Segunda-feira, 04.06.12

Nem tudo são más notícias

Portugal passou em "todos os exames"da troika com nota positiva

 

A comparação com a Grécia é inevitável. Ao contrário dos gregos, que adoptaram uma estratégia de forçar a ajuda externa através do incumprimento (ou cumprimento aparente, o que vai dar ao mesmo), o Governo português adoptou uma estratégia de cumprimento integral dos acordos internacionais de ajuda externa. Estas estratégias diferentes têm conduzido cada um dos países, cujo ponto de partida era semelhante, a situações opostas. Com vantagem para Portugal diga-se. Apesar da situação económica ser penosa - a recessão e o desemprego são de extrema gravidade na vida de muitos portugueses - é um facto que Portugal tem vindo aos poucos a recuperar a sua credibilidade externa. Após quatro avaliações positivas, um ano volvido após a intervenção externa, é justo reconhecer que Portugal está a conseguir distanciar-se da Grécia e talvez mesmo de Espanha. Mérito dos portugueses - em especial da classe média que percebeu a gravidade da situação e a necessidade de mudar - e mérito também do Governo. Apesar das críticas, algumas feitas aqui no Cachimbo, este executivo, em especial a dupla Victor Gaspar e Carlos Moedas, sempre com total apoio político do Primeiro-Ministro, tem feito um trabalho sério e competente. Não sabemos onde tudo isto vai parar - a situação internacional continua imprevisível - mas é justo reconhecer que Portugal tem feito o que lhe competia na consolidação das contas públicas e ao introduzir algumas (ainda poucas) reformas estruturais. 

publicado por Paulo Marcelo às 10:46 | comentar | ver comentários (8) | partilhar
Domingo, 03.06.12

Convento da Arrábida

 

 

Sugestão para uma visita. Sítio único de beleza paisagística e com uma história que nos convida a refletir sobre o sentido das nossas vidas. Recomendo o apoio do Guia da Fundação Oriente que vale a bem a pena conhecer e ouvir.

Somos transportados para o Sec.  XVI e convidados a entrar no quotidiano dos eremitas Arrábidos da Família Franciscana. Convento construído com o apoio do Duque de Aveiro, D. João de Lencastre. Os poderosos e abastados de então apoiavam as Ordens Religiosas e suportavam a construção de Conventos.

A pobreza e a austeridade de vida são dimensões  que nos marcam ao longo da visita. São Pedro de Alcântara, quando aqui chegou, considerou  ser um Convento de luxo o que bem revela o patamar de exigência espiritual desta gente.

Estes eremitas aqui estiveram até 1834. Os liberais não toleravam os religiosos mesmo que estes fossem apenas e só homens que se dedicavam à oração e vivendo despojados de bens. Os arrábidos foram expulsos e os Conventos foram comprados pelos novos poderosos de então. Assim aconteceu com este que foi adquirido pela Casa de Palmela.

Em 1990 o Convento foi vendido à Fundação Oriente que recuperou este espaço e o tornou visitável. É fácil marcar a visita bastando ir ao site da Fundação.

 

 

 

publicado por Vasco Mina às 23:03 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cultura em tempos de crise

viegas2

Estive no Sábado nesta conferência do Secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas, na Residência de Estudantes Montes Claros, em Lisboa.

(Já agora, engraçado o cartaz com a nota de "sem escudos"!)

Foi a primeira vez que o ouvi falar e fiquei com boas impressões. Criou um ambiente informal e houve muitas perguntas. Falou-se dos estudos de humanidades vs. ciências (empregabilidade das pessoas com vocação para cursos de letras), de património, financiamento da cultura por subsídio ou pelo mercado, o lugar da cultura na educação...

Para salientar apenas uma ideia interessante: falou da "captura" da cultura dentro do entretenimento, este fenómeno actual em que se deixa reduzir a cultura a objecto de consumo de lazer...
publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 22:23 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Ainda o debate

"Não é a lógica unilateral do benefício pessoal e do máximo lucro que pode contribuir para um desenvolvimento harmonioso, para o bem da família e para a edificação de uma sociedade mais justa, porque essa lógica provoca uma concorrência exasperada, desigualdades fortíssimas, a degradação do ambiente, a corrida aos bens de consumo, os conflitos nas famílias . A mentalidade utilitarista tende a estender-se também às relações interpessoais e familiares, reduzindo-as a precárias convergências de interesses individuais e minando a solidez do tecido social”.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 22:17 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

A "limpeza" da Escola (*)

 

 "Ora, quer o fim das Novas Oportunidades e a sua substituição por coisa nenhuma, quer toda uma série de medidas no sector de educação, enroupadas num discurso legitimador mas que são, na verdade, medidas de contenção de gastos - o número de alunos por turma é um caso -, vai ter o efeito de não só prolongar a baixa qualificação da mão-de-obra nacional, como de agravá-la. Eis uma "herança para as gerações futuras" de que ninguém fala."

(No Abrupto.)

 

 

E repitamos isto e também isto.

 

[(*) Inspirado pela caracterização brilhante aqui referida.]

publicado por Carlos Botelho às 21:42 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

O desmancha-prazeres de Roma (anche lui)

 

"Nel libro della Genesi, Dio affida alla coppia umana la sua creazione, perché la custodisca, la coltivi, la indirizzi secondo il suo progetto (cfr 1,27-28; 2,15). In questa indicazione della Sacra Scrittura, possiamo leggere il compito dell’uomo e della donna di collaborare con Dio per trasformare il mondo, attraverso il lavoro, la scienza e la tecnica. L’uomo e la donna sono immagine di Dio anche in questa opera preziosa, che devono compiere con lo stesso amore del Creatore. Noi vediamo che, nelle moderne teorie economiche, prevale spesso una concezione utilitaristica del lavoro, della produzione e del mercato. Il progetto di Dio e la stessa esperienza mostrano, però, che non è la logica unilaterale dell’utile proprio e del massimo profitto quella che può concorrere ad uno sviluppo armonico, al bene della famiglia e ad edificare una società giusta, perché porta con sé concorrenza esasperata, forti disuguaglianze, degrado dell’ambiente, corsa ai consumi, disagio nelle famiglie. Anzi, la mentalità utilitaristica tende ad estendersi anche alle relazioni interpersonali e familiari, riducendole a convergenze precarie di interessi individuali e minando la solidità del tessuto sociale.

 

Un ultimo elemento. L’uomo, in quanto immagine di Dio, è chiamato anche al riposo e alla festa. Il racconto della creazione si conclude con queste parole: «Dio, nel settimo giorno, portò a compimento il lavoro che aveva fatto e cessò nel settimo giorno da ogni suo lavoro che aveva fatto. Dio benedisse il settimo giorno e lo consacrò» (Gen 2,2-3). Per noi cristiani, il giorno di festa è la Domenica, giorno del Signore, Pasqua settimanale. E’ il giorno della Chiesa, assemblea convocata dal Signore attorno alla mensa della Parola e del Sacrificio Eucaristico, come stiamo facendo noi oggi, per nutrirci di Lui, entrare nel suo amore e vivere del suo amore. E’ il giorno dell’uomo e dei suoi valori: convivialità, amicizia, solidarietà, cultura, contatto con la natura, gioco, sport. E’ il giorno della famiglia, nel quale vivere assieme il senso della festa, dell’incontro, della condivisione, anche nella partecipazione alla Santa Messa. Care famiglie, pur nei ritmi serrati della nostra epoca, non perdete il senso del giorno del Signore! E’ come l’oasi in cui fermarsi per assaporare la gioia dell’incontro e dissetare la nostra sete di Dio.

 

Famiglia, lavoro, festa: tre doni di Dio, tre dimensioni della nostra esistenza che devono trovare un armonico equilibrio. Armonizzare i tempi del lavoro e le esigenze della famiglia, la professione e la paternità e la maternità, il lavoro e la festa, è importante per costruire società dal volto umano. In questo privilegiate sempre la logica dell’essere rispetto a quella dell’avere: la prima costruisce, la seconda finisce per distruggere. (...)"

 

 

Gli fratelli liberali possono leggere (e vedere con i propri occhi) qui. Abbiate pazienza!

publicado por Carlos Botelho às 15:30 | comentar | partilhar

A guerra das cleantech

 

A Alemanha só aceitará um qualquer plano industrial europeu, plano para o crescimento e emprego ou outro nome que lhe queiram dar, se as suas exportações beneficiarem directamente. Acredito que só o fará com as devidas garantias.

O primeiro obstáculo ao sucesso do plano é no próprio espaço europeu, nem todos os países estão em idênticas condições para beneficiarem de um plano como aquele que se desenha no horizonte. O grau de competitividade da indústria alemã está a milhas das demais indústrias europeias, para ganhar a batalha pela venda de equipamentos ligados às indústrias das energias renováveis e do ambiente (as cleantech). Aos concorrentes europeus ganha na inovação tecnológica, nos custos controlados de mão-de-obra, na produtividade – o suficiente para garantir na Europa a “fatia de leão”. Portanto, no campeonato europeu do crescimento das exportações, fruto do potencial plano industrial, a Alemanha seria novamente um vencedor antecipado - sem surpresas.

Dir-me-ão: e os outros, os não europeus, os chineses? Vão deixar de aproveitar uma oportunidade destas, no maior mercado do mundo?

Os chineses vão tentar, mas aqui há que contar com a “má experiência” acumulada e a capacidade de antecipação alemã. Os recentes desenvolvimentos mundiais do mercado de células fotovoltaícas deixam antever o futuro. A poderosa empresa alemã SolarWorld tem liderado com sucesso uma campanha anti-dumping nos EUA, que já conduziu em Março passado a que fossem criadas taxas aduaneiras de 4,7% às importações de equipamento com origem na China. Mas a mais recente vitória é retumbante, à taxa aduaneira soma-se agora a menos módica tarifa anti-dumping, aprovada em Maio pelo Departamento Americano do Comércio, no valor de 31%. Estas medidas fizeram desesperar os chineses, e já conduziram Pequim a apresentar uma queixa formal na OMC.

Apesar de tudo, esta questão é actualmente um “problema menor” da China. Um problema maior é que a germânica SolarWorld já informou os mercados que vai iniciar uma acção semelhante na Europa, ainda este ano. E aqui, o problema pode ser bem mais grave - não nos esqueçamos que apenas 10% da produção chinesa de equipamentos fotovoltaicos vai para os EUA, a fatia dourada é a Europa, com 80%.

Isto para explicar que os alemães, em face da experiência acumulada nos EUA e também na Alemanha (até agora a China tem sido a maior beneficiária dos incentivos do Governo alemão à energia solar), poderão não estar dispostos a financiar um qualquer plano industrial à escala europeia, para benefício de países concorrentes, nomeadamente os asiáticos. Diga-se que esta estratégia contém riscos, para a própria Alemanha, – a demais indústria alemã tem beneficiado, e muito, dos planos de incentivo à economia dos governos chinês e norte-americano. Para os mais optimistas que pensam que é, tão só, desenhar um plano de crescimento e financiá-lo, desenganem-se, dificilmente avançará sem estarem salvaguardas as devidas garantias. Podemos ter uma guerra comercial, envolvendo as cleantech, antes mesmo de ser lançado um qualquer plano industrial europeu. E todos sabemos como as guerras comerciais podem acabar mal.

publicado por Victor Tavares Morais às 11:00 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Um perfil dos candidatos

Harvard Law School vs Harvard Business School no Era uma vez na América.

publicado por Nuno Gouveia às 09:13 | partilhar
Sábado, 02.06.12

Borges: o sonho de Louçã


 Ao fazer afirmações deste género, faz-se política com a não-política. Exercícios desses não costumam resultar propriamente brilhantes. Monstruosidades políticas.

 Por entre os habituais balidos de aprovação que, certamente, já se ouvem por aí, poder-se-ia perguntar se enunciados como aqueles (preconizar a diminuição de salários, caracterizar a situação actual como "limpeza [sic] da economia"...) têm ainda alguma coisa a ver com a identidade do Partido a que Borges, curiosamente, pertence. A não ser que haja quem seja indiferente à identidade. Bem, esse, então, coloca-se como que num plano infra-humano e não merecerá sequer ser referido com aquele pronome indefinido. Também, sempre antes dos balidos de contentamento, antes de se admitir ou não que o Estado é um mau gestor, poder-se-ia perguntar se o papel primacial do Estado é o de ser gestor; perguntar se o Estado, no sentido de "poder público", deve estar para um país como um gestor para uma empresa. Mas, para lá dessas perguntas, temos de reconhecer que Borges será sempre um must nos tempos de antena do Bloco de Esquerda e será sempre gostosamente citado por Francisco Louçã nos seus discursos mais inflamados. Aliás, com entrevistas destas, Louçã quase não precisa de abrir a boca.
publicado por Carlos Botelho às 23:09 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

No princípio era a fotografia (Alfred Stieglitz)

Alfred Stieglitz (1864-1946)

 

nasceu em Nova York numa família de origem judaica com raízes na Alemanha. Aos 16 anos foi para Berlim estudar engenharia e é aí que aprende a, ainda, jovem técnica da fotografia, regressando a Nova York dez anos depois. No início do século (1902) fundou o movimento Photo-Secession com Edward Steichen, e a revista Camera Work (1905) onde deu a conhecer grande parte do seu trabalho. Pode não ter sido o maior artista do seu tempo, mas sem ele dificilmente a fotografia teria atingido o estatuto artístico que obteve. O seu maior contributo talvez tenha sido a oportunidade que deu à vanguarda artística europeia – a de ser conhecida do público americano.

 

 

Alfred Stieglitz  (Paula, Berlim) - 1889

publicado por Victor Tavares Morais às 19:00 | comentar | partilhar

Memorabilia "socratica"

publicado por Carlos Botelho às 17:00 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Desmorrer

desmorrer

Já foi há bastante tempo que me surpreendi com a primeira coluna que o Miguel Esteves Cardoso dedicou ao cancro da sua mulher, "a Maria João". Era um texto desconfortável de ler, pisava terreno interdito – do cancro da própria mulher não se fala num jornal, mesmo com a autorização da própria.

E depois, o Miguel (já que ele nos admite à sua família, trato-o só assim) é o colunista da piadinha, da descrição genial do pequeno gesto do português, das nossas idiossincrasias nacionais, do fútil elevado a peça de joalharia que ele faz brilhar diante dos nossos olhos. As colunas dele uns dias passam-se à frente, outras lêem-se na diagonal e deixam um sorriso. Mas cancro? Pode vir no jornal, mas na segurança de uma estatística, no conforto da discussão de uma política de saúde pública… Mas o cancro como perspectiva real e próxima da morte de uma pessoa muito amada?

Depois foram muitas colunas sobre isto, intercaladas com o mesmo banal do costume. Há dias, "Desmorrer", com o casal e a médica a chorar em grupo com as boas notícias.

O Miguel não aguentava escrever todos os dias sem falar do que lhe roía a alma. E a sua terapêutica também nos está a curar alguma coisa. A morte está ali de vez em quando, na penúltima página do Público, a conversar connosco. Quase sem respostas, mas com boas perguntas, sobre o sofrimento, sobre Deus, sobre o amor, sobre o sentido dos tais gestos do dia-a-dia em que o Miguel é doutorado.

Não é a morte tal como se lê nos filósofos nem nos poetas. Também não é a dos médicos, que aparecem aqui na sua verdadeira dimensão: muito bons, muito humanos, competentes, mas terrivelmente pequenos diante da tarefa que lhes encomendamos de nos defender da morte. O Miguel escreve apenas sobre a morte comum, a que nos tocará a todos, com encolheres de ombros nos corredores de um hospital, visitas sem nada de jeito para dizer, preces desajeitadas e aquela luta perdida com as coisas que não podem ficar por dizer, e depois ficam mesmo.

É a perspectiva da morte, felizmente ainda adiada, que sai da pena de uma pessoa como o Miguel. Uma súplica humilde ao universo, a Deus, aos outros, seja a quem for, que lhe deixem ficar a sua Maria João. Nunca nos diz que seria mau ela partir. Diz que é bom ela viver. E quando o tempo parecia curto dizia: é bom ela viver, hoje. Que alívio saber que o tempo já parece outra vez mais longo…
publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 12:23 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Grande Finale (166)

 

Meet John Doe, Frank Capra, 1941

publicado por Carlos Botelho às 00:00 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 01.06.12

Da série "O som e a fúria"

"Morality is a good argument in politics if it is invoked and applied consistently. There is no moral difference between the slaughter of civilians by a dictatorial regime in Lybia and the slaughter of civilians by a dictatorial regime in Syria. There may be differences of costs, risks, interests, allegiances and regional fallout. But if morality is to be the yardstick of Western intervention, then the price of Western inaction is that our invocation of lofty principles will fall on deaf ears."

Emanuele Ottolenghi, "Points East and West", in Standpoint, May 2012. 

publicado por Pedro Picoito às 23:59 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbos de lá


George Grosz, O actor Max Pallenberg como Soldado Schweik, 1927.
publicado por Pedro Picoito às 19:52 | comentar | partilhar

Lei seca

O meu sobrinho Luís, tem 17 anos e é um miúdo giro. Sempre foi bom aluno e em Setembro, se tudo correr como espera, entra da Faculdade de Direito. O Luís trabalha em part-time e comprou uma acelera para ir para a faculdade. Começa a ter as primeiras namoradas e joga futebol duas vezes por semana. Nem é muito de saídas mas gosta de ir a uma esplanada beber uma imperial com os amigos. Como o Luís há milhares de miúdos espalhados pelo país que nos últimos anos do liceus e nos primeiros anos de faculdade começam a consumir bebidas alcoólicas. A actual lei, que proíbe a venda a menores de 16 anos é equilibrada.

 

Pois há agora um cavalheiro no Governo que, depois de querer proibir-me de fumar no meu carro, também quer proibir os jovens entre os 16 e os 18 anos de consumir qualquer bebida com álcool.

 

Espero bem que não seja um governo de direita a aprovar uma lei destas.

 

publicado por Pedro Pestana Bastos às 14:46 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Uns piadistas

Tem imensa piada ler em vários lados colegas de blogue de uma deputada que um dia disse que não era grave que o primeiro-ministro do seu partido houvesse mentido ao parlamento (claro que para chefes de governo de outros partidos a falta de exigência não é igual, que as gentes do PS não têm nada que se submeter aos limites impostos a meros mortais) se indignem tanto com as contradições (que tanto podem ter sido esperteza saloia ou mentira pura e dura, ambas a la Sócrates, como falta de preparação para responder à AR - e que também deve ter custos políticos) de Relvas.

 

Já agora, é conveniente lembrar que Silva Carvalho não tomou posse do SIED através de um golpe. Chegou lá por nomeação superior e alguém - que, curiosamente, agora nunca é referido - fez um mau trabalho escrutinando Silva Carvalho para um lugar que nunca deveria ter ocupado.

publicado por Maria João Marques às 14:08 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Da série "Vale a pena ler"

«Em contratos claramente danosos para o interesse público – e pelo que se lê do relatório do TC, serão vários os casos – o governo pode estudar juridicamente a ilegalidade desses mesmos contratos. Deve ser este o ponto de partida para negociações agressivas, que reponham o equilíbrio na partilha de riscos. Os privados não têm culpa de terem aproveitado a oportunidade dada pela negligência do Estado – mas sabem muito bem aquilo que assinaram e devem ser mencionados publicamente, como sugeriu a insuspeita troika, caso revelem intransigência em negociar. Quanto aos políticos que segundo o TC sonegaram informação útil para a análise não vejo outra hipótese senão acções em tribunal. Qualquer coisa menos do que isto será a continuação da afronta com que nos brindaram nas PPP nas últimas décadas.»

 

As PPP são o maior escândalo financeiro em Portugal, por Bruno Faria Lopes no i.

 

publicado por Paulo Marcelo às 12:01 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Relvas, Inimigo Público

A brincar, a brincar, eis a melhor síntese dos últimos dias de polémica...

 

"Relvas é demasiado grande para cair, e o risco de contágio seria enorme"

 

(no Inimigo Público de hoje)

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 10:00 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Contos (Ou Casos) Sem Fim…

 O “Caso Relvas” (adopto a designação do Pedro Picoito) é mais um Caso que se vai arrastar nos próximos tempos, tomando lugar nas televisões, jornais e blogosfera. Tal como aconteceu e acontece com todos os outros casos que, há anos, circulam nos nestes espaços. Nesta perspectiva, o “Caso Relvas” não tem qualquer novidade. Estamos condenados a ler os conteúdos de sms (que serão divulgados em regime de “conta-gotas”), a assistir a novas informações seguidas de contra informações, a acompanhar a divulgação de contactos entre os protagonistas deste caso, a ver a entrada de novos actores, etc, etc.

Os jornais e televisões se encarregarão de dar vida a este caso. A prioridade será sempre garantir “uma novidade” e assim assegurar vendas e audiências.  A dura realidade em que o país se encontra será sempre a notícia seguinte.

De nada adianta ao Governo tratar este caso como nada fosse. Tal como também aconteceu num passado recente, será sujeito a um grande desgaste e a credibilidade política será afectada.

Ou seja, um Caso Sem Fim… Até que surja outro Caso!

publicado por Vasco Mina às 00:49 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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