Domingo, 24.06.12

Guardando o giz

Bem, perplexo, só me restaria repetir o que já ficou dito aqui e ali (que mais há para dizer?) - o que, está agora claro, seria chover no molhado. (Se não, como se explicaria isto? De resto, o caso é ainda mais sério do que parecia. Há, até, linhas delirantes.) Desisto. As minhas capacidades pedagógicas são limitadas.

publicado por Carlos Botelho às 23:10 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

O futebol e a política

O camarada Carlos Botelho talvez já tivesse visto outros chefes de estado a festejar golos. Não sei, talvez tivesse sido a primeira vez, pois nunca por aqui vi tais imagens. Mas sei bem que Merkel não é uma líder qualquer. É, segundo percebi, a descendente espiritual do Führer na liderança da Alemanha, e que tem vindo a demonstrar um espírito vingativo por ter perdido Danzig e outras cidades da antiga Prússia. E que está numa missão espiritual para vingar a derrota da Alemanha na II Guerra Mundial. Percebo por isso a tentação de insultar a senhora. Não me surpreende. E, devo acrescentar, também não me surpreende que surjam outros insultos. Da minha parte, abstenho-me de participar nesse jogo, sejam os insultos sofisticados ou de muito baixo nível. Uma coisa é certa: nas meias finais deste Europeu, como noutros, não faltarão líderes políticos nas bancadas, sejam eles portugueses, espanhóis ou alemães. Prometo desde já não colocar nenhuma foto, não vá suscitar outro chorrilho de insultos. 

publicado por Nuno Gouveia às 22:07 | partilhar

O futebol, essa coisa a-política

publicado por Carlos Botelho às 20:30 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Um parênteses intrigado

Para mim, continua a ser um mistério que uma pessoa se faça desentendida, somente para continuar teimando numa posição que, tudo indica, não é, se encarada de frente, defensável. (Se o fosse,  encarregar-se-ia de a defender de um modo não enviesado.) Nessa situação, ela sabe muito bem que vai atirando argumentos numa direcção onde não se encontra ninguém. Isto é, ninguém tomou a posição que se ataca repetidamente. Nem vale a pena elaborar muito sobre a desonestidade do método.

 

A alternativa sobrante também não é simpática: um discernimento coxo.

publicado por Carlos Botelho às 20:02 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Um apelo

Então?... Há já umas boas horas que não aparecem por aqui fotos de chefes de Estado, cabeças coroadas e governantes festejando golos pátrios... Não há mais?... Eu estava a gostar. É que essas fotos (e as suas legendas) vinham, com uma generosidade insuspeita, precisamente confirmando o que já tinha escrito antes (Ver aqui, isto, aquilo e aqueloutro). Realmente, aquelas imagens (e legendas) valem mil palavras das minhas [Uma, duas, três]. Esta espécie de solidariedade teórica de blog é sempre comovente.

 

Mas convirá, talvez, não exagerar no fornecimento de exemplos ilustrativos para os argumentos dos posts dos camaradas de blog, refrear esta ânsia solidária. Para além da ironia inteligente das imagens (e legendas!) pressupor uma sofisticação intelectual não (social?-) democraticamente alcançável, ainda corremos o risco de nos acusarem de "unanimismo" ou coisa que o valha.

publicado por Carlos Botelho às 17:47 | comentar | partilhar

Crónicas da Renascença: Cavaleiros do Apocalipse. Ou Talvez Não*

Terminou esta semana, no Rio de Janeiro, mais uma cimeira sobre o ambiente patrocinada pela ONU. E como acontece sempre nas cimeiras sobre o ambiente, os resultados foram uma desilusão. François Hollande, o novo presidente francês, declarou enfaticamente que "ficaram aquém das nossas responsabilidades e das nossas expectativas", uma frase que fica sempre bem a um político. Mais sucinto, mas ainda mais enfático, Daniel Mittler, do Greenpeace, disse que que a cimeira foi "um desastre" e que "os países desenvolvidos vieram sem dinheiro e sem vontade, e ainda apelaram à acção, fingindo que não são eles que estão a impedir que se avance". Mais realista, Peter Leiner, director de uma ONG americana, concluiu que "o documento final não é o que deveria ser, mas não se salva o mundo com um documento".

Estes três exemplos, colhidos no Público de anteontem, mostram porque é que as "expectativas", cimeira após cimeira, têm o péssimo hábito de ficar aquém das "responsabilidades". O problema está em que o ecologismo dominante quer mesmo "salvar o mundo". Profetiza todos os dias o apocalipse e roga-nos pragas como o dilúvio, a seca e a subida dos oceanos se não fizermos penitência pelos pecados ambientais da Humanidade.

O movimento ecologista é hoje o último sucedâneo das religiões seculares, como em tempos Raymond Aron chamou às ideologias. Nasce de uma filosofia da história que vê no homem o opressor da natureza, à imagem do capital que explora o proletariado ou do Ocidente que explora os povos colonizados. Mais do que isso, apela a uma mudança de hábitos em tudo semelhante a uma conversão colectiva. Quer castigar a poluição e o uso de combustíveis fóseis (carvão e petróleo), condenando assim o modelo económico da Revolução Industrial e, portanto, o modo de vida que, nas sociedades desenvolvidas ou nas emergentes, identificamos com a modernidade. Não admira que haja pouca "vontade" de mudar.

O mais trágico, porém, é que este modelo de desenvolvimento teve e tem inegáveis efeitos predatórios sobre o ambiente. Nem vale a pena bater no ceguinho. Talvez seja mais urgente adequar as nossas "expectativas" irreais às nossas "responsabilidades" reais - se queremos "salvar o mundo" e não apenas uma visão do mundo. 

*25/6/2012.

publicado por Pedro Picoito às 15:15 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Heróis do Mar

No Portugal - Espanha da próxima quarta feira começamos a cantar e com a Espanha calada.

Quando chegar o momento de cantar o hino, de um lado temos uma nação a cantar unida e do outro a Espanha das nacionalidades sem hino para cantar.

É estranho  mas é verdade. Espanha deve ser o único país desenvolvido que não pode cantar o hino porque o seu hino não tem letra. Historicamente a Marcha Real já teve várias letras mas no fim do franquismo foi abandonado a letra "Viva Espanha" por razões políticas. Nos últimos 30 anos já foram apresentadas várias propostas de letra e efectuados muitos concursos e debates. Há letras mais centralistas, mais autonómicas, mais conservadoras e progressistas, mais vermelhas ou mais azuis. Esta situação reflecte a Espanha de hoje, as suas grandezas e fraquezas e também as suas tensões e contradições.

Já do lado de Portugal: Heróis do Mar.

 

Imagem da selecção de Espanha a entusiasmada a cantar o hino.

 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 11:16 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Para os nostálgicos de São Martinho do Porto (por fim a cores)


 



 
publicado por Pedro Picoito às 10:37 | comentar | partilhar

Da série "A concorrência faz melhor"

Ou ando muito distraído ou isto é a melhor análise técnico-táctico-vernácula da nossa prestação no Europeu. 

Talvez mesmo não vernácula.

publicado por Pedro Picoito às 10:36 | comentar | partilhar

Outro

Lamentável, Presidente Lula.

publicado por Nuno Gouveia às 03:28 | partilhar

Uma vergonha

A Rainha Sofia devia ter vergonha na cara. Festejar um título mundial de futebol? 

publicado por Nuno Gouveia às 03:24 | partilhar

Como é possível?

A desfaçatez. A malvadez. Como se atreveu David Cameron a festejar um golo de uma equipa inglesa? Ainda por cima contra uma equipa alemã. Agravado pelo facto que a Chanceler da Alemanha estava ao lado. Estes ingleses não têm mesmo vergonha na cara. 

publicado por Nuno Gouveia às 03:19 | partilhar

Notícias da frente Leste (a Polónia)

 

 

A Polónia e a Ucrânia são por estes dias palco de outras batalhas que não apenas as desportivas. Estes dois países, determinantes para o futuro da União Europeia a leste, travam uma guerra acesa contra a dependência energética da Rússia, as hipóteses de sucesso não são muitas e os aliados também não.

Vejamos o caso da Polónia, país membro da União Europeia. A Polónia não confia em ninguém, nem nos russos nem nos seus parceiros da UE, apenas em si, e talvez nos norte-americanos. Na passada semana, mais uma vez, fez saber que não está disponível para se "suicidar" às ordens da União Europeia. O seu vice primeiro-ministro e ministro da economia reiterou que a Polónia se opõe aos objectivos obrigatórios inscritos no “Energy roadmap 2050”, proposto pela anterior presidência dinamarquesa da UE. Todos os outros 26 membros da UE já apoiaram as conclusões excepto a Polónia. Mais, quer que a UE só se comprometa com novos objectivos, em termos ambientais, após um acordo mundial e que se deixe de voluntarismos – algo que não vai ser fácil, como tivemos oportunidade de ver na Cimeira do Rio+20.

É fácil criticar esta atitude da Polónia, porém não o devemos fazer com leviandade – a situação polaca é bastante complexa e merece ser tratada como um caso singular. O seu sector eléctrico é dependente do carvão em 90% e as alternativas não são muitas, a opção lógica seria o gás natural, mas a Rússia já fornece 60% do gás consumido na Polónia, o restante gás importado vem da Alemanha, e aumentar esta dependência é algo que os polacos assumidamente não querem. O documento que contém a estratégia de segurança nacional da Polónia é claro: “a maior ameaça à segurança nacional do país é a dependência da sua economia de uma única fonte energética externa”.

Os políticos polacos estão conscientes que a actual indústria do carvão está comprometida e que é preciso fazer a reconversão industrial e tecnológica. O que estão a fazer é a comprar tempo, até que tenham condições de prosseguir com outras tecnologias e fontes energéticas alternativas que lhes garantam a segurança de abastecimento e o progresso económico. Diga-se, em abono dos polacos, que alguma coisa tem sido feita: terminais de GNL, interligações por gasodutos com países vizinhos, primeiro país a avançar com a prospecção de gás não convencional (shale gas), tendo também avançado com produção eléctrica com base em energias renováveis e medidas de promoção da eficiência energética. O Governo polaco aprovou em 2009 um documento com a sua política energética até 2030, no qual prevê, por exemplo, que a tecnologia nuclear venha a representar 17% na produção de energia eléctrica (actualmente não existe) – estão a imaginar a irritação que esta medida provoca na sua vizinha Alemanha (até deu origem a uma queixa à Comissão Europeia).

O que os polacos não estão dispostos a fazer é mudanças radicais de acordo com os calendários e os termos delineados em Bruxelas, e a fazê-lo a qualquer preço – arriscando-se a provocar uma convulsão social grave com destruição do importante sector mineiro, são mais de 110.000 trabalhadores.

Mas há um problema sério, onde a oposição da Polónia não é um facto de somenos para as ambições da União Europeia, agora que toda a agenda europeia parece vir a ser apoiada na transição do modelo energético, até a França já veio dar o seu assentimento. A UE está consciente, se quiser avançar por aí, tem de: reformar primeiro o mercado de emissões. A rentabilidade dos novos investimentos em energias renováveis está dependente de um preço do CO2 elevado. Com o actual preço de mercado do CO2 não há o incentivo necessário para o desenvolvimento rápido das renováveis e do gás, ao contrário do carvão que tem queimado bem. O excesso de oferta de licenças e a crise económica afundaram o preço de mercado do CO2, a tocar agora valores na ordem dos 7€/ton. Com este preço do CO2 até o carvão espanhol das Astúrias o único risco sério que enfrenta é o de ser substituído pelo carvão da Colômbia ou da África do Sul ou mesmo da Austrália.

A Comissão Europeia parecia ter um plano para sair deste limbo e iniciar a reforma necessária na cimeira da próxima semana, mas… mais uma vez a Polónia não está pelos ajustes e vai inviabilizar qualquer alteração ao mercado de emissões. Em alternativa, a Comissão accionou o seu plano de contingência e está a estudar formas de contornar as incitativas que necessitem o consenso dos 27. Deve estar preparada para propor uma qualquer medida administrativa que impulsione artificialmente o preço do CO2 para um valor superior aos 20 €/ton, no médio prazo – só assim a “economia verde” pode ter futuro. Esperemos que no desespero de colocar este mercado a funcionar, a UE não condene um dos seus. A Polónia não merece e os riscos podem ser muito elevados, é que o projecto europeu não tem que, obrigatoriamente, começar a desmoronar-se pelo Sul.

Não está fácil a vida na frente Leste, a situação exige flexibilidade táctica e inteligência estratégica. A Ucrânia é uma outra história, fica para outra oportunidade.

publicado por Victor Tavares Morais às 00:31 | comentar | partilhar
Sábado, 23.06.12

Cachimbos de lá


Dani Alvarez Cañelas, O cachimbo, 2012
publicado por Pedro Picoito às 23:54 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Mais uma

Os "casos Relvas" são como as cerejas: puxa-se um e vêm logo dois ou três. Agora é Helena Roseta que acusa o Ministro-Adjunto de mais uma pressão inaceitável, talvez mesmo ilícita (a ERC que decida). Há dez anos, o então Secretário de Estado de Administração Local sugeriu à então bastonária da Ordem dos Arquitectos uma parceria para formar arquitectos das Câmaras Municipais, dando uso aos fundos europeus do programa Foral. Até aqui tudo bem. O problema é que Relvas, diz Helena Roseta, impôs como condição que fosse uma empresa de Passos Coelho a ficar com o encargo, o que ela recusou.

Eis uma historieta provavelmente semelhante a tantas outras envolvendo dinheiros europeus, autarquias e um poder central gerido em regime mafioso, vamos sabendo agora, ainda antes de Sócrates (um dos ministros que tutelava o Foral era - adivinhem - Isaltino Morais). E ao lado das triangulações mais sulfurosas entre empresas privadas, serviços secretos e maçonaria, que já deram a Relvas um lugar de destaque na crónica da presente legislatura, a coisa até parece inocente.

Sucede que Helena Roseta é quem é e não consta que tenha especial interesse em impedir a sagrada privatização da RTP. O spin está cada vez mais difícil. A Sicília está cada vez mais perto. O que vale, com um bocadinho de sorte, é que ainda ganhamos o Europeu e depois vai tudo a banhos.

publicado por Pedro Picoito às 23:34 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Vergonha de Lisboa

A Estação de Metro do Aeroporto é uma das vergonhas de Lisboa. Em primeiro lugar porque não existe; somos a única capital da Europa com Aeroporto em plena cidade e, talvez, a única sem qualquer ligação entre este e o metro ou o comboio. Este aeroporto existe desde 1942 e o Metro desde 1959. Ou seja, um atraso de mais de 50 anos nas ligações. Ninguém fica bem na fotografia e quando se fala em planeamento urbanístico e de transportes o Metro do Aeroporto torna-se, pela negativa, num verdadeiro case-study. Em segundo lugar porque os atrasos sucedem-se no tempo. Agora mais um. Parece que faltava um lanço de escadas rolantes. Esta obra teve início há cerca de 5 anos mas parece que só recentemente deram por esta falta. Verdadeira vergonha cinquentenária.

publicado por Vasco Mina às 16:32 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

À la Finnegans Wake...

 

 

Aventurei-me a começar o Finnegans Wake, do James Joyce… tenho tido algumas bificuldades, que passas pôr:

 

As palahvras tão, todas mauscritas. Ukek diz? Dukek estafa lar? Aquelas hrases são uma semfusão sempleta. Trocadas todas voltas as. Frento com audácia sete centos folios cem dez istir.

Por agora estou à toa durar!

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 15:38 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Sexta-feira, 22.06.12

Síndroma de Danzig


Fazer figuras daquelas perante o esmagamento da selecção grega pela alemã (um feito deveras heróico), para mais em Gdansk, só pode ser mesmo manifestação da síndroma de Danzig. Echt deutsch.
publicado por Carlos Botelho às 23:14 | comentar | ver comentários (22) | partilhar

A imagem da semana

publicado por Pedro Pestana Bastos às 21:44 | comentar | partilhar

Aquilo deve pesar

 

O novo ministro das finanças grego foi hospitalizado depois de um colapso...

O novo primeiro-ministro Samaras também vai ser submetido a uma pequena cirurgia...

Eu, no lugar deles, acho que também me desfazia em pedaços.

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 17:35 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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