Terça-feira, 03.01.12

Cachimbos de lá

Roy Lichtenstein, Natureza-morta cubista com cartas de jogar, 1974. 
publicado por Pedro Picoito às 23:10 | comentar | partilhar

Pingo Doce

Todos os que rasgam as vestes com a notícia de que Soares dos Santos transmitiu acções da Jerónimo Martins para uma sociedade com sede na Holanda, não se esqueçam de não encher o depósito em Badajoz.

Pois, eu sei que muitos fazem questão de atestarem sempre no Caia, sobretudo quando o carro é da empresa e a gasolina é paga por esta.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 18:04 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

O nacionalismo fiscal

Nos últimos anos os governantes portugueses apostaram num regime fiscal opressivo para os investidores, empresários e criadores de riqueza. Para alimentar um monstro cada vez mais esfomeado, os políticos foram aumentando a carga fiscal, dificultando ainda mais a vida a todos aqueles que poderiam investir e gerar riqueza no nosso país. O investimento estrangeiro tem sido anémico e muitas empresas portuguesas (o que é positivo) olham cada vez mais para o exterior para investirem os seus recursos. E os governantes portugueses, em vez de criarem condições para tornar o nosso país mais atractivo ao investimento, criaram barreiras fiscais pouco competitivas, o que leva empresas como a Jerónimo Martins a terem atitudes como esta que hoje se discute. São atitudes racionais de quem tem a obrigação de zelar pelos seus interesses. Num mercado global e cada vez mais integrado, seria importante as pessoas olharem para as regras do mercado e insurgirem-se não contra quem segue essas mesmas regras, mas sim contra quem cria barreiras. Em Portugal, muitas pessoas parecem viver num mundo utópico. Não deixa de ser sintomático da era em que vivemos que seja a esquerda a ter os discursos mais nacionalistas e populistas sobre a actividade económica, fazendo por vezes lembrar o tom de partidos de extrema-direita. Se queremos mais investimento estrangeiro e que as empresas portuguesas não sintam a necessidade de transferirem-se para outras paragens, pressione-se o poder político para mudar as nossas regras. E para que a Holanda ou outro país da União Europeia não tenha condições mais favoráveis. Enquanto tal não suceder, casos como este da Jerónimo Martins continuarão a acontecer, cada vez com mais frequência. 

publicado por Nuno Gouveia às 17:15 | partilhar

À atenção dos senhores da troika: lei do arrendamento é mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma

Alterar a lei do arrendamento é fundamental para desfazer uma distorção estrutural importante, o governo tem razão, e a ministra Assunção Cristas apresentou-se, como é hábito, segura e competente e soube responder muito bem a quem tentava a todo o custo acusá-la de mandar uma geração inteira de pensionistas para debaixo da ponte.

 

É conveniente, no entanto, que se tenha noção que esta legislação apresentada não só não resolve qualquer problema estrutural do mercado do arrendamento - só deixar o mercado funcionar, protegendo o estado (não os proprietários, atenção) idosos e deficientes, o faria - como ainda cria uma enorme injustiça adicional a ser carregada pelos inevitáveis proprietários.

 

Vejamos o que propõe a nova lei para as rendas anteriores a 1990: se proprietário e inquilino não chegarem a acordo sobre o novo valor da renda, para o proprietário reaver a casa tem de pagar ao inquilino uma indemnização! Uma indemnização! Depois de décadas (que esta injustiça já não se mede em anos) a subsidiar o inquilino nas suas rendas, o proprietário terá de indemnizar o inquilino se quiser ter a sua casa de volta. E a indemnização não é calculada sequer pelo valor da renda paga anos a fio pelo inquilino, mas sim pelo valor médio das rendas propostas por inquilino e proprietário. Se o proprietário quiser ter a sua casa, então terá que despender em qualquer caso alguns milhares de euros e pelos vistos, para este governo, tal como para o PCP e para o BE, qualquer pessoa que já comprou uma casa para arrendar tem sempre vários milhares de euros à disposição e, se não tem, tinha obrigação de ter e deve ser tratado como se tivesse.

 

Deixando de lado a injustiça da proposta, é mais ou menos evidente que os senhorios não terão dinheiro para indemnizar os inquilinos e que não irão recorrer ao crédito para obter fundos para a indemnização - parece que o crédito bancário é escasso e que nestes tempos se deve pensar mais em poupar do que em endividarmo-nos. Pelo que será sempre do interesse do inquilino não chegar a acordo com o senhorio. E assim se perdeu tempo criando uma lei que não terá qualquer efeito.

publicado por Maria João Marques às 16:51 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Da série "Vale a pena ler"

«O ar do tempo acha que é completamente independente do cristianismo. O ar do tempo está errado. Mesmo que não acredite no mistério pascal (como eu o percebo), mesmo que não seja um cristão de fé, o cidadão ali da rua é um cristão cultural, educado numa cultura de direitos que só cresceu na civilização judaico-cristã.» do Henrique Raposo.

publicado por Paulo Marcelo às 15:02 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Triplamente no vermelho

 

[retirado da página do camarada Jorge Costa no facebook]

publicado por Paulo Marcelo às 12:28 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Segunda-feira, 02.01.12

A melhor mensagem de Ano Novo

"E é exactamente porque o sabemos e porque reconhecemos na família o maior e mas pedagógico sustentáculo da sociedade, que todos – por motivos religiosos ou humanitários – devemos dar-lhe o apoio social e a primazia legal que indubitavelmente merece. Educando familiarmente os mais novos, para que possam criar por sua vez boas famílias; dando às que se constituam as condições materiais e institucionais que as tornem mais sustentáveis e até apetecíveis; planificando a sociedade e o trabalho em função das famílias e da respectiva unidade, e não de modo meramente individual e disperso… Tanto a fazer, para contrariar, pela positiva, a pesada estatística de divórcios, uniões não institucionais, poucos nascimentos e pessoas sós.

...

4. Estamos em tempo de crise, mas sobretudo de sair dela. Não deixemos então que os mesmos factores individualistas ou economicistas que negativamente a provocaram prevaleçam agora, ainda que doutra maneira, sobre os factores familiares e personalistas que foram por demais esquecidos.

Há dois mil anos, Deus visitou-nos numa família, que Ele próprio formou para si e para nós: para que nascesse no mundo e o mundo renascesse n’Ele. Século após século, os seguidores de Cristo tentaram – com maior ou menor êxito e congruência, é certo, mas com inegável insistência – reforçar a família humana com qualidades que ainda mais a garantissem. Assim se dignificou a mulher, na complementaridade com o homem; assim se dignificaram mutuamente pais e filhos e se acompanharam os parentes idosos ou sós; assim se santificou para os crentes a própria instituição familiar. Voltar atrás em qualquer destes pontos seria uma tremenda tragédia civilizacional, com graves riscos para a solidariedade e a paz, que têm geralmente na família a sua primeira e indispensável pedagogia."

 

D. Manuel Clemente, ontem, homilia de Ano Novo


publicado por Victor Tavares Morais às 22:31 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

A isto chama-se demagogia

 

O Bloco de Esquerda anda desesperado. Depois de somar derrotas eleitorais - na última perdeu metade dos deputados - em vez de incentivar o debate interno e questionar a liderança do camarada Kim-il-Louçã, que se eterniza no poder (primeiro no PSR e agora no BE) prefere recorrer a uma retórica demagógica para tentar ganhar (ou não perder) votos. No cartaz de cima, sob uma capa de verdade, apela-se aos sentimentos mais básicos, como inveja e o ressabiamento, contra os exploradores mascarados de troika e de banqueiros. Não me oponho, antes pelo contrário, a um discurso político exigente e reivindicativo, como vemos muitas vezes nos sindicatos. Mas chamo a atenção para que a linguagem deste e doutros cartazes do Bloco nada propõe, nada exige, nada reivindica; apenas destrói e manda a baixo, ajudando a corroer a ténue confiança social que ainda existe nestes tempos difíceis, que vão continuar a exigir sacrifícios. Atenção camaradas. Em democracia as alternativas constroem-se com ideias e propostas, não com demagogia e populismo. Lenine talvez, mas duvido que Trotzky gostasse disto.

publicado por Paulo Marcelo às 10:40 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Domingo, 01.01.12

Interrogações que nos ficam ao entrar em 2012

O ano de 2011 foi um ano duro de confronto com a realidade para a maioria dos portugueses e europeus. Um confronto que era previsível e foi anununciado por algumas pessoas - comentadores, economistas e políticos - aqui na blogosfera, o meu óscar vai direitinho para o Jorge Costa. Quase todos foram desacreditados, gozados, enxovalhados  pela maioria dos outros comentadores, economistas e políticos. É importante assumirmos a responsabilidade de que tudo poderia ter sido diferente. Por outro lado, é um ano em que, em Portugal e na Europa, toda a gestão da crise foi gerida em função de cenários eleitorais e pré-eleitorais.

Se, ao olharmos para trás, avaliarmos negativamente a gestão destes tempos, todos eles decisivos, e se verificarmos que  tal avaliação tem a democracia no seu princípio e fim - "não era possível fazer mais em Democracia", como ouvi algumas vezes, por exemplo a Vítor Bento -, porque foi o seu calendário eleitoral que nos condicionou e orientou para sucessivas más decisões e governações. Se ao fazermos a avaliação final nos parecer que de Cavaco a Merkel, do PS ao PSOE, todos falam ou calam, agem ou tardam em função do calendário eleitoral e não obstante o interesse colectivo exigisse que se fizesse precisamente o contrário. Se assim for, teremos um problema. Porque numa das maiores crises de que há memória na Europa, que condicionará seguramente as nossas próximas décadas e provavelmente  os próximos séculos, a democracia não nos deu a resposta que devia, nem nos fortaleceu, antes nos expôs ao enfraquecimento. Numa altura em que as bolsas sobem porque um regime ditatorial acaba de determinar a entrada na empresa que é a jóia da nossa coroa, valerá a pena pensar nisto?

publicado por Filipe Anacoreta Correia às 11:57 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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