Fernanda, fado, futebol

Parece que a Fernanda Câncio anda a ler-me às escondidas. Eu não me sentia tão honrado, sei lá, desde o último referendo.
E porque me dá a Fernanda Câncio tal honra, de que não sou merecedor, sei lá, desde o último referendo?
Porque escrevi isto. E isto, juntamente com a vitória do Salazar nos Grandes Portugueses, e o centenário da Irmã Lúcia, e o Benfica, e o fado, e outras coisas tão terríveis que agora não me ocorrem, significa que o país voltou aos anos 40, quando não havia televisão, nem blogues, nem sequer - imaginem - o aborto a pedido.
Deve ser por isso que a Fernanda não faz o link, ou mesmo o linque, para esta caverna obscurantista. Consta que na altura também não havia computadores, quanto mais teclados que fizessem links, ou linques, ou lá que é.
Eu até compreendo o choque, que não tecnológico, da Fernanda. Uma pessoa ganha o referendo e põe-se a pensar que este país finalmente vai ser moderno, europeu, civilizado, mesmo sem links, ou linques, ou lá que é.
E vai o país, zás, e elege o Salazar o maior de sempre.
E a Irmã Lúcia lembra-se de fazer cem anos.
E a malta de os lembrar.
E Nossa Senhora de aparecer por cá, cheia de links, ou linques, para as memórias da vidente.
Que diabo (se me permitem a blasfémia), uma mulher não é de ferro... Nã senhora! Ou melhor: nã Nossa Senhora!
Relatos de milagres - só no DN, o jornal que corrige as nebulosas lembranças de pastorinhos, ditadores e restantes portugueses. A Fernanda aí está para nos dar a verdade. Neste mundo e no outro.
Só há uma coisinha que me escapa.
Afinal, Nossa Senhora de Fátima sempre lhe apareceu ou não?
À Fernanda, quero eu dizer.
publicado por Pedro Picoito às 17:31 | partilhar