Austeridade (5)

O Pedro Guerreiro está na TVI e acaba de repetir o que se tornou num lugar-comum, a saber, que até agora "quem pagou a crise foram os desempregados", para dizer que a partir de agora todos pagarão a crise. O lugar-comum está incompleto. Até agora não foram só os desempregados a pagar a crise, embora tenham sido esses que pagaram mais, por assim dizer. Foram também todos os trabalhadores do sector privado que têm partes substanciais dos seus salários em montantes variáveis (prémios, bónus, etc.) Esses estão a ganhar menos há dois anos, quando não três (e não estou a falar dos gestores de topo, nem de ociosos conselheiros de administração, mas de gente ligada aos departamentos comerciais, por exemplo). As renegociações de horários, horas extraordinárias e dos salários que decorreram, e estão a decorrer, em várias empresas por todo o País, tudo isto tem de contar como diminuição dos salários, como diminuição do nível de vida.
E não esquecer os empresários que viram as suas empresas falir. É que ao contrário do que diz a extrema-esquerda, e muita da esquerda do "socialismo democrático" que normalmente fala bem instalada no conforto dos seus empregos protegidos, muitos dos empresários que andam por aí não têm Ferraris escondidos na garagem, nem contas na Suíça. É gente que quando perde a sua pequena empresa perde tudo, ou quase tudo.
Esta gente, trabalhadores e empresários, está a pagar a crise há muito tempo.
publicado por Miguel Morgado às 20:40 | partilhar