Segunda-feira, 06.02.12

Coisas que se lamentam no fim da vida

Uma enfermeira com longa experiência em cuidados paliativos escreveu um livro The top five regrets of the dying, onde descreve os lamentos mais comuns ouvidos aos moribundos a que assistiu às portas da morte. No topo está 'I wish I hadn't worked so hard'. Pois, eu também digo isso às vezes ao final do dia. Para ler os outros, deêm uma vista de olhos no artigo no sítio do The Guardian.

publicado por Paulo Marcelo às 09:39 | comentar | partilhar

François Truffaut

publicado por Carlos Botelho às 04:04 | comentar | partilhar
Domingo, 05.02.12

O PSD e o PYesD

"Um social-democrata no PSD."

 

"Sá Carneiro e os fundadores do PSD  deram ao "trabalho" e ao seu valor e dignidade um papel muito mais importante no partido do que se imagina, hoje substituído pelos empresários e pelas empresas como sendo o centro da 'economia'."

publicado por Carlos Botelho às 13:30 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Prejuízos na banca

Os resultados de 2011 da generalidade da banca portuguesa foram desastrosos, com a honrosa excepção do Santander Totta. Dizem-nos que estes prejuízos são irrepetíveis e que os depósitos estão seguros. Sinto um certo cheiro a denegação no ar.

 

Mas estes prejuízos são irrepetíveis porque as operações concretas que deram lugar ao prejuízo já foram contabilizadas? Ou porque o tipo de operações que deu lugar às perdas não voltará a ser praticada, e não me refiro à transferência do fundo de pensões?

 

É óbvio (será?) que a banca portuguesa não voltará a jogar na roleta da dívida grega, mas e na dívida italiana? Mais genericamente, a banca portuguesa continua a ter carteiras de negociação e de investimento, onde se arrisca a perder mais umas centenas de milhões de euros?

 

Aceito que se apoie a banca para que esta continue a fornecer crédito à economia. Mas os bancos que recorrerem a qualquer tipo de ajuda pública devem ficar obrigados a vender as suas carteiras de títulos, seja de obrigações, seja de acções. Só assim se poderá garantir, em primeiro lugar, que não vai ser necessário gastar dinheiro dos contribuintes para tapar buracos criados por apostas financeiras falhadas. Em segundo lugar, só assim se poderá garantir que os prejuízos de 2011 não se repetirão. 

publicado por Pedro Braz Teixeira às 12:40 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

O toque reverso de Midas

 

O petróleo é duplamente viciante, é uma adição para os consumidores como o é para os produtores. O "toque reverso de Midas" é mais uma das patologias económicas conhecidas dos petro-estados, originada pelo poder destrutivo da indústria do petróleo e diagnosticada nos países produtores – caracteriza-se por uma enorme rigidez fiscal que por sua vez conduz a um crescente de despesa pública. Esta doença é o resultado da enorme volatilidade dos preços das commodities (gás e petróleo) que aquando da alta de preços induz nos Estados uma enorme pressão para realizar gastos avultados; mas depois, aquando da baixa, estes não têm condições de reduzir.

A indústria petrolífera é uma indústria de capital intensivo, e de per si, não consegue gerar elevados níveis de empregabilidade e de bem-estar social. Aquando dos períodos de euforia dos preços do petróleo os Estados produtores são inundados de dinheiro, pressionados pelos eleitores e por lobbies, usam-no para aumentar a satisfação social por via da promoção do emprego e para satisfazer interesses particulares. O que conseguem recorrendo a programas de construção de infraestruturas, programas sociais e subsídios vários. Quando os preços invertem e os rendimentos da indústria petrolífera descem, os governos não têm flexibilidade para cortar nos custos, os programas lançados já estão em curso, as obras estão adjudicadas, os contratos estão assinados, as pessoas contratadas – uma espiral de custos. O risco de cortar com este ciclo vicioso é, quase sempre, o de lidar com uma explosão de descontentamento social. Observámos recentemente este facto, com o receio de instabilidade social por parte dos países da OPEC, quando afirmaram o seu último consenso para o preço do petróleo em torno dos 100 US$.

Aqui chegados, parece fácil de ver o que há de comum nesta doença com o actual estado de  Portugal, mas também com a Europa no seu conjunto. Para este “quadro clínico” existem dois paliativos e uma cura. Os paliativos, por norma, são: imprimir dinheiro que traz a inflação; ou pedir dinheiro que traz o serviço da dívida. A única cura, que tem provado, parece ser o ajustar os custos para baixo, em linha com estimativas conservadoras quanto aos níveis de proveitos, independentemente dos ciclos de preço do petróleo. É bom de ver, que isto não é popular. Mas também não é o equivalente a uma limitação do défice, nem uma garantia de superavit. Se houver um crash nos mercados das commodities os Estados poderão recorrer às poupanças acumuladas, ou à dívida.

Esta boa prática orçamental, que revela prudência e equilíbrio da gestão pública, parece bem mais razoável do que uma limitação constitucional do défice. É uma inversão à prática orçamental realizada até hoje em Portugal – em que os proveitos foram optimisticamente ajustados aos custos, mas que, infelizmente, a realidade insistiu sempre em contrariar, gerando sistemáticos défices e portanto mais dívida.

A regra da limitação constitucional do défice parece ser absurda, até para a própria Alemanha. Alguém acredita que se a Alemanha vir de alguma forma a sua segurança ameaçada, e necessitar de realizar despesas e/ou contrair empréstimos, não o fará por uma limitação constitucional?

Se algum Estado o fizer é porque o instinto de sobrevivência o abandonou.

 

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publicado por Victor Tavares Morais às 00:33 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Sábado, 04.02.12

A miséria

Pacheco Pereira, no Público, hoje:

 

"(...) Os blogues políticos têm cada vez menos importância. (...) Tornaram-se espelhos miméticos dos partidos e fracções [facções?] políticas.

(...)

Infelizmente para os blogues, bastou um ciclo de mudança política para mostrar [...] todos os defeitos da vida política portuguesa - o espírito de obediência, a falta de independência crítica, a absurda redução de tudo à dicotomia situação/oposição e o puro oportunismo pessoal de um país em que a fome é muita e os empregos escassos -, para tornar os blogues meros acrescentos dos partidos políticos e das suas facções. O clubismo político instalou-se e com ele a desertificação ideológica, os silêncios e as falas de conveniência, a submissão ao novo unanimismo, o espírito de claque em guerra com os adversários, e de um modo geral a completa mediocridade daquilo que passa por ser o debate político em Portugal. Os blogues políticos parecem-se cada vez mais com secções das 'jotas' partidárias."

 

Cuidado.

publicado por Carlos Botelho às 23:39 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Carnaval

 

Pedro Passos Coelho é um bom Primeiro Ministro. Não obstante as constantes adversidades tem conseguido liderar um governo e uma coligação com serenidade, sabedoria e determinação.

No entanto a decisão de não atribuir tolerância de ponto no Carnaval foi a meu ver uma opção errada. Quanto mais a crise aperta, quanto maiores são as tensões e os sacrifícios colectivos que se exigem aos portugueses, quanto mais subsídios se suspendem aos funcionários públicos mais importante se torna o Carnaval. E não é tanto pelo facto de coincidir com férias escolares com todas as consequências familiares que advêm, mas sobretudo porque o Carnaval pode funcionar como uma válvula de escape colectiva, intergeracional e interclassista, essencial num tempo em que somos convocados a dar o melhor de nós. Qualquer comunidade tem a necessidade de ter festas com as características do Carnaval onde é colectivamente permitido ultrapassar os limites, O carnaval é socialmente muito mais importante nos tempos difíceis do que nos tempos de abundância.

 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 12:12 | comentar | ver comentários (21) | partilhar

Conservadores

publicado por Pedro Pestana Bastos às 09:27 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 03.02.12

Actualização

Depois de muitos pedidos, decidimos renovar a lista de links dos blogues. Dado que a última actualização tinha sido há bastante tempo, saíram alguns que já não têm actividade e entraram outros novos. Ou não tão novos. 

publicado por Nuno Gouveia às 21:20 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Diário de um cínico

Os comentários a este meu post deslocaram-se para questões um pouco laterais, tais como Israel e a Turquia. Nada contra: as caixas de comentários servem para derivas e eu gosto de derivar (só não tenho paciência para calimeros, hipócritas e calimeros hipócritas). Confesso, porém, que me surpreende o grau de cepticismo quanto à Primavera Árabe.
É verdade que a democracia está muito longe de consolidada por aquelas bandas. Aliás, os acontecimentos dos últimos dias no Egipto mostram que a própria situação política é instável, podendo evoluir para um abandono rápido do poder pelos militares ou para um regresso ao estado de emergência. A incerteza é grande, mesmo nos países em que houve eleições. Já o disse e repito: o voto é condição necessária, mas não suficiente, da democracia. Cuba e a China têm eleições, mas de partido único. Em Portugal, a ditadura tinha eleições, mas falsificadas. Como Tocqueville notou no fim da sua Democracia na América, já lá vai século e meio, até um regime formalmente democrático pode ser de facto um despotismo da maioria se não respeitar os direitos individuais. Por isso defendi que o grande teste à compatibilidade entre Islão e democracia não está nas eleições, mas no respeito pela liberdade religiosa e pela condição feminina (e pela existência de Israel, acrescentei, fazendo uma analogia talvez forçada). Ora, a história ensina que, apesar da celebérrima e mui mal compreendida tolerância islâmica, as minorias têm uma longa noite de falta de direitos nas sociedades árabes. Só por milagre de Alá as coisas mudarão de um dia para o outro, sobretudo se a sharia for agora imposta por via parlamentar.
Por outro lado, um olhar atento revela que as mudanças foram apenas cosméticas quando impostas de cima para baixo (Marrocos e Arábia Saudita), mas ainda não ganharam forma de regime quando impostas de baixo para cima. Mais uma vez, o melhor exemplo é o Egipto, que discute se o novo regime será parlamentarista, como querem os partidos islâmicos em maioria no Parlamento, ou presidencialista, como preferem os movimentos laicos para os quais a eleição de um candidato nas presidenciais, legitimado pelo voto directo, é a última esperança de inverter a correlação de forças.  Nada nos garante, de resto, que essa reviravolta se dê. Pelo contrário. Ou seja, o futuro constitucional do maior país da região depende dos bons sentimentos da Irmandade Muçulmana. Sim, também estou preocupado - só um tontinho não estaria.
Dito isto, vejo dois motivos de esperança.
Em primeiro lugar, e por estranho que pareça, a Irmandade Muçulmana e os partidos afins têm reclamado esses bons sentimentos. Os programas eleitorais dos diversos partidos islamistas evidenciam um ponto em comum: são curiosamente moderados. Nada de prometer o fim de Israel ou a restauração do califado. O mote é o desenvolvimento económico, o fim da corrupção, a justiça social, a criação de riqueza para todos. Os próprios nomes, rebranded à imagem do AKP turco (Partido da Justiça e do Desenvolvimento), são reveladores: em Marrocos, o partido islamista tem o BI do seu congénere da Turquia; no Egipto, a Irmandade Muçulmana converteu-se em Partido do Desenvolvimento e da Liberdade e os radicais salafistas baptizaram vagamente a sua lista de an-Nour (A Luz); na Tunísia, o velho an-Nahda al-Islamiyah (Renascimento ou Despertar do Islão) abdicou da referência confessional e concorreu apenas como an- Nahda. O mote é tanto mais credível quanto são em muitos países as mesquitas, com fundos sauditas e do Qatar, a providenciar a assistência social que um Estado ineficiente e clientelar não providencia. Se este programa catch all é sincero ou apenas táctico, só o tempo o dirá. Mas tudo indica que, sem ele, o Islão político não teria o mesmo sucesso eleitoral.
Em segundo lugar, e ainda mais importante, o simples facto de se terem realizado eleições é revolucionário em si mesmo. Pela primeira vez em muitas décadas, há no Magrebe e no Médio Oriente governos e assembleias políticas que baseiam a sua legitimidade no voto e não em golpes militares, na sucessão dinástica, na negociação tribal ou na obediência ao Corão. O potencial reformador de semelhante acontecimento, multiplicado pelas expectativas de uma população jovem e cada vez mais liberal, não deve ser menorizado. As eleições, se livres, têm um inestimável efeito: impedir que alguns reclamem a seu favor a vontade popular ou o sentido da revolução. O voto livre faz a contabilidade do pluralismo. Permitam-me uma nova analogia: em Portugal, o PREC ficou de algum modo decidido nas eleições de 75, segundo Rui Ramos "um acontecimento fundador". Quando o país inteiro se deu conta que o PCP tinha apenas 12,5% dos votos expressos e o PS, o PSD e o CDS 72% em conjunto, um golpe comunista tornou-se impossível. Como se viu.
Claro que, do lado de lá do Mediterrâneo, a proporção parece inversa: as forças que sempre recusaram eleições ganham-nas hoje por larga maioria. Mas, ao jogarem o jogo democrático, essas forças aceitam as regras que lhes dão a vitória. Recuar agora seria um risco para a sua credibilidade e para os seus objectivos. A grande questão é saber se querem corrê-lo, fazendo das eleições a que devem o poder as últimas, como Khomeini no Irão ou Hitler na Alemanha. Acredito que não. Acredito, apesar de tudo, que a Primavera Árabe veio para ficar.
publicado por Pedro Picoito às 13:53 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Da série "Vale a pena Ler"

Texto do ex-Cachimbo Pedro Lomba, na última página do Público de ontem:

 

"Esta nova ex-classe média é por isso uma caldeira de desconfianças e ressentimento. Quem quiser perceber a luta entre classes neste tempo - uma luta que opõe a ex-classe média a todas as outras - não pode considerar apenas o económico. Tem de pesar estes aspectos psicológicos e morais. Tem de considerar a força deste ressentimento contra a absoluta cambalhota do poder político. Um ressentimento que os populismos de esquerda e de direita não deixarão de explorar."

publicado por Paulo Marcelo às 10:10 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quinta-feira, 02.02.12

[pub]

Amanhã no Fragil. Às 23h30. 

publicado por Nuno Gouveia às 22:14 | partilhar

Fim do euro (11) Desvalorização, adenda (act.)

Em comentário ao post anterior diz-se que não poderemos controlar os movimentos de capitais quando sairmos do euro, porque isso contrariaria os princípios da UE.

 

A primeira observação, genérica, é que nos últimos dois anos têm sido inúmeros os casos em que se desrespeitou as normas comunitárias, inclusive os Tratados europeus, desde logo na concessão de ajuda à Grécia, Irlanda e Portugal. Por maioria de razão, quando os países saírem do euro, uma situação tão excepcional que nem sequer estava prevista nos Tratados, muitas mais excepções serão inevitáveis.

 

Passando agora ao comentário mais específico, é importante referir que já está amplamente demonstrado, inicialmente por Stiglitz e depois pelo próprio FMI, que a liberdade de circulação de capitais de curto prazo não só não traz vantagem visível em termos de crescimento, como aumenta a instabilidade macroeconómica. Donde não fazer nenhum sentido que Portugal seja forçado a tal coisa.

 

Mas o pior de tudo é que seria escaparmos das garras do leão para enfiar a cabeça na boca do crocodilo. Nos últimos tempos Portugal tem estado numa luta desesperada com os mercados financeiros para conter as taxas de juro da dívida pública. Se mantivéssemos a liberdade de circulação de capitais trocaríamos a actual luta por outra, para conter a depreciação da nossa nova moeda.

 

Parece-me que já chega de luta com os mercados financeiros e todas as lutas que pudermos evitar, devemos fazê-lo. Por isso, defendo que, após sair do euro, Portugal deve abolir, durante alguns anos, a liberdade de circulação de capitais de curto prazo. Relembre-se que esta era a situação que vigorou até 1992. 

publicado por Pedro Braz Teixeira às 19:41 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Da série "A concorrência faz melhor"

"Envelhecer e desiludir-se é apenas enevelhecer e desiludir-se. Desconfiar de projectos traçados, em quartos esconsos, por iluminados de barbicha ou bigode e impostos à metralhadora em nome do povo, isso sim, já é um início de conservadorismo. E não é preciso chegar a velho para o compreender."

(Só uma pequena corrigenda: a entrevista saiu no Público de Domingo e não no Expresso.)

publicado por Pedro Picoito às 17:57 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Mas que raio de sociedade estamos a construir?

 
Voltam as histórias sobre idosos mortos em casa, na mais completa solidão. Não vou aqui repetir os pormenores macabros, mas estes casos interpelam-nos pela sua crueza e desumanidade. Pessoas sós, mumificadas, ninguém se interessou, ninguém investigou. Claro que podemos lamentar a passividade das autoridades. Mas sejamos claros: a culpa não é apenas do "sistema" ou do Estado, que nos habituámos a ver como o responsável pelas nossas frustrações. Os limites da actuação pública são reais e ficam patentes nestes casos. Mostram uma contradição entre as promessas de protecção social e a realidade feita de solidão e de abandono. O sistema público que criámos é distante e burocrata por natureza. E está a tornar-se cada vez mais robotizado e impessoal. Coloquemos por momentos de lado os défices e a dívida. Pensemos no modelo de sociedade que estamos a construir. Estes casos ajudam a perceber que temos de ser mais humanos e próximos de quem nos rodeia, sejam vizinhos, colegas, familiares ou amigos. Mais do que mudar o "sistema" ou as leis, cada um de nós deve ajudar a construir uma sociedade mais humana, dinâmica e descentralizada, com as suas famílias, associações, clubes, bairros, paróquias, misericórdias, redes de voluntariado e de vizinhança. A mudança efectiva é orgânica antes de ser centralizada.
publicado por Paulo Marcelo às 11:27 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Quarta-feira, 01.02.12

Fim do euro (10) Desvalorização

Se, por qualquer razão, Portugal for forçado a sair do euro, a nossa nova moeda sofrerá uma desvalorização de, no mínimo, 20%. É possível que esta desvalorização seja até superior, sobretudo se a saída ocorrer de forma caótica. No entanto, prefiro falar em 20%, já que há imensas pessoas que se estão a proibir de pensar nestes temas e quanto pior for o cenário, maior resistência oferecerão. Esta desvalorização terá consequências imediatas em, pelo menos, duas variáveis: a taxa de inflação e a taxa de juro de curto prazo.

 

A desvalorização deverá fazer saltar a taxa de inflação dos actuais valores, em torno de 3%, para valores próximos dos 12%, provocando uma descida súbita do poder de compra. Todos os produtos chamados transaccionáveis (sobretudo agrícolas e industriais) deverão ver os seus preços subir numa percentagem semelhante à taxa de desvalorização. Os outros produtos, chamados não transaccionáveis (sobretudo serviços), sentirão uma muito menor pressão para subir de preço. O canal através do qual a desvalorização fará subir estes outros preços é através dos salários, que muito dificilmente terão margem para subir, um tema a que voltarei.

 

Com uma taxa de inflação de cerca de 12%, a desvalorização não poderá ficar-se pelos 20%, terá que ser seguida por uma desvalorização deslizante (crawling peg), que compense o diferencial de inflação entre Portugal e o que restar da zona do euro. Em números redondos, com uma inflação em Portugal de 12% e de 2% na zona do euro, será necessário uma desvalorização anual de 10%, ou seja, uma depreciação de 0,8% ao mês.

 

Com esta inflação em Portugal e a perspectiva de uma depreciação anual de 10%, a taxa de juro de curto terá que ser superior a 12%. Para quem fique surpreendido com estes números talvez seja útil recordar que as taxas Lisbor (primas das Euribor), criadas em Dezembro de 1992, registaram então taxas acima dos 16% nos prazos inicialmente disponíveis (1, 3 e 6 meses). Relembre-se que a inflação média de 1992 foi de 9,4%, inferior aos 12% que deverão prevalecer quando Portugal sair do euro.

 

Se a desvalorização inicial for superior aos 20% aqui sugeridos como mera base de simulações, todos os outros valores serão necessariamente superiores.

 

Esta subida drástica das taxas de juro terá inúmeras consequências, que detalharei posteriormente.

publicado por Pedro Braz Teixeira às 21:57editado por Paulo Marcelo em 02/02/2012 às 10:26 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

In the 90's (XXXIII)

publicado por Nuno Gouveia às 21:35 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Renegociar PPP

 
 
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publicado por Victor Tavares Morais às 19:04 | comentar | partilhar

New blog on the block

Cais do Mundo é um blogue geracional. Feito por gente que ainda não desistiu de Portugal. Que tem consciência do muito que recebeu ao ser português e que quer deixar à próxima geração um país melhor do que aquele que herdou dos seus pais. Que olha para a globalização não como uma ameaça às capelinhas, privilégios e direitos que por aí abundam, mas como uma oportunidade e uma meta estratégica de mudança e de desenvolvimento. Sonha tornar Portugal um dos nós fundamentais da Europa e do Mundo, colocando-o no centro das actuais redes de pessoas, bens e conhecimento. Vale a pena uma leitura atenta.

publicado por Paulo Marcelo às 15:35 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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