Terça-feira, 27.09.11

Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?

A propósito deste artigo sobre a dívida pública oculta na Alemanha, o Ségio Lavos resolveu escrever uma tremenda asneira que foi prontamente repetida pelo Daniel Oliveira no Expresso. Pensam que este comprova as suas teses sobre a duplicidade criminosa da Sra Merkel mas espalham-se ao comprido. É o que normalmente sucede quando se proclamam sentenças em matérias desconhecidas.

 

O Carlos Guimarães Pinto já esclareceu a confusão dos "arrastões". Particularmente grave, na minha opinião, é a incapacidade que demonstraram para reconhecer as consequências dos sistemas públicos de saúde e pensões sobre as contas públicas. Algo que fica bem claro no resumo do artigo que até está escrito em português e numa linguagem perfeitamente acessível para leigos em matérias económicas. Quanto à comparação espúria entre a dívida alemã considerando os encargos com estes sistemas e a grega e italiana sem os mesmos encargos apenas têm culpa de repetir de forma acrítica o que leram. Não se pode exigir mais.

 

ADENDA: Este comentário no post do Sérgio Lavos é esclarecedor sobre uma eventual comparação com a situação portuguesa.

publicado por Miguel Noronha às 12:23 | partilhar

Pela Madeira dentro

"(...)
No plano nacional, a questão da Madeira suscita três comentários muito claros.
Em primeiro lugar, a discussão pública que estas questões têm merecido, claramente alavancada pelo período pré-eleitoral que se vive no Arquipélago, e manifestamente superior ao real impacto dos dados financeiros inerentes sobre a situação orçamental do País, assume-se como um péssimo contributo para a árdua tentativa de credibilização externa que Portugal e o seu Governo vem encetando ao longo dos últimos meses.
Em segundo lugar, é chocante e confrangedor que aqueles que têm a sua assinatura em múltiplas iniciativas que conduziram Portugal ao actual descalabro financeiro venham agora exigir responsabilidades e retirada de ilações por causa de uma situação como a da Madeira que, ao lado dos danos devastadores que a sua acção governativa deixou no País, é uma verdadeira gota no oceano.
(...)
Finalmente, (...) Quando a Troika, o Governo, as Entidades Fiscalizadoras (como o Tribunal de Contas ou a IGF) ou quem quer que queira apurar a real situação financeira das Autarquias Locais fizer o seu trabalho à exaustão verá que aqueles se apressam a atirar a primeira pedra são os mesmos que fizeram de Alberto João Jardim um ídolo e um exemplo a seguir.
Na maior parte dos casos, sem os benefícios que este proporcionou à Madeira e aos Madeirenses."
 
in Vida Económica. E aqui.
publicado por Ricardo Rio às 10:12 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

O socialismo tal como ele é

 

1. Ontem, a federação socialista de Lisboa propôs reverter a racionalização dos transportes públicos e financiar os colossais défices de exploração através do aumento do imposto de circulação.

 

2. Embalados pela recente vitória na eleição para o senado, os socialistas franceses anunciaram que não aprovarão a introdução dos limites ao endividamento na constituição.

 

Defesa dos interesses instalados, mais impostos e mais despesa. É isto o socialismo.

 

 

publicado por Miguel Noronha às 09:16 | partilhar
Segunda-feira, 26.09.11

Memórias do PS Porto

Aqui, no Ephemera

publicado por Nuno Gouveia às 18:54 | partilhar

Experiências e memórias

Uma mini-palestra verdadeiramente notável por Daniel Kahneman, fundador do ramo da economia Behavioral Economics e Nobel laureate. Alguns excertos:

 

'For the remembering self, a two-week vacation is barely better than the one-week vacation because there are no new memories added - you have not changed the story. (...) We go on vacation to a very large extent in service of our remembreing self. (...) We think of our future as anticipated memories. (...)'

 

Apesar das diferenças, parece haver uma ponte interessante entre os dois selfs: a memória naturalmente de experiências ('únicas', leia-se), e  nesse sentido, e quanto mais experiências temos, mesmo o obstinado remembering-self pode activamente subsidiar o experiencing-self e por exemplo proclamar: vamos entrar na Basílica de São Pedro e por isso ficaremos quietinhos em frente à Pietá - deixa lá a câmara fotográfica que assim aumentas a probabilidade de viver um momento mágico e mais tarde recordá-lo (ainda que sem fotos). Já outras experiências dificilmente sairão prejudicadas pela 'obsessão' da máquina fotográfica, e.g., o primeiro salto de pára-quedas. O 'experiencing self' preocupa-se mais com o futuro do que o presente, mas na medida em que se trata de um futuro que se alimenta de momentos passados, ele precisa de vivências fortes em cada presente. (Já agora, 'presente' como sinónimo de 'prenda' não será um acaso). 

 

Outra questão: Alzheimer é uma maldição ou uma benção?

 

 

(via Pedro Lomba) 

publicado por Tiago Mendes às 14:43 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Para quem ainda está a contar com a "solidariedade europeia"

Merkel sugere perda de soberania para quem não cumprir critérios de estabilidade

 

Eu acho que a zona euro só se endireita com recurso à intervenção divina.

 

ADENDA: Antes de começarem a insultar a Sra Merkel expliquem lá qual é a vossa solução para o caso madeirense.

publicado por Miguel Noronha às 13:12 | partilhar

Put your money where your mouth is

Na Suiça, João Rendeiro, ex-donos da Lehman e do BPN estariam, num cenário optimista, a reerguer-se das cinzas. Naquele país sui generis, os banqueiros respondem, em caso de falência, com o património pessoal e o das suas famílias. A credibilidade não pode assentar na potencial de sorvedouro dos contribuintes.

 

PS: alguém imagina o pornográfico acordo que a Caixa fez com Berardo para que este investisse no BCP sem risco a ser feito na Suiça?

publicado por Tiago Mendes às 11:04 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Novas da crise europeia

1.Os mais recentes planos para salvar o euro e os bancos que irresponsavelmente se encheram de dívida dos países periféricos (e que serão afectados pela sua previsível reestruturação) indicam a necessidade de um reforço de 2 biliões de euros no FEEF. O FMI não quantifica mas diz que necessitará de "biliões".  A serem pagos (principalmente) pelos contribuintes alemães. Palpita-me que irão encontrar algumas dificuldades em "vender" este plano.

 

2. Provavelmente já não se recordam mas quando a crise começou e ainda se confinava aos EUA, por toda a Europa se falava na prova definitiva da superioridade do respectivo "modelo social" sobre o "capitalismo selvagem" que supostamente teria causado a "crise americana". Hoje em dia, já poucos subrecrevão  esta tese. Fala-se inclusivamente de um possível (mas pouco provável) "bailout" da Europa pelos BRIC's.

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publicado por Miguel Noronha às 09:44 | partilhar
Domingo, 25.09.11

Sem moralizar

publicado por Tiago Mendes às 16:51 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Europe’s problem is that no one knows who’s in charge

It’s no good calling for leadership if none of the EU leaders has the authority to act.


Charles Moore

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas às 14:40 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O Bloco de Esquerda

 
We may handle even extreme opinions with impunity while our furniture, our dinner-giving and preference for armorial bearings in our own case, link us indissolubly with the established order.
 
George Eliot, Middlemarch, XXXVI
publicado por Carlos Botelho às 10:31 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Arcas

Esta seria uma daquelas a que Sócrates, sempre imaginativo na vulgaridade, chamaria coligação negativa. Seja como for, a curiosíssima posição do PS parece fazer dele um partido com arcas encouradas. Parece, não parece?...

publicado por Carlos Botelho às 01:07 | comentar | partilhar
Sábado, 24.09.11

Uma tristeza

 

É triste que aqueles que ensinam a ler e a escrever, que ensinam Matemática, a História, Biologia, Física, línguas estejam à mercê de burocratas incompetentes. Mais que triste, é grave.

publicado por Carlos Botelho às 23:51 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Enriquecimento ilícito

É certo que, nesta como em muitas outras coisas, uma mão não deve lavar a outra. Porém, a ideia de que a recente cruzada parlamentar contra o "enriquecimento ilícito" pode pôr, ou põe, em causa os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos dá-me vontade rir. E porquê? Porque se formos minimamente exigentes na avaliação da tríade sabemos que a dita na realidade não existe. E porquê? Porque desde o 25 de Abril, o momento fundador da actual “situação”, a corrupção (tanto em sentido restrito como amplo, "moral" como "material") corroeu-a, sendo a prova maior de que em Portugal o respeito pelos direitos, liberdades e garantias não passa em boa medida de uma ficção. Ou, por exemplo, o deficit e a dívida pública, ou o não funcionamento da justiça em certos casos, nasceram à sombra do quê e são uma causa e uma consequência do quê? Ou alguém acredita que é sinónimo da falência dos princípios fundadores do chamado estado social e da incapacidade da anémica economia portuguesa para o financiar (e o mesmo pode ser dito para a Grécia, a França, a Itália ou a Espanha). Portanto caro Tomás Vasques, se, por causa dos fundamentos da democracia e da sua corrosão, quer um bom drama, e não uma farsa, preocupe-se com outras coisas.

publicado por Fernando Martins às 11:07 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Sexta-feira, 23.09.11

In the 90's (XV)

Em 1994, para infelicidade dos meus pecados, optei não ir ao Dramático de Cascais ver os Nirvana. Passado uns meses vinham aí os Pantera, e havia que fazer escolhas. Nunca mais nenhuma banda veio cá, mas admito que talvez tenha ficado um bocadinho arrependido dessa opção. "Nevermind" é um marco na história da música. 

publicado por Nuno Gouveia às 20:30 | comentar | partilhar

Crónicas do Planeta Oval

´
De uma coisa ninguém se pode queixar no Mundial de rugby até agora: aborrecimento. Se a dificuldade da África do Sul em vencer Gales tinha sido uma meia surpresa, tendo em conta a inconsistência dos Boks no Três Nações, a vitória da Irlanda sobre a Austrália foi uma surpresa total. Os homens do trevo vinham de quatro derrotas seguidas nos jogos de preparação (duas com a França, uma com a Inglaterra e outra com os modestos escoceses), enquanto os cangurus tinham ganho o Três Nações em grande estilo, batendo os All Blacks no último jogo com uma exibição de encher o olho. Quando chegaram à Nova Zelândia no início do mês, o mundo via neles a derradeira esperança contra a inevitável conquista do título pelos anfitriões. O mundo entretanto mudou muito.
Qual foi o segredo dos irlandeses? Jogar à inglesa: conquista de território pelos avançados e bombardeamento pelos chutadores (primeiro Sexton, depois O`Gara). Foi uma batalha sem ensaios, mas o rugby também é isto - e isto, quando é bem feito (e foi), torna-se tão belo como Homero e a guerra de Tróia, aquela em que os maus não são assim tão maus e os bons não são assim tão bons. Provou-se, mais uma vez, a sabedoria do ditado segundo o qual os avançados ganham os jogos e os três-quartos decidem por quantos. A Irlanda, com um jogo monumental do seu pack, explorou inteligentemente os pontos fracos do adversário. A primeira linha impôs-se nas formações ordenadas (destaque para Cian Healy, que ainda deu uma mãozona no jogo aberto e pode gabar-se de ter feito aquilo que muitos aberturas nunca conseguiram: placar o serpentino Quade Cooper). A vitória decidiu-se aí, nas trevas interiores da mêlée, mas O`Connel e companhia foram ferozes a confirmá-la nos pontos de fixação, aproveitando com todos os dentes as nozes que Deus lhes deu, em especial a ausência do lesionado Pocock, talvez o melhor terceira linha aussie de momento. Sem bolas de qualidade para jogar, os três-quartos da Austrália estiveram longe do brilho habitual e ainda apanharam o susto das suas vidas a cinco minutos do fim, quando Tommy Bowe, o talismânico ponta irlandês que vemos em plena acção lá em cima, interceptou um passe e correu 60 metros até ser detido in extremis.
Seria bonito, terminar com um bang, só para contrariar um certo T.S. Eliot e dar um ensaiozinho ao povo, mas este resultado, só por si, já foi um bang. As contas dos quartos de final estão agora baralhadas e o segundo do grupo, previsivelmente a Austrália, irá enfrentar também previsivelmente a África do Sul, que atropelou sem dificuldade as Fiji (49-3) e a Namíbia (87-0) depois do tropeção galês e se prepara para vencer o respectivo grupo. O que significa, a concretizar-se este cenário, que uma das duas equipas que bateram a Nova Zelândia no último ano ficará pelo caminho já na próxima fase.
Por falar nisso, amanhã às nove e meia (hora portuguesa) teremos outro clássico: All Blacks-França. E que clássico... Não é a eliminar, mas se há partida em que os maoris darão tudo para vencer é esta. Eliminados em 1999 e 2007 pelos gauleses, então como hoje os underdogs (em francês souschiens) entre os presdestinados vencedores e o título, o seu orgulho reclama vingança. Grande jogo em perspectiva. E se tudo correr como desejo, ou seja, se a imprevisível França vencer apesar de todos os esforços que o treinador Lièvremont tem feito para dar cabo de uma equipa em que o talento é tão abundante que ele se dá ao luxo de nunca ter escolhido o mesmo quinze inicial desde que tomou conta dobistrot,  então acontecerá Taça. Do mundo. Allez les Bleus! 
publicado por Pedro Picoito às 12:31 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

A decadência do Ocidente

  
 
Na esteira de Medina Carreira, que anunciou na TVI a decadência económica do Ocidente, Vasco Pulido Valente acrescentou no PÚBLICO de hoje que a decadência é também política. Contudo, como aliás o próprio faz questão de lembrar, a história dos anúncios da decadência do Ocidente não é nova. Com pelo menos um século de existência, a decadência do Ocidente foi originalmente descrita como o resultado do esquecimento do espírito.
 
Vasco Pulido Valente e Medina Carreira poderão até estar certos, mas nunca inteiramente. Já não é somente a decadência do Ocidente que hoje vemos quando olhamos para a economia e a política, mas antes a decadência da própria decadência do Ocidente. Se  Medina Carreira e Vasco Pulido Valente estão porventura na expectativa de que o Ocidente possa voltar a ascender pela economia e pela política, bem que podem puxar por uma cadeira e sentar-se. E não é para assistir ao drama do Ocidente como eminentes espectadores com a crítica na ponta da língua; é mesmo para representar, também eles, junto de tantos outros, o papel de actores principais.
publicado por Nuno Lobo às 12:19 | comentar | ver comentários (17) | partilhar

Numa realidade alternativa

 

 

Há cerca de uma semana a Grécia esteve à beira do colapso. Apenas uma oportuna acção do BCE conseguiu evitar o pior. Parecem ter sido afastados em definitivo os receios de reestruturação ou bancarrota.

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publicado por Miguel Noronha às 10:45 | partilhar

Será que já batemos no fundo?

Dei-me conta ontem que Mendes Bota e Inês de Medeiros foram eleitos, respectivamente, como Presidente e Vice-presidente da Comissão de Ética da Assembleia da República. Não tenho nada contra estes deputados, mas não se arranjava por lá ninguém com um perfil, sei lá, mais institucional? Estou ansioso por ler os pareceres assinados pelo senhor deputado Mendes Bota.

publicado por Paulo Marcelo às 10:01 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Quinta-feira, 22.09.11

Parabéns ao governo português

Várias delegações de países ocidentais, incluindo a de Portugal, deixaram esta quinta a sala durante o discurso do presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, na Assembleia Geral da ONU. No DN

publicado por Nuno Gouveia às 23:55 | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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