Sexta-feira, 28.10.11

Toc, toc, toc?

«"Não é difícil descobrir que li Bart Ehrman porque cito vários livros dele", reage Rodrigues dos Santos. E, depois de assumir uma gralha numa referência bibliográfica, o escritor contra-ataca: "A Igreja nega ou não nega que Jesus era judeu - e, consequentemente, que Cristo não era cristão? A Igreja nega ou não nega que há fortes indícios na Bíblia de que Maria não era virgem? A Igreja nega ou não nega que existem textos fraudulentos no Novo Testamento? A Igreja nega ou não nega que nenhum dos autores do Novo Testamento conheceu pessoalmente o Jesus de carne e osso?" E diz não entender esta reacção da Igreja. "Está com medo de quê? Que os seus fiéis descubram a verdade sobre Jesus e a Bíblia?", questiona, para concluir que "seria inteligente que a Igreja confiasse na inteligência dos seus fiéis".»

 

Vem tudo no Público. Natália Faria assina a notícia.

publicado por Fernando Martins às 00:08 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Grande Finale (151)

 

The Pawnbroker, Sidney Lumet, 1964

publicado por Carlos Botelho às 00:00 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quinta-feira, 27.10.11

Vou ver se consigo achar graça a esta notícia

«A não apresentação das Grandes Opções do Plano (GOP) por parte do Governo, que tem carácter obrigatório, pode ser inconstitucional. Assunção Esteves convocou reunião de urgência com os líderes parlamentares.

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, convocou uma conferência de líderes para as 9h15 de sexta-feira para avaliar a legalidade do calendário de discussão do Orçamento do Estado.

O processo tem início marcado para 3 de Novembro, mas restam dúvidas sobre uma eventual inconstitucionalidade devido ao facto de o Governo não ter entregue as GOP. No limite, a votação do Orçamento do Estado na generalidade, agendada para dia 4, poderá ser adiada. É esse o cenário em cima da mesa na reunião de sexta-feira.»

Quem o diz é o semanário Sol.

publicado por Fernando Martins às 23:35 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Inimigo da Educação

“Se este Governo quisesse sair da crise podia fazê-lo doutra forma, podia taxar os bancos de uma forma justa, podia taxar as grandes fortunas de forma adequada, podia acabar com o off-shore da Madeira, evitar que a fuga e a fraude fiscal tivessem a dimensão que têm”.

Quem o diz é Mário Nogueira, da FenProf, que aparentemente virou especialista em economia política soviete, enquanto apela à “luta a sério” dos professores contra o governo e afirma que as medidas do OE2012 “passam por criar uma escola que é um pouco como que a escola do fascismo só que em versão século XXI”.

É arrepiante pensar que há quem acredite que este senhor serve a Educação, quando na verdade é um dos seus maiores inimigos.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 23:22 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Bendita UTAO

A UTAO desapareceu do site da Assembleia da República, ou mudou-se de onde estava para parte incógnita. Apesar disso continua em funções e terá publicado um documento, citado pelo jornal “i”, que faz dois reparos ao cenário macroeconómico que consta do Relatório do Orçamento de Estado para 2012.

 

O primeiro reparo é sobre as perspectivas para o crescimento externo (1,1% para a zona do euro), quando as últimas previsões da Economist Intelligence Unit apontam para uma contracção de 0,3% para a região. Esta questão, sendo relevante, é aceitável já que estamos num período de sucessivas revisões em baixa de previsões, pelo que estas estão a desactualizar-se com muita rapidez e o governo não podia estar a rever o cenário macroeconómico até ao último minuto. No entanto, é claro que menores exportações significam uma recessão mais funda e um défice público maior.

 

O segundo reparo da UTAO é mais grave: “Para 2012 perspectiva-se uma contracção da actividade económica superior à verificada em anteriores episódios de redução real do PIB, porém esta é acompanhada por um aumento inferior do desemprego.” Aqui estamos em presença de uma inconsistência das previsões, que terão sido “marteladas” como demasiadas vezes acontece, em especial no governo de Sócrates, em que as previsões sobre o desemprego eram surreais.

 

É verdade que as previsões sobre o desemprego costumam ser atacadas com as demagogias mais descabeladas, lembro-me vagamente de um membro da oposição falar dessa previsão como um “objectivo” do governo. Apesar disso, lamentamos que o governo tenha seguido as pisadas socráticas neste domínio.

 

Em resumo, a UTAO chama a atenção para dois elementos de risco no Orçamento, o que me leva a concluir que, muito provavelmente, serão necessárias medidas adicionais para atingir o défice de 4,5% do PIB no próximo ano.

publicado por Pedro Braz Teixeira às 21:25 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Um socialista não sabe governar sem dinheiro

 

François Hollande, candidato às presidenciais francesas pelo PS, prometeu 60.000 novos empregos na Educação, para satisfazer o sector após os cortes feitos por Sarkozy. Habituado aos tempos em que estas promessas ganhavam eleições, e como bom socialista que é, Hollande esqueceu-se do objectivo de conter a despesa pública. Quando confrontado com a questão dos custos da medida que propõe, surpreendido pois tal nunca lhe ocorrera, explicou que, afinal, os 60.000 novos empregos na Educação substituirão saídas (despedimentos?) nos outros sectores públicos. Resultado: o próprio PS já tem dúvidas acerca do seu candidato, e a campanha ainda nem começou.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 18:01 | comentar | partilhar

Francisco Mendes da Silva a solo

Contra Mundum

publicado por Nuno Gouveia às 13:10 | partilhar

Pais vão escolher a escola básica dos filhos em 2012

Escolher a melhor escola do ensino básico para o seu filho vai ser possível já no próximo ano lectivo. Esta é uma das medidas que o executivo de Passos Coelho quer introduzir a partir de Setembro de 2012. Por enquanto será uma regalia que vai estar circunscrita à rede pública, embora o programa deste governo preveja alargar “progressivamente as iniciativas de liberdade de escolha” dos pais ao ensino particular e cooperativo. [no i]

Uma boa notícia, e uma excelente decisão a de limitar ao ensino básico e à rede pública.

 

ps: O facto de a jornalista se referir à escolha da escola como uma regalia, e não como um direito que é (ou devia ser), demonstra exemplarmente como em Portugal ainda temos dificuldade em reclamar os nossos direitos e liberdades.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 11:52 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Global Warming -- RIP

Not long ago, candidate Obama promised to cool the planet and lower the rising seas. Indeed, he campaigned on passing "cap-and-trade" legislation, a radical, costly effort to reduce America's traditional carbon energy use.

The theory was that new taxes and greater regulations would make Americans pay more for fossil-fuel energy -- a good thing if it reduced our burning of coal, oil and gas. Obama was not shy in admitting that under his green plans, electricity prices would "necessarily skyrocket." His energy secretary, Steven Chu, at one point had even said, "Somehow we have to figure out how to boost the price of gasoline to the levels in Europe" -- that is, about $8-$10 per gallon. Fairly or not, the warming movement seemed to cast a tiny elite imposing costs on a poorer and supposedly less informed middle class.

 

Victor Davis Hanson, National Review

 

Ainda há poucos anos o mundo não parava de falar do aquecimento global. Nos Estados Unidos, Barack Obama e os seus aliados políticos chegaram mesmo a prometer uma revolução "verde" para combater o maldito homem que estava a destruir o mundo. Mas depois chegaram ao poder. E nem com um congresso inteiramente dominado por eles conseguiram passar a legislação prometida, o "Cap and Trade". Entretanto, Al Gore, um dos apocalípticos do fim do mundo, e vários financiadores e amigos de Obama, muitos deles através de projectos subsidiados pelo governo federal, fizeram verdadeiras fortunas. Ao mesmo tempo, muitas dúvidas surgiram na comunidade científica e a economia verde afundou-se e foi exposta a fraude dos "green jobs fiasco". A ler este artigo de Hanson. 

publicado por Nuno Gouveia às 11:20 | partilhar

25 anos depois do encontro com João Paulo II

 

Líderes religiosos de novo em Assis desta vez com Bento XVI

publicado por Paulo Marcelo às 10:17 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Pôr ao fresco

A adesão de Portugal ao "Mercado Comum", e mais tarde ao "euro", foi um erro político histórico que poucos, e nem sempre pelas melhores razões, anteciparam. É claro que muito do que sofremos hoje é culpa exclusivamente portuguesa. Mas a verdade é que a "Europa" anda há demasiado tempo a tudo prometer e a pouco ou nada fazer. Se os europeus acreditassem na Europa, os problemas europeus não seriam demasiadamente preocupantes (ou até talvez nem existissem), como não seriam preocupantes se os europeus, na sua maioria, vissem claramente que os seus interesses eram mais bem defendidos a um nível europeu ou numa dimensão europeia, transnacional ou supranacional. Porém, existem demasiados europeus a detestarem a politicamente "Europa" e o "espírito" ou a "ideia" de Europa que a União Europeia e/ou a "zona euro" representam, tanto por se sentirem "nacionalistas" e agirem como "nacionalistas", como por execrarem os burocratas e os políticos europeus e, acima de tudo, a forma "europeia" de fazer política por parte dos diferentes líderes políticos nacionais.

O "arrastamento" (ou impasse) da cimeira de ontem, e que deveria conseguir encontrar uma solução credível e eficaz para a crise grega e para todas as outras que vêm atrás (i.e., o fim da "moeda única"), é sinal de que estamos, no melhor dos casos, entregues a gente que pode ser rica mas já não se sabe governar, facto que poderá resultar numa crise económico-financeira e política com consequências idênticas ao ocorrido entre finais da década de 1920 e o início da década de 1930.

Perante esta (quase) fatalidade, o problema está agora em saber como é que Portugal vai/pode sair deste imbróglio. Isto é, pôr-se ao fresco. Em 1974, a solução para o duro impasse em que caíra o Estado Novo por causa da questão colonial e do agravamento da sua crise de legitimidade e de representatividade, resumia-se para muitos a abandonar o império e a fazer a democracia com o apoio da Europa e da NATO. A opção consumou-se e viu-se no que deu (mesmo que a ideia fosse boa), bastando para isso reconhecer objectivamente onde estamos e como estamos.

Hoje, porém, a solução para esta crise é bem mais grave porque, pura e simplesmente, Portugal está praticamente sem opções. Ou melhor, para além da rendição à Troika, solução neste momento em curso, e que é já de si muito dura, quaisquer outras soluções terão custos de tal forma elevados e a todos os níveis que ninguém contempla a possibilidade de os pagar. Mas o pior, e oxalá me engane, é que vamos mesmo ter que pagá-los, na pior altura e sem conhecermos as consequências.

Teremos muitas oportunidades de voltar ao assunto.

P.S.: Apesar de "sair" a esta hora, este post foi escrito por volta da uma da madrugada, antes da "celebração" deste "acordo" imposto pela senhora Merkel. Apesar de tudo publico-o e não lhe altero uma linha, excepto para dizer que a Europa acordou hoje mais alemã e isso é péssimo para todos, a começar pelos alemães.

publicado por Fernando Martins às 09:43 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Excesso e austeridade

A crise financeira americana iniciada no subprime, mais do que não ter sido prevista, era algo que para a generalidade dos membros do “sistema” não podia acontecer. Por isso também ela nem foi prevenida.

 

Ao contrário da crise americana, a crise portuguesa teve muitos avisos de figuras centrais do “sistema”. Pode dizer-se que há muito que Medina Carreira apela à lucidez. Campos e Cunha deixou a pasta das Finanças em 2005 em clara ruptura com a trajectória de endividamento do governo recém empossado. A Sedes publicou “tomadas de posição” mais críticas a partir de 2008, Manuela Ferreira Leite, líder do PSD a partir de Maio do mesmo ano teve declarações muito críticas do endividamento.

 

Em 2009, ainda antes das eleições legislativas, tivemos um duelo público sobre as obras públicas. Foi publicado um primeiro manifesto, de respeitados economistas e ex-titulares da pasta das finanças a pedir uma reavaliação das obras públicas. Houve duas prontas respostas, a primeira também dominada por professores universitários, mas envolvendo ligações à esquerda mais radical, que nunca pertenceu ao governo nem parece empenhada em fazê-lo, tal o irrealismo das suas propostas. O terceiro documento pode ser descrito como o “manifesto dos interesses”, assinado sobretudo por gestores públicos com fortes ligações ao sector da construção e obras públicas. Infelizmente, parece que os portugueses não foram capazes de separar o trigo do joio.

 

Mais grave foi o que se passou a partir do final de 2009, com o eclodir da crise da dívida soberana da zona do euro, que o governo de então ignorou e agravou, apesar da multiplicação das críticas de cada vez mais sectores.

 

Esta incapacidade de dar ouvidos a quem chama à razão tem-se traduzido em termos ciclos económicos extremamente pronunciados, em que fases de excessos são seguidas de fases de austeridade, tanto mais intensa, quanto mais descontrolados foram os excessos anteriores. Uma das coisas que mais choca na actual conjuntura é a forma como tantos portugueses culpam o actual governo pela dureza das medidas de austeridade que este se vê forçado a tomar, ignorando que esta dureza é o resultado directo dos excessos anteriores.

 

Que reformas são necessárias para não voltarmos a este ciclo de excesso e austeridade, uma versão económica das tendências bipolares da psicologia portuguesa?

 

Pedro Lomba escreveu há tempos um excelente artigo no Público em que chamava à atenção de duas questões muito importantes. Por um lado, o gosto dos portugueses pelo excesso de concentração de poder no primeiro-ministro. Acrescento eu que quem tem dificuldade em perceber a longevidade do Estado Novo em Portugal não precisa de olhar mais longe do que para a passividade dos portugueses perante o estilo de governação de Sócrates.

 

O segundo aspecto – decisivo – salientado pelo Pedro Lomba é a ausência de uma instituição independente e de prestígio que possa trazer alguma sanidade a este excesso de poder do primeiro-ministro. Aproveitando a boleia, insisto em que é essencial que nos períodos de excesso haja alguma forma de contra-poder que modere o desregramento do executivo, para que o período de austeridade seguinte não seja tão brutal.

 

Talvez esta instituição já exista (a SEDES?), mas ainda não tenha assumido integralmente esse papel de “grilo falante”. Parece importante recuperar o historial de avisos, que quem o fez seja elogiado pelo serviço que prestou e que seja valorizado como aqueles que é importante ouvir no futuro.

 

Para além disso há claramente uma outra dimensão, a dos desafios estruturais, para lá do tempo de duração dos governos, que precisa de ser trazido para a agenda. Há décadas que desafios como o da globalização ou da necessidade de reforma do Estado social devido ao chamado inverno demográfico, têm sido quase completamente ignorados pelos governos e esse estado de coisas tem sido encarado com demasiada passividade pela sociedade civil.

 

[publicado ontem no Jornal de Negócios mas, ao contrário do habitual, sem link]

publicado por Pedro Braz Teixeira às 09:01 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Eu sei que o Brasil não é Portugal...

... mas esta entrevista deve ser vista e ouvida com vontade de aprender. Concorde-se, ou não e apesar de uma ou de outra gafe. Lá para o fim Maria Conceição Tavares avisa que para se ser economista é preciso saber história, que para trabalhar no mercado de capitais qualquer um serve e que os modelos matemáticos, por si só, e em "economia política", não servem para nada.

Está aqui (na íntegra) e cheguei lá por aqui.

publicado por Fernando Martins às 08:01 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Portugal fest entschlossen

Angela Merkel, bem disposta, quase aliviada, comunica à dieta federal ter "boas notícias", gute Nachrichten. "A Irlanda está, de novo, no bom caminho" [sic], auf einem guten Weg; "Portugal está firmemente decidido, determinado", fest entschlossen, "a levar a cabo, a levar até ao fim [sic], as medidas de ajustamento", die Anpassungsmaßnahmen durchzusetzen; o governo grego arrancou com reformas, Reformen angepackt, nos últimos meses". 

Só faltou acrescentar um ja doch! batendo na tribuna e os deputados, de pé, aplaudirem e gritarem Juchei! Jucheisassa!

Lindo. Schön.

Há algo de tremendamente humilhante no modo como Merkel se refere àqueles três estados soberanos diante do seu parlamento. Aquelas palavras ressumam um paternalismo descarado e insuportável. Ela fala, aos seus deputados, de países menores. E não deixa de ser verdade que Merkel fala assim, porque sabe que é aquilo que lhe querem ouvir.

Os cínicos dirão que Portugal é, de facto, um país menor relativamente à Alemanha. Há que ser ainda mais cínico e responder: claro, a União Europeia é constituída por países diferentes, muito diferentes - e sob vários pontos de vista. O problema não é esse e é de resto desinteressante pôr as coisas nesses termos. O problema está no significado político de aquilo ser dito alto e bom som, de ser brandido. Não se trata, portanto, de um "deslize". E um discurso politicamente humilhante está a um passo de um discurso politicamente brutal.

 

publicado por Carlos Botelho às 00:18 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Quarta-feira, 26.10.11

Sócrates está lá mas está cá

Segundo o Público, António José Seguro terá isto antes de entrar no Conselho de Estado: "Verifico com agrado que o senhor Presidente da República tem estado atento e seguido as minhas declarações em relação ao OE. O meu desejo é que o senhor primeiro ministro faça o mesmo."

 

Esta arrogância insuportável, o vício da politiquice, a falta de coragem de um discurso patriótico de ruptura - tudo mete demasiado dó nesta "jovem promessa" socialista. Dali seguramente não virá nada. 

publicado por Tiago Mendes às 23:41 | comentar | partilhar

Turn left

É sempre bonito ver-se, no parlamento, as intervenções plenas de convicção socialista de Basílio Adolfo Horta, esse homem de esquerda.

publicado por Carlos Botelho às 22:47 | comentar | partilhar

Somos os melhores mas estamos em último - a desinformação sobre a educação no país

Nos jornais, entre 2ª e 3ª feira, leio duas notícias (ambas da Lusa) sobre o estado da educação no país: (1) que Portugal foi o país da UE que mais progrediu na conclusão do 12º (a propósito de um relatório do CNE) e (2) que a conclusão do secundário em Portugal é das mais baixas de países ocidentais (a propósito de um relatório da UNESCO). Ora, a menos que tenhamos melhorado muito mais do que os outros e mesmo assim ficado em último, há aqui algo que não bate certo.

 

E o que não bate certo é, precisamente, o mesmo que não batia certo nas notícias sobre dados semelhantes, publicados a 13 de Setembro deste ano pela OCDE, no Education at a Glance 2011, sobre os quais escrevi na altura e cujo gráfico agora recupero.

 

 

Estão a ver Portugal em 1º lugar? Estão a ver que a coluna tem dois tons de azul? Agora imaginem que retiravam o azul mais claro (que é o Novas Oportunidades) e reclassificavam os países. Pois é, Portugal ficaria em antepenúltimo (só com a Turquia e o México atrás). Se a diferença costuma estar nos detalhes, é caso para dizer que este pormenor é mesmo muito grande.

 

Que isto sirva de exemplo, e que não restem dúvidas, que este tipo de manipulação de dados e esta constante desinformação sobre o estado da educação em Portugal são uma das maiores forças de bloqueio à reforma educativa, desviando a nossa atenção sobre o que realmente importa e não chega aos jornais como, por exemplo, o facto de termos 30% de abandono escolar.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 16:13 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Diário de um cínico

Dá-se uma voltinha pela bloga que mais triunfantemente saudou a Primavera Árabe e há um silêncio total sobre as eleições na Tunísia. Nada. Rien. Nothing. Nihil. Népias. Eu e os cínicos do costume, depois de atirados para as trevas exteriores do racismo e da islamofobia, esperávamos umas palavrinhas de comiseração ou um mesmo sorriso vitorioso de quem, brandindo o teclado, tanto fez pelos amanhãs que cantam. Mas não - nem sequer um "viram, seus cúmplices de ratos de esgoto, afinal tínhamos razão e a democracia viceja hoje no Magrebe como as palmeiras de um oásis". Ou mesmo um "contra os descrentes na Humanidade [com maiúscula, por favor], o futuro chegou ao lado de lá do Mediterrâneo". Ou até, em casos particularmente inspirados, um "sempre do lado certo da História, provámos que não há um lado errado da geografia".

Mas não: nada. Rien. Nothing. Nihil. Népias.

Este silêncio deve-se talvez ao facto algo inquietante e até vagamente imprevisto de ter ganho um partido islamista, o qual se propõe, com grande espanto dos cantores de amanhãs, fazer uma Constituição baseada na sharia. Também não ajuda que a Líbia e o Egipto estejam a encaminhar-se no mesmo sentido. Afinal, esta coisa da libedade e do Islão é um pouco mais complicada do que parecia.

Cínico até ao fim, não sofro de tantas perplexidades. Um Estado cuja lei se baseia na sharia é, apesar de tudo, um Estado de direito. Depois das tiranias corruptas que o mundo árabe conheceu nas últimas décadas, não seria absurdo que o caminho do parlamentarismo passasse por um qualquer tipo de regime confessional. Vendo bem, foi o que aconteceu na Europa no século XIX (incluindo a França da Restauração e o Portugal da monarquia liberal) e é o que acontece ainda hoje em Inglaterra, o mais antigo dos regimes parlamentares. Uma democracia islâmica não é impossível. Pode demorar tempo e pode correr mal, mas tudo depende da proporção entre o substantivo e o adjectivo. E não vale a pena citar a Turquia como exemplo porque a Turquia é um Estado laico de maioria islâmica, não um Estado islâmico. Aquilo a que estamos a assistir é inédito. Mais uma razão para ser poupadinho nos insultos a quem tem mais dúvidas do que certezas e, está-se mesmo a ver, só espera o dilúvio universal para escrever posts como este.

publicado por Pedro Picoito às 15:45 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Estes senhores hibernaram nos últimos anos e acordaram agora, de súbito, qual Bela Adormecida?

Este senhor não pode fazer parte do partido que enquanto teve maioria absoluta na AR desprezava em absoluto as opiniões dos partidos da oposição e que, quando perdeu a maioria absoluta, adoptou um novo significado para a palavra negociação - 'nós propomos e vocês aceitam incondicionalmente' - pois não? Foi assim que o PS tentou negociar o programa de governo em 2009 - negociou com cada partido da oposição que apoiasse, sem tirar uma vírgula e sem aceitar qualquer input alheio, o programa eleitoral do PS para tentar formar uma coligação governativa - e como tentou negociar os OE desde essa data - o PS dizia como era e depois, à laia de negociação, ameaçava demitir-se se o orçamento não fosse viabilizado nos termos do PS. Este senhor e os restantes militantes do PS têm, assim, especial autoridade moral para criticar o governo (ou, na verdade, qualquer pessoa ou instituição) e para lhe dar um ralhete por falta de vontade negocial.

 

E, falando em vontade negocial e tendo em conta que quem manda actualmente no PS esteve placidamente apoiando Sócrates anos a fio, alguém com juízo pode sugerir que o governo negoceie com a gente habilidosa e competente e com visão que gastou e se endividou e nos pôs a pagar pesadamente as suas alucinações despesistas? O governo tem maioria na AR. Que a use precisamente para nos tirar das garras de quem escaqueirou o país e ainda nem percebeu como o fez.

publicado por Maria João Marques às 15:27 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

The 6 killer apps of prosperity

publicado por Paulo Marcelo às 09:56 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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