Quarta-feira, 29.06.11

Mais uma mentira desmascarada

Conforme se esperava o INE confirmou o descalabro orçamental no primeiro trimestre deste ano: "O défice orçamental do Estado português atingiu os 7,7% no primeiro trimestre do ano, segundo dados revelados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística".

 

Apesar do triunfalismo pré-eleitoralista com que o governo apresentava os relatórios de execução orçamental, não batia certo a melhoria nas contas com as rupturas de tesouraria em empresas e institutos públicos e o com o aumento dos encargos da dívida publica.

 

Torna-se assim cada vez mais nítida a razão do secretismo e da urgência do PEC IV. Para além das revisões em alta do défice de 2010 as própria execução orçamental de 2011 estava já severamente comprometida. Registe-se que o governo socialista nunca teve a honestidade de reconhecer as verdadeiras razões. Preferiu sempre sacudir a responsabilidade para os míticos mercados, para os especuladores ou para a oposição.

 

 

 

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publicado por Miguel Noronha às 12:28 | partilhar

Perguntem-me como

Fernando Ruas: "Digam como" reduzir o número de municípios

 

Eu digo. Façam com que as autarquias sejam menos dependentes do OE e mais responsáveis pela captação das suas receitas. Elas próprias tratarão de se agrupar. Com a grande vantagem destas decisões serem tomada ao nível local e com os munícipes a perceberem o que pode custar a sua independência e o despesismo autárquico. Outra grande vantagem é que desta forma teremos uma verdadeira descentralização administrativa e não a regionalização a "régua e esquadro" com que há anos nos ameaçam.

publicado por Miguel Noronha às 11:41 | partilhar

Há mar e mar

A triste história dos estaleiros navais de Viana do Castelo, onde entre outras coisas se prevê o despedimento de quase 400 trabalhadores, talvez pedisse uma palavrinha de Cavaco Silva. Não é ele, afinal, que tem andado por aí com a boca cheia de "mar português"?

publicado por Fernando Martins às 10:48 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Solidariedade dispendiosa

É perfeitamente natural que o governo espanhol fique desagradadocom a decisão de suspender o troço nacional da linha Lisboa-Madrid. Eles próprios já se aperceberam da fraca rentabilidade das linhas de alta velocidade e foram obrigados a suspender algumas ligações. O troço português ajudá-lo-ia a melhorar a rentabilidade de linha sem custos adicionais (para eles...). Nós é que não somos obrigados a esta dispendiosa solidariedade. Eles que resolvem os seus próprios erros.

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publicado por Miguel Noronha às 10:40 | partilhar

A contenção de custos chega à blogosfera

O Câmara Corporativa mudou-se para o Jugular.

publicado por Miguel Noronha às 09:35 | partilhar

Um bom princípio e um mau começo

O princípio.

O começo.

publicado por Carlos Botelho às 01:29 | comentar | partilhar
Terça-feira, 28.06.11

Coisas oh tão inteligentes que se ouvem na tv

Disse há pouco, na SICN, José Gomes Ferreira que o governo (qualquer governo) não devia ir pelo caminho de alterar o recebimento do IVA para o momento do recebimento do pagamento da factura, substituindo o actual recebimento aquando da emissão da factura. E porquê? Porque assim, argumentou, as empresas deixam de ter incentivo para pedir o pagamento das facturas. Pois é mesmo isso: eu tenho um cliente que me deve 1230€ por uma factura qualquer. Se receber, tenho de pagar 230€ de IVA ao Estado e, porque não quero pagar os tais 230€, também não tenho interesse nenhum em receber a porção da factura - os 1000€ - referentes ao pagamento dos bens que vendi ou dos serviços que prestei. Não é inteligente? Fica por explicar, já que eu e todos os empresários deixaríamos de ter incentivo para cobrar as dívidas dos clientes, com que receitas (que não quereríamos receber) pagaríamos os ordenados, a segurança social, o telefone, a electricidade, a manutenção dos equipamentos, etc., etc., etc. (já para nem falar na distribuição de lucros, de que, só para tramarmos o Estado, prescindiríamos).

 

Como eu gosto sempre de ouvir gente que nunca teve de se preocupar com a gestão de tesouraria de uma empresa teorizar sobre o que deve ser a minha vida como empresária. Também estamos neste pântano porque os nossos opinadores têm estas ideias tão sensatas.

publicado por Maria João Marques às 23:42 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

10 longas respostas a um breve inquérito.

Interpelado pela Isabel e pelo João, aqui vai, atrasada como sempre, a minha resposta ao pseudo-inquérito-pseudo-literário proposto. Agradeço aos dois a oportunidade que me deram de fazer uma agradável e breve visita a um certo passado.

1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Do futuro não falo. Mas, por exemplo, li e reli muita coisa ao longo nos últimos trinta e muitos anos (tenho 45). Desde a Enid Blyton quando era catraio até ao Eça de Queirós. Noto agora que devo ter lido os Maias pela terceira ou quarta vez há mais de 20 anos (estarei velho?). Depois, e sempre que nos últimos anos apanho alguma carraspana (gripe, entenda-se), deito-me a reler banda desenhada. E não há nada como o tenente Blueberry nas suas diferentes versões da autoria de diversos argumentistas e desenhadores. No meu métier também releio muito. Além de “artigos”, releio sobretudo “partes” e “capítulos” de livros. Mas, talvez, não tenha relido nenhum outro livro de história por inteiro mais vezes e com mais prazer do que The Origins of the Second World War de A. J. P. Taylor. Não concordo com metade do que lá vem (embora à primeira e à segunda leitura concordasse com tudo), e nem sequer se trata de um hino à honestidade intelectual do historiador. Antes pelo contrário. Mas sabe muito bem lê-lo e relê-lo. Até pensei um dia que seria capaz de escrever um livro assim. Mas já não penso…

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Devem ter sido muitos. Mas lembro-me de dois porque tenciono lê-los (agora falo do futuro): A Montanha Mágica em versão Livros do Brasil e Os Irmãos Karamazov numa tradução castelhana do russo que tenho cá em casa. E tenho em mãos, há muitos meses, livros que não sei se acabarei, como sucedeu com outros que voltaram à estante antes de terminados. Destaco Terra Sonâmbula de Mia Couto que se distingue por ser pretensioso, chato e absurdamente inimaginativo de tão original que quer ser no seu pseudo realismo-fantástico-africano. Devia lê-lo, ao menos, por razões profissionais.

3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Dos que já li: Guerra e Paz. Dos que não li: À Procura do Tempo Perdido. Gosto de livros com muitas páginas quando são bons (ou dizem que são). Na não-ficção talvez escolhesse, de Alan Bullock, Hitler and Stalin: Parallel Lives. Li, é muito bom e tem 1000 páginas em letra pequenina.

4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Muita coisa de Camilo Castelo Branco (que li relativamente pouco), por exemplo. Gostava de ter lido Cem Anos de Solidão, mas tenho-o guardado para ler não sei quando. E gostava de ler, de uma ponta à outra, os sete volumes já publicados da Oxford History of the United States e grande parte dos volumes da Pivotal Moments in American History da OUP. Se calhar há outros que gostaria mais de ler. Mas não me lembro.

5. Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?

Assim de repente não me lembro de nenhuma, embora tenha uma vaga ideia, não sei porquê, que os finais de Nana e de Madame Bovary eram especialmente tristes e emocionalmente violentos. Mas há sempre os banquetes no final dos álbuns de Astérix.

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Além da já citada Enid Blyton (Sete, Cinco, Mistério e uma ou outra coisa dela avulsa), lia muita BD. Recordo com particular saudade as aventuras do corsário Sandor da colecção "Falcão" (nunca como então fui tão francófilo) ou a para mim célebre colecção "Combate". Lembro-me que a primeira aventura de Astérix que li foi Astérix e os Normandos e a primeira de Tintin foi a do dito na América (é claro que durante alguns anos passei a acreditar que metade dos americanos eram gangsters e a outra metade polícias: o que para uma criança de 7 ou 8 anos era suposto não ser a mesma coisa). Também “lia” o que me mandavam ler na escola primária ou o que por lá passava numa fugaz tentativa de construir uma biblioteca. Mas daquilo tudo só me recordo de um belo álbum ilustrado sobre a deprimente história dos “peles-vermelhas” na América do Norte.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Lembro-me de um que não terminei. História do Cerco de Lisboa de José Saramago. Pareceu-me uma terceira banhada consecutiva depois do Ano Morte de Ricardo Reis e de A Jaganda de Pedra (ou de A Jangada de Pedra e do Ano da Morte de Ricardo Reis). Mas para que conste, e para minha eventual desgraça ou salvação, devorei literalmente O Memorial do Convento, Manual de Pintura e Caligrafia e Levantado do Chão.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

É difícil. Houve, por exemplo, uma altura em que li quase todo o Hemingway. Achava os livros dele fantásticos por causa da escrita concisa e da sensação de liberdade, ainda que dolorosa, que me transmitiam. Hoje não me atrevo a relê-lo. Já só leio sobre Hemingway. Nessa altura (fim da adolescência) também me sentia fascinado por Steinbeck (A Pérola e As Vinhas da Ira, entre outros) e William Faulkner, que é diferente e mais difícil de encaixar. Nunca me diverti tanto como com Eça de Queirós (praticamente toda a ficção e Uma Campanha Alegre), e aprendia-se muita coisa com os neo-realistas portugueses. Desde o maior deles todos (Soeiro Pereira Gomes e os Esteiros) até outros tidos como menores mas que me encheram as medidas como a Seara de Vento de Manuel da Fonseca a Barranco de Cegos ou Avieiros de Alves Redol. Hoje somos todos muito inteligentes e então, arrogantemente, deitamo-los para o caixote de lixo da literatura. Para sair um pouco do óbvio, ou talvez não, e porque foi também uma leitura única no original castelhano, “indico” o tríptico Los Gozos y las Sombras de Torrente Ballester (a série da TVE também não é nada má).

9. Que livro estás a ler neste momento?

Essencialmente dois por causa de um outro que estou a escrever: O Anjo Branco de José Rodrigues dos Santos e The Global Cold War de Odd Arne Westad. O segundo é excelente, o primeiro antes pelo contrário.

10. Indica dez amigos para responderem a isto.

Como sou muito endogâmico e há, ao que se diz, muita falta de “cultura” aqui no Cachimbo, sugiro o Pedro Picoito, o Carlos Botelho, o Nuno Lobo, o Paulo Marcelo, a Maria João Marques, o Miguel Morgado, o Jorge Costa, o Alex, o Filipe Anacoreta Correia e o Miguel Noronha. Se uns não responderem e outros quiserem avançar, eu não me chateio.

 

Nota: Quase não leio poesia. Pelo facto peço desculpa.

publicado por Fernando Martins às 21:15 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sem Ministério ficará a Cultura 4 anos a dormitar?

 

Temos novo governo, temos novo Secretário de Estado da Cultura. Pode não ter sido a melhor opção, a substituição de um Ministro por um Secretário de Estado, uma diferença de 300 euros no salário do titular do cargo, e no entanto, muito se pode avançar com ou sem Ministério. Se a crise condiciona a cultura esta tem sido uma oportunidade bem aproveitada pelos seus agentes.

 

Senão vejamos, no CCB , Mega Ferreira apresentou uma temporada que não contempla grandes produções europeias, mas tem em cartaz peças e concertos de artistas, músicos, encenadores portugueses, como o Carlos Tê e a Beatriz Batarda.

 

No Minho, sem apoios públicos, Claúdia Regina conseguiu organizar uma rede de teatro amador que enche salas para ver as peças de Becket ganhar corpo e voz. Um trabalho reconhecido este ano pela Academia de Produtores Culturais que lhe atribuiu o prémio Natércia Campos. Uma produtora cultural que em entrevista ao Público pedia ao Estado um novo enquadramento legal que lhe permita dar mais aos mecenas interessados em apoiar os seus projectos.

 

No Teatro São Carlos, no D. Maria II e no Teatro S. João as mudanças também estão em curso, com casa cheia, oferta diversificada e bilheteiras on-line. Será que os teatros nacionais têm mesmo de passar a ser um só? Ou na realidade precisam é de autonomia suficiente para gerir o seu próprio negócio.


E agora … começo a ouvir os velhos do Restelo a dizer que a educação de públicos faz-se com acesso a produções de qualidade, demasiado caras para o bolso dos cidadãos e que por isso mesmo têm de ser subsidiadas. Mas não podem antes apoiar-se nos privados, nos particulares e no público, ao invés de estar na dependência total do Estado? E não podem os teatros gerir as suas vidas e não estar à espera da pesada burocracia do Estado para substituir o telhado?


Há muito trabalho a fazer nas entidades públicas que estão na dependência do Estado, medidas que não exigem dinheiro e sim reorganização, autonomia, legislação adequada e principalmente exclusividade. Porque também na cultura há quem trabalhe menos, em horário de mercearia, quando a cultura acontece todos os dias, incluindo fins de semana e feriados.

publicado por Joana Alarcão às 19:32 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Tic tac

Uma notícia que parece ter passado desapercebida

 

Há 15 bancos europeus que terão chumbado nos testes de "stress".  Entre estes estão bancos portugueses, de acordo com a Reuters. O Banco Comercial Português (BCP), a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Banco Português de Investimentos (BPI) e o Espírito Santo Financial Group (grupo a que pertence o BES) são os bancos portugueses que estão a ser avaliados. No total, estão 91 instituições a ser escrutinadas pelas autoridades internacionais.

 

Quase adivinho quais são.

publicado por Miguel Noronha às 17:23 | partilhar

Cachimbos de lá

John Frederick Peto, Natureza morta com livro, cachimbo, fósforos e caneca, 1889.

publicado por Pedro Picoito às 16:53 | comentar | partilhar

Cheque escolar: os factos e as suspeitas

Um dos problemas em Portugal, no que respeita à discussão das políticas públicas de educação, é o de muito se falar mas raramente se atender a dados empíricos que consubstanciem o que se diz. Compreende-se por que assim acontece. Na verdade, em Portugal não existem estudos rigorosos sobre as politicas públicas de educação, ora porque as universidades são o que são, ora porque até os dados estatísticos de educação continuam reservados a uns poucos que se movimentam dentro do Ministério da Educação. Não admira, portanto, que o post de Ana Cássio Rebelo (ou Ana de Amsterdam) - que aqui no Cachimbo tem sido referido pelo Carlos Botelho (aqui e aqui), Miguel Noronha (aqui e aqui), Paulo Pinto Mascarenhas (aqui) e Alexandre Homem Cristo (aqui) - se situe sob o horizonte da suspeita e não dos factos. Pessoalmente, eu até considero que o argumento da Ana Cássio merece alguma atenção – o mesmo não é dizer que concordo com os detalhes de tudo o que ela diz. Mas antes de se mergulhar na suspeita, importa atender aos factos.

 

O cheque escolar, de uma forma ou de outra, foi implementado em países como a Suécia, Holanda, República Checa, Chile, Colômbia e EUA. No caso dos EUA, aquele que eu conheço melhor, o regime de liberdade de educação tem passado apenas residualmente pelos programas de cheque escolar em algumas cidades americanas de grande dimensão (e muito mais pelas charter schools, mais ou menos o equivalente às nossas escolas com contrato de associação). Os estudos sobre o cheque escolar são conclusivos quanto ao facto de o cheque escolar melhorar os resultados escolares dos alunos que transitam das escola públicas tradicionais para as escolas privadas; contribuir para um progresso mais rápido na aprendizagem; aumentar a eficiência nos custos; e aumentar a satisfação dos pais relativamente à aprendizagem dos filhos. Ainda no caso dos EUA, talvez devido ao facto de as crianças afro-americanas constituírem a grande maioria dos alunos que participam nos programas, o cheque escolar tem permitido aos alunos de bairros segregados furar as fronteiras das escolas públicas e frequentar escolas de escolha menos segregadas, deste modo contribuindo para a diminuição da segregação racial, ao mesmo tempo que é neste grupo racial afro-americano que os benefícios académicos do cheque escolar são mais evidentes. Por outro lado, nenhum estudo encontrou um efeito negativo do cheque escolar no desempenho académico dos alunos. Estes dados são mais do que suficientes para se concluir que o cheque escolar é um excelente instrumento para a melhoria da educação das crianças, principalmente daquelas que, de outro modo, estariam condenadas a frequentar as piores escolas públicas. Por outras palavras, os factos indicam que o cheque escolar é um bem.

 

Em que medida a possível universalização do cheque escolar terá exactamente os mesmo efeitos, é uma outra questão. E é aqui que entramos no domínio da suspeita e nos afastamos dos factos. Naturalmente, as crianças que frequentam más escolas tenderão sempre a melhorar quando passam a frequentar escolas melhores. No mesmo sentido, é possível - eu arriscaria dizer que é provável até - que a eventual universalização do cheque escolar, e consequente aumento do número de alunos desfavorecidos nas boas escolas, levasse a uma redução na média dos resultados académicos dos alunos dessas escolas. Também é possível - como sugere a Ana Cássio Rebelo, embora eu já não seja tão rápido a assumir a sua probabilidade - que as famílias de maiores recursos económicos decidam, então, transferir os filhos dessas boas escolas, agora em eventual declínio, para escolas privadas onde não haja o cheque escolar. É neste sentido que eu tendo a pensar que o argumento apresentado por Ana Cássio merece alguma atenção. A suspeita não é de todo desprovida de sentido.

 

Seja como for, dado que a concorrência promove frequentemente o que há de melhor nas pessoas e nas organizações, proporcionando medidas de referência, a partir das quais se pode avaliar o desempenho das escolas, eu penso que o cheque escolar, entre outros instrumentos possíveis para a ampliação da escolha da escola por parte das famílias e dos alunos, poderá a médio e longo prazo (além dos benefícios imediatos que traz aos alunos mais desfavorecidos) contribuir para o aumento do desempenho académico de todos os alunos e melhoria generalizada da educação em Portugal. Por outras palavras, o cheque escolar tem bons resultados imediatos e promete bons resultados futuros. 

 

Isto não significa que não haja sempre escolas melhores e escolas piores, escolas de elite e escolas para todos, e, dentre as escolas para todos, escolas situadas nos melhores bairros e escolas situadas em bairros piores. Mas este é um facto da vida social que não tem solução a não ser que optemos por viver sob um regime menos livre e tendencialmente totalitário. A minha aposta é na liberdade.

publicado por Nuno Lobo às 16:08 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

O programa do governo

Boas notícias:

Confirma-se a privatização de um canal da RTP e da Lusa. Diminui o controlo estatal nos media.

A TAP e as participações na EDP e REN serão alienadas. O governo compromete-se ainda com a extinção dos direitos especiais (vulgo "golden shares"). Diminui o controlo estatal sobre a economia.

Redução dos escalões de IRS. Simplificação do sistema fiscal e redução do desincentivo marginal ao trabalho. Resta saber quais os escalões a  eliminar e como serão definidos.

Redução gradual das deduções com juros e amortizações de empréstimos imobiliários. Redução dos incentivos ao endividamento. 

 

Nem boas nem más:

Só após concluida a reavaliação e a renegociação das PPP's saberemos se foi possível reduzir os pesadissimos encargos assumidos pelos governos socialistas.

Pela forma como está redigida a notícia não percebo em que consiste a introdução da liberdade de escolha na saúde. Vamos poder escolher o prestador seja ele público ou privado? Ou apenas vamos ter "liberdade" dentro dos serviços públicos?

 

 

Más notícias:

Na CGD apenas serão vendidos os seguros e as participções não centrais do negócios. Infelizmente confirma-se que a venda de parte do capital a privados não avança. Mantém-se o principal instrumento de intervencionismo económico do estado.

A construção da linha de alta velocidade Lisboa-Madrid é apenas suspensa. Mais tarde ou mais cedo alguém voltará a ressuscitar este "elefante branco".

Imposição de um tecto às deduções com despesa de saúde no IRS. Menos liberdade de escolha e maior pressão sobre os serviços públicos.

publicado por Miguel Noronha às 15:46 | partilhar

Adivinhem quem vai pagar a reestruturação grega?

 

 

A propósito de um recente estudo do Open Europe sobre a sustentabilidade da ajuda à Grécia, Daniel Hannan especulasobre as razões que levam à demora da UE e BCE em aceitar a necessária reestruturação da dívida grega. O quadro supra pode-nos ajudar a entender a razão. Essencialmente, o efeito do pacote financeiro do FEEF/FMI será proceder à alteração da estrutura dos credores. Os grandes beneficiários serão as instituições financeiras (em especial as estrangeiras) que verão as sua exposição substancialmente reduzida em detrimento das entidades públicas (UE, BCE e FMI). O mesmo é dizer que os bancos que estão a beneficiar de um novo "bailout" à custa dos contribuintes. Mais uma vez a irresponsabilidade do sector bancário que alimentou as políticas suicidas nos países periféricos sairá recompensada. Tal como nota Hannan, esta operação de substituição de dívida vai demorar algum tempo pelo que, entretanto, a dívida grega (e a conta dos contribuintes) irá crescer mais um pouco.

publicado por Miguel Noronha às 15:17 | partilhar

As prioridades e a liberdade na Educação

A Ana Cássia Rebelo (Ana de Amsterdam), entre as asneiras que escreve sobre o cheque ensino e, em geral, sobre a liberdade de escolha da escola, acerta num ponto: os pais com mais recursos económicos, mesmo com a introdução do cheque ensino, arranjariam, se assim o desejassem, forma de manter os seus filhos em escolas privadas e inacessíveis aos restantes alunos que não têm como pagar as propinas.

 

So what? Este problema levantado pela Ana é um caso exemplar de prioridades trocadas. A liberdade de escolha visa principalmente a população que não tem condições económicas para escolher, porque em Portugal a escolha só existe no ensino privado. E é isso que tem de acabar: têm de acabar os limites legais para a escolha da escola pública e tem de aumentar a oferta (i.e. variedade) educativa no público. Há várias formas de o fazer, entre as quais o cheque ensino. O essencial, no fim, é que a liberdade de escolha deixe de ser exclusiva. Algumas escolas manter-se-ão privadas, fora da rede pública? Sim, quem as puder pagar continuará a ter mais possibilidades de escolha. Mas isso não deve significar que os outros, que não podem, devam continuar como estão, sem qualquer liberdade de escolha.

 

Adenda: ler o Miguel Botelho Moniz.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 14:01 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Ainda pelo futebol

Depois de 8 épocas ao serviço do Benfica e 4 vestido de verde e branco, João Vieira Pinto voltou ao berço, ao Bessa, para mais 2 anos no seu Boavista antes de rumar ao Sporting Clube de Braga para cumprir as duas últimas épocas da sua longa e brilhante carreira.

Apesar dos seus 35 anos, João Pinto participou em 46 jogos, marcou vários golos e deu um enorme contributo para o crescimento desportivo do clube (quer interno, quer no plano internacional).

Todavia, a sua contratação teve um valor que ultrapassou em larga escala os méritos do seu desempenho desportivo e que nem sequer se relacionou com os proveitos obtidos pelo clube em merchandising do atleta. A saber, esse foi um daqueles momentos em que um clube como o Braga pôde dizer que foi tido como uma possibilidade válida, digna e apetecível para um jogador desta craveira prosseguir (ou encerrar) a sua carreira sem qualquer tipo de condicionante afectiva a sustentar essa decisão.

Em verdade, esse foi mais um dos pilares do trilho de crescimento e afirmação que António Salvador vem encetando desde que assumiu as rédeas do clube, com a disputa do título até à última jornada em 2009/2010 e a presença na última final da Liga Europa como marcos de maior relevo.

 

Quando na próxima Sexta-feira - como é bastante provável -, Nuno Gomes vestir pela primeira vez a camisola do Braga, talvez nem se verifique a mobilização eufórica que marcou a chegada de João Pinto, porque hoje no Braga já passou o tempo do "ele e mais 10" e porque essa opção já é vista por toda a comunidade futebolística como perfeitamente natural. Aliás, só por mesquinhez é que esse ingresso pode ser considerado uma afronta ao seu clube de coração, como hoje escrevia Otávio Ribeiro no Record ou como terá estado na base das movimentações de Luís Filipe Vieira para impedir essa contratação.

Mas, num tempo em que já não há paixões clubísticas para sempre e em que os milhões invadiram este quotidiano, não deixa de ser de exaltar que se verifiquem exemplos desse amor genuíno, quase típico de um regresso à infância: a mera vontade de Nuno Gomes jogar à bola, onde e enquanto se sentir bem. 

 

Da minha parte, não espero que Nuno Gomes seja o garante do sucesso do Braga na próxima época, pelo que só lhe peço que, por uma vez que seja, me faça voltar a saltar da cadeira, com vontade de o abraçar, como aconteceu há mais de uma década. E nem precisa de ser a marcar um golo ao Benfica...

publicado por Ricardo Rio às 12:36 | comentar | partilhar

O dilema

 

A partir de hoje, com a posse dos secretários de Estado, temos um novo Governo em funções. As expectativas são altas. Passos Coelho prometeu ir por “mares nunca dantes navegados”, mesmo para além do programa da ‘troika’. Segue-se o embate com a realidade, a começar pelo ponto-chave da nova governação: levar à prática um conjunto de medidas, aparentemente consensuais, mas cuja aplicação suscitará perplexidade e contestação.

Um bom exemplo disso é o que está previsto no MoU para a Justiça. Há por lá boas ideias misturadas com algum irrealismo: veja-se o objectivo de eliminar as pendências até Junho de 2013. Quem escreveu isto não conhece o que se passa nos tribunais. Focou-se no conjuntural (milhão e meio de pendências), ignorando as questões estruturais: um sistema fechado sobre si próprio, com tentações corporativas (veja-se o episódio do “copianço” no CEJ), desorganizado (dois terços dos litígios dão-se em centros urbanos onde só estão um terço dos recursos) e com uma cultura jurídica burocrática e positivista, tão distante dos cidadãos como de fazer justiça no caso concreto.

É absurdo pensar que se pode resolver os problemas do curto prazo (pendências) sem atacar a origem do mal. Como se fosse possível fazer em dois anos o que não se fez em duas décadas, mudando a realidade alterando a lei. Tem sido esse aliás um dos nossos problemas: a instabilidade legislativa que gera incerteza e ineficiência, com resultados (quando existem) apenas a longo prazo.

Paula Teixeira da Cruz, que conhece bem esta realidade, terá de ser uma ministra criativa: sem esquecer as estatísticas, para a ‘troika’ ver, tem de ir ao essencial, fazendo aquilo que os últimos governos não fizeram: simplificar as regras processuais, dar mais poder aos magistrados, colocando ao seu dispor os meios necessários (v.g. poder direcção sobre os funcionários judiciais), para depois os responsabilizar pelos resultados, inclusive por decisões rápidas (nunca mais de três anos, incluindo recursos).

A situação da Justiça ajuda a perceber o dilema deste Governo: como fazer em dois anos aquilo que não foi feito em décadas?

Para as mudanças resultarem é necessário tempo. Um tempo que já tivemos, mas que já não existe, desperdiçado por vendedores de ilusões. Para além de mudar as leis (o mais fácil) o governo tem de ir mais a fundo: mobilizar a sociedade, vencer resistências, mudar mentalidades e privilégios. Tudo isto sem dinheiro para nada, sendo que algumas medidas (ex. o novo mapa judiciário) implicam custos a curto prazo. Engana-se, por isso, quem pensar que a governação dos próximos anos se vai limitar a cumprir o acordo com a ‘troika’: vai ser preciso trabalho e uma boa dose do melhor improviso nacional para isto não correr mal.

 

[Diário Económico]       

publicado por Paulo Marcelo às 10:30 | comentar | partilhar

Sempre à disposição

No seguimento do meu post anterior, esclareço as dúvidas levantas pelo Carlos Botelho

 

1. A liberdade na educação não é apenas um chavão. De resto, tanto o Alexandre Homem Cristo como o Nuno Lobo (que peço desculpa por arrastar para esta discussão) têm publicado vários posts sobre o tema. (por exemplo, este e este). Sobre o tema existe também abundante material no site do Fórum para a Liberdade na Educação.

 

2. Quando especulo acerca das motivações alheias e não tenho qualquer indício minimamente conclusivo prefiro colocar várias hipóteses (como fiz aqui). Não sei em que se baseia a Ana para afirmar que a principal motivação (ou talvez a única...) que leva os pais a optar por um colégio privado é a segregação. Não sei se se baseia nalgum inquérito ou apenas nos seus preconceitos. A minha bola de cristal parece também não funcionar neste caso.

 

3. O dinheiro dos meus impostos tanto serve para custear a saúde/educação/etc de pessoa com menos recursos (a chamada redistribuição) como do meu agregado familiar. Quando se fala da "não duplicação de custos" o que peço é que me seja permitido escolher os prestadores dos serviços ao próprio agregado. Nada disto põe em causa a função redistributiva do estado que, aliás, em muitos casos também pode ser garantida recorrendo a prestadores externos.

 

Espero ter esclarecido todas as dúvidas.

publicado por Miguel Noronha às 08:35 | partilhar

Grande Finale (144)

 

The Third Man, Carol Reed, 1949

publicado por Carlos Botelho às 00:00 | comentar | partilhar
Segunda-feira, 27.06.11

Da série "A concorrência faz melhor"

Uma reflexão oportuna da Fernanda Câncio. Discordo, porém, da mistura que parece fazer entre devassa da vida privada e o caso Strauss-Kahn, que foi acusado de cometer um crime público. E também não sei se estaremos de acordo quanto aos llimites da vida privada. Um exemplo: o facto de um Ministro ser alcoólico. Pelas consequências políticas que isso pode ter, é ou não uma questão pública?

publicado por Pedro Picoito às 23:42 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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