Quarta-feira, 03.11.10

Está tudo a correr bem




Tem calma Jorge, segundo o nosso líder o OE 2011 “protege a economia” e “protege o emprego”. Acho que os mercados só aguardam a aprovação formal. Deve ser isso.
publicado por Miguel Noronha às 11:15 | comentar | partilhar

«Juros disparam em emissão de dívida portuguesa de curto prazo»

Julgo que a frase, se a memória não me atraiçoa, é de António Vitorino, quando o nefasto Sócrates chegou ao poder em pleno: habituem-se. De resto, já estamos com uma razoável experiência na matéria.
publicado por Jorge Costa às 10:58 | comentar | partilhar

Um pequenito esquecimento




Parece que o governo se esqueceu de incluir no orçamento a "pequenita" soma de 830 milhões de euros. Discretamente, entregaram uma errata e "esqueceram-se" de mencionaram o assunto no debate de ontem. Quem se propõe fazer uma gestão milimetrica do défice (e que tanto se indignou com o custo da proposta do PSD) não devia fazer erros desta magnitude.
publicado por Miguel Noronha às 10:20 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Rand Paul

publicado por Miguel Noronha às 00:07 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Terça-feira, 02.11.10

O dinheiro dos outros

Fonte: FMI
Clique em cima para ver melhor o tamanho da miséria.

Esqueçam o PS, o PSD ou o CDS (já agora não se esqueçam do BE ou do PCP, que têm pela frente dias de glória prometidos na rua). Nenhum dos partidos do arco do poder tem discurso, pensamento, estofo, o que seja, para articular com um módico de clareza a radicalidade dos problemas em que Portugal se afogou, menos ainda, muito menos, capacidade para reflectir e nos propor uma estratégia de saída do fosso. Eles são o rosto do regime em que vivemos e que, feitas contas à vida, dá no Fio da Navalha que Daniel Amaral descreve no Diário Económico: para se manter, teríamos de continuar indefinidamente a viver, e cada vez mais, do dinheiro dos outros (essa coisa acabrunhante a que chamam agora, com azedume, «mercados»).

Gosto do jeito com que Daniel Amaral consegue falar, de costume, de economia, simplificando tudo, tentando tornar tudo compreensível para o não especialista. Como neste Fio da Navalha. Muito esquemático. Só não gosto mesmo é da mistificação. Diz Daniel Amaral que o nosso «problema vinha lá muito de trás». Foi o que ele descobriu, ao consultar «estatísticas de uma década». Tivesse ele tido tempo para consultar estatísticas de duas décadas e teria sido capaz de nos dar uma visão menos penumbrosa desse «lá muito de trás».

Veria, como os caros leitores do Cachimbo podem ver no gráfico que volto a publicar, que isto de a nação ter passado a viver, por regra e sistema, do dinheiro dos outros, dos que poupam por esse mundo fora, vem exactamente de 1995 para cá. Exactamente. Nem mais, nem menos. Depois do programa de ajustamento de meados de oitenta, a balança corrente, de brutalmente deficitária, passou a excedentária e, com ligeiras oscilações, manteve-se equilibrada: até 1995. Diz-vos alguma coisa, essa data?

O «lá muito de trás», de que fala Daniel Amaral, foi o desastre dos anos Guterres. Por certo que, tanto quanto consigo perceber a origem do problema, que não é dissociável do novo regime cambial inaugurado com a adesão ao sistema monetário europeu, Guterres não esteve só na criação do «monstro», nome por que mais tarde o regime veio a ser cognominado. Mas os 15 anos de socialismo que já lá vão estão aí, em cima, geometricamente traçados na queda da segunda metade dos anos noventa em plena fantasia: com o fim do risco cambial, as restrições de crédito tinham, na prática, acabado. O resto eram vozes de «profetas da desgraça», dizia o ido engenheiro, ignorando por certo que o nome designa, pelo menos desde Max Weber, aqueles que viram, como Jeremías, com antecipação e recusa de audição, a chegada da tormenta. Depois - é agora e ainda mal começou - foi o que se viu.
publicado por Jorge Costa às 20:26 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

O fracasso de Obama

Barack Obama foi o responsável por uma das mais brilhantes campanhas presidenciais que há memória. Obama conquistou por direito próprio a Casa Branca, e ninguém pode dizer que nessas eleições foi o outro partido que perdeu (como sucede nestas intercalares). A sua vitória simbolizou um sinal de esperança que a política ia mudar. Mais do que a recuperação financeira e económica, os americanos acreditaram que as guerras culturais e partidárias dos últimos vinte anos iriam diminuir com a eleição de Obama: "There's not a liberal America and a conservative America. There's the United States of America. There's not a black America and white America and Latino America and Asian America. There's the United States of America." Foi aqui que Obama fracassou.

Depois destes dois anos, os Estados Unidos são um pais ainda mais dividido. Responsabilidades? Muitas e de todos os quadrantes políticos. Mas Obama não esteve à altura da sua promessa. Desde cedo se percebeu que Obama não teria a vida facilitada com os republicanos, mas nunca lhes chegou a estender a mão. Só este Verão, passado quase dois anos, é que convidou o líder da minoria republicana para um encontro a sós. E raras foram as vezes que convidou líderes republicanos para estabelecer uma relação séria de trabalho. Ele, que teve o apoio de muitos republicanos em 2008, tendo ficado até com um no governo: Robert Gates. Na politica é importante estabelecer laços pessoais, e Obama não compreendeu isso e não fez o mesmo que alguns dos seus antecessores. Por exemplo, a lendária relação de Ronald Reagan e o Speaker democrata Tip O´Neill. Com maioria nas duas Câmaras do Congresso, Obama provavelmente pensou que não precisaria dos republicanos para passar a sua legislação e daí a sua obstinação legislativa com apoio de um só partido. Não por acaso, há dias Obama considerou os republicanos como inimigos, uma declaração que já lamentou publicamente. Em política há adversários, não inimigos.

Obama pretendia mudar a América, mas compreendeu mal o mandato que recebeu dos eleitores em 2008. Eles queriam é que mudasse Washington e resolvesse os problemas do país, e não uma revolução progressista. Os resultados de hoje serão uma manifestação dessa desilusão. Mas Obama ainda tem dois anos pela frente para ser reeleito. Depende se irá compreender a mensagem que os eleitores lhe vão enviar nestas intercalares.

publicado por Nuno Gouveia às 18:00 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Confiança


Foi impressão minha ou o clima que se viveu hoje no debate do Parlamento faz antever que José Socrates possa anunciar amanhã que o Governo vai apresentar uma moção de confiança ?
publicado por Pedro Pestana Bastos às 17:44 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Agora

Jorge de Sena no ar aqui.
publicado por Tiago Mendes às 17:27 | comentar | partilhar

Dia de finados I

"Sei hoje que ninguém antes de ti
morreu profundamente para mim
Aos outros foi possível ocultá-los
na sua irredutível posição horizontal
sob a capa da terra maternal
Choramo-los imóveis e voltamos
à nossa irrequieta condição de vivos
Arrumamos os mortos e ungimo-los
são uma instituição que respeitamos
e às vezes lembramos celebramos
nos fatos que envergamos de propósito
nas lágrimas nos gestos nas gravatas
com flores e nas datas num horário
que apenas os mate o estritamente necessário
Mas decerto de acordo com um prévio plano
tu não só me mataste como destruíste
as ruas os lugares onde cruzámos
os nossos olhos feitos para ver
não tanto as coisas como o nosso próprio ser... "

Ruy Belo, "Em Legítima Defesa", Transporte no Tempo, 1973
publicado por Pedro Picoito às 16:03 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Miguel Cadilhe sobre a nacionalização do BPN - 2 anos depois

"Falta o Estado na lista dos arguidos do BPN" - este é o título da primeira página do Diário Económico que dá o mote para a entrevista a Miguel Cadilhe sobre o caso BPN. Na edição online não é possível ler a citação na entrevista (ver aqui e aqui). Presumo que a versão em papel a contenha.
Seja como for, o leitor mais desconfiado fica com a impressão de que Miguel Cadilhe não quer dizer que é a "pessoa artificial" do Estado, na sua majestosa generalidade, que cabe na lista de arguidos do caso BPN, mas antes as "pessoas naturais" de um ou de outro ministro, ou de um ou de outro governador. Estes leitores desconfiados vêem-se em palpos de aranha para perceber as mensagens nas entrelinhas. Vá-se lá saber. E depois vem a memória, essa coisa incómoda.
publicado por Miguel Morgado às 15:19 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Jornal de Negócios & Mistérios (reeditado)

Merkel avisa os investidores: não há almoços gratis e eu não estou para pagar o pato

Miguel: o Jornal de Negócios, que vive num mundo paralelo (não encontro outra explicação, embora seja avesso ao ocultismo), não deu por isto: a partir de agora, quem comprar dívida portuguesa, tem de estar bem consciente das perdas realmente possíveis. Resgate? Ah, sim, mas de dedinhos muito queimados ninguém se safa. Claro, os custos de endividamento aumentam com um prémio de risco bem acrescido. Estão já a subir, e de que maneira. A notícia também estava ontem à cabeça do FT, mas negócios são negócios e mistérios são o que se sabe. E, por favor, esqueçam o orçamento: não há nenhum possível que nos salve da ban-ca-rro-ta. (A equação da dinâmica da dívida deveria ser de estudo obrigatório para a gente que por aí anda: a iliteracia económica vai nos sair caríssima).
publicado por Jorge Costa às 13:33 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Chegar

As soluções violentas, que rompem todas as regras da civilidade, degradando as pessoas e as nações, tornando-as sujeitos passivos de tudo o que lhes passa a acontecer, e há muitas possíveis - o vácuo «cria», ao contrário do que se julga -, não sendo necessário olhar pelo o retrovisor para encontrar o modelo, o modelo (o passado) é, aliás, uma miragem, acontecem quando o jogo político segundo as regras da civilidade chegou a um impasse sobre um vulcão. Oito dias fora, de ausência absoluta de velhas-novas, uma leitura rápida das notícias que já são sempre velhas, e, sim, dói ainda mais, depois de um curto intervalo.
publicado por Jorge Costa às 12:29 | comentar | partilhar

Segue queixa para a OMC



Vejam aqui as dificuldades que o bloqueio israelita a Gaza causa às relações comerciais entre o Irão e o Hamas a Palestina.
publicado por Miguel Noronha às 11:28 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Mistérios do Universo

Expliquem-me lá outra vez aquela teoria que dizia que os mercados iriam penalizar fortemente a não aprovação do orçamento.


O Jornal de Negócios avança a explicação que o orçamento é recessivo e que isso poderá por em causa o cumprimento das metas do défice. Terão os mercados e o JdN descoberto isso agora? Alguém quer avançar outra explicação?
publicado por Miguel Noronha às 11:06 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Hoje é dia de "Finados"

publicado por Fernando Martins às 09:37 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Bloqueados

Confirmou-se o inevitável: o Orçamento será aprovado. Mais do que a pressão dos mercados, de Belém ou Bruxelas, a principal razão é política: não interessa ao PSD, nesta fase, desencadear uma crise com consequências imprevisíveis.
Pressionado por Bruxelas, e pelo trambolhão nas sondagens, o Governo passou da intransigência arrogante para uma súbita abertura negocial. Sócrates tentou comprometer o PSD com o "seu" orçamento - o mais impopular das últimas décadas - com medo de ficar sozinho, a fritar em lume brando, durante todo o próximo ano. Apercebendo-se disso, o PSD, apesar de assinar o acordo, recusou aparecer na fotografia ao lado do Governo.
Passos Coelho aprendeu depressa e a estratégia correu-lhe bem. Ao exigir uma negociação pública, o PSD conseguiu erguer várias bandeiras: menos impostos, suspensão das grandes obras, transparência das contas. E aparecer como o protector da classe média, conseguindo vergar o Governo nas deduções fiscais.
Mas o Orçamento continua mau e apenas serve como sedativo para acalmar os mercados. Não chega para curar a doença. Pelo contrário: aumentar os impostos, nesta fase, é como acalmar a sede de um alcoólico com um copo de whisky. O monstro vai continuar a engordar, a economia apática e o desemprego a subir. Nada faz para melhorar a competitividade das empresas, reduzindo, por exemplo, os custos de produção. Nem sequer a redução simbólica (0,25%) da TSU foi aprovada. A economia, em coma na última década, assim irá continuar. Até podemos reduzir 0 défice, para os 4,6%, que isso não resolve o verdadeiro problema: a economia não gera suficiente riqueza para sustentar o Estado e o nosso modelo social.
É aqui que o problema deixa de ser apenas económico para ser também político. Apesar dos repetidos alertas continuamos bloqueados. O sistema político não tem sido capaz de gerar as reformas estruturais necessárias. Estas medidas de ruptura, sendo impopulares, contrariam a lógica partidária de ganhar eleições. Só perante impulsos externos, como os das últimas semanas, é que as medidas difíceis são tomadas. A racionalidade eleitoral vai continuar a sobrepor-se à racionalidade económica e financeira. E o último que feche a porta.
Por tudo isto, o desvario socrático, agora adiado, vai continuar. Ultrapassado o aperto, regressarão a mentira, a propaganda, o optimismo bacoco. Tal como a lógica despesista de quem vê o Estado como coisa própria. As inaugurações serão retomadas, tal como os magalhães para as criancinhas. A bancarrota Sócrates segue dentro de momentos.

publicado por Paulo Marcelo às 09:36 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Ontem foi dia de "Todos os Santos".

publicado por Fernando Martins às 09:35 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Segunda-feira, 01.11.10

Cachimbos de lá


Walter McClintock, Índios fumando o cachimbo da paz, c. 1900
publicado por Pedro Picoito às 23:50 | comentar | partilhar

Estrela em ascensão

Percebo que o André Azevedo Alves destaque a vitória de Rand Paul no Kentucky como a mais importante deste ciclo eleitoral. Pelo que representa para a ascensão da ala libertária no Partido Republicano. Mas o Kentucky é um estado profundamente republicano, e se o candidato não fosse Rand Paul, nunca teríamos ouvido falar desta eleição nestas intercalares. Um candidato regular republicano venceria facilmente neste clima eleitoral. As gaffes no inicio da campanha e alguma descoordenação é que fizeram que esta se mantivesse renhida quase até ao fim. Felizmente para Paul, o seu adversário cometeu haraquiri com um terrível anúncio publicitário.

O mais interessante neste ciclo eleitoral, além da possível derrota do líder da maioria no Senado, Harry Reid, ou da previsível conquista do lugar que pertenceu a Barack Obama no Senado, será a vitória de Marco Rubio na Florida. Uma vitória considerada improvável há um ano, neste que é o maior dos swing states americanos. Com uma história de vida de sucesso, Rubio foi o mais jovem Speaker da Câmara dos Representantes da Florida e avançou para esta corrida no Senado contra o na altura popular governador republicano Charlie Crist. Apoiado deste o inicio pelo tea party, mas também por alguns insiders, como Karl Rove e Jeb Bush, assumiu a liderança das primárias republicanas, fazendo com que Crist desistisse e se candidatasse como independente. Numa corrida a três, as sondagens indicam claramente que Rubio irá vencer com larga vantagem sobre Crist e o democrata Kendrick Meek.

Digo que esta é a eleição mais importante pelo que a vitória de Rubio representa: um jovem (39 anos) hispânico e com um discurso que tanto entra na base conservadora como no eleitorado mais moderado. Rubio já é uma estrela mediática e o seu nome já circula para potencial candidato a VP em 2012. Há quem pense que, mais tarde ou mais cedo, irá concorrer à Casa Branca. Ao contrário de outros candidatos do tea party, Rubio fez uma campanha perfeita, nunca entrando em contradições ou gaffes embaraçosas. Será uma das vozes mais influentes do Partido Republicano no pós intercalares.
publicado por Nuno Gouveia às 19:36 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Da geral surdez

Por aqui.
publicado por Carlos Botelho às 16:38 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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