Sexta-feira, 04.11.11

Da série "O som e a fúria"

"The left doesn´t much like to engage in rational, fact-based arguments it knows it´s going to lose. That´s why it´s always so much more comfortable in the realm of the emotive slogan, the glib one-liner, the cheap shot, the ad hominem. Twitter is the ideal medium for all this, in a way that wordier parts of the internet just aren´t. The blog, for example, vastly favours the right because there´s so much space for all that stuff that liberal-lefties loathe and fear, such as logic and evidence and cross-references."

James Delingpole, "I`m trying to block out the supurating vileness of Twitter", in Spectator, 29/11/2011.

publicado por Pedro Picoito às 14:19 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Convite

publicado por Pedro Picoito às 14:14 | comentar | partilhar

Voto em branco

Em tempos de crise e de forte descontentamento popular, todos temem a insurreição. E não é para menos. Ainda hoje basta ouvir a entrevista de Vasco Lourenço à Antena 1 para perceber a confusão que ali vai. E nada mais perigoso do que uma mente confusa em tempos de incerteza. (E andam par’aí tantas).

Um dos aspectos importantes de um regime é o de encontrar formas de manifestação e de integração da insatisfação. Se a insatisfação não tem casa num regime, sai de casa e ocupa a rua. É uma possibilidade interessante para muitos – a do apelo à rua -, mas não conheço nenhuma mudança que, podendo ser feita de forma pacífica e ordeira, seja melhor de forma violenta e caótica. É por isso que acho interessante e propus já que se estudasse a possibilidade dos votos em branco serem computados nos resultados eleitorais. É o que acontece nalguns Países. Abriria espaço ao sentimento de reparação do eleitor e à penalização da classe política – que é muito importante que possa ocorrer, sem necessidade de Revoluções. Introduziria naquela um factor adicional de exigência e daria uma razão adicional para as pessoas saírem de casa para votar. É arriscado? É. Mas há riscos que não me importo de correr e, apesar de tudo, prefiro os ordeiros.

publicado por Filipe Anacoreta Correia às 11:22 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

"Privados" à portuguesa

«O Europarque está falido e deverá cair no regaço do Estado, mas continua a ser classificado como "fantástico" pelo ex-líder da AEP e grande obreiro do complexo. Para o seu sucessor, "é um disparate".

publicado por Fernando Martins às 09:38 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Penoso

Por entre a teia de motivações/pretextos para o encarniçamento nazi (e filiados) contra os Judeus esteve, sem dúvida, o facto de, desde finais do séc. XIX, se encontrarem numerosos Judeus em lugares-chave dos Partidos comunistas e de esquerda europeus. (E não costumavam Hitler e o seu gang definirem o Bolchevismo como um rebento do "judaísmo"?) Muitos Comunistas (decerto os de maiores responsabilidades) sabem isso. O que torna ainda mais "inaceitável" o tal artigo. Jerónimo de Sousa, cumprindo o seu papel, vem agora tentar pôr as coisas no seu devido lugar. Mas é impossível não notar a diferença intransponível entre as precisões sensatamente comunistas que ele tenta estabelecer e o conteúdo do artigo. A coisa já é penosa. Que fique por aqui.

publicado por Carlos Botelho às 00:03 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Quinta-feira, 03.11.11

Férias ?

 

Incomoda-me ouvir na televisão um procurador brasileiro a recordar que foi uma cidadã portuguesa que foi morta no brasil, e que existe um suspeito que reside entre nós,l sem que Portugal tenha aberto sequer um inquérito.

Incomoda-me ouvir entrevistas de amigas portuguesas de Rosalina Ribeiro a disponibilizarem-se para ser ouvidas em Portugal se fosse aberto um inquérito.

 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 22:33 | comentar | ver comentários (24) | partilhar

Agradece-se explicação

Se a despesa pública é a resolução dos problemas económicos de um país e a receita para o enriquecimento das populações, então porque carga de água as economias, sei lá, da Grécia e de Portugal, que tiveram despesa pública em abundância, não registaram crescimentos económicos significativos? E porque diabo, se a despesa pública garante tanto sucesso, os investidores do mundo inteiro não continuaram dispostos a emprestar dinheiro a estas economias a taxas suportáveis? Não gostam de fazer bons investimentos?

 

 

publicado por Maria João Marques às 15:46 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Isto virá de problemas com a matemática no liceu?

E há quem persista em não perceber - apesar de ser uma noção muito simples - que um país, qualquer país, não pode gastar todos os anos 120 se apenas produz 100. Dizer isto é revelar-se um economista, raça ruim destinada ao opróbrio, gente que 'só' vê números. Os factos de a Grécia, depois da orgia de tanta despesa - que, não se percebe bem porquê, afinal não gerou o Shangri-la que os não-economistas que vêem muito mais do que números previam - não ter quem lhe dê dinheiro e de, repito as vezes que forem necessárias, a despesa pública descontrolada ter levado a algo muito diferente da prosperidade são, pelos vistos, minudências descartáveis.

 

Mas não se preocupem: hão-de vir aí salvadores que não liguem nada aos economistas (não se sabe o que vão gastar, porque não há para gastar, mas isso são também pormenores) e tudo ficará melhor. Talvez distribuam alucinogéneos às populações, para estas viverem felizes mesmo quando não tiverem com que alimentar os filhos.

 

E ainda mais uma coisita: quem tem votado em políticas que levaram ao empobrecimento na Grécia, como em Portugal, é tão responsável como os seus governos pelo que sucede aos seus países. Esses e os que têm a lata de culpar pela situação actual quem há anos vem prevenindo dos perigos do excesso de despesa pública e de endividamento; ou, dito de outro modo, os que há uns anos têm visto números.

publicado por Maria João Marques às 15:45 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

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publicado por Pedro Picoito às 15:13 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Descodificar

Passos Coelho terá dito à entrada de uma reunião partidária qualquer coisa como: “Não tenho assegurado o financiamento da economia” e que quer um ajustamento no acordo com a troika que lhe dê mais "flexibilidade". Como é óbvio, o que o presidente do PSD e primeiro-ministro quis dizer, qual contorcionista, foi que tem que arranjar maneira de capitalizar os bancos sem custos de maior para os ditos. Por ele haverá mais austeridade para os cidadãos se tal for necessário para capitalizar uma banca portuguesa incompetentemente gerida há mais de uma década. O importante mesmo é salvaguardar as grandes negociatas entre a banca, o Estado, grandes prestadores de cuidados de saúde e as construtoras (para quando uma revisão unilateral das PPP's?) e garantir a distribuição de "bónus" e de "dividendos" aos "quadros" e aos "accionistas".

publicado por Fernando Martins às 10:05 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

A tradição ainda é o que era

 
Na passada Quinta-Feira, o Avante! publicou um texto espantoso. Nem vale a pena brincar com o nome do autor (Messias), porque a grande ironia está no caso do jornal oficial do Partido Comunista recuperar, com entusiasmo, uma criação, pasme-se, da polícia secreta czarista, a Okhrana.
Hannah Arendt já nos tinha lembrado haver, também, um anti-semitismo de esquerda, mas é sempre confrangedor ver o Avante! descer ao nível, já nem do Völkischer Beobachter, que ainda procurava aparentar alguma seriedade, mas sim do próprio Der Stürmer.
 
 
publicado por Carlos Botelho às 01:25 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Alentejo Gold Rush?

 

Porque é que tudo isto me cheira a pouco mais do que propaganda à moda do Inominável?

publicado por Fernando Martins às 00:30 | comentar | partilhar
Quarta-feira, 02.11.11

Os incompetentes são sempre os outros

Poucas vezes assisti a um tão grande festival de incompetência, afirmou hoje Carlos Santos Ferreira sobre os actuais dirigentes europeus. Não deixa de ser surpreendente ouvir estas palavras do presidente de um banco que teve este ano um decréscimo de 72,7% nos lucros, cujas acções já desvalorizaram mais de 75% e que vale menos de mil milhões de euros em bolsa. Sem esquecer que foi este personagem que ajudou a montar um esquema 'socrático', a partir da CGD, onde era presidente, emprestando dinheiro, quase sem garantias, para certos accionistas reforçarem as suas posições (v.g. Joe Berardo) para tomar de assalto o maior banco privado português. Sem esquecer que convidou esse brilhante e consagrado gestor, de seu nome Armando Vara, para seu vice-presidente para agradar ao 'chefe'. Noutro pais este senhor já tinha há muito sido afastado da gestão do banco e talvez sido julgado pelos tribunais. Mas entre nós está tudo bem. Nada tem consequências. Os incompetentes, claro, são sempre os outros.

publicado por Paulo Marcelo às 19:20 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Darwin aos tiros

 

Lançamento, hoje, na FNAC do Colombo, às 18h. Mais informação, aqui.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 12:54 | comentar | partilhar

Χάος

Segundo a revista de imprensa da Antena 1 hoje pela manhã, o i em Portugal e vários jornais por essa Europa usaram o adjectivo (ou será substantivo?) "CAOS" para classificarem o momento económico e político vivido na Grécia e na zona euro depois do anúncio de convocatória de um referendo por causa da questão da reestruturação da dívida helénica.

Vista a realidade sob este prisma mediático, pergunto-me o que é que os jornalistas, que acham que "isto" é o "Caos", dirão quando o dito realmente fizer de facto parte das nossas vidas colectivas.

publicado por Fernando Martins às 10:07 | comentar | partilhar

Roleta grega

O PM grego, George Papandreou, surpreendeu tudo e todos (inclusive o seu próprio partido) ao anunciar um referendo ao último pacote de ajuda. Não é claro o que move Papandreou, mas não é de excluir que esteja a preparar-se para sacudir água do capote em relação ao dilúvio que se avizinha.

 

A nova ajuda pede mais uma forte dose de austeridade (combinada com reformas estruturais) em contrapartida de mais dinheiro e uma reestruturação da dívida pública grega que a faria descer para 120% do PIB em 2020. Esta reestruturação é mais um resultado dos compromissos europeus, que se caracterizam pelas meias soluções. Este é um dos casos claros em que meia solução não é solução nenhuma. Os gregos vão pagar o custo da reestruturação (passar a ter muito mais dificuldades de acesso a financiamento), sem conseguirem o benefício da sustentabilidade da dívida. Uma dívida de 120% do PIB é muito dificilmente sustentável, mas ter uma dívida desta dimensão depois de uma reestruturação (que conduz a taxas de juro muito mais elevadas) é absurdo, é uma mera perda de tempo e dinheiro até à próxima reestruturação da dívida.

 

A crise do euro tem mil pretextos para explodir antes do referendo grego, em particular pelo contágio com a dívida italiana, que está já perigosamente próxima do limite da sustentabilidade, mas vamos admitir que é contida até lá. A vitória do “sim” no referendo também não resolveria grande coisa, já que, como vimos acima, a Grécia se encaminharia para uma nova reestruturação da dívida. Concentremo-nos então na vitória do “não”.

 

Vamos presumir que a vitória do “não” seria o fim de qualquer tipo de ajuda à Grécia, que optaria/seria-forçada a uma reestruturação da dívida muito mais intensa. Esta reestruturação seria a estocada final no sistema financeiro grego (onde o BCP ainda tem um banco, vá-se lá perceber porquê...), cuja sobrevivência já estaria posta em causa pelo agravar da fuga de depósitos, que está em curso há largos meses. Talvez fosse dispensável este esclarecimento, mas tomo a liberdade de o explicitar: uma solução à irlandesa do sistema financeiro está totalmente fora de questão, porque o Estado grego não é minimamente capaz de honrar as suas dívidas, quanto mais arcar com responsabilidades do sistema financeiro.

 

Com a reestruturação brutal da dívida pública e a falência do sistema financeiro grego, estão eliminados os principais obstáculos à saída do euro, um caminho que poderá ser percorrido de forma voluntária, de forma negociada com os parceiros europeus ou forçado por estes.

 

A saída do euro e a concomitante depreciação da nova dracma imporá uma nova dose de perda de poder de compra mas, desta vez, com resultados à vista, com aumento das exportações, crescimento económico e redução do desemprego.

 

Convém ainda esclarecer que a recusa das condições de ajuda externa não vai dispensar a Grécia de medidas de contenção orçamental, muito pelo contrário. Ao ser forçada a uma reestruturação da dívida muito mais intensa, não haverá qualquer tipo de financiamento disponível, pelo que o défice sem juros (défice primário) terá que ser totalmente eliminado no imediato. 

publicado por Pedro Braz Teixeira às 09:05 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Terça-feira, 01.11.11

ΔΗΜΟΨΗΦΙΣΜΑ

 

Algo me diz que os que têm publicitado a sua perplexidade indignada pelo anúncio do referendo grego, fazem-no, sincera ou hipocritamente, por estarem afastados, por não acompanharem o verdadeiro tumulto político que varre a Grécia nestes tempos. Seria interessante ouvirmos, por exemplo, o nosso embaixador em Atenas. Desconfio que, aos seus olhos, o referendo não parecerá tão escandaloso.

Por outro lado, se apontarmos o dedo à "irresponsabilidade" de Papandreou, que deveremos dizer, então, do comportamento recente de Sarkozy, de Merkel, do Tribunal Constitucional alemão? Têm sido "europeus"?...

publicado por Carlos Botelho às 23:13 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cortina de fumo

Na segunda feira ao final da tarde o Primeiro Ministro grego anunciou um referendo à ajuda externa. As bolsas acordam terça feira em pânico e o próprio partido socialista grego é surpreeendido com a notícia.

Na terça feira à tarde o Governo grego reúne de urgência e decide substituir discretamente os principais chefes militares.

A notícia do dia continua a ser o referendo mas o que verdadeiramente é importante é que o governo grego acreditava que estava em curso a preparação de um golpe de estado.

O governo grego poderá deixar cair o referendo nos próximos dias eventualmente bastando que o parlamento aprove uma moção de confiança. Entretanto ninguém prestará muita atenção ao facto do Governo ter substituído os chefes militares.

O governo grego poderá sobreviver mais uns meses mas, pela primeira vez, temos notícias de um possível golpe de estado militar no seio da UE.

Também neste aspecto a Grécia não está sozinha. O fracasso económico do projecto europeu colocará as democracias da união europeia em risco.

 

Adenda: Parece que o referendo vai mesmo para a frente. A ser assim a tese de que o seu anúncio poderia ser uma "cortina de fumo" para a substituição dos chefes militares perde sustentabilidade. Não terá sido, no entanto, uma coincidência. 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 23:00 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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