Quarta-feira, 02.06.10

Os Loucos Anos 80 (113)

Echo and the Bunnymen, "The Killing Moon", 1984

publicado por Miguel Morgado às 00:56 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Terça-feira, 01.06.10

Delícias turcas

Ouve-se o primeiro-ministro Erdogan vociferando grosso no seu parlamento ameaças nada subtis em resposta ao "massacre sangrento" [sic] de ontem. Por outro lado, o representante da Turquia nas Nações Unidas denuncia os "assassínios praticados por um Estado".
Curiosíssimas, estas excitações. Descaramento histórico. Eles sabem do que falam. Os Arménios que o digam.



publicado por Carlos Botelho às 23:17 | comentar | ver comentários (24) | partilhar

Público mente e manipula informação

As manhas desta gente são clássicas. O Conselho de Segurança leva 12 horas a negociar os termos de uma declaração sobre a flotilha turca, ou, se quiserem, sobre o confronto entre as Forças de Defesa de Israel e os «activistas» da flotilha turca.

A declaração conseguida, imagina-se, depois de horas de negociações, contém todas as ambiguidades necessárias para que o consenso tivesse sido possível entre as partes, com posições naturalmente muito diversas em relação ao assunto.

O jornal Público quer fazer crer que a condenação a Israel é unânime e inquestionável. Quer fazer crer o que não é. Mente. E desmente-se, porque, depois do título, tem de citar (bolas!).

O título do Público diz: Conselho de Segurança das Nações Unidas condena ataque israelita contra activistas. Os termos da declaração, citados pelo próprio jornal, mas já lidos, decididos - pelo Público, no título - quanto ao seu sentido -, isto é: manipulados, dizem: Conselho de Segurança «condena os actos que resultaram na perda de pelo menos dez vidas e fizeram numerosos feridos».

Portanto, o Público, falseando a natureza logicamente, necessariamente, ambígua, não condenatória de alguém em concreto - nem dos «activistas», que desencadearam a violência, nem da resposta forçosamente violenta dos comandos, atribui, manhosamente, ao Conselho de Segurança o que ele não declarou. Mais: o Conselho de Segurança pede um «inquérito imparcial» (não se vá dar o caso de mais um relatório Goldstone, por exemplo); seria um pouco kafkiano que a condenação precedesse o inquérito (já aconteceu, claro, com o próprio relatório Goldstone..., mas o mandato não era do Conselho de Segurança).

O texto do Público é de tal modo estúpido e contraditório que ele próprio, lá mais para dentro (quando já pouca gente lê a notícia, ou, se a lê, fá-lo embalada na «decisão» do jornal), diz: «a Turquia não conseguiu manter no texto uma condenação explícita de Israel».

Mas isso são subtilezas que não acalmam o furor «activista» do Público, nem a parvónia crédula do costume, ávida de propaganda. O que é preciso é fazer passar a mentira, nas «gordas», repeti-la, repeti-la, repeti-la, as vezes que forem necessárias para que a verdade se torne de todo insignificante.

A notícia deveria ter sido: 12 horas de reunião no Conselho de Segurança não conseguiram produzir uma declaração condenatória explícita e resultaram apenas no pedido de um inquérito. Mas isso danava a Causa. Na realidade, a notícia é de tal modo uma não notícia, que nos três sites mais conhecidos de órgãos de comunicação em Israel, onde o jornalismo é a sério, um de esquerda (bem acelerada), outro de direita e outro tem-dias, não figura nos títulos: aqui, aqui e aqui.
publicado por Jorge Costa às 21:26 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Mais dois barcos a caminho de Gaza

Aqui.
publicado por Jorge Costa às 17:54 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Conselho de Segurança lamenta perda de vidas e condena «actos» que a ela conduziram (corrigido)

Dada a barragem de informação que por cá medra, valha-nos a net e o acesso a outros órgãos de comunicação social. Assim, segundo o NYT, «o Conselho de Segurança das Nações Unidas lamenta profundamente a perda de vidas e feridos resultantes do uso da força durante a operação militar israelita em águas internacionais contra o grupo de embarcações que rumava a Gaza», (...) «e, neste contexto, condena os actos que resultaram na perda» de vidas. Até aqui, algum equilíbrio.
publicado por Jorge Costa às 17:02 | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Dia Internacional da Criança


Ray Caesar, Bubbles, s.d.
publicado por Pedro Picoito às 16:57 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Jornalismo de guerra, de volta ao Público

Parece que isto é assim há muitos anos.

Numa guerra, a primeira baixa é a verdade, Ésquilo, Agamemnon.
publicado por Jorge Costa às 15:59 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Jornalismo militante

"Apesar da condenação unânime à operação que causou a morte a dez activistas pró-palestinianos, Israel prepara-se para impedir o acesso a Gaza do navio irlandês Rachel Corrie, que também transporta ajuda humanitária."

Assim começa esta notícia no Publico online (sem assinatura), tentando demonstrar que os "maus" israelitas irão "atacar" mais um barco de "activistas". Não percebo onde o/a jornalista que assina a peça encontrou essa unanimidade que revela. Se a morte de pessoas foi lamentada? Claro que sim. Se a operação israelita foi condenada unanimemente? Gostava que me mostrassem, por exemplo, a condenação do governo americano a esta operação. Ou será que Barack Obama já não conta para nada nas contas deste/a activista, peço desculpa, jornalista.

Curiosidade: Porque será que estes "activistas" não tentam entrar em Gaza pela fronteira com o Egipto?
publicado por Nuno Gouveia às 15:45 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Os filhos de duas lésbicas, essa natural impossibilidade

Primeira página do jornal i: Gays levam adopção para os tribunais. Processar o Estado é o próximo passo. Lá dentro, esta pérola: "'Alguns casais de lésbicas minhas amigas querem casar e ter filhos e, perante essa situação, vão lutar nos tribunais para ver reconhecidos os direitos dos seus filhos', diz Fabíola Cardoso, da associação Clube Safo." Desculpa!? Bem sei que quando metemos homossexuais, transexuais, e outras mil combinações sexuais possíveis ao barulho, o diálogo fica logo obscuro, irracional, praticamente impossível. Mas de que filhos fala a tal Fabíola? O direito fundamental das crianças, dado que elas só vêm à existência na medida em que têm um pai homem e uma mãe mulher, não é o de serem educados pelo pai e pela mãe? Nos casos extremos, designadamente os da adopção, em que os filhos não são educados pelos pais biológicos, o direito fundamental das crianças não é o verem replicado o que a natureza determina? "Reconhecidos os direitos dos seus filhos"!?

publicado por Nuno Lobo às 15:15 | comentar | ver comentários (22) | partilhar

Não, camarada Pinheiro, não tenho saudades de Sampaio




O Manel coloca aqui a questão das presidenciais no plano certo: Cavaco seria mais favorável a uma "agenda reformista", em geral defendida à "direita", do que qualquer um dos seus adversários de "esquerda". Isso é verdade, mas não chega para votar no actual Presidente da República. Ambos sabemos que a "agenda reformista", tal como a importância simbólica de uma vitória sobre a "esquerda", é apenas um dos critérios para decidir o voto da "direita". Não basta ter o poder, é preciso saber para quê. Não basta colocar o nosso homem em Belém, é preciso que ele diga ao que vai. Ao que tem ido já sabemos - infelizmente.

Em todo o caso, não há motivo para alarme. Ninguém surgirá para disputar as primárias da "direita" com Cavaco, que ganhará à primeira ou à segunda volta. Sem o meu voto e o voto "residual" de outros "ultramontanos" que, imagine-se, estão a "tentar o demónio".
Ou não?
publicado por Pedro Picoito às 13:48 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Uma guerra com a Turquia - da Nato?

Bem: se vale de algo escrever num blogue, também há-de ser para informar, multiplicar os pontos de vista informados sobre o assunto, enfim, promover uma abordagem aos enjeux, às «paradas» reais. Vale a pena relembrar - sou absolutamente não neutro relativamente às «paradas» em jogo, e é porque as levo a sério que levo a sério a informação e a análise capaz.

Artigo a ler, de que extraio:

Turkey and Hamas, the Islamist group governing Gaza since 2007, overtly teamed up for weeks to engineer the exercise. It was out there for all to see on Al Jazeera. So-called "non-governmental" aid groups included Turkish militants, trained to fight and prepared to shed blood.

Unfortunately the Turkish-Hamas campaign is advancing with a seemingly naive White House, which today issued a statement that smacked too much of anti-Israeli blame, "regretting" loss of life.

The Turkish role is sinister; it could very well lead to a new war.

The excited participation of European countries rushing to condemn Israel is creepy.

And the whiff of anti-Semitism hangs heavily in the air.


Yossef M. Ibrahim, Hudson New York
publicado por Jorge Costa às 12:48 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Ahmet Davutoglu

( Ahmet Davutoglu, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia)

Esta é a foto que falta para uma leitura mais atenta dos recentes acontecimentos. O primeiro-ministro turco Recep Erdogan como virgem ofendida bem pode apontar o dedo acusador a Israel e afirmar: "A acção [israelita] contraria totalmente os princípios do direito internacional. É terrorismo de Estado desumano. Ninguém pense que ficaremos calados perante isto." Mas a Turquia não é nem virgem na história e no palco internacional, nem inocente na clara opção política do AKP pelo "Neo-Ottomanism".
Na escola do puro realismo internacional que tanto Israel como a Turquia perfilham, não há inocentes apenas interesses.
publicado por Eugénia Gamboa às 11:52 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O essencial segundo Ferreira Fernandes, DN

Já o DN tem um noticiário medíocre sobre a flotilha turca, mas uma boa crónica de Ferreira Fernandes na última página. Como é curta e vale a pena, reproduzo.

Sobre a conversa fiada de ontem

Ponto - Os barcos iam com ajuda humanitária. Contraponto - Iam? Dizem isso, mas era preciso controlar: por aquelas bandas quantas vezes as ambulâncias transportam granadas? Ponto - Os barcos navegavam em águas internacionais. Contraponto - Mas, para aqueles lados, isso é relativo: das águas internacionais passa-se para as de Gaza, também interditas a abordagem, e lá iam as prováveis armas para o inimigo. Ponto - Dos barcos não dispararam. Contraponto - Pois não, mas os militares que foram controlar um dos navios foram atacados à navalha e à paulada. Ponto - E não é legítimo que se defendam, como os pescadores assaltados por piratas somalis? Contraponto - Justamente, o que se queria era fazer com que as armas não chegassem aos «piratas somalis» lá do sítio. Ponto - A verdade é que os mortos são todos do nosso lado. Contraponto - A verdade é que os nossos só dispararam depois de terem sido agredidos... E assim por diante, ontem argumentou-se dos pontos aos contrapontos. Quem não quer dar-se conta do essencial pôde convencer-se com um argumento e desconvencer-se com o contra-argumento seguinte. Mas o melhor, mesmo, era dar-mo-nos conta do essencial. Que é: ali está-se em guerra. De um lado, Israel. Do outro, quem quer (sabendo, ou não, que quer) que Israel desapareça. Dar conta dessa guerra poupa-nos conversas baratas.

Ferreira Fernandes: não preciso de concordar com tudo o que diz (acho da maior importância o detalhe das coisas, e não penso que isso seja só efeito de ter sido jornalista durante a maior parte da minha vida), embora concorde no essencial. Só um reparo: quem quer sabe mesmo. Não tem é cara para o dizer. Rosna.
publicado por Jorge Costa às 10:44 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

O Público que fique com ele

Acabou. Não há razão para as relações com os jornais não serem, pelo menos essas, como as relações conjugais modernas: quando já não temos nada para dizer um ao outro, bye bye. No Público, não é só a satrapiza Alexandra Lucas Coelho que regurgita umas coisas de mal-querer a Israel. Ela fez escola. Hoje, uma tal de Maria João Guimarães, na parte noticiosa da questão, começa assim o dossier: Tudo começou com um ataque das forças israelitas a uma pequena frota que levava ajuda humanitária a Gaza, fazendo nove mortos. O confuso Jorge Almeida Fernandes, de tanto ingurgitar citações, não dá nada em troca, salvo a ideia de que se perdeu no labirinto. O editorial, que não li, anuncia-se assim: Israel não quer ver que a maior ameaça existencial é que a está no interior dos muros que constrói (naturalmente que não se refere ao terrorismo que, sim, existe intramuros.). À boa maneira islâmica ortodoxa, também as mulheres estupradas são as culpadas do estupro. Portanto acabou. Menos um leitor. Do Vasco Pulido Valente e do Pedro Lomba terei notícias, certamente, alhures.
publicado por Jorge Costa às 10:08 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Os culpados do costume

Mostrem-se as imagens que se mostrarem, por mais esclarecedoras que sejam, a tendência geral já decidiu antecipadamente quem são os culpados. Há expressões que já ninguém usa, porque pareceria mal, mas continuam a funcionar subterraneamente: os culpados, como é habitual, são os tipos que fazem judiarias. Desta vez, fizeram judiarias a um "comboio humanitário". Durante todo o dia de ontem, deu-se a entender que terão praticado tiro ao alvo em inermes vítimas "humanitárias".

Toda a má-fé pressupõe que eles não se deveriam defender das barras, facas e machados, isto é, deviam deixar-se abater. Tudo se passa como se só pudessem ser aceites na condição de vítimas. Reses. Como se devesse ser esse o seu "estado natural". Quer dizer, num estrato ainda mais fundo de certas cabeças, está escrito: 'o único Judeu bom é o Judeu morto'.

publicado por Carlos Botelho às 05:21 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

É a guerra

Isto está errado. Israel está em guerra, acredite ou não o Tiago, com o Hamas. O bloqueio a Gaza, controlado pelo Hamas, imposto por Israel, é uma consequência desse estado de guerra. A ruptura desse bloqueio, pretendida pela flotilha, seria, e continuará a ser, inaceitável, para Israel. O que não impede que Israel permita, como tem feito, que a ajuda humanitária chegue a Gaza. O que foi proposto à flotilha, antes do recurso ao arresto. Para mais informação, ler aqui. «Clubização» não sei o que queira dizer. Que, na guerra contra o Hamas, o meu apoio é inequivocamente a Israel - no doubts. E é verdade: Israel é cada vez mais um Estado com défice de «legitimidade» internacional. Os movimentos terroristas que o atacam, em contrapartida, abertamente como tais, ou sob o disfarce ou por via da instrumentalização das «organizações humanitárias» (são tantas e de tão diversa proveniência), têm cada vez maior «legitimidade», tal como têm cada vez maior poder os Estados que os apoiam e promovem. (Passo sobre a «impunidade», etc., e tal.) Coisas dos tempos que passam.
publicado por Jorge Costa às 00:46 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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