Quarta-feira, 29.12.10

Os Grandes Interesses

Na sua mensagem final, Manuel Alegre disse, sem se rir, que os "grandes interesses" estavam alinhados com as "forças conservadoras" para destruir o Estado Social, blá, blá, blá.
O candidato não se riu, mas quem viveu em Portugal nos últimos 15 anos não pode ter deixado de rir à gargalhada. Caso tenha passado todo este período em greve sensorial, posso informá-lo, meu caro candidato, que todos esses "grandes interesses", o "grande capital", as grandes organizações, o "imperialismo" europeu e outras coisas mais, gostaram muito de andar de braço dado com o seu socialismo.
Quer exemplos? Há muitos. E olhe que o BPN é capaz de não ser excepção.
publicado por Miguel Morgado às 21:54 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

A importância de uma agenda pró-democracia em Africa

Este texto do Henrique Raposo, já aqui citado pelo Miguel, é de extrema importância. Africa, o continente esquecido, tem sido sobretudo vítima das suas elites corruptas. Ao contrário do que é aventado pelas correntes altermundistas, são os seus líderes os principais responsáveis pela pobreza generalizada que grassa no continente. Apenas a democracia e a liberdade pode salvar África da miséria. Mas, como o Henrique demonstrou, nem tudo é mau e existem bons exemplos para serem seguidos. O Presidente George W. Bush, que visitou Africa duas vezes, foi um dos poucos políticos ocidentais que nas últimas décadas que tentou colocou a agenda democrática africana na ordem do dia. Além da sua muito elogiada política contra SIDA no continente, Bush foi destacando os bons exemplos democráticos, visitando países como o Benim, Gana ou Botswana. Enquanto no Ocidente os populares berravam contra as políticas de Bush, no Gana construíram uma auto-estrada com o seu nome. As suas visitas nunca tiveram tanto calor humano como nas ruas africanas. Além disso, os programas de educação, no valor de 600 biliões de dólares, foram um óasis na ajuda ao continente, por contraste com a doação de bens e de dinheiro, oferecidos sem critério, e que não raras vezes vão parar às mãos das elites corruptas. Só uma agenda pró-democracia em Africa pode oferecer dignidade aos seus povos. Barack Obama, com raízes africanas, tem aqui um bom legado para continuar do seu antecessor.
publicado por Nuno Gouveia às 17:43 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

No Estado Social ninguém toca (excepto se for socialista...; mas um socialista defende sempre o Estado social, mesmo quando o ataca...)

"Alguns desempregados passam a pagar taxas moderadoras"
publicado por Miguel Morgado às 16:54 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

O rigor, a competência, a palhaçada

"Negócio dos blindados da PSP pode acabar em Angola"
publicado por Miguel Morgado às 16:42 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Tribunal de Contas

O Tribunal de Contas censura, e o Governo responde respeitosamente. O Tribunal de Contas denuncia os rombos orçamentais, e o Governo responde com grande consideração pelas instituições da República.
Mas quando o Tribunal de Contas recomenda a demissão de gestores públicos e outros amigos do poder socialista é bom que se prepare. É que não há institucionalismo que resista quando se passa a fronteira, quando se toca naquilo que verdadeiramente interessa. O País pode cair, mas na clientela ninguém toca.
publicado por Miguel Morgado às 16:36 | comentar | partilhar

Era Uma Vez Na América


O excelente blogue Era Uma Vez na América, do nosso camarada Nuno Gouveia e de José Gomes André, começou uma leitura do ano, com a eleição comentada e ilustrada de actores e acontecimentos que marcaram 2010, do ponto de vista da América, claro, e, portanto, gostando ou não, também em boa parte o nosso. Uma boa ocasião para se familiarizar com um dos melhores locais da nossa blogosfera. Escolhi a ilustração em cima, claro, por mero acaso.
publicado por Jorge Costa às 15:08 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Momentos ONU: o melhor de 2010

publicado por Miguel Noronha às 14:41 | comentar | partilhar

Como mudaram em tão poucos meses, senhores!

A propósito desta oportuna lembrança, sou só eu ou há mais quem estranhe a ausência daqueles comentadores, os de esquerda e os supostamente de direita, que rasgavam as vestes com a infame campanha que atacava o nosso (como se sabe) impoluto primeiro-ministro pelo lado do seu (estou segura) irrepreensível carácter, mesmo quando esses ataques eram filhos da possibilidade de um crime de atentado ao Estado de Direito, consubstanciados em escutas que só não são válidas por formalismos jurídicos contestáveis, ou de um licenciamento muito manhoso, ou de uma licenciatura acidental, ou de umas casinhas que não se sabe bem quem desenhou, ou..., e que quando se trata de ataques de carácter a Cavaco Silva estão caladinhos? Todos os carácteres são iguais, mas uns são mais iguais que outros, é isso? Mas percebe-se, a gente de esquerda, mesmo quando supostamente de direita, não gosta que haja quem ganhe dinheiro com esse expoente do capitalismo que são acções de uma empresa. Lamenta-se que seja o único argumento que tenham contra Cavaco. Deve ser da falta de imaginação de fim de ciclo.
publicado por Maria João Marques às 13:01 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Sem título

Enquanto o ano de 2010 não chega ao fim, ainda vamos a tempo de escutar o Bowie com um tema adequado aos tempos.

publicado por Miguel Morgado às 12:59 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

A Guerra Sagrada

(Composto por Alexander Alexandrov, para as palavras de Vasily Lebedev-Kumach, em 41, logo no início da guerra. Alexandrov foi também o autor do Hino Nacional da União Soviética, a partir de 44 - hinos que não deixam indiferente o mais empedernido dos anticomunistas. O video também é extraordinário.)

publicado por Carlos Botelho às 12:58 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Combate de Blogs - nº 35

O próximo programa regressa ao horário de Domingo (das 18h às 19h). Passará de meia-hora para uma hora completa.

publicado por Miguel Morgado às 12:54 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

A outra África

Henrique Raposo no Expresso online

Para os nossos media, "África" quer dizer "sangue" e "pobreza". É por isso que muita gente ainda não sabe que existem democracias consolidadas e - relativamente - prósperas em África: Mali, Gana, Benim, Namíbia, São Tomé & Príncipe, África do Sul e Botswana. [E]stes países são factos empíricos que não encaixam na narrativa apocalíptica que o Ocidente gosta de reproduzir sobre África. O que é uma pena. Os outros países africanos não vão sair do buraco através dos conselhos morais e abstractos dos ocidentais. Os outros países africanos só encontrarão o caminho da boa governança quando quiserem olhar para as práticas dos seus vizinhos que têm a cor verde no mapa da liberdade . As Angolas só caminharão para a democracia e prosperidade quando quiserem olhar para o exemplo que o Botswana oferece há várias décadas.

publicado por Miguel Noronha às 12:23 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O regresso da inflação

Para já nos BRIC. Primeiro na China e agora no Brasil, Rússia e India.

ADENDA: Entretanto na frente "interna". Ontem o BCE não conseguiu , pela primeira, esterilizar por completo uma operação de compra de dívida soberana. Isto equivale a dizer que o BCE está, ainda que involuntariamente, a monetizar a dívida dos estados-membros. (a tendência implícita neste gráfico não é muito reconfortante)
publicado por Miguel Noronha às 09:34 | comentar | partilhar

O custo da gratuitidade das novas tecnologias

"O Fim da Privacidade" de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Tal como a difusão dos ‘scanners' corporais é facilitada pela recusa geral de medidas que possam ser consideradas discriminatórias, também não é possível inocentar os consumidores, que pretendem ligações mais rápidas mas recusam-se a pagar pelo aumento da qualidade do serviço sob a forma de preços mais altos. Os fornecedores e companhias de marketing encontraram uma solução: compensar o diferencial entre receitas directas e custos através de receitas de publicidade. O preço "escondido" é a perda de privacidade.(...) [H]á uma escolha a fazer entre a protecção da privacidade e a adesão incondicional aos brinquedos tecnológicos e essa escolha revela se pretende ser tratado como adulto ou como criança. E as crianças não devem ter segredos.

publicado por Miguel Noronha às 09:21 | comentar | partilhar

Anestesiados

Garanto que me esforcei. Andei aqui às voltas a tentar escrever um texto optimista para fechar o ano. Mas com nuvens tão carregadas no horizonte, um balanço realista não pode ignorar a incerteza que o presente projecta sobre o futuro. Não penso apenas na crise económica. Sobre isso haverá outros a escrever com mais propriedade. Penso no ambiente político que vivemos. No sentimento de beco sem saída. Na apatia e desistência que vejo à minha volta.

Há um efeito secundário dos escândalos políticos dos últimos tempos. Talvez mais subtil mas não menos perigoso. Semelhante ao que acontece com as catástrofes longínquas que as notícias nos trazem todos os dias: banalizam-se e tornamo-nos indiferentes. Deixamos de reagir a mais um “caso político”, tal como nos passa ao lado uma nova tragédia no Uzbequistão. Com a abundância de “casos” mal explicados, envolvendo membros do Governo e o próprio Primeiro-Ministro, a desconfiança entranhou-se na vida política portuguesa. Casos como o Freeport ou Face oculta, episódios como a licenciatura ou as casas da Guarda banalizaram-se. Como estão longe os tempos em que uma simples dúvida sobre a sisa ou uma manta de avião eram suficientes para a demissão de um ministro. Perdemos sensibilidade. Descemos o nosso padrão de exigência. Fomo-nos tristemente habituando à promiscuidade entre interesses públicos e privados. Vulgarizou-se a ideia de que um partido pode colocar os “seus” em certos lugares nas empresas privadas (PT, BCP, Cimpor) para depois os utilizar como peões de uma estratégia de poder e controlo sobre os media e a sociedade em geral.

Claro que sempre se disse mal dos políticos pelas esquinas e cafés. A diferença é que agora ouvimos o mesmo discurso pelas alcatifas bem cuidadas dos escritórios, bancos e universidades. Generalizou-se entre as elites uma ideia negativa sobre a política. Perdeu-se a noção de serviço público. Recordo-me de ouvir, na vetusta Faculdade de Direito, elogios aos que colaboravam em partidos ou gabinetes. Hoje, pelos mesmos corredores, vejo desdém por aqueles que fazem o mesmo. Os melhores, que podem escolher, preferem uma carreira “privada”, porque a política, mesmo uma colaboração técnica num gabinete, é vista como uma mancha no currículo.

A vida vai-se fechando num círculo cada vez mais privado. As pessoas cruzaram os braços, estão indiferentes, anestesiadas. Cada um a tratar da sua vidinha. A pensar na carreira. A ganhar dinheiro. O resto não vale a pena, nem justifica “sujar as mãos”. Com a crise sobra ainda menos tempo para a vida pública. A política perdeu espaço, basta ver o alinhamento dos telejornais. Esta despolitização, este fechamento numa lógica privada é preocupante. Faz lembrar o pior do salazarismo. A política perdeu qualidade. Mais do que a crise económica, este será porventura o pior legado dos governos Sócrates: a apatia generalizada, a decadência da nossa vida pública de que vamos demorar muito tempo a recuperar.

publicado por Paulo Marcelo às 08:25 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Grande Finale (84)

2010, Peter Hyams, 1984

publicado por Miguel Morgado às 00:00 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 28.12.10

Reviver o passado

«SÁ, PAGA OS 33 000!» e «CARNEIRO CALOTEIRO!» - lembram-se?... Parece que algumas personagens do PS estão a repetir o método. Antecipam o esmagamento do "seu" candidato e sentem que já não têm nada a perder - e quando não se tem nada, aposta-se em tudo. Tudo.
Seja. Mas ocorre-me uma imagem que refere 'telhados' e 'vidro'.
Não é qualquer um que sabe atirar um boomerang. Cuidado.
publicado por Carlos Botelho às 23:45 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Parabéns à Universidade do Minho

Universidade do Minho é a primeira do país a anular doutoramento por plágio
A Internet foi uma dádiva para todos os investigadores académicos. Mas também facilitou imenso a vida aos batoteiros. Isto só se combate com a repressão dos prevaricadores. Acredito que nem sempre é fácil para um professor acompanhar os trabalhos dos seus alunos, e quando são muitos, será mesmo impossível verificar a autenticidade dos mesmos. Depende das situações. Mas quando estamos a falar em teses de doutoramento ou até de mestrado, é vergonhoso que se chegue a uma situação destas. A Universidade do Minho actuou como devia neste caso, e deu uma lição para os batoteiros desta vida. Que isto lhes sirva de lição.
publicado por Nuno Gouveia às 22:26 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Por cá, nada acontece, nada tem consequências

Governo diz que não há razões para demitir gestores públicos.
Até se percebe. Pela mesma ordem de razões era preciso demitir o Governo logo a seguir. Mais vale não fazer nada. É mais fácil manter tudo numa nebulosa de mediocridade generalizada. Eles não sabiam, não foi por mal. Somos todos amigos, damo-nos bem, conhecemo-nos lá da terra e das reuniões do partido. Não vale a pena fazer ondas. Por cá todos bem. Nada acontece. Nunca há consequências. Ninguém é responsável. E o último que feche a porta.
publicado por Paulo Marcelo às 19:36 | comentar | ver comentários (15) | partilhar

Alienados

O Paulo Marcelo escreve hoje um texto cujo desalento partilho (suponho, pelo tom, que terá sido o texto que mais lhe custou escrever até hoje. Vale a pena ler).

O retrato desolador do país que ele traça, chamando-lhe «anestesiados», não é completo. Falta-lhe o complemento, por ventura tão ou mais deprimente, do capítulo dos «alienados». É rápido. Basta ler esta prosa inacreditável, de tão imaginativa como descosida, do João Galamba. É um patchwork de coisas que não existem, vacuidades esotéricas e inconsistências.

Declarações de responsáveis europeus elogiando os esforços heróicos dos países periféricos na consolidação orçamental? Heróicos? Mesmo entre aspas? Mesmo que existam, dignos de relevo, o que, como ele está farto de saber, não é o caso de Portugal, seriam heróicos por que carga de água? Que poderia ter de heróico inverter uma trajectória de endividamento suicidária? E que responsável europeu, mesmo tendo no grupo gente alucinada como Jean-Claude Juncker ou o comissário Olli Rehn, algum vez se referiu aos esforços, onde eles existem, como «heróicos» ou coisa parecida?

A «Europa» pôs-se de fora? Mas não existe o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), que o seu - dele, João Galamba - governo acha que Portugal pode e deve dispensar? O BCE não está comprador praticamente único dos títulos de dívida portuguesa no mercado secundário e não é o único fornecedor de fundos da banca nacional desde Maio?

Não. Ou melhor, sim. Tanto faz. O deputado acha, porém, que se a «Europa» fosse «coerente com as suas declarações», usaria antes «o seu poder para garantir que, enquanto os países em dificuldades forem cumprindo o acordado, estes têm todas as condições para realizar os ajustamentos necessários sem pressão adicional e contraproducente dos mercados». Aqui o deputado mergulha no oculto. Quais poderes, para além da cobertura que vem dando com o já referido FEEF, as compras massivas de títulos e a cedência de fundos? E quando se refere a «cumprir com o acordado» está a referir-se a que país, ele, que é deputado de um que furou tudo o que havia para furar, depois de ter sido forçado a comprometer-se, em Maio, com qualquer coisa significativa em matéria de consolidação orçamental?

O João Galamba vive onde? Na realidade não é de certeza. Vale apenas como exemplo do estado mental doentio da corte.
publicado por Jorge Costa às 19:23 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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