Quinta-feira, 02.08.12

Fim do euro (46) “Acreditem em mim”

Depois de Draghi nos ter pedido para acreditarmos nele, de que o BCE tudo faria para preservar o euro, aguardava-se com alguma expectativa o que a reunião de hoje deste banco nos traria.

 

Afinal o BCE pondera voltar a comprar obrigações dos países em dificuldades, mas apenas DEPOIS de estes pedirem ajuda, que virá sob fortes restrições. Então a intervenção do BCE não era para evitar que estes Estados chegassem ao ponto de ter que pedir auxílio? Isto é completamente surreal e ainda há quem acredite que o euro tem hipóteses de sobreviver.

publicado por Pedro Braz Teixeira às 15:41 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Polaroids de férias (2)

 

[Crianças na ilha de São Tomé]

publicado por Paulo Marcelo às 10:56 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Era um segredo de polichinelo

Obama assina directiva secreta de apoio aos rebeldes sírios

O Presidente norte-americano Barack Obama assinou um documento secreto autorizando a ajuda americana aos rebeldes sírios que tentam derrubar o regime de Bashar al-Assad, indicaram nesta quinta-feira as cadeias de televisão americanas CNN e NBC. Os dois canais citam fontes oficiais não identificadas.

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publicado por Victor Tavares Morais às 08:59 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Quarta-feira, 01.08.12

Os Mouros e os outros

A partir de hoje, por mais voltas que se dê à coisa, olhemo-la por onde a olharmos, a vida (não confundir com 'vidinha') das pessoas que trabalham, fica ainda mais difícil, mais infernizável. Lamento, mas não consigo regozijar-me com isso. E desconfio das qualidades morais dos que o fazem.

publicado por Carlos Botelho às 11:20 | comentar | ver comentários (17) | partilhar

O fim da Escola

Thomas More: Why not be a teacher? You'd be a fine teacher. Perhaps, a great one.

Richard Rich: And if I was who would know it?

Thomas More: You, your pupils, your friends, God. Not a bad public, that.

 

Robert Bolt, A Man for All Seasons, I Acto.

 

 

 

Escrevi, em Junho, neste post:

 

Aos professores contratados restará mendigar um lugar no mundo maravilhoso das escolas privadas portuguesas. Em muitas delas, para além de serem lesados sem defesa nas condições em que trabalharão, não serão sequer respeitados enquanto professores. Não só há uma espúria hierarquização de facto entre as disciplinas "mais importantes" e as "outras", como as direcções das escolas, reféns das propinas pagas por uma não-élite ignorante e parvenue, mais preocupada com a dimensão vertical das classificações aparentes dos filhos do que com a sua formação e boa educação, violam, sempre que convenha, as autonomias científica e pedagógica dos professores, sem as quais estes deixam de ser o que são. Produz-se, assim, ali, uma alienação do professor. Traduzindo: as classificações são alteradas "administrativamente". Os παιδαγωγόι da Antiguidade eram mais livres...

Também por estas razões, o Ensino Público, em muitos sentidos, tem, no fim de contas, se não quisermos ser preconceituosos, genericamente, mais qualidade do que o privado. É mais reliable.

 

Há pessoas que se zangam por estas coisas serem ditas. Nada posso fazer por elas. Não estou preocupado com "sondagens". Quem quer agradar sempre a Gregos e desagradar sempre a Troianos, não deve escrever num blog. A não ser que o queira transformar num sítio demasiadamente bem frequentado, um sítio monocordicamente previsível. E quem quer ler um blog desses? Ninguém. As claques tribais, na verdade, não lêem - dedicam-se ao exercício onanista de se encontrarem apenas e repetidamente consigo mesmas. Não vale a pena escrever para o aplauso de claques.

Sejamos Gregos, mas, precisamente por o sermos, não devemos ser cegos para as virtudes dos Troianos, nem para os vícios do nosso campo. Admiremos Heitor diante de Aquiles.

 

É recorrente uma espécie de obsessão ideológica que vem com o pendão de uma "autonomia das escolas". Esta expressão é eficaz, porque funciona como se fosse mágica, encantatória: entorpece os cérebros. Toda a gente se curva imediatamente diante da pretensa bondade da expressão, como se ela fosse um adquirido para lá de todo o exame. E como ninguém se atreve a questioná-la (convém evitar o anátema de "velhos do Restelo" - na verdade, uma acusação reveladora da ignorância de quem a pratica), segue-se em frente, olhando, quanto muito, de soslaio para as bermas da marcha obviamente triunfante.

Se se pensar um pouco que seja, certas coisas, como sempre, acabam por se revelar menos evidentes. Por exemplo, é preciso ver o que se entende concretamente por essa nebulosa sedutora e desarmante chamada "autonomia das escolas" e quais vêm a ser as suas consequências. Uma escola será "autónoma" em relação a quê? Ao Ministério da Educação, diz-se. Já todos fazem que sim com as cabeças, claro - um movimento bem mais simples do que o de fazer que não, e este, por sua vez, também bem mais fácil que pensar, que não carece de movimento algum da cabeça e, "anti-socialmente", dá menos nas vistas. Porque há-de considerar-se, desde logo, que é "melhor" para uma escola ser "autónoma" em relação ao Ministério? Talvez fosse prudente notar que a "autonomia" pode muito bem ter que ver com uns aspectos da relação e não com outros e que há, certamente, graus de "autonomia".

Digamo-lo sem mais delongas: aquilo que vulgarmente se apregoa (é o verbo adequado) como "autonomia da escola" corresponderá, na verdade, a uma autêntica "heteronomia da escola". Quer dizer, uma efectiva "autonomia" administrativa ou burocrática das escolas (seleccionar e despedir professores, gestão "livre" de horários, planos curriculares "adequados" às "necessidades educativas" dos alunos, etc. - e mais guloseimas demagógicas) equivale a uma heteronomia do Ensino. Ora, o que temos obrigação de procurar atingir é uma autonomia do Ensino e não uma autonomia meramente administrativa da escola.

 

Com a "autonomia", traduzida, preferencialmente, já se sabe, na capacidade discricionária dos Directores de despedir e contratar docentes, os vícios de tantas das escolas privadas referidos na citação acima alastrariam às escolas públicas.

O nervo do ensino está na exigência do professor (um professor ignorante, incapaz, não tem como ser exigente; por outro lado, não se pode ser exigente a alunos que passam fome: aquela é uma condição que assusta a "esquerda" e esta é uma condição indiferente para a "direita". O que pode exigir um professor ignorante? - que os alunos não façam perguntas difíceis.). Ora, no regime da bem-aventurada "autonomia", o professor e a Escola (o que nela importa, não as paredes, claro) ficam à mercê de interesses exteriores ao Ensino. O professor não está já dotado, então, da liberdade para ser exigente - isto é, não detém já a liberdade que lhe permite ser professor. Temos, não um professor autónomo, mas sim um professor heterónomo. Encarregados de educação inconscientes e outras "forças vivas" da região exercerão pressão sobre os orgãos dirigentes da escola para que os seus educandos não sejam "prejudicados" (o que eles, na sua cegueira, imaginam como "prejuízo") nesta ou naquela disciplina consideradas como "menores" ou "secundárias" e que apenas "atrapalham" o percurso escolar dos alunos. Dependendo, por exemplo, dos cursos superiores em voga, as disciplinas discriminadas poderão ser a Educação Física, ou Português, ou Filosofia, ou História, ou Matemática, etc. Como sucede hoje em tantas escolas privadas, pais há que não estão preocupados com a formação dos seus filhos, nem procuram induzir neles o sentimento do esforço pelo carácter desejavelmente integral do Ensino. Esses, de um modo imediato, têm apenas diante dos olhos a "notinha" e a "média" que permitirá ao educando ingressar no curso x da moda. Essas pessoas, julgando, assim, educar os filhos, apresentam-lhes o estudo como algo meramente instrumental no sentido mais mercenário. Simplificando, esses alunos são habituados pelos seus pais a terem como objectivo primeiro não a aprendizagem, mas a obtenção de "notas altas" - estas serão, assim, alcançadas de um modo inautêntico, exterior. Dessa maneira, escapa-lhes miseravelmente do seu horizonte que, sendo exercitados no esforço e no gosto genuínos pelas aprendizagens, o "sucesso" quantitativo das classificações poderá muito bem advir naturalmente.

Para procurar debelar aquela miopia de encarregados de educação, o professor não lhes pode aparecer numa posição de fraqueza. Por outras palavras, o encarregado de educação tem de ver o professor como um agente educativo com um estatuto de competências científicas e pedagógicas que lhe são próprias. Mais claramente ainda: na relação com o professor, o encarregado de educação tem de ter presente que é aquele e não ele quem detém as competências científicas e pedagógicas. Ora, vendo os professores como figuras vulneráveis, haverá sempre a tentação e a prática consequente de exercer poder sobre eles, condicionando o seu trabalho e a sua saudável exigência. Só num mundo povoado de seres integralmente racionais, a tarefa do professor em exigir esforço dos alunos não seria estorvada por encarregados de educação que crêem, sinceramente, estar a ajudar os seus educandos. Mesmo, como disse acima, em escolas privadas, onde se esperaria termos pais mais "informados" e mais conscientes do que deve ser a formação de um jovem, encontramos gente que vê os docentes como uma espécie de extensão de uma criadagem mítica que está ali, não para instruir e formar, mas para "facilitar a vida" dos alunos. O pior é que estes, crianças e jovens, acabam por interiorizar esta perspectiva e, desgraçadamente, adoptam-na igualmente como sua. Não é difícil adivinhar até que ponto é que tudo isto, todo este ecossistema induzido pela "autonomia", leva a uma efectiva heteronomia docente, a um condicionamento ilegítimo da liberdade para a exigência, com as consequências nefastas que essa perversão trará à qualidade efectiva do Ensino.

Há, é claro, uma fábula, uma típica superstição, que pretende contraditar esta inevitabilidade...

 

[Continua.]

publicado por Carlos Botelho às 10:00 | comentar | ver comentários (31) | partilhar

Fim do euro (45) Fim organizado do euro

A UE, que se foi construindo através de sucessivas integrações, deu um passo maior do que a perna ao avançar para uma integração monetária coxa, cujos defeitos estão agora bem visíveis nesta imparável e incontível crise do euro.

 

Como esta integração correu mal, então a solução, propõem alguns, é avançar com ainda mais integração e fazer a união política. A integração monetária tem dado azo a inúmeros conflitos e querem ainda maior integração? Mas não percebem que a integração política ainda geraria mais conflitos do que a integração monetária?

 

A insensatez e o voluntarismo desta ideia de “Europa” trouxeram-nos à terrível situação presente. Acham que doses reforçadas de insensatez e voluntarismo vão ajudar a resolver algum problema?

 

Aqui chegados, parece que seria mil vezes preferível o bom senso (anglo-saxónico ou outro) e perceber que o euro foi uma experiência que correu mal e que é chegado o momento de lhe colocar um fim.

 

Em vez de cogitar sobre soluções erradas e impossíveis (a união política), ou remendos ou paliativos (intervenção do BCE, união bancária, etc.) com inúmeros obstáculos políticos, mais valia unir esforços para colocar um ponto final neste projecto fracassado.

Dadas as características de instabilidade intrínseca do euro, ele tenderá sempre a acabar. Há duas opções limite para esse fim: i) planear e minimizar os custos (ainda assim elevadíssimos) de uma desintegração ordenada do euro; ii) permitir, por inércia, que o euro acabe de forma caótica, destruído por um tsunami financeiro, que destruirá tudo à sua passagem e não apenas na zona do euro.

 

Há sinais crescentes de que a criação do euro foi um jogo de soma negativa, isto é, que os benefícios que trouxe a uns foram inferiores aos custos que impôs a outros. Mas estes prejuízos são insignificantes quando comparados com aqueles que virão de um fim caótico do euro, que se prepara para ser um jogo de soma ainda mais negativa, em que praticamente não haverá ninguém a colher benefícios.

 

A escolha entre as hipóteses enunciadas traz consigo um problema político diabólico. Os eleitorados não têm, em geral, consciência de que o euro tal como existe não é sustentável e terão muita dificuldade em aceitar que um governo tome a iniciativa de terminar o euro de forma negociada, porque isso será dar um passo consciente para algo pior do que o status quo. O problema é que, se ninguém o fizer, teremos o fim caótico do euro, que é ainda muito pior.

 

Este problema político é mais grave nos países periféricos do que nos países mais fortes. Em todos eles haverá graves prejuízos financeiros mas, enquanto nos países mais fortes o fim do euro não deverá trazer alterações significativas no nível de vida, nos países periféricos haverá perdas brutais de poder de compra.

 

Ou seja, há ainda a esperança de que a iniciativa de um fim negociado do euro possa vir de um dos países fortes, à excepção da Alemanha, porque neste caso ficaria sendo vista para todo o sempre como a responsável pela morte do euro, que “não quis salvar”.

 

Mas poderá vir da Finlândia ou da Holanda. A ministra das Finanças finlandesa já sugeriu que o país saísse do euro, embora depois tenha recuado. É evidente que as declarações iniciais foram muito mais genuínas do que as desculpas esfarrapadas posteriores, sendo útil recordar que nenhum outro país escandinavo pertence à zona do euro.

 

Quanto à Holanda, vai ter eleições antecipadas a 12 de Setembro e o partido que vai à frente nas sondagens defende justamente que o país saia do euro.

 

Em qualquer dos casos, as propostas concretas das condições de saída destes países do euro deverão traçar um mapa para a saída dos restantes. A saída da Grécia, que poderá ocorrer entretanto, teme-se que de forma desordenada e com avultadíssimos prejuízos para todos, poderá constituir um estímulo adicional para que se opte pelo fim organizado do euro.

 

[Publicado no jornal “i”]

publicado por Pedro Braz Teixeira às 09:35 | comentar | partilhar

Fantásticas Utopias

 

2013 será, pelo menos na Nova Zelândia, o «Ano Internacional da Criatividade». Claro que nós, sob égides várias - leia-se Unesco e Comissão Europeia,  - antes de um dos povos mais felizes do mundo nos alargar o sorriso,  já pensámos em coisas bem mais divertidas e inspiradoras como a água, o cidadão, a estatística para o próximo ano. Os grandes temas da eco-sustentabilidade e da cidadania que já não se podem aturar e a  estatística que não tem ponta por onde se lhe pegue.  Todos torcemos por esse funcionário incumbido de ter todos os anos uma grande ideia,  não obstante não estar a passar uma fase muito boa, que seja brioso no cargo e não abdique… um dia vai conseguir.

«The Soul of Giftedness» é uma conferência que terá lugar na Nova Zelândia em Agosto de 2013 pensada para «fomentar um investimento nos alunos criativos gerando  entusiasmo na comunidade por este domínio do conhecimento». É obvio que o vazio que eles vêm à volta daquela grande ilha não será nunca tão vazio como o que eu vejo à minha volta , antes fosse.  Essa capacidade distintiva ligada à inteligência própria de vidas complexas e interessantes está nos antípodas da nossa Europa. Até ao último século eramos nós, os europeus, a ter sonhos. Sonhámos como ninguém com submarinos a vapor, televisões, balões de ar quente, viagens à lua e ao centro da terra, máquinas que projectavam a ilusão do movimento. Sonhos antecipatórios, premonições, profecias loucas e risíveis, fantásticas utopias. Em todas as áreas do saber sonhámos como poucos e por isso ousamos realizar como poucos. Dos submarinos do Julio Verne às idas e vindas da lua de George Méliès e Hergé. Da queda do Ícaro aos voos imaginados de Leonardo Da Vinci.  Da ilha Utópica de Tomás Moro às cidades invisíveis e impossíveis de Italo Calvino e Jacques Tatti.  A crise da Europa é também uma crise de sonhos. Uma ilha rodeada de gente cinzenta por todo o lado.

 

 

 

publicado por Ricardo Roque Martins às 08:00 | comentar | partilhar

Cinzas de textos

 

Quando a arte e o livro se ilimitam.

 Exposição no Museu Gulbenkian, curadoria de Paulo Pires do Vale.

publicado por Carlos Botelho às 01:00 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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