Sexta-feira, 23.12.11

Nada de novo pela Soeiro Pereira Gomes

PCP contra voto de pesar por Havel. Nada mudou. O mesmo fanatismo, o mesmo cheiro a mofo das últimas décadas. Fico com uma dúvida: qual será o sentimento profundo dos comunistas portugueses perante a entrada de uma empresa da República Popular da China no capital da EDP? Alegria pelos camaradas comunistas ou tristeza pelos desvios capitalistas?    

publicado por Paulo Marcelo às 10:38 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Martha Nussbaum: 'Why Democracy Needs Liberal Education'

publicado por Carlos Botelho às 01:36 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Quinta-feira, 22.12.11

Natal sem Advento

 

Até ao Concilio Vaticano II a Igreja recomendava jejum e abstinência para a véspera da véspera de Natal. O contraste com os dias de hoje é brutal. Qualquer bom Cristão esta semana já teve meia duzia de almoços ou jantares de Natal, trocou presentes, enviou e recebeu sms, mensagens de facebook, para além dos incontáveis mails.

Seria bom conseguir contrariar as distrações e procurar viver pelo menos um dia do Advento sem a pressão do imediato, sabendo que o jejum não é um fim em si mesmo, mas o sinal exterior de uma realidade interior que está no nosso compromisso em procurar viver o Evangelho. Advento que como nos recorda o P.Tolentino, é tempo de procura, de inconformismo, até de imaginação para que o amor, o bem, a beleza possam ser realidades e não apenas desejos para escrever num cartão.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 23:52 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Não dêem cabo do Natal

«Aproxima-se mais uma quadra festiva que todos envolve e em que celebramos a amizade e o amor à família. Por isso mesmo faço votos de que todos possamos viver esta quadra num verdadeiro espírito de alegria e solidariedade.»

 

Nos últimos dias, em especial nas últimas horas, a minha caixa de correio tem sido bombardeada por mensagens como esta. Não quero ofender ninguém, mas confesso que fico enjoado ao ler isto. Os textos oscilam entre o glicodoce-politicamente-correcto, a pura publicidade comercial ou o simplesmente piroso. Será que as pessoas gostam mesmo de enviar e receber cartões e mails deste género? Tudo muito igual, mensagens vazias e votos repetidos? Pelos vistos gostam. Mas o que é que isto tem a ver com o Natal? Onde está Jesus Cristo, cujo nascimento em Belém celebramos, mas que é o mais esquecido no meio de toda esta encenação? Ou o sentido do Natal é autêntico, o que significa neste caso ser religioso, ou não vale a pena andarmos a brincar à "amizade" e aos pais-natais. Para presentes já temos o aniversário e para bruxas já temos o halloween, uma outra encenação comercial que nos querem vender. Façam-me um favor: não me estraguem o Natal.   

publicado por Paulo Marcelo às 18:50 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Da série "Vale a pena ler"

Irei cuspir-vos no túmulo, no blogue Malomil que vale a pena acompanhar de perto.

publicado por Paulo Marcelo às 15:05 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Quarta-feira, 21.12.11

Cachimbos de lá

Anónimo, Pipe For Daddy, 1920.
publicado por Pedro Picoito às 16:05 | comentar | partilhar

Uma regra promissora

Uma coisa que sempre me fez confusão foram os sucessivos défices na saúde. Défices – note-se – após as transferências públicas. Era o meu exemplo preferido nas aulas para referir casos de expectativas não racionais. Um atirador que acerta sempre à direita e abaixo do alvo tem a obrigação de corrigir a sua pontaria. O mesmo deveria acontecer nos orçamentos da saúde.

 

Das poucas tentativas que fiz para perceber o problema disseram-se que havia um irrealismo muito grande na previsão de receitas, que nunca se confirmavam. Agora percebo porque havia este irrealismo: de acordo com o ministro das Finanças: "Nunca mais será possível assumir compromissos com base em previsões de receitas". As previsões de receitas eram totalmente irrealistas, porque bastava uma previsão de receita para realizar despesa.

 

O que continuo a não perceber é porque é que a Direcção Geral do Orçamento aceitava previsões de receita reiteradamente irrealistas na saúde.

 

De qualquer forma espero que com a nova regra se impeça a criação de infindáveis contas por pagar. No entanto, ou muito me engano ou vai ser necessário aplicar penas duríssimas e muito publicitadas para haver uma mudança de mentalidades, que estão muito entranhadas. Cheira-me que antes de uma expulsão da função pública ou de uma pena de prisão efectiva, pouca coisa vai mudar. 

publicado por Pedro Braz Teixeira às 10:35 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Julian Fellowes

 

Para quem apreciou o choque entre a upper-class e os restantes em Gosford Park e se tem deleitado com as histórias upstairs, downstairs de Downton Abbey, sugiro os romances de Julian Fellowes Snobs e Past Imperfect. Se Snobs às tantas pouco mais é do que um inventário de costumes que diferenciam a upper-class da middle-class, já Past Imperfect tem personagens mais interessantes, ilusões e desilusões a preceito para um romance e umas boas comparações entre o mundo circa 1968 e o de quarenta anos depois (e, para os mais nacionalistas, umas incursões por Portugal na altura da morte de Salazar). Nos dois, claro, as excentricidades da aristocracia britânica abundam.

publicado por Maria João Marques às 09:18 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 20.12.11

Helena André a promover a emigração dos jovens portugueses

We interviewed the Minister of Labor, Maria Helena Andre’, and she told us her suggestion for young people looking for work here was to be “open and flexible.” She admits that this includes emigrating, as the Portuguese have been doing for decades. Fox News, Dezembro de 2010. (via @joaogoliveira)

 

Onde andariam nessa altura os indignados da actualidade?

publicado por Nuno Gouveia às 23:01 | partilhar

A purga

 

 

Desenganem-se os que pensaram que após os resultados das últimas eleições e as muitas manifestações na Rússia, Putin pudesse entregar os pontos e desistir de ganhar a eleição presidencial. As grandiosas manifestações a que assistimos, um bocado por toda a Rússia, demonstraram uma população farta da oligarquia corrupta que infesta o país, na qual ele tem especial responsabilidade. Mas Putin leu bem a mensagem dos manifestantes, e compreendeu claramente o que necessitava fazer para ganhar as eleições de Março: sangue no combate à corrupção (como escrevo sobre a Rússia é prudente evitar as aspas). O povo exige e ele vai dar. E começou pelo maior ninho de corrupção na Rússia - o sector da energia.

 

Fala abertamente de nomes, são redes que envolvem: empresas públicas e privadas, gestores, famílias (que são clãs mafiosos), esquemas offshore, etc. Os homens do Governo estão lá dentro e sabem tudo, também o sabiam antes, mas agora o objectivo é outro: a vitória de Putin. Lá, a “justiça” vai ser célere, vai haver: demissões, prisões, suicídios, exílios, confiscação de bens, etc. Tudo o necessário para aplacar a fúria de milhões de russos e garantir uma vitória eleitoral – à boa maneira Russa.

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publicado por Victor Tavares Morais às 22:14 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

O defensor da classe

Mário Nogueira avaliado com ‘Bom’

Dirigente da Fenprof tem 31 nos de carreira, mas só deu aulas nos primeiros dez.

 

Mário Nogueira é um "professor" que não coloca os pés numa sala de aulas há 21 anos. E mesmo assim, ainda consegue ter "Bom". Bons critérios certamente. Mas questiono-me se a maioria dos professores (eu sei que há muitos que sim) não têm um bocado de vergonha deste sujeito, que já nem deve saber o que é ensinar, andar há vinte e um anos a pavonear-se por aí como o grande representante da classe? E já agora, não eleições livres nestes sindicatos? 

publicado por Nuno Gouveia às 20:22 | partilhar

Raul Brandão e Os Operários

Há tempos, fui almoçar com o Fernando Martins à Biblioteca Nacional e tive uma enorme surpresa. Não por ele, que continua na mesma, com aquela cabeça grisalha que lhe dá um discreto charme burguês, mas porque encontrei à venda um livro que durante anos pensei só existir na mitologia: Os Operários de Raul Brandão. 
Sabia que o autor d`Os Pescadores projectara um tríptico sobre o povo português, do qual fariam parte aquela obra juntamente com outras duas, que nunca teria chegado a escrever, sobre os operários e os camponeses. Pois enquanto esperava pelo camarada Martins, eis que os meus olhos deparam, por entre as brumas da lenda, com o parente mais próximo do unicórnio que já avistei na vida: o objecto voador acima identificado. Comprei-o logo, ainda por cima a um euro benza-o Deus, e devorei-o nos dias seguintes.
Para meu espanto, lá estava o esboço de qualquer coisa semelhante aos Pescadores na intenção e no método, mas ambientada nos meios fabris e sindicais de Lisboa, com algumas incursões ao Norte e ao Alentejo. No fundo, um conjunto de notas e apontamentos manuscritos que Túlio Ramires Ferro transcrevera durante muitos anos, por especial licença da viúva de Raul BRandão, até os editar em 1984. Alguns quadros provavelmente já concluídos, por exemplo "Os trapeiros" ou "Fornos de cal e pedreiras", evocam a poderosa capacidade descritiva d`Os Pescadores ou do igualmente extraordinário As Ilhas Desconhecidas. Outros mostram como o autor trabalhava, como se documentava, o que lia e quem entrevistava para preparar aquilo que parece uma extensa reportagem sobre as condições de trabalho dos operários portugueses no início do século XX, bem como sobre os diversos protagonistas (socialistas, anarquistas, comunistas...) do movimento sindical da altura. Aliás, Os Operários, a avaliar por esta edição, teria um carácter muito mais político do que Os Pescadores, como de resto acontece com as memórias de Brandão, talvez escritas na mesma época. É sabido que ele não morria de amores pela monarquia, pela Igreja ou pela burguesia lusa, mas aqui nem a República e os seus arrivistas escapam ao bisturi da crítica. Misto de denúncia social, documentário e pintura impressionista, em todo o caso um projecto notável. 
publicado por Pedro Picoito às 17:00 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

When the people fear their government, there is tyranny

 

Os media portugueses (e não só) disseminaram estas imagens de sofrimento popular, sem referir uma única vez que se tratavam de imagens oficiais, com tudo o que oficial significa num regime tirânico como o norte-coreano. A artificialidade propagandística com que o povo norte-coreano "reagiu" à morte do seu ditador é, por si só, demonstrativa que o medo continua a ser o maior garante da tirania.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 12:40 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

'Radical deregulation'

«Unless there is radical deregulation of the labour and product markets and lower taxation, the euro can never work and the EU can never be a thriving economic area again.
These are the challenges, but the EU and its member governments are moving in the wrong direction. We see no sign that those discussing how to deal with the euro crisis understand the actions that need to be taken. 

Whether or not the euro survives, this attitude will lead to gradual decline and increased social conflict within the EU. It may ultimately lead to the disintegration of both the single currency and the EU. »

Diz, entre outros, o André Azevedo Alves.

(negritos meus)

publicado por Maria João Marques às 11:32 | comentar | partilhar

Prémio 'Bobby do Ano'

 
"As declarações do senhor primeiro-ministro fazem sempre sentido."
 
[Aqui, a partir dos 10m 30s.]
publicado por Carlos Botelho às 01:28 | comentar | ver comentários (8) | partilhar
Segunda-feira, 19.12.11

Os qualificados e os desqualificados

Nuno,

comecei por ler o teu post com atenção. Mas, depois, ao deparar com o último parágrafo, apercebi-me que, afinal, não é merecedor de uma resposta séria. Estimo as melhoras.

 

(Entretanto, parece que o ministro Relvas, sempre brilhante, se encarregou de arruinar a tua esforçada e patriótica perspectiva "sensata" e "contextualizante" das declarações do primeiro-ministro.)

publicado por Carlos Botelho às 23:27editado por Paulo Marcelo em 20/12/2011 às 10:51 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

A RTP África

 

O Governo não vai seguir a recomendação do "grupo de trabalho sobre a definição de serviço público" e a RTP Internacional e RTP África não serão fundidas.

É uma decisão acertada do Ministro Miguel Relvas.  Como já o Filipe havia recordado, a RTP e a RDP Africa são relevantes instrumentos da nossa influência nos PALOP, grandes dinamizadores na divulgação da riqueza cultural e multinacional da lusofonia e constituem igualmente um importante canal de promoção da produção nacional na África lusófona.

O seu custo, cerca de 2,5 milhões de euros por ano, é inferior a 1% dos custos da RTP, sendo que os encargos com a RTP e a RDP Africa são inferiores a um terço do custo de qualquer uma das embaixadas que temos abertas em África. A tudo isto acresce que os serviços de programas têm audiências muito consideráveis em alguns locais como em Maputo onde a audiência da RDP Africa é superior à Audiencia da RDP (Antena 1) em Lisboa. 

 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 19:55 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

In the 90's (XXVIII)

Talvez os melhores trabalhos dos Fields of the Nephilim sejam os da década de 80, mas este "Elizium", de 1990, vale bem a pena. Uma banda marcante no panorama do rock. A banda de Carl McCoy ainda anda por aí.

publicado por Nuno Gouveia às 19:53 | comentar | partilhar

"Você é qualificado? Então pense"

 

 

Carlos, não sei se leste a passagem da entrevista do Correio da Manhã ao Primeiro Ministro, mas desconfio que não, até porque optaste pela notícia em segunda mão do PÚBLICO. Eis o que disse o Primeiro Ministro:

 

"Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e, portanto, nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma, ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa."

 

Primeiro: "Há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação."

 

Segundo: "Estamos com uma demografia decrescente."

 

Ou seja, o problema já existe e será ainda mais grave no futuro. Assim, os professores que estão já hoje sem ocupação e sem perspectivas de a vir a ter no futuro, só têm duas alternativas:

 

Terceiro: "Ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professor, pode olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa."

 

Pelo meu lado, acho até que não cabe ao Primeiro Ministro fazer este tipo de declarações, uma vez que a qualificação dos professores pressupõe que eles tenham dois dedos de testa e capacidade para gerir a sua vida de acordo com as circunstâncias.

 

Mas, a julgar pelo teu post, Carlos, por mais qualificados que os professores digam que são, sou levado a concluir que precisam mesmo de um paizinho para os orientar nesta coisa de viver a vida tal como ela se nos apresenta.

publicado por Nuno Lobo às 18:46 | comentar | ver comentários (15) | partilhar

Perdida

 
 
 
 
publicado por Carlos Botelho às 15:05 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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