Do fim do quinto canal generalista

Miguel, é um pouco mais complicado que isso. A introdução de um quinto canal generalista em Portugal só iria fragilizar ainda mais os nossos grupos de media que já estão num lindo estado: A Impresa (SIC) está na enésima reestruturação desde 2000 e teve outra vez prejuízos no ano transacto e a Media Capital (TVI) tem a casa mãe (os espanhóis da Prisa) à rasca com a dívida. Entretanto, o mercado publicitário, depois de ter crescido em termos reais 0% nos últimos 9 anos, este ano vai ter crescimento negativo. Uma democracia saudável precisa de grupos de media prósperos, assegurando assim a sua independência face ao poder político. Um 5º canal só iria piorar as coisas. O Ministro Santos Silva sabia isso do início e tenho a certeza que se deliciava com esta perspectiva. Por isso teimou até ao último segundo. A crise tornou inevitável este mini-teatro da ERC: considerar que nenhum candidato "reunia condições" para ganhar o concurso do 5º canal, quando obviamente que o que se passou foi uma decisão política de cancelar de vez esta ideia peregrina (calculo que tenham havido pressões fortíssimas dos grupos, à boleia da referida crise).

Agora a parte mais interessante: Esta malta da Telecinco, onde está envolvido o inevitável Rangel, terá por trás "investidores angolanos". Ouvi isto de lados diferentes e não me surpreende. São precisos umas boas dezenas de milhões para arrancar com um canal generalista. Não tendo nada contra os angolanos, preocupa-me porém a ideia de outsiders fazerem dumping nos preços dos anúncios para ganharem share à força e rebentarem com a SIC e a TVI. Para isso já basta a RTP.

publicado por Francisco Van Zeller às 23:56 | comentar | partilhar