Quarta-feira, 25.01.12

Fim do euro (5) Dois fins

O fim das colónias e o fim do euro têm em comum o facto de quem tiver saído a tempo poderá sair incólume

 

A 25 de Abril de 1974, a revolução triunfou e Movimento das Forças Armadas (MFA) que a liderou conseguiu alcançar o seu objectivo de terminar a guerra colonial. O programa do MFA viria a assentar nos três DD: democratizar, descolonizar e desenvolver. Assim, desde o início do novo regime que ficou claro o objectivo de descolonizar, com a generalidade das independências dos novos países a ter lugar em 1975.

 

A generalidade das centenas de milhares de portugueses que se tinham instalado nas colónias desde 1961, início da guerra colonial, acreditou que poderia ficar nos novos países. Infelizmente, ainda antes da independência, estalou uma guerra civil em Angola, que foi tornando insustentável a permanência dos portugueses, que se viram obrigados a regressar a Portugal, em muitíssimos casos sendo obrigados a deixar todos os seus haveres para trás, porque mal havia transporte para as pessoas.

 

Ouvi falar no caso de um “retornado” que voltou ainda em 1974 (julgo que de Moçambique) e que trouxe tudo o que quis, não perdeu rigorosamente nada e, possivelmente o mais curioso, tinha vergonha de dizer que não tinha perdido nada. Ele era “retornado” como os outros, mas não tinha sofrido nem a guerra nem as perdas financeiras dos outros centenas de milhares, porque tinha saído a tempo.

 

Gostaria agora de estabelecer uma ponte entre o fim das colónias e o fim do euro. Há, desde logo, uma diferença abissal entre os dois casos. No caso das colónias, o novo regime assumiu, não exactamente desde as primeiras horas, mas passado pouco tempo, que queria dar a independência às colónias. Em termos legais, o sinal é dado de modo inequívoco pela Lei constitucional 7/74 (de 27 de Julho), que permite o reconhecimento das independências das colónias africanas.

 

No caso do euro, não só não há nenhum objectivo assumido de acabar com o euro, como todos os líderes europeus juram que estão dispostos a tudo para o defender, embora as suas palavras tenham quando vez menor credibilidade.

 

Esquecendo esta diferença de base, a partir daí faz sentido a analogia que primeiro vai haver um período em que se pode sair sem o mais leve problema, para depois se seguir um período altamente tumultuoso, em que as condições de saída se dificultam extraordinariamente e já quase nada se pode salvar.

 

Neste momento ainda estamos a viver este primeiro período do fim do euro, em que se pode tirar os euros de Portugal, até a tempestade passar, para depois os trazer de volta como divisas, que serão recebidas como algo precioso, que nos ajudará a retomar a normalidade, depois da saída do euro.

 

Daqui a alguns meses já podemos ter passado para a segunda fase, devido a problemas na Grécia ou em Itália, e já será tarde de mais para qualquer tipo de protecção.

 

Há muitas pessoas que continuam a recusar-se a contemplar a hipótese do fim do euro. Argumentam que isso traria tantos problemas que é algo que não pode acontecer. Mas há dois anos que os líderes europeus têm permitido que a crise do euro cresça em bola de neve, pelo que é possível que a partir de determinado momento já não seja mais possível suster a avalanche.

 

Os barcos tem embarcações salva vidas não porque acreditam que vai haver um naufrágio, mas como segurança para o caso disso acontecer. Podem olhar para as medidas de protecção contra o fim do euro nesta perspectiva de salva vidas. Se não chegar a ser necessário usá-los será óptimo, mas se for preciso usá-los e não os tiverem, arrepender-se-ão amargamente por isso. 

 

[Publicado no jornal "i"]

publicado por Pedro Braz Teixeira às 15:00 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Perigo

Notícias como esta levam-nos a pensar que é urgente que o governo de Portugal trabalhe num plano B. Entretanto é estar atento às recomendações que aqui nos são apresentadas.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 14:56 | comentar | partilhar

Convite

(Clique para ver melhor.)
publicado por Pedro Picoito às 12:26 | comentar | partilhar

A coluna

Não sou daqueles para quem o bem e o mal mudam com o poder de turno. O que era um ataque à liberdade de imprensa com Sócrates é um ataque à liberdade de imprensa com Passos Coelho. Por isso, o fim da coluna de Pedro Rosa Mendes na Antena 1 deixa-me muitas dúvidas. Trata-se realmente de uma grande coincidência que a coluna acabe pouco depois de o jornalista ter criticado um favor, na prática, da RTP ao Governo angolano e ao Governo português: o Prós e Contras emitido de Luanda. Sabendo nós que o Ministro que tutela a Antena 1 e a RTP tem interesses empresariais em Angola, a coisa torna-se ainda mais pantanosa. Ou seja, tudo indica que o fim da coluna de Pedro Rosa Mendes se deva à falta de coluna de Miguel Relvas. 

O actual Governo está obrigado a esclarecer as suspeitas, sob pena de voltar a um passado de má memória. Não foi para isto que votámos na nova maioria. Temos duas bancadas parlamentares lideradas por maçons, tal como a do PS, e que votam em questões de consciência (PMA e o resto que há-de vir) tal como o PS. Se Relvas y sus muchachos se lembram agora de condicionar a opinião, para mais à conta do capital angolano (o líbio já não está a dar, nitidamente), será um verdadeiro regresso ao socratismo. Já começaram a preparar o doutoramento em Paris?  

publicado por Pedro Picoito às 12:21 | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Discurso de Helmut Schmidt em Berlim (I)

 

Passou quase despercebido na comunicação social portuguesa, mas pela sua importância sobre a crise na Europa e o papel da Alemanha em tudo isto, vou aqui transcrever em português algumas partes do discurso de Helmut Schmidt (chanceler da RFA entre 1974-1982) no último Congresso do SPD, em Berlim:

 

« (...) Mas simultaneamente desenvolveu-se um grave erro, nomeadamente os enormes excedentes da nossa balança comercial. Desde há anos que os excedentes representam 5% do nosso PIB. São comparáveis aos excedentes da China. Isto não nos é completamente claro porque os excedentes não se contabilizam em marcos, mas em euros. Mas é necessário que os nossos políticos consciencializem esta circunstância. Porque todos os nossos excedentes são, na realidade, os défices dos outros. As exigências que temos aos outros, são as suas dívidas. Trata-se de uma violação irritante do por nós elevado a ideal legal do «equilíbrio da economia externa». Esta violação tem de inquietar os nossos parceiros. E quando ultimamente aparecem vozes estrangeiras, na maioria dos casos vozes americanas – entretanto vêm de muitos lados – que exigem da Alemanha um papel de condução europeia, então isso desperta nos nossos vizinhos mais desconfiança. E acorda más recordações. Esta evolução económica e a simultânea crise da capacidade de ação dos órgãos da união europeia empurraram de novo a Alemanha para um papel central. A chanceler aceitou solícita este papel juntamente com o presidente francês. Mas há, de novo, em muitas capitais europeias e também em muitos media uma crescente preocupação com o domínio alemão. Desta vez não se trata de uma potência militar e política central, mas sim de um potente centro económico.»

 

[Discurso de Helmut Schmidt no Congresso do SPD, 4 Dezembro 2011, Berlim]

publicado por Paulo Marcelo às 11:54 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 24.01.12

Este país é para tolinhos

As palavras de Cavaco Silva foram infelizes, e mesmo estranhas em quem se conta que um dia demitiu um ministro por este afirmar não ganham para os charutos que fumava. Cavaco Silva já reconheceu isso mesmo, o que parece assanhar mais os tolinhos do país (a estratégia defendida pelos tolinhos em todas as ocasiões é permanecer no erro, falar mais alto que os adversários e nunca reconhecer que se errou).

 

Mas as reações das palavras sobre a reforma e as despesas de Cavaco Silva também ajudam a mostrar o número e a qualidade dos tolinhos do país. É que, sendo muito infelizes, as palavras de Cavaco Silva referiam-se às suas finanças privadas e se o senhor entende gastar mensalmente mais do que os oito ou nove mil euros que recebe ou lá o que é, isso é assunto do próprio, ainda que passível de julgamento político pelos eleitores (quem não sabe gerir o seu orçamento privado também não saberá gerir o dinheiro dos outros e Cavaco até sempre cultivou uma imagem de prudência por isso mesmo).

 

Inteiramente diferentes foram, por exemplo, as palavras de Jorge Sampaio há uns anos, e essas sim sem qualquer respeito pelos portugueses e inteiramente motivadas pela trica partidária, em que pretendeu dar uma lição de moral a Manuela Ferreira Leite afirmando que 'há vida para além do défice'. Isto perante uma tentativa de consolidação das contas públicas que pecou por timidez. Ora se as palavras de Cavaco Silva se referem à gestão do seu próprio dinheiro, já Jorge Sampaio foi irresponsável com o dinheiro dos outros, pecado imensamente mais grave. E foi à conta da espertice saloia revelada por Sampaio que nós estamos falidos. Mas, curiosamente, os tolinhos do país na altura elogiaram muito Sampaio contra o ogre MFL. Depois foi o que se viu.

publicado por Maria João Marques às 17:57 | comentar | ver comentários (21) | partilhar

Esclarecimentos a quem não percebe ironias

Eu tenho grande consideração por quem lê o Cachimbo, mas afinal há muitos leitores que não entendem ironias. Não é que este meu post me transformou em alguém que apoia, promove, aceita, e etc., as nomeações para cargos públicos por critério partidário? Bem, quanto à substituição de Mega Ferreira, que exalta fortemente a esquerda, só me leva a tomar mais atenção ao senhor e a verificar se não haverá uma câmarazita socialista que acorra a dar-lhe novamente que fazer em prol, apenas e sem qualquer interesse político, da cultura nacional.

 

Já quanto à questão do director da ASAE, quem haja percebido que eu defendo a substituição por critérios partidários ou nunca na vida leu nada do que escrevi ou então, de facto, não entende ironias. Para que fique claro: a ASAE é uma instituição dedicada a atrapalhar a vida às empresas. A ASAE não trata de fiscalizar se um restaurante tem uma cozinha infestada de baratas;  trata de fazer inspecções a restaurantes na hora de pico de movimento (para causar mais transtorno e fazer perder mais receitas) esperando que na azáfama alguém se esqueça de fechar devidamente a porta do frigorífico (a ser aberto um minuto depois, pelo que nada se estragaria) e controlando se alguém na correria de servir um cliente depressa se esquece de anotar umas burocracias quaisquer junto da comida ou se um coitado de um empregado de mesa (ainda que seja o coitado do proprietário a pagar a multa) trouxe um fiambre para o almoço e o colocou no frigorífico da comida a servir no restaurante; e se algum destes pormenores sem importância e que nada diminuem a qualidade da comida se verificar, lá está a ASAE para aplicar a multa mais pesada que a legislação permite. A ASAE não trata de verificar se os brinquedos contém substâncias tóxicas para as crianças; a ASAE trata de verificar se uma loja usa a palavra promoção sem estar acompanhada de algumas outras palavras mágicas (ainda que seja uma promoção legítima) ou a palavra saldos fora das datas legalmente estabelecidas, ou se baixa em demasia os preços, ou se as montras têm os preços dos produtos expostos (na maioria das capitais europeias não se vêem preços em lado nenhum), os se alguma loja perdeu algum rótulo de algum produto que toda a gente sabe utilizar (estou a lembrar-me das velas, que precisam de informação que praticamente cobre a vela toda; não sei como a civilização sobreviveu tantos séculos antes do advento da luz a gás e da electricidade), e um largo etc.; e se algum pormenor sem importância tiver sucedido, mesmo que nenhum consumidor tenha sido prejudicado, lá está a ASAE a aplicar a multa máxima legalmente estabelecida. Sempre multas máximas, porque extorquir os empresários está no ADN da ASAE.

 

Podem argumentar que a culpa não é da ASAE - já não podem argumentar que a culpa não é de António Nunes, que evidentemente se regozija com a actividade empresarialmente inquisitória da ASAE e claramente trabalha para o mediatismo - afirmando que a culpa é da legislação. A legislação é, sem dúvida, um grande problema (tentarei escrever sobre isto brevemente). No entanto, perante uma lei estúpida, quem de bom senso que esteja encarregue de aplicar a lei estúpida só tem uma solução: a inércia. Em suma: a substituição de António Nunes é fundamental; coloquem lá quem quiserem, mesmo que seja uma nomeação partidária; a minha sugestão até seria pegarem na pessoa lendariamente mais indolente da função pública, de qualquer partido ou apartidária, e nomearem-na director da ASAE; isto, claro, se não se tomar a melhor decisão, que é extinguir a ASAE.

 

Só um último ponto. Não pensem que burocracias que aumentem o tempo de trabalho dos trabalhadores de uma empresa ou que levem a maiores custos (com equipamento, com embalagens,...) ficam por conta das empresas. As empresas não são nem devem ser instituições de caridade e se a ASAE lhes impõe maiores custos, isto reflecte-se no preço final ao consumidor. A ASAE não nos sai grátis nem mesmo depois da dotação orçamental.

 

(Podem ler tambémeste meu post para se irritarem mais um bocadinho, que a minha campanha pela demissão de António Nunes não se inciou hoje).

publicado por Maria João Marques às 14:01 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Uma estratégia refinada

Como tinha escrito neste post, o embargo da UE ao petróleo iraniano fora de um quadro de concertação mundial é autoflagelação. Agora com refinarias, um pouco por toda a Europa, a encerrarem ou em vias de passarem para mãos orientais, com a construção de novas refinarias suspensa, pergunto: onde vai a Europa comprar no futuro os refinados com garantias de origem do petróleo? E a que preço?

tags: ,
publicado por Victor Tavares Morais às 13:14 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Acordo de concertação judicial

 

A semana passada foi marcada pela concertação social. Mais do que as medidas concretas – aquém do necessário – o acordo é um sinal político importante para distender o ambiente pesado que se instalava. O exemplo pode inspirar a reforma da Justiça, onde é fundamental envolver os operadores judiciários na mudança.

Foi esse um dos erros do passado. Recordo que Sócrates, no discurso de tomada de posse, apresentou as férias judiciais como medida emblemática, atacando aqueles que trabalham nos tribunais, acusando-os subtilmente de preguiçosos. O resultado foi virar todos contra o governo, que teve de recuar em toda a linha, sem fazer as reformas anunciadas ao longo de seis anos de poder socialista.

Paula Teixeira da Cruz recebeu um ministério falido e os tribunais numa situação de ruptura. Mesmo depois de vários planos de “descongestionamento”, os processos judiciais entrados continuam a superar os findos, engrossando as 1.678.806 pendências (2010). A situação só vai piorar com a crise. Perante estes números – colossais como dizia o outro – percebe-se que não vamos lá com remendos. Nem com mais operadores judiciários que, sublinhe-se, já muito aumentaram nos últimos anos, sobretudo advogados (27.000) e magistrados (3172), cujos rácios já nos colocam no topo dos países europeus.

Fico desiludido ao perceber que o acordo com a Troika se focou em problemas conjunturais, em especial nas pendências, a eliminar até ao segundo trimestre de 2013 (alguém acredita?), ignorando os problemas de fundo: uma cultura judiciária formal e burocrática, distante da verdade e da justiça no caso concreto; e alienada de critérios de eficácia. Apesar de dar jeito aos financeiros, que agora dominam a política, é um erro pensar que se melhoram as “estatísticas” sem resolver os problemas de fundo do sistema.

É preciso ir mais longe, mudar de paradigma. O que passa por simplificar as regras processuais (para quando a reforma do processo civil?). E dar maior poder aos magistrados, assumindo que são titulares de um órgão de soberania e não uns meros funcionários qualificados. O que implica dar-lhes mais autonomia e os meios necessários, inclusive algo básico como dirigir os seus próprios funcionários, para se focarem no trabalho judicial, libertando-os da actual carga burocrática.

Poderia continuar falando do mapa judiciário, dos recursos dilatórios ou da reforma dos tribunais superiores, onde é preciso ir “para além da Troika”. Mas como não acredito que os problemas se resolvem numa folha A4 (algo só ao alcance de Assunção Esteves), volto ao ponto essencial: só envolvendo os operadores judiciários, será possível fazer uma reforma estrutural da Justiça. Tudo o resto são números para a Troika ver.

 

[Diário Económico]

publicado por Paulo Marcelo às 10:16 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Segunda-feira, 23.01.12

Os indignados profissionais

Cavaco Silva teceu declarações manifestamente infelizes na semana passada. Nem vale a pena acrescentar mais nada a isso. O próprio já admitiu que esteve mal. No entanto, não posso deixar de repudiar a onda de falsa indignação que varreu uma certa parte do país, a começar pela esquerda bafienta que nunca aceitou que alguém que não fosse do seu campo político ocupasse o Palácio de Belém. Sempre que Cavaco Silva abre a boca, esta brigada não esconde o seu ódio profundo ao homem que ocupa o cargo que eles consideram seu. E o que muitos não lhe perdoam, a começar por alguns arrependidos da direita que andaram com José Sócrates ao colo, é que ele tivesse utilizado o discurso de tomada de posse para denunciar o estado em que José Sócrates estava a arrastar o país. Já era evidente naquela altura que Portugal precisava de uma intervenção externa (como Teixeira dos Santos já assumiu publicamente), mas os socialistas e a claque socrática que por aí anda nunca lhe perdoou esse discurso. E se Cavaco esteve mal foi ter estado em silêncio durante grande parte da desgraça socialista que governou Portugal entre 2005 e 2011. Estas reacções que agora se observam opor aí estão perfeitamente enquadradas nesse ódio visceral que esses sectores da esquerda sempre sentiram por Cavaco Silva. Mais indignações virão. 

publicado por Nuno Gouveia às 22:46 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Publicidade institucional

 

Estreia depois de amanhã, dia 25 Janeiro, no teatro Tivoli, em Lisboa, o primeiro musical sobre a história de um clube de futubol em Portugal. Matilde Trocado é a encenadora deste espectáculo que se destina a angariar fundos para uma associação de solidariedade leonina. Não digam nada ao Yannick Djaló, ao Postiga, nem ao Pongolle, nem sequer ao Bojinov ou ao Polga, mas há bilhetes à venda aqui.

publicado por Paulo Marcelo às 19:24 | comentar | partilhar

Da série "Vale a pena ler"

«Caso não tenha percebido, o mundo mudou. A geração que hoje trabalha para pagar as reformas do Presidente, desconta mais em média do que no passado e, quando chegar a sua hora, não haverá provavelmente pensão para receber ou representará, na melhor das hipóteses, metade do salário recebido na vida activa. Por isto, as palavras do Presidente da República são mais graves do que parecem. São simbólicas de uma certa elite que governou o País nos últimos trinta anos e que não aprendeu nada com os erros. As mesmas pessoas que empurraram Portugal para esta crise sem precedentes com as suas decisões políticas continuam a exigir privilégios descabidos. É uma elite que tem a escola do Banco de Portugal, uma instituição que se refugia no estatuto de regulador para reclamar regalias desfasadas da realidade do País e que está longe de apresentar os resultados que justifiquem os meios.»

 

[Bruno Proença no Diário Económico, continuar a ler aqui]

 

 

publicado por Paulo Marcelo às 17:08 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Fim do euro (4) Recomendações práticas, adenda

O post anterior desta série suscitou dúvidas – inteiramente legítimas – porque falei em três seguros diferentes sem ter o cuidado de os diferenciar. Gostaria, desde logo, de renovar os meus agradecimentos a quem colocou as dúvidas, que me têm ajudado imenso a pensar melhor sobre estes temas.

 

O risco de saída de Portugal do euro tem associado múltiplos riscos, dos quais gostaria de salientar três: o risco do colapso temporário do sistema de pagamentos, o risco do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos e o risco de perda – definitiva – de valor de inúmeros activos (depósitos à ordem e a prazo, obrigações, acções e imobiliário, entre outros).

 

O post anterior foi dedicado quase exclusivamente aos dois primeiros riscos. O risco do colapso do sistema de pagamentos levou-me à recomendação, meramente indicativa, de ter em casa notas no montante equivalente a um mês de rendimento. Esta recomendação tem o benefício secundário de proteger também, de forma muito limitada e parcial, contra o terceiro risco que referi acima: o de perda de valor dos depósitos à ordem.

 

Este terceiro risco é um tema vastíssimo, que deverá ocupar inúmeros posts posteriores, sobre o qual não me irei debruçar agora.

 

O segundo risco, o do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos, levou-me à recomendação, de novo meramente indicativa, de ter em casa na despensa o equivalente a um mês de consumo de bens não perecíveis.

 

Retomando agora o tema do primeiro risco, o do colapso temporário do sistema de pagamentos – um dos temas centrais do post anterior –, gostaria de salientar que os moldes da saída de Portugal do euro são incertos. Gostaria de contemplar quatro cenários: a) Portugal sai do euro (ou é forçado a sair) individualmente pouco depois da saída da Grécia; b) Portugal sente-se obrigado a acompanhar a saída – forçada – da Itália; c) os países fortes decidem sair do euro, porque as medidas necessárias à sobrevivência do euro o descaracterizariam por completo; d) dá-se a implosão total do euro, com todos os países a voltarem a moedas nacionais.

 

Os cenários a), b) e d) são relativamente semelhantes em relação ao risco de colapso do sistema de pagamentos. Para nos protegermos contra estes cenários, devermos ter euros em casa. Isso protege-nos contra o risco de colapso do sistema de pagamentos e parcialmente contra o terceiro risco, o da perda de valor.

 

No cenário c) o euro continua a ser a moeda portuguesa, embora se desvalorize face ao novo marco. Neste caso não haverá sequer risco de colapso do sistema de pagamentos, que se manterá. Nesta hipótese seria inútil ter os euros em casa e estes euros também já não seriam uma reserva de valor como nos cenários anteriores. Neste caso só dólares e outras divisas é que serviriam como refúgio. Mas dificilmente poderíamos comprar pão e outros produtos essenciais com dólares, pelo que os dólares podem ser bons na perspectiva de reserva valor (que não é o tema aqui), mas não tanto para acudir a uma situação temporária de problemas de pagamentos.

 

Resumindo: ter alguns euros em casa previne contra o colapso do sistema de pagamentos, mas pode ou não proteger contra a perda de valor da moeda que circula em Portugal. Mas este outro risco merece muito mais atenção, nos próximos posts.

publicado por Pedro Braz Teixeira às 12:14 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Em boa hora

se substitui Mega Ferreira - uma daquelas personagens que apenas o tinha a recomendar ter estado do lado 'certo' e com as pessoas 'certas' do status quo esquerdizante que entusiasma a nossa classe política e maioria dos jornalistas e comentadores oficiais (e que nos levou ao descalabro actual) - por Vasco Graça Moura, que além da qualidade intelectual intrínseca tem ainda a vantagem de irritar a esquerda que não lhe perdoa tal qualidade.

 

O governo que não se esqueça, no entanto, de substituir também António Nunes à frente da ASAE. Neste caso, qualquer nomeação política seria mais benéfica do que a recondução do senhor. Enquanto não o substituem, aconselhem-no a dar pouco que fazer às empresas que ainda vão sobrevivendo nesta crise. Olhem que esta e outras gulas por receitas provenientes de multas também provocam descontentamento. E em quem até poderia em princípio apoiar as reformas do governo.

publicado por Maria João Marques às 08:54 | comentar | partilhar
Domingo, 22.01.12

A doença portuguesa

 

Há duas patologias económicas que caracterizam, por norma, a economia e a gestão pública dos petro-Estados: a crónica “doença holandesa”; e o “toque reverso de Midas”. Vou falar aqui da primeira, e num próximo post da segunda. A Holanda tornou-se nos anos 60 o maior exportador mundial de gás natural, e à medida que as suas exportações energéticas aumentavam a economia do país ia sendo inundada com o dinheiro proveniente da venda do gás. Em consequência, a moeda sobrevalorizou-se, as exportações tornaram-se menos competitivas face ao exterior e a economia nacional começou a sofrer. Com uma moeda forte as importações eram mais competitivas do que os bens nacionais, e o desemprego também começou a aumentar. Este tipo de conjuntura económica é conhecido na literatura económica como “Dutch disease”, a doença holandesa.

Se recordarmos o que nos aconteceu após a entrada na CEE, e depois reforçada com a adesão ao Euro foi, em tudo, muito parecido: um afluxo anormal de capitais e crédito barato que inundaram toda a economia do país, quer a pública quer a privada, cujos efeitos foram também devastadores e muito semelhantes aos provocados pela “doença holandesa”, diferindo na questão da dívida.

Esta doença é bem conhecida, e tem hoje (em países como a Holanda e a Noruega) um mecanismo, quando bem gerido, que é um antídoto adequado - são os chamados fundos soberanos – que concentram os recursos financeiros provenientes da exportação do petróleo e do gás natural e garantem a injecção desses capitais em doses homeopáticas, para que a economia não sofra choques anafiláticos. Agora, já não vamos a tempo de plasmar no país um qualquer mecanismo equivalente que proteja a nossa economia do “dinheiro fácil”, a asneira está feita e com o alto patrocínio político da UE, mas também, por agora, o dinheiro fácil e barato não voltará a Portugal tão cedo.

Entretanto, seria avisado estudar isto nas escolas de economia, nem que seja para memória futura, é que esta não foi a primeira vez que fomos atacados pela doença.

– Já estudam?!

Então, deviam tentar renomear para: doença portuguesa (até por razões de ordem histórica e de direitos autorais), e talvez assim os alunos retivessem algo.

 

tags:
publicado por Victor Tavares Morais às 11:32 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Hermann Hesse

 

 Hesse no Lago Constança - onde escreveu Unterm Rad e Gertrud.

 

publicado por Carlos Botelho às 01:50 | comentar | partilhar
Sábado, 21.01.12

Boa pergunta

Ninguém pergunta a José Sócrates como se sustenta a viver em Paris, ou a desculpa ainda é a fortuna da família que nunca apareceu nas suas sucessivas declarações de rendimentos? E ninguém se indigna com o silêncio do ex-líder do PS sobre o estado em que deixou o país? Ou porque não aparece em tribunal mas chega sempre a tempo de almoçar com os seus ex-ministros? Indignações selectivas.

 

PPM, no ABC.

publicado por Nuno Gouveia às 18:34 | partilhar

No melhor pano

Ao contrario da ILGA que se regozija com a posição de quatro deputados do CDS, eu não posso deixar de lamentar profundamente a posição que os quatro deputados do CDS tomaram hoje na votação do projecto de lei da autoria da Drª Isabel Moreira e da JS, que consagra a procriação medicamente assistida não como técnica subsidiária de procriação mas como uma técnica alternativa de procriação.
Tenho o maior respeito pelos casais que procuram ter filhos biológicos e experimento na minha família as angústias de quem procura solução. No entanto entendo que as técnicas de PMA devem ser subsidiárias para quem não consegue ter filhos no quadro de uma maternidade e de uma paternidade responsáveis.
Totalmente diferente é consagrar a procriação medicamente assistida como método alternativo de procriação, designadamente para casais de lésbicas. Não posso concordar aliás que um estado sem recursos, proporcione meios financeiros para a gestação de crianças que vão ter duas mães e não terão pai. Já basta o aborto subsidiado...
O CDS sempre teve posição clara e negativa nas questões da parentalidade em casais do mesmo sexo, sendo contrário quer em relação à adopção de crianças por casais do mesmo sexo quer à consagração da procriação medicamente assistida em método alternativo de procriação em favor de casais do mesmo sexo.
publicado por Pedro Pestana Bastos às 01:25 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

In the 90's (XXXII)

publicado por Nuno Gouveia às 01:05 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 20.01.12

CDS

Hoje é um dia negro na sua história.

publicado por Filipe Anacoreta Correia às 21:02 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

pesquisa

 

posts recentes

links

Posts mais comentados

últ. comentários

  • ou podre
  • http://fernandovicenteblog.blogspot.pt/2008/07/si-...
  • O pagamento do IVA só no recibo leva a uma menor a...
  • O ranking tal como existe é um dado absoluto. Um r...
  • Só agora dei com este post, fora do tempo.O MEC af...
  • Do not RIP
  • pois
  • A ASAE não tem excessos que devem ser travados. O ...
  • Concordo. Carlos Botelho foi um exemplo de dignida...
  • ou morriam um milhão deles

tags

arquivos

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

subscrever feeds