Quinta-feira, 28.04.11

Atenção à novilíngua socrática

Rui, se bem me recordo dos bons costumes iniciados com os vários orçamentos de estado para 2009, não é rectificativo, é suplementar. E, de seguida, também não é rectificativo, é redistributivo. Só à terceira é que é rectificativo (e provavelmente apenas devido à proverbial falta de imaginação estílistica - só essa - dos financeiros). Mas todos aumentaram o défice para 2009, claro.


Nota que nada tem a ver (ou até tem): O Pedro Braz Teixeira está na TVI24 agora mesmo.
publicado por Maria João Marques às 22:57 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Reviver o passado em Marraqueche

O criminoso ataque bombista de hoje, ainda não reclamado mas presumivelmente de origem salafista, no café Argana na turística e muito controlada cidade de Marraqueche, com os ecos de Casablanca em 2003, deverá ser visto com redobrada atenção no intricado e nada linear processo reformista marroquino. Por agora parece que as estratégias de anti-radicalização e anti-terrorismo, apesar da propaganda, não estão a resultar. Também não podemos cair na tentação de fazer a associação fácil deste ataque com as crescentes exigências por reformas democráticas do regime, traduzidas nas sucessivas e ordeiras manifestações populares que agregando críticos do regime inclui também o muito temido Movimento Justiça e Caridade. Aos desafios da reforma política dos regimes árabes, é bom não esquecer o desafio do islão radical. Juntamente com outros parceiros do sul europeu, Portugal tem uma responsabilidade especial nesta região: fazem falta sinais de apoio à estabilidade no Magrebe. Faz falta uma política externa...
publicado por Eugénia Gamboa às 21:41 | comentar | partilhar

Procura-se


Desapareceu de casa de seus pares. Na altura despia mais de 600.000 desempregados e descalçava um défice superior a 9%. Nos últimos seis anos foi responsável pela duplicação da dívida pública. Não é visto desde 23 de Abril. Qualquer informação agradecemos que seja apenas dada aos serviços sociais do FMI e não ao seu encarregado educação que sofre de profundas perturbações mentais.
publicado por Pedro Pestana Bastos às 19:57 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Boas notícias






Não houve financiamento, e portanto o polvo não se expande por aqui - logo agora que dava tanto jeito ao 'Seu' Sócrates e à sua Comunidade Evangélica Socialista. Deus não dorme - e vai andar por ali.
publicado por Tiago Mendes às 18:04 | comentar | partilhar

A Economia Portuguesa

Ler dois posts no Portuguese Economy:

- um que transcreve a carta aberta de Ricardo Reis e de Luís Garicano ao Financial Times;
- outro do Pedro Martins que o Miguel Noronha e o Jorge Costa certamente apreciarão (o Pedro Braz Teixeira também, mas deixou um comentário por lá).</p>
publicado por Miguel Morgado às 17:14 | comentar | partilhar

A horda de militantes comentadores (2)

Nuno, eu ouvi o Fórum TSF com o Sócrates. É verdade que a maioria das pessoas que intervieram em directo eram “amigos” do Primeiro Ministro, mas não é menos verdade que a jornalista que coordenou o programa teve o cuidado de ir escolhendo perguntas via e-mail de “inimigos” do PS. Neste sentido, se “a máquina socialista está bem oleada”, a TSF até nem se portou mal ao tentar restabelecer algum equilíbrio. Por outro lado, olha que o Sócrates não esteve pior a responder às críticas do que esteve a corresponder aos elogios. Neste preciso momento, a TSF está a transmitir um programa – de duas horas – sobre a Constituição Portuguesa, com a participação, entre outros, do nosso camarada Pedro Lomba. O debate está a ser muito bom. Pelo que tenho visto ao longo das últimas semanas, o PSD só se pode queixar dele mesmo, designadamente por não saber reunir no seu seio os melhores. Se é verdade que o problema vem de fora, não é menos verdade que a solução tem de vir de dentro. Mas demora, demora, demora. Godot?
publicado por Nuno Lobo às 16:50 | comentar | partilhar

A horda de militantes comentadores

Não ouvi a emissão desta manhã da TSF. Dito isto, posso imaginar o que se passou para o director da TSF ter sentido a necessidade para emitir esta nota explicativa. A máquina socialista está bem oleada e pronta para atacar em todas as frentes. Ora são os comentários nos blogues e nas páginas de jornais, ora são os programas de rádio e de televisão. Resta aos responsáveis dos órgãos de comunicação saber controlar os danos perante estas investidas do PS. Se não conseguem actuar desse modo, e permitem que os programas em causa sejam utilizados como meros veículos de emissão de propaganda, então mais vale acabarem com eles. A menos que queiram ser confundidos com a propaganda socialista.
publicado por Nuno Gouveia às 16:17 | comentar | partilhar

37 anos depois, a III República balança

Em 1989 chegámos finalmente à democracia, no sentido liberal e ocidental do termo. Veio tarde, mas veio.
Porém — democracia à parte — o consenso político em que se sustenta estava condenado ao presente fado.
No momento fundacional o socialismo foi unânime. Mesmo os que sempre o detestaram tiveram de lhe jurar lealdade para legitimar o acesso à arena. Depois foi lentamente engavetado, deixando no seu lugar uma água turva igualmente fatal. A III República assenta na promessa política de prosperidade crescente garantida e irreversível e num igualitarismo furioso gerador das mais injustas desigualdades. Inspirados pelos mais fraternos sentimentos, os fundadores da III quiseram alçar-nos, por decreto e numa penada, para a vanguarda das nações.
O resultado inevitável foi uma economia ociosa, desequilibrada e cheia de barreiras, entorses, alçapões. Um país desprovido de concorrência, dinamismo, cultura do mérito. Um país de estímulos errados. Durou enquanto foi possível. E foi possível alimentar e fazer crescer o luso Leviatã com abundante financiamento externo (a fundo perdido e a crédito) que subsidiou este roçagar doce por mais de três décadas. Contra todo este conforto, qualquer discurso alternativo seria sempre um nado morto.
Entretanto, chegaram os países de leste e o apoio da Europa voltou-se para lá; a globalização acelerou, o Oriente entrou no capitalismo selvagem e, com o Ocidente em crise, emergiu. Portugal nunca se mexeu. Como sempre, confiou na Providência. Os nossos políticos, os nossos zelosos sindicatos, os nossos partidos muito constitucionais, muito confiantes, nunca descolaram da absurda ilusão.
Mas — hélas — a maré financeira baixou e descobriram-nos, finalmente, a pelota. Surpreendente mesmo tem sido a duração da corrida.
publicado por Duarte Lino às 13:44 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Homens de luta?

Enquanto PSD e CDS não criticarem, em tom de guerra, a conversa míope do 'direito (positivo) ao trabalho', e a substituírem pelo 'direito (negativo) a gerar emprego', não desbloqueamos a paralisia que nos atinge desde 1975.
publicado por Tiago Mendes às 12:33 | comentar | partilhar

Temos de perder as ilusões

Estela Barbot diz que o Estado Social não vai ser posto em causa com a presença do FMI em Portugal, porque o Estado Social já foi posto em causa pelas decisões do passado.
"Quando me dizem que é com o Fundo Monetário Internacional que o Estado Social vai ser posto em causa - não. Foi agora que o Estado Social foi posto em causa, pelas pessoas que resolveram fazer estádios de futebol - dez quando chegavam oito - e tantas autoestradas", frisou Estela Barbot, durante o debate "Portugal - Que Futuro?", que decorreu no auditório da Renascença.
"Era melhor gastar esse dinheiro a fazer um hospital novo, a dar pensões dignas aos reformados", acrescentou a economista e empresária.
Estela Barbot fez duras críticas aos responsáveis políticos portugueses, sem deixar de apontar que os actuais defensores do Estado Social foram os maiores responsáveis pelos "problemas estruturais" do país. "Temos de perder as ilusões. Com certeza que os tempos que vêm aí vão ser violentos", acrescentou. (aqui)
publicado por Alexandre Homem Cristo às 12:04 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Irracionalidades

O Miguel tem razão. "Esquecemos" amiúde a forma assimétrica como choques à nossa economia afectam o público e o privado, as gerações actuais e futuras. Neste último ponto, em adenda ao que o Miguel refere sobre os pensionistas, é impossível avaliar justamente o ónus que deve recair nos pensionistas actuais e futuros sem ter uma visão, não a 10 anos, mas a 50-100 anos. Impossível num sistema dominado pelo curto-prazismo e, mais do que isso, blindado ao longo-prazismo, em larga escala deviado ao péssimo jornalismo que temos, como se vem heroicamente documentando aqui.

A este propósito, recordo uma ideia que parece ter tido eco... na Hungria.

Uma última nota: no tal artigo, Diogo Lucena fala de repartição de custos em "igual medida", mas isto não diz nada. É o mesmo eu euros absolutos? Ou proporcionalmente? Ou "progressivamente"? A expressão correcta - e necessariamente vaga, apesar de absolutamente precisa -, seria "justa medida". Infelizmente, a única pessoa na praça pública que a usa com propriedade e autoridade dá pelo nome de Estela Barbot.
publicado por Tiago Mendes às 10:42 | comentar | partilhar

O Funcionário Público Português

publicado por Fernando Martins às 10:25 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Cansaço

Só consegui ler as gordas. A entrevista propriamente dita não está disponível no online. Mas o Jornal de Negócios online de ontem punha à cabeça a seguinte opinião de Diogo Lucena:

«"Isto não é um problema dos funcionários públicos, é um problema do País todo". Pensionistas e trabalhadores do privado devem contribuir na mesma medida, defende Diogo Lucena, coordenador das propostas na área social do "Mais Sociedade", o movimento de reflexão do PSD»

Aproveito para comentar rapidamente a tirada, até porque é ideia que se foi espalhando por aí. Sugere que, como houve cortes salariais no funcionalismo público este ano, então só os funcionários públicos estão a pagar a crise. Palavra de honra que não consigo compreender como se alimenta esta opinião. Não consigo. Muito menos quando vem de pessoas inteligentes e bem-intencionadas como indubitavelmente é Diogo Lucena. Faço duas observações que deveriam ser suficientes para mostrar o absurdo da opinião.

1º O desemprego que cresceu como nunca nos últimos 3 anos afectou que tipo de trabalhadores? Na inexistência de despedimentos na função pública, deduzo que quem tenha pago a crise, não com reduções salariais de 5%, mas com o posto de trabalho tenham sido as gentes do sector privado. O mesmo se pode dizer acerca das falências. Como a função pública não faliu, deduzo que as milhares de falências que dispararam nos últimos 3 anos tenham sido exclusivas do sector privado. Não se esqueçam que muitas das empresas que faliram, por vezes, eram o ganha-pão de uma família inteira. Nos tempos que correm ainda é preciso fazer notar que possuir uma empresa não significa ser magnata.

2º Quanto às remunerações salariais. Há muita gente no sector privado que tem as suas congeladas há muito tempo. E pensem nas milhares de pessoas que trabalham no sector privado e que dependem muito da parte variável das suas remunerações (bónus, prémios, etc.). Já se deram ao trabalho de verificar as quedas assustadoras das remunerações de toda essa gente nos últimos 3 anos?

Uma última nota quanto aos pensionistas. A iniquidade - até há pouco ainda conseguia ser mais profunda - entre os sistemas de pensões no sector público e no sector privado deveria pelo menos convidar a conter o instinto para pronunciar coisas deste género. É cansativo ter de continuar a repetir evidências, e que não deveriam ser nem de "esquerda", nem de "direita".
publicado por Miguel Morgado às 02:36 | comentar | partilhar

Read my lips: 9,1%



Lê-se no programa do País das Maravilhas - aliás, do PS - hoje apresentado pelo Querido Líder no CCB: “o défice de 2010 foi de 6,8% do PIB, isto é, menos 2,7 pontos percentuais do que no ano anterior. Este é um indicador evidente do esforço de consolidação realizado.” Como se sabe pelo menos desde o dia 23 de Abril, o défice de 2010 foi de 9,1%. O esforço de consolidação foi realmente extraordinário. Mas isso não interessa nada, pois não?
publicado por Paulo Pinto Mascarenhas às 01:35 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Mais Sociedade?...

A agremiação Mais Sociedade, pela justeza, oportunidade e perícia com que tem deixado pingar "ideias" e "propostas" nos meios de comunicação, deveria, talvez, passar a chamar-se Mais Sócrates. Para adequar o nome ao efeito da acção.
publicado por Carlos Botelho às 01:28 | comentar | partilhar

Real Madrid-Barcelona 2011/04/27

Notas soltas:

- O Barcelona joga como mais nenhuma equipa no mundo joga. Isso quer dizer também que mais nenhuma equipa no mundo consegue jogar como eles jogam. Este é um facto elementar que lava como uma esponja todas as considerações de carácter, digamos, conjuntural.

- Não sei se vale a pena dizer isto em Portugal, mas o jogo de hoje, como os jogos dos últimos 5 anos, mostrou à saciedade que a tese da esplanada portuguesa está errada. Isto é, Messi não é o monstro que é simplesmente porque "tem lá o Xavi e o Iniesta a dar-lhe as bolas todas". Falso. Messi é um jogador inigualável. Sim, inigualável. Cristiano Ronaldo é fantástico, excepcional, fenomenal. O melhor do mundo. A seguir a Messi.

- Muito se discutirá sobre a arbitragem de hoje. Mas o facto é que Pepe tem aquele problema. É um grande jogador, sobretudo fisicamente. A cabeça é que não trabalha à mesma velocidade do corpo. Já agora: o golo extraordinário que o Barcelona marcou na Taça do Rei e que foi invalidado deu o jogo ao Real Madrid.

- Na conferência de imprensa, Mourinho denunciou a história de arbitragens benévolas de que o Barcelona beneficiou, dando como exemplo o jogo com o Chelsea há dois anos. Esticando mais a memória, eu diria que a época em que o Barcelona gamou mesmo a sério (não sei se houve eliminatória que não tivesse sido resolvida a gamar) foi a de 2005/2006, quando conquistaram a Liga dos Campeões na final contra o Arsenal. O gamanço foi, nessa altura, muito mais sério. Imaginem aquele jogo com o Chelsea em Londres em cada eliminatória: foi essa a carreira do Barcelona em 2006. Um exemplo:



Este golo, para quem não se recorda, decidia a eliminatória com pouquíssimo tempo para jogar.
publicado por Miguel Morgado às 00:00 | comentar | partilhar
Quarta-feira, 27.04.11

37,5

É a média de idades de encartamento do eng. Sócrates e do dr. Passos Coelho. Não diz muita coisa - por exemplo o local de encartamento - mas mesmo no mais abstracto vazio, pode impressionar um alienígena. O desvio padrão chega a ser romântico: apenas 2,1.
publicado por Tiago Mendes às 19:33 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Vitorino Magalhães Godinho (1918-2011)

Apesar e por causa de Karl Marx, Fernand Braudel, Duarte Leite ou Oliveira Martins, além da sua inteligência, houve e ainda há uma historiografia portuguesa antes e depois de Vitorino Magalhães Godinho. É claro que Vitorino Magalhães Godinho não foi só historiador. Foi um intelectual heterodoxo e um intelectual heterodoxo na política até um par de após o 25 de Abril de 1974. É, aliás, uma irónica coincidência que tenha morrido 37 anos após aquele que foi um dos mais importantes acontecimentos da história portuguesa do século XX e sobre o qual, vistos os seus magros resultados, Vitorino Magalhães Godinho lançava uma mirada crítica e cada vez mais lúcida. A sua obra está a ser reeditada e, portanto, ao alcance de todos aqueles que a queiram conhecer ou revisitar.
Que descanse em paz.
P.S.: Sugiro a leitura do obituário escrito por Diogo Ramada Curto no Expresso online.
publicado por Fernando Martins às 19:30 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quando é que alguém aqui no Cachimbo escreve um post sobre o acontecimento do ano?


publicado por Fernando Martins às 17:01 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Não se pode confiar na ONU

Despite Reports of Brutality Toward Civilians, Syria to Join U.N.'s Human Rights Council
publicado por Nuno Gouveia às 15:43 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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