Segunda-feira, 05.09.11

Cachimbos de lá

Fernando Vicente, Detectives, 2008.
publicado por Pedro Picoito às 17:18 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

José Sócrates vai ser ouvido como testemunha de defesa?

Começou o julgamento do antigo primeiro-ministro da Islândia: 

 

O ex-primeiro-ministro da Islândia Geeir Haarde começou hoje a ser julgado num tribunal em Reiquejavique por ter sido acusado de negligência grave devido ao colapso do sistema financeiro do país, em 2008.

publicado por Paulo Pinto Mascarenhas às 17:04 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O subprime europeu

Se tivéssemos uma obrigação europeia garantida a 27 por cento pela Alemanha, a 20 por cento por França e a dois por cento pela Grécia, a notação de risco [rating] seria, nesse caso de CC, ou seja, a notação da Grécia”, afirmou Moritz Krämer, chefe da divisão europeia da S&P, citado pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung

 

Como explicou inúmeras vezes o Jorge Costa, o risco não desaparece. Transmite-se de forma viral. Há quem não tenha aprendido nada com a crise subprime. E está mais que visto que a S&P vai ser duramente criticada por não alinhar nesta irresponsabilidade.

publicado por Miguel Noronha às 16:49 | partilhar

Estar mesmo a pedi-las

 
publicado por Carlos Botelho às 16:18 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Os refugiados do alberguismo

Encontram-se aqui, no Forte Apache

publicado por Nuno Gouveia às 16:16 | partilhar
Domingo, 04.09.11

Dói-dói

 
 
Um professor, hoje, é como alguém que fez uma licenciatura em Medicina e a quem só deixam aplicar pensos-rápidos.
publicado por Carlos Botelho às 16:27 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

E critica muito bem

Ferreira Leite critica medidas do Governo para combater o défice.

publicado por Maria João Marques às 13:43 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Sábado, 03.09.11

A Árvore da Vida (I)

 

Podemos olhar de vários modos para A Árvore da Vida, o último filme do grande Terence Malick.

Podemos escrever um tratado sobre as cores, observando o uso que faz de azuis, verdes, castanhos, ocres e brancos quando a acção é mais lenta,

ou dos vermelhos e afins quando a acção acelera e dá saltos metafísicos - por exemplo, quando Deus separa a luz das trevas, ou cria a Terra com o fogo das estrelas e dos vulcões, ou permite que a morte entre no mundo com o primeiro sangue derramado de um animal.

Podemos destacar a música, uma forma de dizer muito sem palavras, solene e dramática nos coros majestosos que acompanham a criação do mundo e as paisagens naturais (ficou-me no ouvido a "Lacrimosa" de Zbigniew Preisner, um clássico contemporâneo), ou  acolhedora e mesmo popular na música de câmara para as cenas de interiores e da vida familiar de Jack, o protagonista ("Siciliana da Antiche", de Respighi).

Podemos descrever o tratamento da luz, esse eterno símbolo de Deus, notando que o jogo do claro-escuro em Malick 

parece inspirado em pintores como La Tour ou Magritte, que usam os efeitos de velas e candeeiros para traçar as linhas da composição e não para iluminar o quadro (tal como Deus se revela fragmentariamente na natureza, sem por isso dispensar a necessidade da fé para ver o invisível).

Podemos notar a importância da arquitectura nas imagens fortíssimas de casas, torres e portas. Construir é a obra humana que mais se aproxima da criação divina: é dar aos homens um lugar para viver, é dar forma à matéria, ordem ao espaço, sentido ao universo. Por isso mesmo, é também a mais sujeita ao pecado do orgulho, o velho pecado original, e à alienação do artifício que afasta de Deus e das criaturas. Não por acaso, as personagens que fazem coisas - Jack e o pai - são também as que se deixam vencer pela lógica do sucesso e do dinheiro. Confirmando a fórmula de Max Weber sobre a ética protestante e o espírito do capitalismo, definem-se pela relação com o trabalho e com a familía, relação que tem sempre por cenário um edifício. A vida de Jack adulto decorre entre a sua bela vivenda e o arranha-céus de Houston em que exerce um trabalho de topo, literalmente de topo porque o seu gabinete fica lá no alto.

Para ele, nada mais existe. Só contacta com a natureza através dos vidros que o separam dela, ao contrário do que sucedia na infância.

No caso do pai, que troca a contemplação desinteressada da natureza e a dedicação profissional à música por um trabalho lucrativo na indústria do aço (e faz "casas", ou aviões, para os outros, destruindo a harmonia familiar com um temperamento dominador), a perda da casa em consequência da perda do emprego é o castigo da sua arrogância. A casa é a fonte da autoridade paterna sobre a família ("a casa é tua, podes expulsar-me se quiseres", diz-lhe Jack depois de uma discussão, desafiador e obediente), mas é também o núcleo das memórias da infância dos filhos. O abandono da casa após a queda em desgraça é, para toda a família, uma alegoria da expulsão do Paraíso. O último olhar que Jack lança à casa, quando parte, representa o fim da infância e a perda da inocência. Ele nunca mais será feliz nas magníficas casas em que se encerra com o amor da mulher e um bom emprego, diz-nos o olhar perdido que reencontramos em adulto, porque os pressente ameaçados. Tal como acontecera na vida do pai.

A torre em que trabalha é uma alusão à torre de Babel e à soberba dos homens que a ergueram para chegar ao céu, pecado castigado com o dilúvio universal. E ao passear pelo deserto, a natureza sem vida nem presença humana, encontra as ruínas de um forte (ou seja, outras torres) que lhe mostram o destino final de toda soberba humana: o pó. Curiosamente, Malick serve-se de outro elemento arquitectónico, as portas, como elipse reveladora e metáfora do nascimento, da morte e do sonho, momentos de passagem entre estados e mundos. O parto do irmão de Jack, o primeiro de que tem consciência, é figurado por uma porta que se abre na água para dar acesso a um plano superior de onde vem a luz (o sentido não podia ser mais óbvio).  

Antes de entrar pela porta que o leva a reencontrar os pais e os irmãos numa praia, uma visão do Paraíso celeste,

passa por outras portas: a do forte em ruínas (símbolo do orgulho derrubado, recorde-se) e a de uma igreja abandonada e fechada em penumbra (símbolo não menos poderoso). As portas do edifício onde trabalha, incluindo a do elevador, separam o estado de consciência, nascido da súbita contemplação da árvore no exterior, a "árvore da vida", a Criação que só se conhece verdadeiramente como sinal de Deus, isto é, olhada de baixo para cima, da ilusão que o assalta no interior, onde ouve as confidências dos colegas distraído e olha, à mesma altura mas ausente, as nuvens e os  altíssimos edifícios que o rodeiam. 

Podemos ver tudo isto na Árvore da Vida, e veremos bem, mas o essencial não está aí.

(cont.)

publicado por Pedro Picoito às 15:28 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Nós até deixamos as contas todas pagas!

 

 

“O mais grave de toda esta situação é este assalto violento que está a ser feito às funções sociais do Estado. Isto é intolerável e é inaceitável. Estão a dar cabo da classe média em Portugal”, disse [António José Seguro]

 

Não se espantam. O Sr. acabou mesmo agora de chegar e ainda está um bocadito alheado da realidade.

publicado por Miguel Noronha às 10:12 | partilhar

A imprensa "esquecida"

O André Azevedo Alves recorda aqui que Barack Obama atingiu nas últimas semanas o nível de impopularidade mais baixo da sua presidência. E apenas não será exclusivo nacional, pois tenho escrito sobre isso no Era uma vez na América. Mas interessava saber as razões para a imprensa portuguesa estar a "esquecer-se" de relatar esta queda abrupta de Obama nas sondagens. Até porque me recordo como foram lestos em referir a subida acentuada depois da morte de Bin Laden, um dos poucos sucessos que esta administração se pode gabar. Isto para não falar das imensas peças jornalísticas que se escreviam sobre a impopularidade de George W. Bush nos últimos dois anos do seu mandato. Será que imprensa portuguesa não tem lido a congénere americana? 

publicado por Nuno Gouveia às 10:02 | partilhar

In the 90's (XIII)

Uma das mais importantes bandas do rock americano. "Undertow", o álbum de estreia, foi uma lufada de ar fresco no inicio da década. Felizmente ainda não terminaram, e espero que em breve a banda de Maynard James Keenan regresse ao activo. 

publicado por Nuno Gouveia às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Sexta-feira, 02.09.11

Os cortes e os impostos

Pode-se dizer que de boas intenções está o inferno cheio, que são só promessas, que a concretização é o que custa mais ou ainda que os cortes prometidos na despesa parecem apenas querer emagrecer o estado e não repensar e reorganizar o estado para que este esteja presente nas áreas onde deve estar (segurança, justiça,...) e abandone as áreas em que não deve meter o bedelho (todo o sector empresarial do estado, por exemplo). Eu digo que cortes na despesa pública para os 43% do PIB são ambiciosos. Provavelmente não serão conseguidos, mas eu dou-me por satisfeita se numa legislatura se colocar o estado a gastar 45% do PIB (sobretudo se não se esconder, ao bom estilo socrático, despesa debaixo do tapete).

 

Agora falta outro anúncio igualmente importante: o calendário da futura diminuição dos impostos. Pode-se começar por informar quando se vai inverter o 'aumento temporário do IVA' que se iniciou em 2002 com Manuela Ferreira Leite e Durão Barroso. Eu não sou picuinhas, mas nove anos para um aumento temporário se calhar é suficiente.

publicado por Maria João Marques às 15:41 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Mau jornalismo

Segundo o Jornal de Negócios o "corte de despesa [pública] tira até 420 euros a cada português". Confesso a minha surpresa. Estaria a nossa despesa pública a ser sustentada por algum filantropo (a fundo perdido, é claro) que de repente, e por qualquer razão, decidiu armar-se em sovina? Infelizmente tudo não passa de (mais) um exemplo de mau jornalismo económico.

 

Na verdade, a despesa pública é financiada por impostos ou dívida pública. Sendo que a última terá, mais cedo ou mais tarde, que ser financiada também por impostos (a que ainda acrescem os juros que como se sabe andam pela hora da morte).  A distribuição será certamente igual pela contribuintes portugueses mas o título correcto seria "corte de despesa poupa até 420 euros a cada português". Em termos médios, é claro.

 

publicado por Miguel Noronha às 12:13 | partilhar

Tom & the Saints

 

edward sharpe & the magnetic zeros simplest love 2009

publicado por Nuno Lobo às 11:34 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quinta-feira, 01.09.11

Uma boa notícia (apesar de tudo)

 Quem se dedica academicamente à história em Portugal, funesta sorte, sabe bem da importância da revista Penélope. Nascida em 1988, acabou por suspender a sua publicação em papel, depois de vários anos a divulgar alguma da melhor investigação histórica que se ia fazendo entre nós. Agora, o ICS disponibiliza os seus trinta e um números online. É ver aqui.

publicado por Pedro Picoito às 19:25editado por Paulo Marcelo em 02/09/2011 às 10:32 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Para o ano há mais...

publicado por Ricardo Rio às 17:54 | comentar | partilhar

Humor sindicalista

 

UGT quer aumentos salariais entre 2 e 3% para 2012

 

...e imagino que a CGTP queira subir a parada. Qualquer coisa entre 5 e 6%.  No mínimo.

publicado por Miguel Noronha às 16:05 | partilhar

Nem mais

Pires de Lima
Presidente executivo da Unicer
"É preciso analisar em detalhe, em sede da apresentação do Orçamento do Estado, para ver a dimensão destas medidas. Está-se a ir ao que é mais fácil, aos rendimentos das pessoas que trabalham. Está a penalizar-se quem tem vontade ou precisa de trabalhar. Este Governo - seguramente por necessidade - não está a resistir a cobrar impostos. É um modelo que a prazo não me identifico. Tenho pena que não se consiga encontrar outras formas de equilibrar as contas públicas".

publicado por Pedro Pestana Bastos às 15:53 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Uma medida eficaz

Uma das medidas já conhecidas de redução da despesa pública é a redução dos custos operacionais nos hospitais e centros de saúde.  O objectivo de redução foi aliás duplicado. Ainda assim. Mesmo que defendamos que cabe ao estado garantir o acesso aos cuidados de saúde isso não obriga que o estado a fornecer esses serviços. Um medida bem mais eficaz seria a privatização das unidades que ainda detém. E  nunca mais teria de se preocupar-se com os seus custos operacionais

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publicado por Miguel Noronha às 12:33 | partilhar

A Metade, réplica a Pedro Lains

Pedro Lains publicou ontem um post em que critica aqueles que dizem que o estado português gasta "gasta metade do que os "portugueses" produzem". Os seus argumentos resumem-se desta forma

 

a) O estado apenas gasta 10% e redistribui os restantes 40%;

b) O crescimento económico dos Séc. XIX e XX acentuou a desigualdade na distribuição do rendimento;

c) O nível de despesa do estado e as políticas redistributivas não devem ser contestadas pois resultam de escolhas democráticas.

 

Por comodidade troco a ordem dos argumentos (tal como são apresentados no post de Pedro Lains) e começo a minha réplica pelo fim.

 

Qualquer decisão, mesmo as que resultam de escolhas maioritárias, é passível de ser contestada. Ainda mais num estado de direito democrático que reconhece os direitos (e a necessidade) de existência de opiniões concorrentes e mesmo antagónicas. O modelo democrático não exige ex-ante a definição da dimensão e das funções do estado. Outro ponto importante é que a natureza democrática dos processos de decisão não implica que os resultados obtidos respeitem os direitos individuais ou que sejam economicamente sustentáveis.  A Teoria da Escolha Pública explica muito bem como processo legislativo pode ser desvirtuado.

 

A aumento da desigualdade na distribuição dos rendimentos só por si diz muito pouco. O resultado final resulta de práticas ilícitas? Verificou-se ou não o aumento generalizado do nível de vida? Existe mobilidade social? Qual o fundamento das políticas redistributivas? Honestamente, não percebi muito bem a intenção de Pedro Lains ao referir este argumento.

 

Chegamos pois ao último (melhor dizendo, ao primeiro) ponto. Fico com a impressão que Pedro Lains pretende afirmar que contrariamente aos criticos (que não identifica) a dimensão do estado e o controlo que este exerce sobre a economia é afinal reduzida. E os restantes 40% obtidos (maioritariamente) por via fiscal e que são alocados segundo critérios políticos? Parece estar a sugerir que as consequências económicas (e como deixou bem explícito o seu post era essencialmente sobre matérias económicas) de um estado que se limita a controlar controla 10& do PIB e outro que controla 50% mas que redistribui 80% do montante anterior são idênticas.

 

Tudo somado. Fico sem perceber muito bem as críticas de Pedro Lains. O único ponto que em que estamos em total acordo é na necessidade de melhorar o ensino de economia no ensino secundário. Mas isso pouco tem a ver com o tema em causa.

publicado por Miguel Noronha às 10:15 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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