Sexta-feira, 04.05.12

Coisas boas da polémica do Pingo Doce

Ficámos a saber que o estado tem uma organização que atende pelo nome de Observatório dos Mercados Agrícolas e Importações Agro-alimentares.

 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 18:43 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Felizmente há sanidade e vozes não-socialistas no governo

«O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, disse hoje que as promoções do Dia do Trabalhador do Pingo Doce estão a ser investigadas, mas sublinhou "que este tipo de iniciativas é comum em vários países no mundo".»

 

E, vejam bem, a ASAE detectou dumping em três - três! - produtos. Se o rídiculo fizesse mossa nestes senhores, teriam saído do radar da comunicação social aí um mês depois das primeiras declarações aos media do actual director da ASAE.

publicado por Maria João Marques às 13:11 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Os camaradas que nos esclareçam

Uma cadeia de supermercados resolveu fazer descontos de 50% no 1º de Maio. Foi o dilúvio: as lojas encheram, os clientes atropelaram-se e a esquerda primitiva, que gosta de idealizar o povo mas sente náuseas quando o vê, atropelou os clientes.

 

Os descontos, que eu julgava benéficos para todos, são afinal uma derrota para consumidores e trabalhadores. Sobre os consumidores, nada a dizer: imagino que ainda exista por aí a nostalgia soviética de lojas vazias e senhas de racionamento na mão. Era mais ‘puro’ e ‘igualitário’.

 

Só estranho que os descontos sejam também uma derrota para os trabalhadores, embora seja difícil saber quais: os trabalhadores que ainda têm emprego no Pingo Doce e podem ganhar mais algum em dias feriados? Ou aqueles que podem comprar no Pingo Doce (com desconto) porque ainda têm emprego noutras paragens? Os camaradas que nos esclareçam. Isto, claro, se não estiverem demasiado ocupados a fantasiar ‘campos de reeducação’ para as massas alienadas.

 

João Pereira Coutinho, no CM

publicado por Nuno Gouveia às 12:51 | partilhar

Uma proposta doce


 

Tenha-se uma multidão de gente em situação de aperto. Lance-se, então, uma operação a que se poderia gostosamente chamar Corrida ao Bife. Ou Faça-se ao Bife, ou algum outro apelo à Razão do homo sapiens sapiens que esta classe de criaturas gosta de promover. A iniciativa certeiramente filantrópica consistiria em vender bifes numa promoção gigantesca confinada a uma data simbolicamente precisa e, para mais, numa parcela de tempo estreita. Bem, a quem não for inapelavelmente estúpido, não custará imaginar e antecipar as cenas que se desenrolarão às portas dos beneméritos estabelecimentos e ao longo dos seus corredores. Cenas fascinantes e, decerto, moralmente irrelevantes. Aliás, este género de operações, para salvaguarda das liberdades, deverá estar sempre resguardado de qualquer escrutínio moral, claro. Por outro lado, a tropa fandanga do costume (aquartelada aqui, ali e por outras esquinas), dir-nos-á, irrefutável, que as gentes que se atropelam para chegar àqueles alimentos o fazem livremente. Pois como não? Poderiam muito bem optar por não comer.
publicado por Carlos Botelho às 00:02 | comentar | ver comentários (23) | partilhar
Quinta-feira, 03.05.12

Le debat

 

No dia 22 de Abril 55% dos Franceses votaram à direita do PS. Em condições normais uma candidatura à direita do PS teria todas as hipóteses de vencer. A verdade é que à direita do PS, Villepin e Bayrou, tudo estão a fazer para que Sarkozy perca e cumpra a sua promessa de abandonar a política.

Quarta feira, num debate vivo, Sarkosy bem apelou aos franceses que votaram Le Pen e Bayrou, mas foi Hollande que cativou alguns desses votos ao ter referido que apoiaria uma mudança do sistema eleitoral por forma a conferir proporcionalidade na conversão de votos em mandatos. Costuma-se dizer que nas eleições francesas na primeira volta escolhe-se e na segunda exclui-se, e à direita há muito boa gente e querer ver Sarkosy pelas costas. Como eu os compreendo.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 23:04 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Agora sem ironia

Mas não deixa de ser irónico que o partido que mais oposição fez - e muito bem - ao PS devido aos abusos da ASAE seja agora o partido que, através de Assunção Cristas, aumente os impostos com argumento de defesa da segurança alimentar e que pretenda conter promoções comerciais que, está à vista de toda a gente, só trazem benefícios.

 

Eu não sei se o CDS está descontente por ter tido uma boa porção dos votos dos eleitores urbanos, e mais jovens que entradotes na idade. Mas se não está e pretende manter esse eleitorado, é conveniente informar Assunção Cristas que é ministra da Agricultura e não ministra dos agricultores e parar-lhe rapidamente os disparates. Porque as boas prestações de Paulo Portas e Pedro Mota Soares podem não ser suficientes para conter o descontentamento com a catástrofe socializante que a acção de Assunção Cristas tem sido.

publicado por Maria João Marques às 14:05 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Isto é o que se chama 'estar totalmente alheado da realidade'

Reproduzo aqui um comentário feito ao meu post sobre a ousadia, o verdadeiro despautério que foi a campanha do Pingo Doce no 1º de Maio:

 

«O meu marido trabalha no pingo doce , e nunca foi pressionado para trabalhar , nem no 1º de Maio , nem noutro dia qualquer, aliás sempre que pode trabalha nos feriados porque infelizmente o ordenado ao fim do mês a tempo e horas , como sempre é pago , nos faz falta . Acho muito bem o que foi feito , e sim o dia vai ser pago a triplicar e vão gozar 2 dias extra de folga a escolha do funcionário. Também ninguém sabe que o Grupo tem um programa de ajuda a todos os funcionários que se encontrem em dificuldades , seja ela qual for e da qual infelizmente já beneficiei . Mas cada qual tem a sua opinião e fala como quer , é o pais que temos e o governo que em vez de nos ajudar cada vez mais nos empurra para o fundo.»

Ana Santos.

 

Mas esta senhora, claro, está enganada. Está convencida que a campanha a beneficiou e à sua família, mas não, afinal o marido foi explorado, usado, manipulado, desrespeitado. A minha empregada doméstica (só um exemplo) também foi ao Pingo Doce há dois dias e esteve quatro horas dentro de uma loja Pingo Doce. Parecia felicíssima por ter poupado imenso dinheiro e garantia-me que não, não havia nada passado de validade. Coitada, também não percebeu como foi explorada e manipulada e etc.. E claro que as melhores pessoas para decidirem se ganharam ou não com a promoção não são a Ana Santos nem a minha empregada nem os outros que trabalharam e compraram no Pingo Doce a 1 de Maio; obviamente quem está habilitado a decidir se a acção do Pingo Doce as beneficiou são as pessoas que consideraram aquilo tudo pouco estético e muito de povão, onde é que já se viu estar numa fila horas a fio para aproveitar um desconto ou guerrear pela última margarina da prateleira? (É conveniente, no entanto, informar estas pessoas que têm défice de cosmopolitismo, ou saberiam que os saldos nas lojas das marcas topo de gama por esse mundo fora também são assaz caóticos). Na verdade, as pessoas nem deviam ter rédea solta para comprarem o que bem entendem: mal vêem uma promoção só compram coisas que não precisam e ainda gastam mais do que podem! Urge colocar Paula Teixeira da Cruz ou Assunção Cristas - que tanto desvelo têm dedicado ao sector do comércio - chefiando uma comissão para determinar o cabaz de compras que os consumidores devem comprar, que entregues a si próprios estes manifestamente não têm capacidade para decidir os iogurtes ou os detergentes melhores para as suas casas.

 

Agradeçamos reverentemente estarmos tão bem entregues a políticos e gente pensante que sabe o que é melhor para nós, bem melhor do que nós próprios sabemos. O país, à conta de tanto iluminado, está na falência; mas se as pessoas tivessem tido mais liberdade, estaríamos bem pior, oh se estaríamos.

publicado por Maria João Marques às 13:54 | comentar | ver comentários (16) | partilhar

E continua em boa forma

"Ui, ui, o Pingo Doce é sempre desumano"

 

1. A moralidade marxista permite ao esquerdista dizer uma coisa e o seu contrário sem perda de legitimidade. Ou seja, a vulgata marxista transforma a verdade numa coisa plástica, adaptável a cada contexto táctico. Até há uns dias, ainda não tinha percebido bem esta lição do mestre. Mas agora acho que já percebo, e vou demonstrá-lo com um exercício mui científico.


2. Pingo Doce não faz descontos ou promoções. Reação dos donos da justiça social e da pureza de coração? Eis a prova da insensibilidade social dos porcos capitalistas.

 

Henrique Raposo no Expresso

publicado por Nuno Gouveia às 09:35 | partilhar

Então e os trabalhadores da Feira do Livro?

No 1º de Maio a Feira do Livro estava cheia de gente que se acotovelava nos corredores, procurando beneficar de promoções elevadas, várias vezes superiores a 50%, em stands onde trabalhavam diversas pessoas durante longas horas. 1º de Maio, pessoas a trabalhar, caos generalizado, promoções vistosas, aparente "dumping" das editoras. Nem uma palavra - uma - nas redes sociais, nos jornais, nos media, nos blogs. Porquê? 

 

José Gomes André, no Delito de Opinião

publicado por Nuno Gouveia às 01:06 | partilhar
Quarta-feira, 02.05.12

Uma Abelha na Chuva

 

(1972)

publicado por Carlos Botelho às 23:00 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Pingo doce em pedra dura...

O Pingo Doce conseguiu trocar as voltas à pacatez do bairro.

Até o Governo veio justificar a pulsão tributária do Estado pela campanha em causa, que é mais ou menos como a mulher que diz para o marido “se te andas a divertir, vais pagá-las”. Já não bastava o confisco, agora ajunta-se-lhe o paternalismo ou maternalismo ou lá o que é. Ai, ai, ai, que grande confusão em que nos meteram.

Depois, os suspeitos do costume. Estão muito irritados, porque a Jerónimo Martins teve uma acção ideológica. Imagine-se a desfaçatez! A ideologia é só para nós, camaradas. Agora até isso querem democratizar! Onde é que já se viu. De repente, o marxismo vira neo-liberal e afirma que as empresas não podem ter ideologia. Nem pensar. Só vender. Hmm. Não contava com esta.

E depois não se percebe se acham bem que os capitalistas vendam os produtos com 50% de desconto. Em princípio, sim. Mas não no 1º de Maio. Ora, ora, essa é velha. Os novos fariseus do Templo determinam que não se pode fazer o bem nas datas sagradas.

Que coração duro se lhes nota que nem um Pingo doce os amolece.

publicado por Filipe Anacoreta Correia às 20:17 | comentar | ver comentários (21) | partilhar

Belarmino

 

(1964)

 

[Como já terão reconhecido pela voz, é Baptista Bastos quem entrevista Belarmino.]

 

publicado por Carlos Botelho às 20:00 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Pingo Doce FM

Só para ouvir isto valeu a pena a promoção do Pingo Doce do 1º de Maio.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 19:56 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Stop Cristas

Supermercados: Ministra tem planos para evitar promoções inesperadas

 

A presença desta socialista no governo da coligação PSD/CDS começa a ser um caso embaraçoso. Não há ninguém que diga à senhora que já chega de fazer asneiras?

publicado por Nuno Gouveia às 17:38 | partilhar

Fernando Lopes

publicado por Carlos Botelho às 17:00 | comentar | partilhar

O dedo moral

 

Aquele dedo que aponta para valores mais altamente alevantados é um dedo que ama o povo, um dedo que oferece escancaradamente ao povo aquilo de que o povo gosta e quer, um dedo que dá de mão lambida batatas e detergentes para a loiça, um dedo que não se comove com tretas de datas e mariquices de ordem pública. É um dedo espetado na cara daqueles privilegiados para quem a soltura da natureza é sempre um espectáculo degradante, daqueles que, dizendo defendê-lo, na verdade, não amam o povo, porque desatam em lamúrias aristocráticas de cada vez que esse “povo”, dizem eles, em horas de necessidade, é posto a esgadanhar-se foçando – e, realmente, meus libérrimos amigos, que diferença há entre abocanhar numa manjedoura e comer a uma mesa limpa – sim, que diferença?...  Só gente de má vontade, gente que talvez nem trabalhe no 1º de Maio, gente que não atira viandas à malta esfomeada, é que pode torcer o seu reaccionário nariz a esta alegria universal, a este verdadeiro orgasmo da comunidade livre de que todos, todos saem beneficiados.

 

[Descrições veramente intumescidas do orgasmo por parte de algumas vozes desassombradas e livres: aqui, ali, além e acolá.]

publicado por Carlos Botelho às 16:01 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Cachimbos de lá


Louis Marcussi, Natureza morta com tabuleiro de damas, 1912.
publicado por Pedro Picoito às 15:33 | comentar | partilhar

Parabéns ao Pingo Doce

Discordo do que o Pedro defende aqui. A acção do Pingo Doce, além de ter tido um sucesso inegável, permitiu a muitas famílias comprar produtos a baixo preço. E só isso mereceria o meu aplauso. A Jerónimo Martins, que não é uma instituição de solidariedade, agiu em função do seu próprio interesse, como é óbvio, mas isso não invalida o facto de ter ajudado imensas pessoas. Aliás, esta política de descontos agressivos é usual em muitos outros sectores, e também noutros países desenvolvidos. Recordo a loucura que é a Black Friday nos Estados Unidos ou os descontos nos saldos em Portugal no sector da roupa, por exemplo, quando os descontos atingem valores muitas vezes superiores a 50 por cento. Sinceramente não percebo porque é que fazer descontos desta natureza é mau, quando é óbvio que são os consumidores os mais beneficiados deles. Venham mais acções desta natureza, neste e noutros sectores. Sobre ser no 1º de Maio. Mas qual é o mal? É algum dia sagrado para que não se possa fazer nada? É apenas um feriado, aliás a que poucos portugueses ligam, como ficou provado ontem.

 

PS: como tem sido divulgado, também os funcionários do Pingo Doce saíram beneficiados ontem. Além de terem recebido o triplo pelo dia de trabalho, ganharam um dia extra de folga e ainda podem usufruir da promoção num outro dia. Precisamos de mais grupos económicos como a Jerónimo Martins e de empresários como Alexandre Soares dos Santos.

publicado por Nuno Gouveia às 12:24 | partilhar

Tão maçador que é o mercado

Sendo os sindicatos a força mais reaccionária deste país e dos grandes contribuintes para a pobreza crescente dos tais trabalhadores (os que representam e os outros), qualquer actividade que os enfrente está, para mim, no caminho certo, pelo que a decisão do Pingo Doce é, desde logo, de louvar. E é ainda mais de louvar por ter dado oportunidade a tantas famílias em dificuldades financeiras de adquirirem bens essenciais mais baratos. Foi, sem dúvida, um bom tributo aos trabalhadores. Fê-lo em perseguição de lucros futuros? Ainda bem, assim todos ganham.

 

E não posso deixar de lembrar que 'o valor' do que quer que seja é estabelecido nas economias prósperas pelo mercado; dito de outro modo, algo só vale, em termos materiais, o que alguém está em cada momento disposto a pagar por ele. Neste sentido, e tendo em conta os consumidores que acorreram às lojas do Pingo Doce, esta cadeia de supermercados praticou ontem um preço muito aproximado ao valor dos produtos que vendeu.

publicado por Maria João Marques às 12:18 | comentar | ver comentários (28) | partilhar
Terça-feira, 01.05.12

Portugal Doce

Na Albânia em 2003 uma cadeia de supermercados também colocou os seus produtos a metade do preço durante um fim de semana. No segundo dia da iniciativa várias lojas da referida cadeia foram saqueadas. Quem coloca à venda os seus bens a metade do seu preço não dá aos mesmos o valor que os mesmos "merecem".

Foi penoso ver algumas imagens do Pingo Doce, e lamento que o Sr. Soares dos Santos tenha optado por esta via, no dia 1 de Maio.

 

Adenda: Não Miguel não foram saldos. Aguarda então pela próxima greve da CGTP para fazeres as compras do mês...

 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 23:37 | comentar | ver comentários (31) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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