afinal esta "estória" ainda agora começou. A petição on-line a exigir que Inês de Medeiros renuncie ao mandato continua a somar cada vez mais assinantes. Na entrevista, a deputada defendeu-se explicando que neste curto espaço de tempo, entre as eleições e o início do mandato, não tinha condições para deslocar toda a família de Paris para Lisboa. Deixou também bem claro que não vai deixar de exercer o seu mandato caso o Parlamento não lhe pague as viagens. E por fim sublinhou que o valor estimado não ultrapassa o plafond de custos com viagens em território nacional. Possivelmente se a deputada não fosse independente e tivesse um nome menos sonante, o caso daria apenas para uma pequena breve nas páginas dos jornais.
publicado por Joana Alarcão às 12:24 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Os loucos anos 80 (108)



The Muppets Take Manhattan (1984).

publicado por Paulo Marcelo às 08:21 | comentar | partilhar

Cavaco coloca o Governo em sentido

Esta foi uma semana perigosa para Portugal. Com o risco iminente de derrocada, o Governo optou por manter as construções faraónicas do novo aeroporto de Lisboa, da terceira ponte sobre o Tejo e do TGV entre Lisboa e Madrid. Obras que obrigarão o país a recorrer a financiamento externo. Não sei se o Henrique tem ou não razão, mas este é o momento das forças responsáveis deste país levantarem a sua voz e exigirem que o Governo suspenda imediatamente estas obras irresponsáveis.

Cavaco Silva não é o líder executivo do país, mas tem responsabilidades políticas como Presidente da República. E todos conhecemos o seu papel quando se impediu que este Governo avançasse para a construção do novo aeroporto na OTA. Por isso fiquei satisfeito com a mensagem que hoje enviou, defendendo que "faz sentido reponderar todos aqueles investimentos, públicos ou privados, na área dos bens não transaccionáveis, que tenham uma grande componente importada, isto é, que utilizem pouca produção nacional e que sejam capital intensivo, ou seja, que utilizem pouca mão-de-obra portuguesa”. Esta é uma mensagem óbvia para o Governo, e conhecendo o modo de actuação do Presidente da República, não terá falado em público de ânimo leve. José Sócrates não pode fazer de conta, até porque parece que no seu Governo já há quem tenha percebido que esse não é caminho correcto para Portugal.
publicado por Nuno Gouveia às 01:12 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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