Segunda-feira, 23.04.12

As notícias sobre a morte de Sarkozy são claramente exageradas

 

Ao contrário do que anda a dizer alguma esquerda, incluindo os nossos jornalistas-gauche, François Hollande ainda não ganhou as eleições. É verdade que muitos franceses o detestam e que Marine Le Penn (com 18,01% dos votos) tudo fará para que ele perca, mas convém não menosprezar as capacidades políticas de Nicolas Sarkozy. Tanto mais que do outro lado está um homem demasiado banal para corresponder aos padrões e mitos da república francesa. Estou curioso por ver os debates televisivos entre a fera Nicolas e o pachorrento François. Em especial quando se discutirem algumas das propostas socialistas, como o aumento dos impostos, o congelamento do preço da gasolina durante três meses, mais investimento público para dinamizar a economia e a contratação de mais funcionários públicos, neste caso, professores. Para não falar da redução selectiva da idade da reforma para os 60 anos. Não são as nacionalizações de Mitterrand na década de 80, mas não estamos longe disso. Não sou admirador de Sarkozy mas desconfio ainda mais das propostas de Hollande. O irrealismo mantém-se sobre a capa de uma utopia progressista com pouca aderência à realidade. Não sei por onde vou mas sei que não vou por aí.

publicado por Paulo Marcelo às 10:28 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Domingo, 22.04.12

Jornalismo comprometido

O candidato não vai ganhar as eleições, mas é o melhor! Os seus discursos empolgam, mistura a Revolução Francesa com a revolução que podem fazer com as suas mãos. 

 

Clara Barata, jornalista do Público, considera que Jean-Luc Mélenchon, o candidato presidencial da extrema-esquerda francesa, é o melhor candidato. Porquê? Não se percebe. Além de um gosto duvidoso da jornalista, que não deveria (penso eu) ser chamado para uma reportagem, percebemos ao longo desta reportagem que Clara Barata está "apaixonada" pela candidatura de Mélenchon. Será que se uma jornalista dissesse que "Marine Le Pen não vai ganhar as eleições, mas é a melhor" não suscitaria reacções adversas? Quando lemos reportagens esperamos que contenha alguma objectividade e neutralidade em relação ao tema que se está a abordar. Em política, sabemos que raramente isso acontece. Mas era desnecessário ser tão frontal na declaração das suas preferências políticas. Nota negativa para este panegírico travestido de reportagem. 

publicado por Nuno Gouveia às 17:03 | partilhar

Fim do euro (29) Cláusula de dracma

O Banco Europeu de Investimentos (BEI) está a proteger-se da eventual saída da Grécia da zona do euro, incluindo cláusulas de dracma nos empréstimos recentes a empresas gregas. Esta cláusula refere-se não só à saída da Grécia, mas também a uma eventual desagregação da zona do euro.

 

Fontes do BEI sugerem que cláusulas de mudança de moeda serão incluídas em todos os contratos com países com programas de estabilização económica (Grécia, Irlanda e Portugal) e que serão gradualmente expandidas para todos os países do euro.

 

Quando a notícia nos tocar directamente, espero que algumas almas acordem para a realidade que nos espera a breve trecho.

publicado por Pedro Braz Teixeira às 13:03 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

A poucos dias do mês de Maio aqui fica uma homenagem a todas as nossas mães

publicado por Paulo Marcelo às 10:09 | comentar | partilhar
Sábado, 21.04.12

Only Half Way Home...

publicado por Carlos Botelho às 23:00 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Levon Helm com Johnny Cash - The Legend of Jesse James

 

 

The Death of Me

 

Frank James [Cash]: I've followed you through the ice and the burning sand.
When you turned around I'd be at your right hand.
We've torn a path to hell and back.
With broken bones and skin that's black and blue
But now I'm through.

You'll be the death of me
With your crazy schemes
Ain't cha gettin' too old for your daredevil dreams
We're past it now
Well can't cha see
That life with you
Will be the death of me

The railroad empries of the north is who we hurt
We've laid some good men down in the Missouri Dirt
When a legend dies is sure is sad
The good times are all turnin' bad
Real Fast
Our day is past

Well, You'll be the death of me
With your crazy schemes
Ain't cha gettin' too old for your daredevil dreams
We're past it now
Well can't cha see
That life with you
Will be the death of me


Jesse James [Helm]: Frank, you're gettin' to be
Some kind of a pain
I know that times are bad
But they'll be good again
It's easy money
And it's an eye for an eye
If that don't suit you
Then we'll have to say goodbye,
goodbye

Frank James: Jessie somethin' bads got into you
You ain't actin' like you use to do
How the hell are you going to raise your kids
In a world you have to keep them hid away
I'm leavin' today

Well, You'll be the death of me
With your crazy schemes
Ain't cha gettin' too old for your daredevil dreams
We're past it now
Well can't cha see
That life with you
Will be the death of me
Ya be the death of me
with your crazy schemes
Ain't cha gettin' too old for your daredevil dreams

publicado por Carlos Botelho às 19:00 | comentar | partilhar

Dois modelos e um abraço

 

Está aí a eleição presidencial francesa, e ao contrário do que inicialmente parecia ser um factor distintivo dos candidatos, o modelo energético francês não chegou a ser seriamente posto em causa. Com Sarkozy e Mélenchon claramente do lado pró-nuclear, François Hollande limitou-se a um acordo com os ecologistas para uma redução da dependência energética francesa da energia nuclear dos actuais 75% para os 50% em 2025 – a montanha pariu pouco mais do que um rato. Ficou claro, mesmo antes de conhecermos os resultados eleitorais, que a França vai manter o seu modelo energético. Do outro lado está a Alemanha, que fez saber no ano passado que iria desactivar as suas centrais nucleares até 2022. Parece evidente que vamos ter na Europa, pelo menos, dois modelos energéticos distintos, o francês e o alemão. No “clube francês" alinham o Reino Unido, a Holanda, a Polónia e a República Checa, do lado alemão, parecem já estar cativados: a Áustria, a Suíça e a Itália.

 

Se em França é a manutenção do status quo, e portanto a incerteza não é condição determinante, já o modelo alemão convoca aos especialistas e políticos todas as dúvidas e perplexidades – Como vai um país altamente industrializado revolucionar o seu modelo energético sem comprometer a sua competitividade económica? Qual o significado político desta mudança? O objectivo alemão é de ter 30% de renováveis até 2020 e 100% em 2050. A produção renovável vai exigir uma capacidade de “back-up” muito considerável que só as centrais a gás parecem poder oferecer, o que também significa, que o modelo energético desejado vai deixar a Alemanha ainda mais dependente do gás russo.

 

Com a mudança do modelo energético alemão, algo muito significativo poderá estar a acontecer na Europa – uma maior aproximação de Berlim a Moscovo, com todas as implicações políticas daí decorrentes. O que ontem poderia parecer ter carácter especulativo, com a saída de Gerhard Schröder directamente da chancelaria alemã para a petrolífera russa, tem hoje da observação dos factos recentes, um significado muito concreto. Por exemplo, quando a Rússia desvia, desde o início deste ano, parte significativa do gás com destino à Alemanha dos gasodutos ucranianos (privando a Ucrânia dos proveitos desse trânsito) para o recentemente construído gasoduto russo do Mar do Norte (Nord Stream), que liga a Rússia directamente à Alemanha.

 

Em breve, ao abraço do urso poderão sucumbir a leste, por asfixia económica, países como a Ucrânia, mas desenganem-se, os que pensam que não é nada connosco - o “bafo” do urso também se fará sentir a oeste.

(continua)

publicado por Victor Tavares Morais às 09:58 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Confirma-se resgate a Espanha

Vítor Constâncio descarta resgate europeu a Espanha

publicado por Pedro Braz Teixeira às 08:53 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 20.04.12

In the 90's (LVI)

publicado por Nuno Gouveia às 22:10 | comentar | partilhar

A vergonhosa parcialidade

Nos anos Bush qualquer episódio menos próprio que envolvesse soldados americanos era culpa do Presidente. Abu Ghraib foi o exemplo mais explorado pelos media (europeus e americanos, aqui não há diferença), apesar dos responsáveis terem sido punidos. Mas nessa época, a responsabilidade terminava sempre em George W. Bush, qual diabo na terra. Com Obama tudo mudou. Infelizmente, continuaram a aparecer em público condutas menos próprias de soldados americanos no Afeganistão (exemplo das fotos divulgadas esta semana pelo LA Times), mas o critério já não é o mesmo. Agora a responsabilidade é apenas dos malvados soldados, mas nunca do Presidente. Este passa incólume, como se fosse nada com ele. Eu até penso que Obama não tem culpa pelos abusos cometidos, tal como W. Bush também não. Mas a duplicidade de critérios é inacreditável. Será que os media não coram de vergonha?

 

PS: Claro que ajuda à festa que a esquerda europeia, que anteriormente estava sempre escandalizada com tudo o que os Estados Unidos faziam, agora estar caladinha: seja por Guantanamo, aumento do esforço de guerra no Afeganistão, assassinatos de terroristas ou por estas situações menos próprias.  Se Mitt Romney for eleito em Novembro, voltaremos a ouvir falar esta gente.  

publicado por Nuno Gouveia às 21:19 | partilhar

Levon Helm (The Band)

 (The Last Waltz, Martin Scorsese, 1976)

 

 

The Night They Drove Old Dixie Down

 

Virgil Caine is the name and I served on the Danville train

'Til Stoneman's cavalry came and tore up the tracks again

In the winter of '65, we were hungry, just barely alive

By May the tenth, Richmond had fell

It's a time I remember, oh so well

 

The night they drove old Dixie down

And all the bells were ringing

The night they drove old Dixie down

And all the people were singing

They went, "La, la, la"

 

Back with my wife in Tennessee, when one day she called to me

"Virgil, quick, come see, there go the Robert E. Lee"

Now I don't mind choppin' wood, and I don't care if the money's no good

Ya take what ya need and ya leave the rest

But they should never have taken the very best

 

The night they drove old Dixie down 

And all the bells were ringing

The night they drove old Dixie down

And all the people were singing

They went, "La, la, la"

 

Like my father before me, I will work the land

And like my brother above me, who took a rebel stand

He was just eighteen, proud and brave, but a Yankee laid him in his grave

I swear by the mud below my feet

You can't raise a Caine back up when he's in defeat

 

The night they drove old Dixie down

And all the bells were ringing

The night they drove old Dixie down

And all the people were singing

They went, "Na, na, na"

 

The night they drove old Dixie down

And all the bells were ringing

The night they drove old Dixie down

And all the people were singing

They went, "Na, na, na".

publicado por Carlos Botelho às 21:07 | comentar | partilhar

Gu Sporting gara!

publicado por Nuno Lobo às 15:54 | comentar | partilhar

Voltando ao que importa

A propósito das notícias que relacionam os candidatos do PS e PSD ao Tribunal Constitucional com a maçonaria - e não deixa de ser curioso como o PSD entende não averiguar as ligações maçónicas dos candidatos que apresenta, sendo surpreendido quando existem - é conveniente reintroduzir a discussão da necessidade de declaração de interesses de governantes, eleitos, magistrados do ministério público e juízes que inclua a pertença ou não a associações do tipo maçónico. Não podemos ser governados, investigados ou julgados por pessoas cujos interesses não podemos escrutinar.

publicado por Maria João Marques às 14:22 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Obviamente, retire-se

Quando todos somos muito rápidos a criticar a comunicação social, impõe-se reconhecer o importante papel que tem sido desenvolvido, nomeadamente pelo Público, na questão das nomeações para o Tribunal Constitucional. E aqui incluo também e realço o Pedro Lomba, que mais uma vez demonstrou ter sensibilidade e coragem política para não deixar em claro o que se veio a tornar um facto.

Hoje Maria José Oliveira volta a assinar um texto, que deixa pouca margem de manobra ao PS e a Conde Rodrigues. O editorial remata: “se a candidatura (de Conde Rodrigues) se mantiver é um insulto ao TC”.

A descredibilização sucessiva das instituições da República não pode alegrar ninguém, mas o Jornalismo livre e competente tem um importante papel a tentar impedir que assim seja. Veremos se desta vez será bem sucedido.

 

publicado por Filipe Anacoreta Correia às 09:50 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

A Direita não praticante

Os "valores da família" e tal. Pois sim.

 

publicado por Carlos Botelho às 01:22 | comentar | ver comentários (14) | partilhar
Quinta-feira, 19.04.12

Consequência...

Disto que o Paulo tinha falado de manhã? 

 

Paulo Saragoça da Matta retira candidatura ao Tribunal Constitucional

publicado por Nuno Gouveia às 19:31 | partilhar

Fim do euro (28) FMI alerta

No seu World Economic Outlook, o FMI inclui uma secção de riscos extremos (p. 17-18):

 

Several tail risks are hard to quantify but merit attention:

• The potential consequences of a disorderly default and exit by a euro area member [estão obviamente a falar da Grécia] are unpredictable and thus not possible to map into a specific scenario. If such an event occurs, it is possible that other euro area economies perceived to have similar risk characteristics [neste grupo, Portugal aparece à cabeça, para além de Espanha e Itália] would come under severe pressure as well, with a full-blown panic in financial markets and depositor flight from several banking systems.

 

Esta fuga de depósitos não deverá ocorrer apenas nos países periféricos, mas também em países cujos bancos estão muito expostos a esta dívida, como a França e a Alemanha.

 

Under these circumstances, a breakup of the euro area could not be ruled out. The financial and real spillovers to other regions, especially emerging Europe, would likely be very large. This could cause major political shocks that could aggravate economic stress to levels well above those after the Lehman collapse.

 

Estes alertas do FMI não são feitos por americanos loucos que querem ver a Europa no chão, uma teoria da conspiração muito estranha, porque o colapso do euro terá consequências gravíssimas para os EUA. Os dois cargos máximos do FMI, o de director executivo e principal economista, são actualmente ocupados por dois franceses, respectivamente, Christine Lagarde e Olivier Blanchard. 

publicado por Pedro Braz Teixeira às 12:01 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Afinal tinham mesmo currículo

Candidatos do PS e do PSD ao Tribunal Constitucional são da maçonaria

publicado por Paulo Marcelo às 10:38 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

A Parque Escolar foi uma festa* (4)

(clique para ver melhor)

 

1. A Parque Escolar tinha previsto requalificar 332 escolas, e depois 205 escolas, sem fixar tectos máximos de investimento por m2 ou por aluno.

 

2. Isso provocou, sem surpresa, um descontrolo nos custos, sendo isso particularmente visível através da variação do investimento por aluno entre escolas. Por exemplo, a Escola D. João de Castro custou, por aluno, 3 vezes mais do que o valor médio.

 

3. Tanto a Inspecção-geral de Finanças como o Tribunal de Contas salientam a importância de fixar tectos máximos de investimento, cuja ausência apontam como um importante erro na gestão do programa de requalificação.

 

* frase da autoria de Maria de Lurdes Rodrigues, a 10 de Abril de 2012, em audição parlamentar.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 10:00 | comentar | partilhar
Quarta-feira, 18.04.12

Cachimbos de lá


Maurice Vlaminck, Natureza-morta, 1951.
publicado por Pedro Picoito às 15:42 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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