Quarta-feira, 30.03.11

"Se eles não percebem, não vale a pena explicar. Se percebem, não é preciso!"

A tal entrevista já está disponível aqui.
publicado por Carlos Botelho às 22:30 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Questões de fundo

"(...) [F]oram erros de condução política que nos conduziram aqui", afirmou hoje Vítor Bento, referindo-se "ao conjunto de escolhas que foi feito ao longo de 15 anos".

O economista acrescentou, contudo, que "outra actuação não teria sido possível no quadro democrático" e que "qualquer narrativa diferente teria sido rejeitada eleitoralmente, como aliás foi". Ênfase minha.

Não ouvi as declarações, nem tive a oportunidade de interrogar Vítor Bento sobre o sentido exacto das suas palavras, que julgo apenas compreender muito bem. Posso estar errado. Muito menos o pude interrogar sobre as consequências da sua avaliação que, ao contrário do que uma precipitação pode crer, não são logicamente imediatas. Gostaria de o ter feito. Em todo o caso, oferece-se à consideração dos leitores do Cachimbo o enunciado deste "nó górdio".

publicado por Jorge Costa às 20:17 | comentar | partilhar

Um texto a não perder

Trata-se de um texto de ficção. Tudo indica estar-se perante um escrito de humor (e este é tanto maior, quanto o texto parece pretender um registo sério, analítico). Uma das suas qualidades inegáveis está no facto extraordinário de, sem perder a sua superior dimensão humorística, conseguir, ao mesmo tempo, um tom quase épico ( por exemplo, "uma das melhores e mais corajosa... que o país teve"). E que dizer da paródia (quase cruel, reconheça-se) conseguida quando se escreve "deitou-se para o lixo mais de quatro anos de trabalho e persistência"? Dificilmente alcançável por qualquer amador pretensamente engraçado.

Felizmente que se trata de um texto humorístico - se o não fosse, padeceria de um ridículo involuntário, seria um estendal de superficialidades maliciosas, com a típica coerência interna do delírio, sem correspondência com a realidade que julga descrever (cada palavra sonante teria por detrás de si, afinal, um vazio mudo, i. e. que nada diz, porque nada é, mas inscrita num contexto falacioso). Mas o que é isto comparado com o próprio? Ei-lo.
publicado por Carlos Botelho às 17:41 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Le régime c'est nous


Não é novidade para ninguém que o PS se tem assumido, desde há muito, como o único garante da legitimidade do regime, defendendo que a sobrevivência do regime depende forçosamente de si e que, por isso, qualquer ataque ao PS se trata, na realidade, de um ataque ao regime. Sem surpresas, a Oposição é, para os socialistas, desleal, imatura e mesquinha.
Quem se interessa pela história da I República não pode deixar de reconhecer aqui uma espécie de remake do PRP de Afonso Costa, cuja propaganda atribuiu ao partido o monopólio da legitimidade da acção política. Entre 1910 e 1926, os adversários políticos passaram a ser inimigos do regime; a suspensão legítima da ordem legal aconteceu quando o partido/regime era ameaçado; as promessas políticas não saíram do papel porque o regime estava em risco; a liberdade de imprensa só existiu enquanto as sedes dos jornais não foram vandalizadas; a crise económica nasceu da incapacidade de modernizar a actividade económica do país; a sociedade criou uma crescente dependência num Estado continuamente a engordar.
Quem se interessa pela história da I República não pode deixar de recordar que tudo isto acabou muito mal. Curiosamente, também foram precisos 16 anos.
publicado por Alexandre Homem Cristo às 17:12 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

O mínimo dos mínimos

Com o disparar das taxas de juro, sobretudo nos prazos mais curtos, o mínimo dos mínimos é que o governo peça ajuda aos seus parceiros europeus para financiar as necessidades de financiamento até ao final de Setembro.

Como os montantes são muito inferiores aos necessários até ao final de 2013, as condições exigidas também o deveriam ser. Isto permitiria um mínimo de descanso até o próximo governo já estar em funções e em condições para negociar o mais que certo financiamento até 2013.

Muito provavelmente, o PSD será chamado a dar o seu acordo às condições deste pedido, mas os sociais-democratas devem fazer a sua anuência ser condicionada por uma auditoria às contas públicas, que deve ser conhecida antes das eleições. A UE também estará interessada em conhecer os resultados desta auditoria, cuja informação será sobretudo importante para o financiamento para lá de Setembro.
publicado por Pedro Braz Teixeira às 16:56 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Já está nas livrarias

O Miguel Morgado está de parabéns. As Edições 70 estão de parabéns e todos nós estamos muito obrigados. Sem querer abusar da bondade da editora, e na firme esperança de que quererá igualmente estar associada a outro grande momento editorial por acontecer ainda em Portugal, fica em baixo a próxima sugestão. Nem sequer terá de se esforçar muito para encontrar o tradutor, prefaciador e anotador ideal: é o mesmo de Monstesquieu.

publicado por Jorge Costa às 16:55 | comentar | partilhar

Oh my dog!

Acreditamos que, em algumas circunstâncias, o Governo deu prioridade a si próprio em detrimento das empresa públicas no acesso aos mercados.

Esperamos que o pacote de ajuda tenha em consideração as necessidades de refinanciamento da dívida das empresas públicas, incluindo da Parpública.

Enfim, Parpública para o lixo.

A minha tia-avó, um senhora antiga, costumava contar-me que, nos tempos da República, saía-se de casa e não se sabia, quando se voltava, se o Governo era o mesmo. Disso lembrava-se ela. Não é para menos: salvo o erro, em 16 anos houve 45 Governos e 8 Presidentes. Eu, hoje, quando saio de casa, ignoro se, ao voltar, o país está no mesmo sítio, ou pelo menos próximo. O Governo, esse, vai durando, como se prova, sem margem para dúvida.
publicado por Jorge Costa às 16:26 | comentar | partilhar

A vida vivida (e paga) de pernas para o ar: um muito obrigado ao Governo

Hoje custa tanto o endividamento
- a 2 anos - 8,02%
como
- a 10 anos - 8,09%

Em breve será muito mais caro. O coiso que nos governa acha qualquer coisa. E ambos os prazos custam muitíssimo mais do que a mais gravosa das hipóteses sob um resgate europeu. Quase o dobro, em breve bem acima do dobro, da taxa concedida à Grécia.

Mais novas da era B.
publicado por Jorge Costa às 15:53 | comentar | partilhar

a/c do "engº" Pinto de Sousa

A agência Fitch deixa mais um aviso, peremptório, a Portugal: se o Estado não for socorrido pela União Europeia e pelo FMI, o rating da dívida soberana nacional pode baixar ainda mais em breve. Espero que os "abrantes" , que desde a última semana passaram a ter em elevada consideração as agências de notação, tomem boa nota deste aviso. Aconselhem bem o chefe. E recomendem-lhe este site.
publicado por Miguel Noronha às 14:30 | comentar | partilhar

A Europa não pode parar!

Da defunta União Soviética a UE parece ter herdado o gosto pelos alucinados "planos quinquenais". Tal como os originais, são generosos nos objectivos e parcos nos resultados. Faltando-lhe os meios (e sejamos justos, o carácter) autoritário e os meios repressivos do original normalmente falham em convencer os indivíduos a obedecer às directivas emanadas de Bruxelas. Não admira que sejam apresentados com pompa e circunstância e posteriormente abandonados em segredo.



No seguimento da "Estratégia de Lisboa" que prometia que em 2010 seriamos a "economia mais competitiva e dinâmica baseada no conhecimento com mais e melhores empregos e mais coesão social" temos agora a "Estratégia Europa 2020" que promete um "crescimento sustentável, inteligente e inclusivo". Se não notaram os prometidos avanços da estratégia de 2010 não esperem melhoras com a de 2020.


Mas a história não fica por aqui. O último plano pretende eliminar todo o transporte movido a gasolina, gasóleo ou GPL das cidades entre 2030 e 2050. Este mirabolante plano inclui tanto automóveis privados como transportes colectivos. Mais uma vez os desideratos megalómanos: "construir um sistema de transportes competitivo que aumente a mobilidade, remova as principais barreiras em áreas-chave e fomente o crescimento e o emprego". Não se percebe vai conseguir alcançar estes objectivos com como uma medida que vai diminuir enormemente a mobilidade, implicar a destruição de capital físico e a angariação de avultados recursos para a construção das novas infraestruturas. Ainda por cima baseado em tecnologias que, até agora e pese o elevado preço dos petróleo, apenas conseguem ser rentáveis à custa de subsídios e pouco eficientes e eficazes. Numa palavra, empobrecimento.


Mas estarei, provavelmente, a ser alarmista. O mais provável é que daqui a uns anitos este plano estruturante seja abandonado e esquecido numa qualquer gaveta. Entretanto gastaram-se uns milhões em consultora externa, propaganda e ajudas de custo. E já estaremos a discutir o novo plano que até 2030 promete torna-nos na economia mais avançada, abastada e socialmente justa do mundo. Isto apesar dos fracassos anteriores, é claro.
publicado por Miguel Noronha às 14:15 | comentar | partilhar

Mais responsabilidades para o PSD

Portugal's statistics agency said it plans to make "accounting changes" in a report to be submitted to the European Union's statistics agency by week's end, a revision that could indicate a wider 2010 budget deficit and which would further undermine the credibility of the country's embattled government.
The country's statistics office has been reviewing its 2010 accounts after the EU's Eurostat agency observed that Portugal hadn't included a €2 billion ($2.8 billion) cash injection into Banco Portugues de Negocios.
(...)
he Bank of Portugal said it now expects GDP to contract this year by 1.4%, more than the 1.3% contraction it forecast earlier. The central bank also cut its GDP growth forecast for 2012 to 0.3% from 0.6% previously, partly because of the effects of the government's deficit-cutting measures.

Wall Street Journal, 30 de Março de 2011

Aguardo, com expectativa, a reacção da "Socrates School of Economics".
publicado por Nuno Gouveia às 13:13 | comentar | partilhar

Hoje sou o delinquente convidado

Correspondendo (com considerável atraso) ao simpático convite do Pedro Correia publico hoje no Delito de Opinião este post.
publicado por Miguel Noronha às 13:04 | comentar | partilhar

Fotoreportagem: Marrocos

Longe dos focos mediáticos, e evolução dos acontecimentos em Marrocos: Depois da Tunísia


Depois do Egipto


As reformas



"L’Etat, en face, doit surtout faire attention à ne pas répéter l’erreur de dimanche dernier, quand des policiers ont chargé les manifestants de Casablanca. ...La répression risque de radicaliser les modérés et de faire basculer (dans la colère) la majorité silencieuse. La violence de l’Etat ne casse pas seulement du manifestant, elle “tue” au passage le discours officiel, aussi prometteur soit-il."
A Revolução em Marcha "Il y a mille et une leçons à retenir de ce qui vient de se passer au Maroc en à peine un mois. La plus forte et la plus immédiate de ces leçons se trouve aussi être la plus simple. Elle crève les yeux. Le changement aura lieu non pas parce que, selon une certaine terminologie, “les Marocains ne sont pas prêts”, mais juste parce qu’ils le veulent. C’est suffisant. "


publicado por Eugénia Gamboa às 12:59 | comentar | partilhar

Porque é importante o resgate, agora

No segumento do post anterior e apesar das garantias do Ministro da Propaganda Secretário de Estado das Finanças convém saber porque é importante uma intervenção do FEEF/FMI:

"Azad Zangana, economista da Schroders para a Europa, refere que "os preços actuais que o mercado exige são apenas sustentáveis para um ou dois anos." (...)[U]m eventual ‘bailout' a Portugal "seria um importante passo" para o país. Isto porque, segundo Azad, "um resgate permitira financiamento para seis a sete anos e a possibilidade de Portugal organizar as suas contas públicas."

Sobre a possibilidade de se assistir a uma reestruturação da dívida nacional e dos restantes países da periferia, o especialista considera que "deveremos ver uma reestruturação na Grécia e Irlanda mas não tenho a certeza que isso venha a ocorrer em Portugal", apesar de o mercado já hoje estar a descontar essa possibilidade, como mostram as cotações dos títulos de dívida nacionais.
publicado por Miguel Noronha às 11:59 | comentar | partilhar

Nos cinco anos, o spread para os dez já é de cem pontos de base


2 anos - 7,80%; naturalmente, o prazo mais pressionado;
3 anos - 8,63%
4 anos - 8,52%
5 anos - 9,01%
10 anos - 8,03%

Está tudo costapina.
publicado por Jorge Costa às 11:42 | comentar | partilhar

Amigos para siempre (2)

O Magalhães como instrumento da solidariedade bolivariana
publicado por Miguel Noronha às 11:30 | comentar | partilhar

Acerca da privatização da CGD

Acerca do tema supra, ler a entrevista do Professor Álvaro Santos Pereira [ASP] ao Jornal de Notícias.


Um pequeno comentário. Não concordo com tudo o que diz. Em primeiro lugar acerca dos prazos. A possibilidade de um forte encaixe (desde que usado da forma correcta) aconselham que a operação se faça o quanto antes. Em segundo lugar o uso político que se faz da CGD (que ASP descreve muitíssimo bem nas duas últimas questões) anulam qualquer vantagem que pudéssemos tirar de um banco público. Os políticos não são anjos e convém anular as fontes de tentação.
publicado por Miguel Noronha às 10:28 | comentar | partilhar

Sócrates visto de fora

Um demolidor perfil de José Sócrates no ABC, em espanhol legítimo (ie não técnico). Começa assim:

El primer ministro portugués se parece a un conductor que avanza a toda velocidad por la autopista en dirección contraria, convencido que son todos los demás automovilistas los que se equivocan.

E depois não melhora.


(via Carlos Fernandes)
publicado por Miguel Noronha às 08:43 | comentar | partilhar
Terça-feira, 29.03.11

Ângelo de Sousa

Seria bom que o Público pusesse online a entrevista do pintor de 25 de Janeiro de 2009. (Um pequeníssimo excerto, aqui.)
publicado por Carlos Botelho às 23:41 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Denunciar a incompetência

José Sócrates acusa as agências de rating de agirem por "preconceito" e diz não compreender a razão da sua "suspeição"sobre Portugal, numa entrevista publicada hoje no jornal francês "Liberation". 2 de Fevereiro de 2010.

O inacreditável governo de José Sócrates já tem a sua estratégia montada para a campanha que aí vem. E, tal como em 2009, será centrada na mentira. Tudo serve para desresponsabilizar a governação socialista. A propaganda socrática consegue mesmo cometer a proeza de atribuir duas causas diferentes para situações idênticas. Há uns tempos, como podemos observar nessa citação, a culpa dos problemas financeiros do país eram das agências de rating. Agora, porque viram aí uma janela de oportunidade, responsabilizam a oposição pelo mesmo facto, ilibando, desta vez, as agências de rating. Nunca, mas nunca, admitem que a sua governação falhou. Que não atingiu os objectivos. Que fracassou. Não, essas são expressões que não existem no léxico socialista. Resta combater e denunciar, com vigor e sem recuos, esta mentira.
publicado por Nuno Gouveia às 22:27 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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