Quinta-feira, 02.09.10

Cachimbos de lá


Edward S. Curtis, The Smoke, 1905
publicado por Pedro Picoito às 21:15 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Como é que não se lembraram há mais tempo?

Era isto mesmo que estávamos a precisar de "simplificar".
publicado por Fernando Martins às 17:01 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sobre a "decadência", o "declínio" ou a "fatiga" da "Europa" há uma pergunta que importa realmente fazer.

Miguel: a questão magna sobre o "ocidente" (ou a Europa ocidental), hoje e sempre, não é saber se decai, declina, ou se sente fatigado, ou que exista no "ocidente" quem esteja disposto ao autoflagelo mais ou menos absurdo ou imbecil (as nossas liberdades permitem isto e o seu contrário, na China, por exemplo, não). A questão magna, o grande enigma, sobre o ocidente tem que ver com o facto de inúmeras vezes, nos últimos mil e setecentos anos, o dito ter decaído ou declinado e ter sido sempre capaz de se reerguer. Afinal o que é a decadência de hoje comparada com a queda do império romano, com as invasões sofridas e o retrocesso cvilizacional sentido por toda a Europa até ao ano 1000? O que significa a decadência ou o declínio pós-queda do Muro de Berlim com a destruição imposta pela guerra dos cem anos, a guerra dos trinta anos ou os turcos às portas de Viena e em correias pelas planícies húngaras e polacas? Ou, e sobretudo, como podemos falar hoje como falamos da Europa e do seu negro destino, quando os europeus e os ocidentais superaram não apenas os desgraçados acontecimentos citados, e muitos outros não citados, mas ainda a Grande Guerra, a crise política, económica e social da década de 1930, a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto? É possível maior sinal de declínio ou de decadência por parte de uma "civilização" do que aquela que os europeus sentiram e superaram na primeira metade do século XX, mesmo que essa superação tenha tido mão amiga, mas também interessada, dos EUA, ou recorrentes e nada saudáveis intervenções soviéticas?
Por isso, às vezes parece-me, talvez mal, que falta aos europeus, ou muitos que se interessam pelo “destino” da Europa, capacidade de avaliação da história de um continente que tem sido capaz de produzir catástrofes inimagináveis no seu seio e por esse mundo adiante mas, sobretudo, milagres inigualáveis. Até por isso, caramba, um pouco de fatiga é compreensível. Afinal, e pelo menos desde o século III d.C., as coisas têm sido particularmente duras. Muitas vezes os europeus caíram, mas não houve momento em que não conseguissem reerguer-se. Pode ser que os europeus, após esta crise, nunca mais se reergam e tenham entrado num caminho de decadência ou declínio irreversíveis. Mas, caramba, se a história nos ensina alguma coisa é, justamente, o contrário.
publicado por Fernando Martins às 16:16 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Fadigas

No artigo de hoje no DN, Manuel Maria Carrilho faz umas boas considerações sobre a tontice desse dualismo que governa a política portuguesa (em grande medida, inventado pelo nosso PM e por comentadores "independentes") e que põe num lado o "pessimismo" e expõe no outro o "optimismo". Os leitores regulares do Cachimbo recordar-se-ão que também eu me tenho batido contra a indigência do binómio. Tal como hoje Carrilho propõe, também há muito que sugiro a superioridade do realismo que abre a pestana e dispõe para agir.
Mas logo a seguir a estas considerações, o artigo torna-se mais interessante. Diz Carrilho:
.
Mais do que de perda de referências, é de uma perda de magnetismo que se trata hoje. Vive- -se uma desmagnetização geral dos valores, e sem valores pode haver chefias, mas não há lideranças. Pode haver impulsos, mas não há soluções. Pode haver gestão, mas não há visão.
Lidamos hoje com um mundo em intensa transformação, o que o Ocidente sente como um drama, mas o resto do mundo vê como uma fantástica oportunidade. Todos os dias verifico isto mesmo nas reuniões da UNESCO: um mundo entusiasmado face a um Ocidente desmoralizado. A energia emergente que se contrapõe à fadiga declinante, com Darwin a sugerir a todos e a cada um o seu provável futuro.
O Ocidente, e nomeadamente a Europa, aparece cada vez mais como um bloco conservador, nostalgicamente à espera que o tempo volte para trás - aí a meados da década!... -, quando a ilusão do seu natural domínio mundial se começou a esfarelar.
Mas não haverá regresso. O Ocidente foi vítima da ilusão de uma supremacia que começou a quebrar onde e quando, justamente, se imaginou ver a sua consagração definitiva: na queda do Muro de Berlim e no fim do comunismo. O "fim da história" que Fukuyama teorizou não passou de uma narcísica fantasia sobre o estado do mundo. O que então já despontava era uma outra história, que mudaria todas as coordenadas mundiais em apenas década e meia.

Não é particularmente original a contraposição da fadiga do Ocidente à pujança do Emergente, mas é sempre interessante verificar que isso se nota nas reuniões da UNESCO. De resto, os artigos de jornal não têm de ser originais, e MMC fala aqui do que é para muitos um facto indiscutível. Porém, são estas mesmas linhas que revelam a fraqueza estrutural do artigo.
Por um lado, evita-se cuidadosamente nomear o verdadeiro objecto da reflexão. A coisa tem um nome. Chama-se decadência. D-E-C-A-D-Ê-N-C-I-A. Por outro lado, o ilustre filósofo não é sério quando indaga as causas da situação. Não basta dizer (neste caso, sugerir) que a supremacia do Ocidente cedeu a factores materiais (demográficos, económicos, etc.). Porque então não estaríamos a falar de "fadiga" do Ocidente. Isto é, não estaríamos a falar de DECADÊNCIA, mas de um simples e neutro declínio. A patetice de querer registar no elenco de causas históricas a ilusão da supremacia e de compor este gaguejo intelectual com o desgraçado do Fukuyama não merece comentários. É uma patetice pura e simples.
Mas vale a pena tentar perceber por que é que a verdadeira reflexão sobre a "fadiga" do Ocidente ficou às portas da redacção do jornal. Em parte, porque a esquerda persigna-se furiosamente assim que ouve alguém discutir a decadência enquanto decadência, e não enquanto mero declínio. Responde com o sempre confortante "fascismo nunca mais" e com outras coisas do género igualmente estupidificantes. Além disso, e MMC podia ter-nos poupado ao comovente apelo aos "valores", convinha esclarecer que a "fadiga", ou como eu prefiro dizer, a perda de vitalidade histórica, é, em larga medida, um produto de uma certa atmosfera intelectual e política, com progenitores identificados e cheer-leaders empenhados. É uma resposta civilizacional à atmosfera intelectual que a esquerda tudo fez para criar, expandir e promover desde os anos 60 até hoje.
A esquerda muito fez, não tanto para levar o Emergente a odiar o Ocidente (ignorando por agora o abominável prefácio de Sartre ao livro de Fanon), mas para o Ocidente se odiar a si mesmo. O que é especialmente absurdo quando o Ocidente, mais do que qualquer outro ponto do mundo, corporiza os tesouros da esquerda: os direitos do homem, o Estado-Providência, a democracia política. Agora dizem-nos que o velho Ocidente não crê em si mesmo. Que não confia em si mesmo. E, pergunto eu, quem pode censurá-lo?
publicado por Miguel Morgado às 12:20 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Será que a culpa também é do Eurostat?

Eurostat confirma Portugal a crescer menos que a UE. O PIB português cresceu 0,2% no segundo trimestre e a zona euro registou uma expansão de 1%. Aguarda-se a reacção do mitómano e frenético que ainda nos governa.
publicado por Paulo Marcelo às 12:04 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

A rainha de Inglaterra


Por Henricartoon, retirado daqui.
publicado por Paulo Marcelo às 10:24 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quarta-feira, 01.09.10

Plágio, plágio, plágio!

FT com Alphaville plagia-me miseravelmente*. Vede as horas.

* Para os comentadores habituais mais inteligentes: estou a brincar, hein?
publicado por Jorge Costa às 16:15 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Custos de endividamento no curto prazo mais que triplicam no ano

Hoje o IGCP foi ao mercado buscar mais 1.012.000.000 de euros, 512.000.000 a 12 meses e 500.000.000 a seis meses, sob a forma de Bilhetes doTesouro.

A taxa média ponderada dos primeiros foi 2,756%, três vezes a taxa média ponderada do primeiro leilão do ano, para a mesma maturidade.

A taxa média ponderada dos segundos foi 2,045%, três vezes e meia a taxa média ponderada do primeiro leilão do ano, para a mesma maturidade.

Como dirão os jornais da especialidade, houve uma procura sólida. Aumentem a taxa de corte um pouco mais e verão com a procura é de betão, ou, quiça, mesmo férrea. Até se fechar a torneira, quando se decidir: não há pão para malucos.
publicado por Jorge Costa às 12:57 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

A correr pelo melhor (ou que belo 2011 nos aguarda)

Governo fura plano de contenção do endividamento público. (O Alex já me passou o linque do i. Aqui vai.)

Águas de Portugal, Estradas de Portugal e Edia (Empresa de Desenvolvimento das Infra-estruturas do Alqueva) são três casos em que o endividamento vai subir para além dos 7%.
No caso das Estradas de Portugal, a dívida deverá aumentar em mais de 30%, o correspondente a cerca de 500 milhões de euros adicionais.
Entretanto, também a Refer - Rede Ferroviária Nacional, já comunicou à tutela que não tem condições para cumprir os compromissos assumidos sem ultrapassar o limite de 7% à subida do endividamento. A empresa ferroviária, que apresenta a dívida bancária mais elevada do sector empresarial do Estado, terá pedido, segundo avança o “i”, para ultrapassar em mais de 2 pontos percentuais o tecto dos 7%.
...
O jornal “i” comparou a execução orçamental nos primeiros sete meses do ano nos quatro países do euro que mais têm sido acossados pelos mercados financeiros – Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda – e chegou à conclusão de que só Portugal não está a conseguir reduzir o défice. As receitas até subiram, mas o problema é o de sempre: o Governo não está a ser bem sucedido no controlo da despesa pública que subiu 3,8% face ao mesmo período do ano passado, com os gastos correntes a crescerem 5,3%.
publicado por Miguel Morgado às 11:27 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

September is the cruellest month

Há um verso de Eliot que, há semanas, desgfigurado, não me sai da cabeça. Pode ser só um verso.
publicado por Jorge Costa às 10:21 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Até Logo

Até logo, Miguel.
Julgo que não aborreço ninguém se disser que o Insurgente fica mais pobre com a saída do Miguel Noronha. E a blogosfera também.
publicado por Miguel Morgado às 10:02 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Para os nossos leitores pequenotes. De preferência um pouco castelhanizados.



Com dedicatória.
publicado por Fernando Martins às 08:00 | comentar | partilhar

Grande Finale (44)

Sunrise, F. W. Murnau, 1927

publicado por Carlos Botelho às 00:00 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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