Terça-feira, 27.03.12

Da série "A concorrência faz melhor"

"Agora só sobramos nós, os abutres."

publicado por Pedro Picoito às 11:01 | comentar | partilhar
Segunda-feira, 26.03.12

Uma imagem do socratismo

(Via Insurgente)

 

 

 

À medida que vamos conhecendo mais pormenores da tenebrosa Parque Escolar, mais ficamos com a sensação que estamos perante um caso de polícia. Casos como este mostram-nos porque é que os socialistas não gostam que se fale no passado. Mas, até mais do que nunca, é necessário escrever sobre o sinistro legado e denunciar estes casos que vão sendo revelados. As pessoas têm de perceber que tipo de gente governou Portugal e como chegámos até esta situação dramática. Negócios ruinosos, como o da Parque Escolar, foram a regra e não a excepção do consulado de Sócrates. 

 

Apesar de serem cada vez menos, ainda há algumas personagens que defendem situações como esta (falta de vergonha?), como o cómico Renato Sampaio ou a Maria de Lurdes Rodrigues (uma das responsáveis pela vergonha da Parque Escolar). No entanto, algumas pessoas próximas do PS, como a Estrela Serrano, questionam-se sobre o motivo para o actual PS não defender o anterior governo com mais veemência. Mas será assim tão difícil desvendar a razão para Seguro desmarcar-se do executivo socialista? Parece-me óbvio que um político que pretende chegar a Primeiro-ministro tem de afastar-se o mais possível de uma governação desastrada. Seguro já percebeu que o executivo de Sócrates ficará na história como o período mais negro da democracia portuguesa, e por isso, tem estado ausente na sua defesa. A menos que Seguro deseje cometer suicídio político, não vejo como poderia actuar de outra forma.   

 

publicado por Nuno Gouveia às 19:43 | partilhar

Ideologia, disse ela (2)

 

Continuemos a responder aos sofismas da Ana Matos Pires, que ainda tenho de responder aos sofismas da ILGA na próxima crónica da Renascença. Comecemos pelas "lésbicas activas" (as coisas que eu escrevo: só espero que os meus vizinhos não leiam isto). Uso a expressão para distinguir entre as adolescentes que desenvolvem sentimentos homossexuais, geralmente por influência de um ambiente favorável à homossexualidade, mas sem os concretizar (e que podem até tornar-se heterossexuais quando adultas), e outras adolescentes, com a mesma orientação, que se tornam lésbicas quando sexualmente activas na vida adulta.

A diferença é simples, mas não dá jeito à Ana Matos Pires. É-lhe difícil aceitar a homossexualidade como uma tendência reversível porque, na guerra pelo reconhecimento da cultura LGBT, não há lugar a identidades transitórias: ou se é homossexual ou não. O resto é terra de ninguém. Que a Ana Matos Pires se abstenha de comentar isto, julgando provavelmente que eu estaria a referir-me aos papéis activo e passivo da relação heterossexual, revela que, no fundo, a heterossexualidade continua a ser a norma sexual implícita nas cabeças mais proclamadoras da diversidade. Quem diria?... 

Seguidamente, a Ana Matos Pires acusa-me de "interpretar a meu belo prazer [um lapsus linguae freudiano] o que os autores dizem", tirando "conclusões minhas" dos estudos. A primeira parte da frase não é verdadeira, a segunda é tão evidente que nem se percebe o escândalo. Vejamos, por exemplo, a questão de a capacidade parental ser uma capacidade em relação. A Ana Matos Pires sabe muito bem, porque conhece a literatura, que a capacidade parental não é só a capacidade de relação com a criança, mas também da mãe com o pai e vice-versa, na exacta medida em que a criança forma a sua imagem do pai (e, diga-se de passagem, da própria paternidade e até da masculinidade) observando como a mãe se relaciona com o pai e o pai com a mãe, o mesmo se aplicando à imagem da mãe simetricamente.

Por isso é tão importante para o desenvolvimento da criança a presença de uma mãe e de um pai, com identidades claras e estáveis. Negá-lo, além de contrariar muita investigação científica, é meramente ideológico.

O que concluo daí, e obviamente Brazelton e Cramer não concluem porque o seu trabalho se situa em plano diferente, é que o facto de os casais homossexuais não terem essas identidades claras e serem mais instáveis é negativo para o desenvolvimento das crianças. O problema não é se a conclusão está ou não no livro que citei, porque o livro nem sequer procura responder a essa questão, mas se o livro que citei permite tirar essa conclusão. De acordo com a lógica, recordo, e não com a ideologia. Este ponto é mais importante do que parece, como veremos, porque os defensores da adopção LGBT se recusam muitas vezes a tirar conclusões de estudos que, em circunstâncias diferentes, seriam óbvias para todos. Mas não aqui. E depois dizem que a ciência não permite concluir que etc. (cont.)

publicado por Pedro Picoito às 15:49 | comentar | ver comentários (23) | partilhar

Fim do euro (26) “Proibido a tsunamis”

Muitas discussões em torno do fim do euro em Portugal partem do princípio que ainda podemos ponderar se vamos sair ou ficar, quando esse ponto já foi ultrapassado há muito.

 

Há ainda quem tenha a ilusão de que o fim do euro terá que ser uma coisa anunciada com muita antecedência, para que haja todo o tempo do mundo para fazer os preparativos. Dizem estes que “não pode ser” num fim-de-semana, sem aviso prévio.

 

Experimentem colocar numa praia uma placa a dizer “Proibida a entrada a tsunamis”. Estão a imaginar o tsunami a aproximar-se da areia, a ler na tabuleta e a ficar raladíssimo com a hipótese de ter de pagar uma coima? Então, vou ter de ir à loja do cidadão!? Já da última vez que lá fui foi uma chatice: saí para fumar um cigarro e perdi a vez. Ainda por cima nem era aquele o guichet. Depois, os impressos para pedidos de autorização de marés vivas estavam esgotados e foi uma maçada. Nem o cartão do cidadão funcionava!

 

Lembrando-se da sua anterior experiência, para além do dinheiro da coima, que ele não tinha, o tsunami lá meteria o rabinho entre as pernas e retirar-se-ia, deixando a praia incólume.

publicado por Pedro Braz Teixeira às 13:41 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Domingo, 25.03.12

Ainda vamos acabar por beber electricidade!

 

A Água será este ano um tema sensível em Portugal, motivos não faltarão: a seca;  a possibilidade de reactivação do plano de transvases espanhol; e a possível revisão dos caudais desviados dos rios internacionais. A agricultura, destinatário principal do consumo, já sofre com a falta de água e quando chegar o verão vamos ver como vão sobreviver as populações das localidades do interior e litoral sul. O tema voltará à actualidade política nacional muito em breve, até porque, de acordo com o recente inquérito do Eurobarómetro 98% dos portugueses já estão preocupados com as secas.

 

A gestão da água que Portugal dispõe nas suas principais bacias hidrográficas está profundamente interligada com Espanha. O Governo Espanhol suspendeu em 2004 o plano nacional de transvases que se destinava a suprir a falta de água do sul do país, mas esta suspensão teve uma espécie de contrapartida, que parecia ser também uma solução para a crónica falta de água, o licenciamento de grandes estações dessalinizadores a construir na costa sul. Das mega-centrais de dessalinização planeadas creio que poucas avançaram mas, mesmo assim, Espanha conta hoje com mais de 700 estações de dessalinização, tem uma capacidade instalada equivalente a aproximadamente 1.600.000 m3/dia (o suficiente para abastecer toda a população de Portugal, a níveis de consumo superiores aos recomendáveis pela OMS), capacidade que é a maior no mundo ocidental; e tem um verdadeiro cluster de empresas que fornecem soluções e equipamentos desde o Médio Oriente à Austrália, passando pelos EUA e Reino Unido.

 

Os governos espanhóis não têm olhado a meios para resolver o problema da água, tentaram de tudo um pouco: do sobre dimensionamento das albufeiras; aos megalómanos transvases, mesmo de rios internacionais; passando pela produção de água dessalinizada. A aplicação dessa água desviada ou dessalinizada é, nalguns dos casos, que não o consumo humano, muito questionável, nomeadamente na agricultura de regadio no centro e sul da Península. O preço da água em Espanha é, na generalidade dos casos, altamente subsidiado para a actividade agrícola não reflectindo o custo económico e social da sua produção e disponibilização. Infelizmente alguns destes custos estão do nosso lado, em Portugal.

 

O plano espanhol de dessalinização de água parecia ser aquele que poderia conter menos riscos para Portugal, a subsidiação e a internalização dos custos, a existir, seria feita em Espanha. Acresce que, a dessalinização de água do mar conjugada com a elevada produção de electricidade por fontes renováveis disponível em Espanha, como a eólica e a solar, com as suas características de intermitência poderiam oferecer ao sistema eléctrico uma solução parcial para “acumular energia”  nas horas de maior vazio (a cava do diagrama de carga): produzindo água dessalinizada.

 

Suspeito que a motivação do Governo Espanhol para o renascimento do plano de transvases é o facto da indústria da construção cívil estar parada - a continuação do plano de transvases é fundamental para reanimar a actividade das empresas da construção espanholas. Há que aguardar pelas reacções das regiões afectadas por esta intenção do Governo, pois não são integralmente favoráveis ao plano.

 

Quanto a Portugal, os relatórios das Nações Unidas não vislumbram um futuro climatologicamente muito promissor, se as coisas mudam do lado de lá da fronteira e a Natureza não colabora, nós é que vamos acabar por ter que “beber electricidade” (água do mar dessalinizada).

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publicado por Victor Tavares Morais às 10:53 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Sábado, 24.03.12

E ninguém vai preso?

Parque Escolar gastou 260 milhões em obras ilegais


Tribunal de Contas chumba TGV

 

Portugal está falido e os responsáveis têm nome. Um deles foi Teixeira dos Santos, que, ao que parece, alguém no governo tentou revitalizar.  Nas últimas semanas têm vindo a ser conhecidos alguns casos de gestão ruinosa que prejudicaram o Estado em centenas de milhões de euros. Estas notícias são apenas dois exemplos. Bem sei que o Procurador Geral da República (que este governo incrivelmente não demitiu) deve estar ocupado com as investigações às agências de rating, mas não seria altura de nomear uma (ou várias) equipas especiais de investigação para passarem a pente fino a gestão deste estado paralelo que o governo Sócrates criou? As suspeitas sobre diversos negócios obscuros são muitas e estão à vista de todos. Se não se actuar, só pode ser por conluio com a governação desastrada do anterior executivo. 

 

PS: será que alguém ainda vai propôr o nome do Dr. Paulo Campos para algum cargo público? 

publicado por Nuno Gouveia às 13:06 | partilhar
Sexta-feira, 23.03.12

Uffa...

 

Parece que as coisas não são como o Paulo Marcelo refere. O CDS e o PSD perceberam a tempo.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 19:56 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Como? Importam-se de repetir?

Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças que conduziu Portugal a uma situação de pré-bancarrota e a pedir ajuda internacional; que decidiu a nacionalização de um banco de criminosos, o BPN, que está a custar entre 6 e 8 mil milhões de euros aos contribuintes; que assinou vários contratos de PPP com utilidade duvidosa que nos vão custar dezenas de milhões de euros nas próximas décadas; que deixou Portugal com um défice orçamental de 8,6% do PIB, em 2010; pois este mesmo senhor, em vez de ser afastado e eventualmente julgado pelos tribunais, vai agora ser proposto pelo governo para administrador não executivo da Portugal Telecom, uma das poucas multinacionais portuguesas. Como? Importam-se de repetir?

publicado por Paulo Marcelo às 17:47 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Tom & the Saints

 

camera obscura french navy 2009

publicado por Nuno Lobo às 17:29 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

PPP, frigoríficos e cláusulas leoninas

 

O João Miranda responde no Blasfémias a esta minha cachimbada sobre as PPP. Conta a história de um governo que tenta convencer um fabricante nacional a exportar frigoríficos para o pólo norte. A história não só tem piada, como deve ter acontecido várias vezes no silêncio dos gabinetes de governantes modernos, como José Sócrates, que nos levou a um novo estádio de desenvolvimento. Mas o que o João Miranda talvez não tenha notado é que a sua história acaba por dar razão ao meus argumentos sobre a necessidade de renegociar de forma musculada as PPP. Pois. É que a única forma de evitar que estas negociatas voltem a acontecer no futuro, com prejuízos graves para o interesse público, é ter a coragem de aplicar a lei na defesa do interesse público. O que em certos casos pode conduzir à nulidade de certas cláusulas leoninas como estas em contratos de concessão, uma vez que, entre outras razões, não é jurídicamente aceitável, em contratos sinalagmáticos, a existência de normas de tal modo desproporcionadas que coloquem todas as obrigações e riscos apenas de um dos lados. Se não acreditam leiam o Código Civil. Só sabendo isso, ou seja, que a lei prevalece sobre a "generosidade" ou corrupção de um qualquer governo ou burocrata, é que as empresas privadas vão deixar de embarcar em negócios públicos sem um mínimo de razoabilidade económica, como construir a terceira auto-estrada para o Norte ou outro elefante-branco-com-cara-de-TGV. Ou seja, a renegociação musculada das actuais PPP, inclusive com argumentos de legalidade, é um caminho para evitar outros negócios ruinosos no futuro.       

publicado por Paulo Marcelo às 14:13 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Aspernatio rationis

O cachimbo Pedro Picoito lá vai mantendo pacientemente o "diálogo" com a jugular Ana Matos Pires. Quanto a mim, o Pedro anda a perder o tempo. Há pessoas que definitivamente não servem para parceiros de discussão, embora possam não ser completamente inúteis enquanto objecto de estudo do clima de opinião dominante. Leia-se, por exemplo, esta pérola argumentativa da Ana Matos Pires: "A identidade sexual não define a orientação sexual do sujeito, são coisas diferentes. O facto de eu ter uma experiência (fazer) uma experiência homossexual não questiona a minha orientação heterossexual - até a sedimenta, no sentido de perceber o que mais me agrada na cama, p ex - nem determina a maneira como me penso ou penso a minha sexualidade." As determinações são muito importantes e faz parte do labor filosófico e científico distinguir umas coisas das outras. Mas uma das maleitas do nosso tempo filosófico e científico é precisamente o emaranhado ininteligível de pseudo-determinações sem qualquer adesão à realidade e consequente possibilidade de acesso a ela. A opinião da Ana Matos Pires, por mais travestida de ciência que esteja, não se distingue substancialmente da opinião do marido infiel que diz com orgulho que as aventuras que mantém com as amantes não questionam o seu casamento - até o sedimentam, no sentido de o ajudarem a perceber que é a mulher legítima quem ele realmente ama. Bem vistas as coisas, nem para objecto de estudo filosófico e científico a Ana Matos Pires serve especialmente. Qualquer outra opinião de rua chega para o mesmo efeito.

publicado por Nuno Lobo às 11:41 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

em má hora

“Como prevenir este fenómeno? ... Mas também é necessário manter (e, se possível, reforçar) a coesão social, apoiando instituições como a família ou a escola – e outras cuja utilidade é menos evidente, como as Forças Armadas, em má hora privadas do que lhes conferia um cunho comunitário: o serviço militar obrigatório.”

 

(Novos terroristas - Rui Pereira, Professor Universitário e ex-ministro)

publicado por Victor Tavares Morais às 07:34 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Quinta-feira, 22.03.12

Ideologia, disse ela (1)

Estava com pouca vontade de responder a isto, porque a sombra da eminência parva do antigo regime pôs um blogue que já respeitei abaixo de qualquer réplica possível, mas a Ana Matos Pires enveredou pela velha táctica de reescrever a história apagando o pessoal da fotografia. E como ainda conto andar uns aninhos por cá, certamente para grande desgosto do cancioneiro jugular e da brigada LGBT, aqui vai o que me passou pela cabeça. Em fascículos, que o tempo não dá para mais. 
A Ana Matos Pires começa por me apontar "deslizes" no uso da terminologia científica, em concreto uma confusão entre "identidade sexual" e "identidade de género" (que não sei onde foi buscar - nunca confundi as duas coisas e a confusão é mais da Ana sobre o que eu penso do que sobre o que eu realmente penso) e o uso dos conceitos "tendências homossexuais" e "graus da homossexualidade". Numa espécie de ataque preventivo epistemológico, desafia o respeitável público a "procurar o uso destas expressões em qualquer documento cientificamente sério".
Não sei se estão ver a coisa. Se eu apresentar um artigo científico que use as palavrinhas malditas, de nada serve porque não é sério. E não é sério porquê? Porque usa as palavrinhas malditas. Em lógica, esta pescadinha de rabo na boca chama-se sofisma e, mais exactamente, petição de princípio. Mas a Ana Matos Pires faz bem em apoiar-se em sofismas porque, assim que fui à internet, descobri um artigo intitulado Opposite sex behaviours correlate with degree of homosexual feeelings in the predominatly heterosexual (N. McConaghy e D. Silove, Australia and New Zealand Journal of Pschychiatry, 1991, Mar., 25, 1, pp. 77-83), cheio de superstições arcaicas como "degree of homosexual feeling" e "predominatly heterosexual". É possível que haja mais à solta. Esta gente pouco séria dos anos 90 tem o hábito de publicar em revistas, falar na rádio, blogar em blogues e duvidar da ortodoxia.
O pior é que nem sequer as fontes da Ana Matos Pires estão isentas de pecado. Para explicar o que as pessoas sérias entendem por orientação sexual, ela deixou por cá, nas caixas de comentários, um artigo da Wikipedia, que aliás reproduz outro da sacrossanta APA (aprendam como se faz, ó conservadores). E o que diz o catecismo? "Research over several decades has demonstrated that sexual orientation ranges along a continuum, from exclusive attraction to the opposite sex to exclusive attraction to the same sex." Se é um continuum, seria lógico concluir que há graus entre os dois extremos ("from exclusive attraction to the opposite sex to exclusive attraction to the same sex"). Seria lógico - no caso de estarmos à procura destas expressões em qualquer documento cientificamente sério, claro. Mas já vimos que o forte da Ana não é a lógica. Digamos que, aqui, ela é mais ideológica.   
Existem boas razões para isso, e quer-me parecer que não são muito científicas. Os activistas LGBT não aceitam facilmente a ideia de que há graus de homossexualidade porque, para eles, a identidade sexual não é aquilo que uma pessoa faz, mas aquilo que uma pessoa é. Não se trata de descrever um comportamento, ou uma orientação, ou "tendências", mas de definir uma identidade tribal. Apesar de todos os apelos à diversidade, o seu mapa conceptual é profundamente esquemático. Há duas trincheiras identitárias: de um lado os LGBT, do outro os straight. A diferença é política. Na ideologia LGBT, o papel simbólico dos segundos define-se por reconhecerem - ou não - os direitos dos primeiros. Se alguém se situa na terra de ninguém, ou umas vezes de um lado e outras vezes do outro, ou até nos dois ao mesmo tempo, é um traidor à causa. Não se pode pertencer a duas tribos ao mesmo tempo. O que explica a recusa da Ana Matos Pires em aceitar "graus" de homossexualidade, quando a própria literatura científica, ao contrário do que ela diz, aponta para isso. E o que explica também, diga-se de passagem, que tantos homossexuais ou simpatizantes da causa se tenham sentido ofendidos quando eu referi, nos posts que originaram esta polémica, os riscos da cultura gay para as crianças. Nem lhes passou pela cabeça que essa cultura não é partilhada, ou não é partilhada da mesma maneira, por todos os homossexuais. E que, portanto, criticar os comportamentos não é criticar em bloco as pessoas. Extra ecclesiam nulla salus. Fora da tribo  não há salvação. (cont.)
publicado por Pedro Picoito às 17:35 | comentar | ver comentários (61) | partilhar

E o Óscar vai para ....... a RTP

Acha que os actos homossexuais devem ser criminalizados, como sugere a Prémio Nobel da Paz, Ellen Johnson? Imaginem que esta era a pergunta que a RTP tinha selecionado para o seu inquérito on line. Quais seriam as reacções dos comentadores? Dos blogs de esquerda e de direita? Dos políticos? Dos telejornais e dos foruns? Cairia, e bem, o Carmo e a Trindade.

 

Acha que, se a situação se degradar, as Forças Armadas deveriam levar a cabo uma operação militar para derrubar o Governo, como sugere Otelo Saraiva de Carvalho?”

Esta foi a pergunta que a RTP colocou no seu inquérito on-line quinta feira. Com excepção de um ou outro post na bloga e da reacção do CDS, o que assistimos foi, sobretudo, ao silêncio. Que Democracia esta que já se esqueceu que Otelo foi o líder operacional das FP-25. Que em tribunal ficou provado que Otelo foi responsável pelo assassinato de 17 portugueses. Que, apesar de ser um assassíno, foi indultado pela democracia, sem munca se arrepender.  Que mesmo assim foi promovido pela democracia. Uma democracia que promove o criminoso que nunca se arrependeu e ao mesmo tempo esquece as suas vitimas é uma democracia que não se dá ao respeito.

 

Que Otelo não respeita a democracia, já sabíamos. Que a a RTP não a respeita é novo.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 14:13editado por Paulo Marcelo às 17:11 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Relatos de uma greve-que-não-é-lá-muito-geral

De manhã, quando vinha trabalhar, cruzei-me com cinco autocarros da Carris e dois eléctricos igualmente da Carris. Pelo caminho encontrei uma aglomeração de doze pessoas com coletes vermelhos, que pareciam da CGTP, junto à gare do Oriente. Talvez um piquete de greve. Ao chegar à empresa onde trabalho, ao entrar no edifício onde trabalham 1300 pessoas, não notei especial diferença com os restantes dias da semana. O elevador em que subi para o 8.º piso estava cheio e parou em quase todos os andares. Fiquei curioso e fui averiguar. No andar em que trabalho a única pessoa que falta está de férias. Estou a receber mails e telefonemas como num dia normal. O tema de conversa é o trânsito da manhã e a morte do suspeito das mortes em Toulouse. Não conheço a realidade do sector público, mas no privado quase não se nota a greve marcada pelos sindicatos comunistas.

publicado por Paulo Marcelo às 11:47 | comentar | ver comentários (21) | partilhar

Parabéns CGTP

Aparentemente a greve geral foi desmarcada à última hora. É uma boa notícia. Os portugueses percebem que não é com greves que o país consegue sair do estado de protectorado em que se encontra.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 09:21 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Preço de 1 metro cúbico de água da torneira

 
 
A propósito do Dia Mundial da Água que hoje se celebra eis um ranking de preços da água canalizada. Em Lisboa o valor foi calculado com o tarifário da EPAL  para um consumo de 10 m3/mês com um contador de calibre mínimo 15 mm. Este não é o preço médio que os clientes pagam em Lisboa, é um preço mínimo, porque se o calibre do contador subir para 25 mm o preço do metro cúbico sobe para 2,24 €/m3. Os valores para as restantes cidades foram obtidos aqui. Se não gostam dos resultados, ou quiserem outra informação podem sempre tentar consultar os estudos da ERSAR.
 
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publicado por Victor Tavares Morais às 08:33 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Quarta-feira, 21.03.12

Convite

publicado por Pedro Picoito às 23:31 | comentar | partilhar

No dia de hoje e todos os dias

Esta manhã gostaria de ter dado ontem
um grande passeio àquela praia
onde ontem por sinal passei o dia
É difícil a vida dos homens Senhor
Os anjos tinham outras possibilidades
e alguns deles foi o que tu sabes
Esta terra não está feita para nós
Mesmo que ela fosse diferente
nós quereríamos talvez outra terra
talvez esta de que agora dispomos
Não achas meu Senhor que temos braços a mais
dias a mais complicações a mais?
Pra nascer e morrer seria necessário tanto?
Falhamos tantas vezes (Como os judeus que juraram
não comer nem beber até matar paulo
e apesar disso não o mataram)
É difícil a vida difícil a morte.
Por vezes os homens juntam-se todos
ou quase todos e organizam
grandes manifestações. Mas nada disso os dispensa
da grande solidão da morte
de termos de morrer cada um por nossa conta
Todos tivemos pai e mãe
nenhum de nós que eu saiba veio de salém

 

[Saudades de Melquisedeque, Ruy Belo, in Todos os Poemas]

publicado por Paulo Marcelo às 19:04 | comentar | partilhar

Congressos versus Directas

 

A JSD vai propor uma alteração aos estatutos do PSD que passa, entre outras coisas, por antecipar a realização dos congressos em relação às eleições directas. É um bom caminho.

Nos congressos dos partidos democráticos (PS PSD e CDS) inscrevem-se das melhores páginas da estória da democracia partidária. Congressos que ficaram na memória de todos, dentro e fora dos partidos e que revitalizavam os partidos. Debates ideológicos e estratégicos intensos e afirmação de lideranças fortes resultaram dos congressos partidários.

No final dos anos 90 os partidos passaram a eleger os seus líderes através de eleições directas, sendo que a alteração do sistema de eleição comportou uma profunda alteração do que vinha sendo o maior espaço de debate e pluralidade dos partidos. Após mais de uma década de experiência de eleições directas é tempo de fazer a avaliação desapaixonada sobre o que se ganhou e o que se perdeu, procurando encontrar fórmulas que estimulem os partidos, a sua via interna e o debate político.

No modelo de eleições directas antes dos congressos o verdadeiro debate de ideias e das orientações estratégicas – que o país reconhecia como a grande força dos congressos partidários - foi desviado dos congressos. Actualmente os candidatos apresentam as suas estratégias globais com as candidaturas e a discussão estratégica é deslocada do congresso para o período de “campanha eleitoral” que antecede as eleições directas. Eleitos os Presidentes, a discussão estratégia fica esvaziada, e os Congressos acabam por ser meras convenções de aclamação dos presidente dos partidos.

O CDS, no último Congresso, optou por regressar ao modelo primitivo e acabou com a directas. Havia outra opção  - apresentada no CDS pelo movimento Alternativa e Responsabilidade, em que o líder seria, por regra, eleito em congresso e que apenas se realizariam eleições directas nas situações em que do congresso resultem duas ou mais candidaturas alternativas e viáveis à presidência do Partido. 

No PSD, a ideia está também a fazer o seu caminho. Os congressos, tal como acontecia no passado, devem ser organizados à volta do debate das Moções Globais de Estratégia, voltando a constituir um grande fórum de debate, onde os potenciais candidatos podem e devem sentir e medir o apoio das bases para disputar as eleições. Na estória dos partidos assistimos a vários congressos surpreendentes que catapultaram militantes para a presidência. A grandeza e a força dos partidos também se fez com essa incerteza que decorria dos debates vivos que a alimentavam.

 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 13:50 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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