Sexta-feira, 24.02.12

Vou queixar-me à ILGA

Sinto-me muito ofendido com este post da Ana Matos Pires. Mas porque é que eu não posso ser ao mesmo tempo "burro" e de "má fé"? O que é que eu tenho a menos do que o Vara ou o Lello? Foi para isto que fizemos o 25 de Abril? Para que um cidadão fosse intoleravelmente privado do seu direito à opção insultuosa? Vou queixar-me à ILGA. Esses, ao menos, chamam-me tudo.

 

PS1: Já agora, agradecia que, com ou sem todos os insultos a que tenho direito, a Ana e a Maria João referissem a fonte do número de mortes por aborto. Se for credível, a conversa é outra. Mas prometo que vou continuar a ser burro e de má fé. Como o Vara. E o Lello.

 

PS2: Embora a fotografia supra sugira uma dissociação clara entre o burro e o pagão-de-cachimbo-logo-de-má-fé, devo esclarecer que isso só acontece porque não encontrei imagens de burros de má fé. O Google é tão discriminatório como o Jugular. Para efeitos práticos, considere-se que o pagão e o burro são uma só substância unificada pelo cachimbo. Não me privo.     

publicado por Pedro Picoito às 17:45editado por Paulo Marcelo às 18:22 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Fim do euro (16) Obrigações a taxa fixa

Vou finalmente retomar a subsérie de posts sobre a queda dos preços dos activos. As obrigações a taxa fixa são o exemplo mais fácil para se perceber porque é que uma subida das taxas de juro leva a uma queda do seu preço.

 

Vou fazer algumas simplificações para tornar a explicação mais acessível, inicialmente ainda no contexto do euro. Vamos considerar o caso mais simples, o de uma obrigação com o prazo de um ano. Imaginemos uma obrigação com o valor nominal de 100 euros e que paga um cupão anual fixo de 5%. Isto significa que ela paga um juro de 5 euros ao fim de um ano, mais o capital de 100 euros, totalizando 105 euros.

 

Suponhamos que há um aumento súbito das taxas de juro de mercado a um ano, de 5% para 15%. Então ninguém estaria disponível para continuar a pagar 100 euros por esta obrigação. A única forma de garantir compradores é que a cotação desta obrigação descesse para 91,30€. Se fizerem as contas verificarão que se pagarmos 91,30€ agora e recebermos 105€ daqui a um ano, estaremos a receber uma taxa de juro de 15%.

 

Suponhamos agora que as taxas de juro subiam, não para 15%, mas para 20%. Nesse caso a cotação daquela obrigação teria que cair para 87,50€. Podem fazer as contas de novo e verificar que uma cotação de 87,50€ assegura a nova taxa de juro de 20%. Como verificamos deste exemplo, quanto mais subirem as taxas de juro mais cairão os preços das obrigações.

 

Façamos agora uma outra simulação. Vamos manter a subida dos juros de 5% para 15% e verificar o seu impacto na cotação de diferentes obrigações, com prazos crescentes. Como já vimos, uma obrigação a um ano veria o seu preço descer de 100€ para 91,30€. Para uma obrigação a 2 anos as perdas seriam necessariamente maiores, mais exactamente para 83,74€. A verificação destes cálculos é um pouco mais complicada e não a vou detalhar aqui.

 

Por maioria de razão, quanto maior o prazo, maiores as perdas. Uma obrigação a 5 anos veria o seu preço baixar para 56,55€ e uma obrigação a 10 anos sofreria perdas muito superiores, passando a ter uma cotação de apenas 30,30€.

 

Se considerarmos agora a saída do euro, teremos dois efeitos a diminuir fortemente as cotações das taxas de juro a taxa fixa. Em primeiro lugar, a depreciação de valor, devido à mudança de moeda. Em segundo lugar, a perda de valor associada à subida das taxas de juro, detalhada neste post.

publicado por Pedro Braz Teixeira às 14:58 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Bancada poente

Começo a ter pena do PS. De manhã o líder parlamentar anuncia a liberdade de voto mas dá a entender que votará contra os projectos de adoção por casais homossexuais.

Para o debate o líder parlamentar indica apenas deputados que tomam a palavra para defender posições contrárias aos projectos do BE e dos Verdes.

Nas votações, afinal, 38 deputados do PS votaram a favor e apenas 9 votaram contra os projectos do BE e dos Verdes.

O próprio líder parlamentar, perante uma bancada a votar maioritariamente a favor o projecto do BE, acaba por optar pela abstenção.

Feitas as contas tivemos mais deputados do PCP a votar contra a proposta do seu parceiro de coligação (Verdes) do que deputados do PS. 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 14:48 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quinta-feira, 23.02.12

Recordar tudo

A propósito da crónica sobre os cinco anos da liberalização do aborto, o meu amigo Filipe Nunes Vicente, agora em vita abscondita, aconselha-me a recordar tudo: "o número de mortes desceu e, também importante, o número de humilhações desceu igualmente".

Vou deixar de lado a ironia de dizermos que o número de mortes diminuiu quando estamos a falar de oitenta mil abortos legais (fora o aborto clandestino que se mantém, embora residual).

[...]

Quanto às humilhações, confesso que não compreendo se o Filipe se refere ao fim dos julgamentos por aborto ou ao fim do estigma social do aborto.

Se é o primeiro, recordo que em 2007 já não tínhamos julgamentos por aborto há muito tempo, julgamentos que foram ressuscitados meses antes do referendo por um Ministério Público, como direi?, oportunamente zeloso. E recordo também que os defensores do "sim" exploraram com mediatismo a humilhação, fazendo-se entrevistar por todos os jornais e televisões às portas dos tribunais. Em Setúbal, a então deputada comunista Odete Santos aproveitou um julgamento para fazer comícios diários. Há humilhações que dão muito jeito. 

Mas talvez o Filipe se refira à maior tolerância com o aborto depois da mudança legislativa, e em parte por causa da mudança legislativa. Só posso repetir que "descida do número de humilhações" não é uma vitória civilizacional: é uma derrota. Como o próprio Filipe recordou há dias, quando o poder quer mudar o bem e o mal por decreto, começa por reinterpretar as palavras e só depois as coisas. Antes de ordenarmos a "solução final", declaramos os judeus untermenschen. Depois de estar no papel, é mais fácil de aceitar pela burguesia. Foi isso que fizemos em 2007. Foi por isso que invoquei a banalização do mal arendtiana. Recordar tudo, sempre. E recordar com todos.   

publicado por Pedro Picoito às 19:09 | comentar | ver comentários (27) | partilhar

...

Roubado ao Rodrigo

publicado por Nuno Gouveia às 19:08 | partilhar

Convite

publicado por Pedro Picoito às 18:35 | comentar | partilhar

Ainda o processo Casa Pia

Dez anos volvidos sobre a revelação dos abusos sexuais, vamos conhecer esta tarde o acórdão da Relação sobre os recursos das decisões condenatórios de 2010. Qualquer que seja o deve e o haver entre condenações e absolvições, o balanço não pode deixar de ser negativo. 460 sessões de julgamento, 2043 requerimentos, 1933 despachos, 800 testemunhas, 300 volumes, sem falar nas aclarações e recursos, actuais e futuros, que vão arrastar ainda mais o processo. E dos pedidos de nulidade que podem fazer regressar tudo à casa da partida. As semelhanças deste “monstro” com a parábola kafkiana são evidentes. Uma Justiça cada vez mais desumanizada e enredada numa lenta e pesada teia burocrática, que conduz à sua própria negação, onde os aspectos formais se tornam mais importantes que o apuramento da verdade. Entretanto, os condenados como abusadores de crianças (sublinho que se fez prova que eles praticaram abusos sexuais) estão em liberdade, como se nada fosse. Alguns continuam a ser estrelas televisivas e a usar esse pedestal em proveito próprio. 
Até há pouco tempo acreditava-se que a Justiça era lenta mas funcionava. Agora generaliza-se uma ideia de ineficácia. Um sistema que é forte com os fracos, mas fraco com os ricos e poderosos. Um sistema burocrático que atrai complexidade e morosidade. É intolerável que haja processos que se arrastam durante décadas. Por detrás dos quilómetros de papel estão pessoas concretas, com problemas reais que carecem de uma solução rápida. A palavra-chave, por isso, tem de ser simplificar, o que implica, sejamos claros, reduzir certas garantias processuais, transformadas em expedientes dilatórios. Se nada fizermos o sistema corre o risco de apodrecer. Que me perdoem os meus colegas advogados, mas é necessário aumentar o poder e autonomia dos magistrados. E libertá-los das tarefas administrativas para se concentrarem na actividade jurisdicional. É urgente uma revolução do nosso paradigma processual, pensado para um outro tempo. Trazer a justiça portuguesa para a modernidade, aproximando-a do tempo socialmente justo, mais próximo dos cidadãos e das empresas.
publicado por Paulo Marcelo às 11:21 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Quarta-feira, 22.02.12

Cachimbos de lá

James Whistler, Velho Fumando, 1858. 
publicado por Pedro Picoito às 12:05 | comentar | partilhar

E agora?

Pois é, desta vez com nomes e datas. 

E agora? Alguém tira consequências ou vamos continuar todos a assobiar para a atmosfera? 

publicado por Pedro Picoito às 11:52 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Terça-feira, 21.02.12

António Arroio

 

Como sabemos os alunos não são mal educados. São rebeldes, opinativos, críticos e divergentes. Ensaiam-se em exercícios de democracia legítimos e enriquecedores como chamar ladrão à mais alta figura do Estado, que entretanto falhou a saída da rotunda e avançou…mas ao contrário, e a empunhar cartazes para a legalização das drogas, a gritar palavras de ordem antifascistas e outras coisas altamente credibilizantes. Porque o Presidente não recua, nunca recua, mesmo quando tem gente à sua espera. Quem fez então o Presidente recuar? Um grupinho numericamente insignificante quando comparado com os 1200 alunos de toda a escola e que, aliás, faltaram às aulas para fazer aquela triste figura.  Muitos manifestantes não eram sequer daquela escola soubemos pelo seu director. De onde eram então? Ninguém sabe mas todos presumimos. A ver pela qualidade dos cartazes não eram, tão pouco, os mais artisticamente dotados. Se continuarem a faltar às aulas vão continuar a não ser...

A Escola António Arroio é para os políticos uma escola muito difícil. Não que seja hoje uma escola politizada. Mas durante muito anos foi um antro político do Partido Comunista. A JC achava que aquela escola era sua e assim organizava, a partir do seu interior, eventos políticos / artísticos, colavam cartazes e enchiam a escola de lixo. Hoje já não existe nada disso, pelo menos dentro da escola. Agora há paredes brancas e trabalhos de grande qualidade feitos pelos alunos com uma apresentação cuidada e apetecível. Nem um grafiti sequer. Fora da escola, sim, há quem insista em acções de contaminação e agitação, como foi o caso, a que Cavaco Silva fez questão de dar uma visibilidade desproporcionada, o que nem Sócrates conseguira. Hoje a população escolar é muito mais heterogénea no plano ideológico e social embora naturalmente se entorne sempre para o lado esquerdo quando o caldo se agita, o que torna estes alunos mais susceptíveis a acções de circo como as da semana passada. Da exposição dos trabalhos dos alunos ninguém viu porque ninguém mostrou. Aliás a televisão não mostrou nada, a não ser uns coitados a comer sandes porque não tinham refeitório. Portanto não tinham onde comer? Não. Têm provisoriamente o refeitório da escola básica a 200m de distância que não usam porque não querem. A escola António Arroio está a ter obras de mais de 22 milhões de euros, quase terminadas, eles protestam; Têm o custo de funcionamento mais caro por aluno, a nível nacional, e eles protestam; Têm estúdios de cinema e fotografia, joalharia, azulejaria, tecelagem, tipografia, laboratórios vários, dois pavilhões desportivos, imacs de última geração, e eles protestam. Há um ano e meio estava a escola a funcionar em contentores, hoje têm tudo novo e eles protestam. Quanto aos outros alunos, os que produziram o trabalho da exposição e aos professores que os apoiaram, esses foram os verdadeiros abandonados pelo senhor Presidente. Se abandonamos o espaço que é nosso ele fica vazio e pronto a ser apropriado por alguém. E custou tanto a desocupar. Senhor Presidente, não se engane outra vez na rotunda. Pode ter gente à sua espera…

 

 

publicado por Ricardo Roque Martins às 18:32editado por Paulo Marcelo em 22/02/2012 às 10:31 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

In the 90's (XXXVII)

Mad Season, o projecto paralelo do grande Layne Staley dos Alice in Chains, que morreu em 2002. Faziam ainda parte Mike McCready dos Pearl Jam, Barrett Martin dos Screaming Trees e  John Saunders, também falecido em 1999. Apenas lançaram este álbum, Above, mas valeu bem a pena. 

 

publicado por Nuno Gouveia às 00:13 | comentar | partilhar
Segunda-feira, 20.02.12

Não há memória

Arrisco a dizer-me que esta é a campanha presidencial americana mais instável da história. Nada menos do que cinco candidatos já lideraram as sondagens nacionais em certo período: Romney, Perry, Cain, Gingrich e Santorum. O único indicador constante é que Mitt Romney nunca se afundou e tem sido primeiro ou segundo das sondagens. Mas estes indicadores não deixam de evidenciar a fragilidade de Romney, que tem sido apontado por todos os analistas como principal, ou até talvez, o único candidato que pode vencer estas primárias. Poucos entres elites republicanas imaginam um dos outros candidatos a defrontar Barack Obama em Novembro. Ninguém deseja que se repita o cenário de 1964, quando Barry Goldwater foi cilindrado por Lyndon Johnson.

 

No próximo dia 28 Romney tem uma batalha decisiva para arrancar para a vitória. Caso não vença no Arizona e principalmente no Michigan, o seu estado natal, os alarmes vão soar em Washington entre as elites. Não por acaso, voltou a falar-se numa entrada tardia de um outro candidato. Não que seja um cenário muito credível, mas muito periogoso para Romney. Com o apoio do establishment, com muito mais dinheiro e recursos do que os seus adversários, Romney tem demonstrado uma incrível fragilidade. Está certo que se for o nomeado, esta corrida poderá ser esquecida, até porque Romney é muito mais um candidato de eleições gerais do que de primárias, onde os sectores mais conservadores têm um enorme peso. E está provado que ele não consegue atrair este eleitorado. No entanto, há alguns sinais positivos para ele. No Michigan, as recentes sondagens indicam uma ligeira recuperação para ele, na imprensa conservadora começam a aparecer muitas histórias negativas para Santorum (o Drudge Report destaca imensas) e talvez o poderio financeiro consiga arrancar uma vitória no Michigan, à semelhança do que sucedeu na Florida. Mas não tenhamos dúvidas: se Romney deseja ter hipóteses contra Obama, se chegar lá, precisa de ser um candidato muito mais eficaz. O que não tem acontecido. 

 

Também no Era uma vez na América

publicado por Nuno Gouveia às 23:43 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

o momento Kaputnik

 

Dois meses depois do lançamento do satélite Sputnik (realizado em Outubro de 1957), os EUA sentem a obrigação de dar uma resposta à URSS, mas o resultado é o seu momento Kaputnik (a tentativa de colocar em órbita o Vanguard TV-3), nome com que ficou conhecido este fiasco.

Em 1957 o presidente Eisenhower também estava preocupado com a contenção orçamental, e ao contrário de Obama não tinha para os americanos um discurso muito entusiasmante. Face ao desafio espacial lançado pelos russos, dizia com alguma ironia: “Gostaria de saber o que está do outro lado da lua, mas não vai ser este o ano que vamos pagar para ver”. Faz um ano que Obama lançou o seu “momento Sputnik”.

 

 

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publicado por Victor Tavares Morais às 21:39 | comentar | partilhar

As más práticas

Os ministros e secretários de Estado do Governo de José Sócrates pagaram despesas com cartões de crédito e verbas do fundo de maneio dos gabinetes, sem que haja rasto do dinheiro nos orçamentos dos seus ministérios. Na prática, como já deixou claro o Tribunal de Contas, o cartão de crédito funciona como um suplemento remuneratório. A ex-ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, e o ex-ministro da Justiça, Alberto Martins, tinham cartões de crédito com um plafond mensal de cinco mil e quatro mil euros, respectivamente. Com o salário, despesas de representação e regalias como cartão de crédito, fundo de maneio e telemóvel, a remuneração de um ministro rondava os 10 mil euros mensais.

 

Não sendo eu defensor da teoria, muito popular nos dias de hoje, que os políticos ganham demasiado, também não posso estar de acordo com este tipo de práticas que são descritas no Correio da Manhã. Pela notícia percebe-se que era uma prática corrente em todos os governos. Também por isso tenho de aplaudir a atitude deste governo, que acabou com esta situação. E não foi, como é normal em Portugal, depois desta prática ter sido revelada. A decisão do governo em cortar com os cartões de crédito dos governantes foi tomada imediatamente após a tomada de posse. Uma medida moralizadora que deve fazer escola. 

publicado por Nuno Gouveia às 16:40 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Alguém falou em círculo vicioso?

«Portugal has met every demand from the European Union and the IMF. It has cut wages and pensions, slashed public spending and raised taxes. Those steps have deepened its recession, making it even less able to repay its debts. When it received a bailout last May, Portugal’s ratio of debt to gross domestic product was 107 percent. By next year, it is expected to rise to 118 percent. That ratio will continue to rise so long as the economy shrinks. That is, indeed, the very definition of a vicious circle

 

[Europe’s Failed Course, o editorial do New York Times de 17.2.2012]

publicado por Paulo Marcelo às 10:40 | comentar | ver comentários (19) | partilhar
Sexta-feira, 17.02.12

Os profissionais

 

Foi durante o período de deslumbramento com a Europa, do facilitismo financeiro, do bem-estar social e da política com coração que se pôs fim ao Serviço Militar Obrigatório (SMO) em Portugal, com a Lei nº 174/99, de 21 de Setembro de 1999 (foi aprovado na AR, com votos a favor do PS e do CDS-PP, votos contra do PCP e a abstenção do PSD). Foi uma decisão que premiava o activismo das juventudes partidárias na causa, com o objectivo de fazer render votos no eleitorado jovem. 

 

A defesa pública do fim da conscrição foi realizada quase sempre sem contraditório, mas sobre o tema pronunciaram-se “os escribas do povo” e verdade seja dita, muito poucos tiveram a coragem de manifestar a sua oposição. Um dos poucos que teve o atrevimento de criticar frontalmente a aliança oportunista das juventudes partidárias e a passividade dos partidos foi o José Pacheco Pereira; nada mais digno de nota. Sem pensarem no futuro e sem fazerem contas, à excepção do PCP, da esquerda objectora à direita liberal quase todos patrocinaram e aprovaram o fim do SMO. Mas o desejo de entrar na modernidade era enorme e todos os atalhos eram permitidos.

 

Resultado do efeito ilusório, que advém da continuada redução do peso do orçamento da Defesa Nacional no total da Despesa Pública, o que talvez muitos portugueses ainda não saibam, é que, com o fim da conscrição, o Estado passou a ter um maior encargo com pessoal na Defesa Nacional (no conjunto das FA e Ministério da Defesa). O modelo escolhido em 1999 só seria possível com um aumento significativo da dotação orçamental para a Defesa Nacional.

 

Agora, com o fim do SMO conjuga-se a insustentabilidade de uma organização profissionalizada e a não coerência, ou mesmo ausência de interesse nacional, nas missões desempenhadas. Observamos hoje as trágicas consequências deste desatino nacional: não há dinheiro para garantir um quadro operacional mínimo; não há dinheiro para investimento; não há dinheiro para promoções; e num momento de crise profunda como o que atravessamos, perdeu-se a única oportunidade de formação profissional e cívica séria que alguns portugueses tinham na vida. Hoje, mais do que ontem, o erro é evidente. 

 

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publicado por Victor Tavares Morais às 19:27 | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Homenagem a um amigo e leitor do Cachimbo

publicado por Paulo Marcelo às 11:41 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Quinta-feira, 16.02.12

Da série "Vale a pena ler"

«(...) a Europa é gerida por um contrato social não escrito que permite aos eleitores transferir questões relacionadas com as políticas públicas para as elites, em troca de “pão e circo” e sob a forma dos benefícios do “berço até à cova”. Este comportamento acabou por institucionalizar-se e deu origem a uma classe política fraca que, entretanto, se especializou em subornar eleitores com quantidades intermináveis de dinheiro “emprestado”. As promessas eleitorais do caça ao voto são habituais e são poucos os que as questionam. De acordo com um artigo publicado no The New York Times, a Espanha é campeã nesta modalidade. O exemplo dado são os cerca de 20 mil milhões de euros prometidos por Zapatero na sua reeleição de 2008: para os 1,7 milhões de espanhóis elegíveis para votar pela primeira vez, o primeiro-ministro espanhol prometia subsídios de arrendamento e para a faixa etária abaixo dos 30 a construção de 150 mil casas de baixo custo. Ao mesmo tempo, piscou o olho ao eleitorado feminino, propondo uma carga de impostos inferior à dos seus pares masculinos. E estes são apenas alguns dos exemplos mais flagrantes. (...) O Estado Social, se quiser sobreviver, tem de ser reestruturado. Caso tal não aconteça, o resultado poderá ser mesmo uma inevitável extinção, com todos os problemas, ainda mais monumentais, que daí resultariam.»

 

in O “esquema Ponzi” do Estado Social europeu de Helena Oliveira 

publicado por Paulo Marcelo às 18:21 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Que les jeux commencent

publicado por Alexandre Homem Cristo às 13:31 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

E quando se acabar o Downton Abbey?

 

[Boardwalk Empire: The Birth, High Times, and Corruption of Atlantic City]

 

Falaram-me bem desta nova série que tem como um dos realizadores Martin Scorsese. O enredo passa-se em Atlantic City, New Jersey, durante os anos 20 americanos, em pleno período da lei seca. Estou curioso. Afinal pode surgir uma luz quando terminar de ver os magnifícos episódios do Downton Abbey. Voltarei ao tema quando começar a ver o Boardwalk Empire

publicado por Paulo Marcelo às 08:49 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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