Estatuto do Jornalista: o que está em causa (III)

3. Direitos de Autor. O tema é fácil de explicar: O Sindicato dos Jornalistas, e em especial o seu presidente, o temível Alfredo Maia (na foto), tem lutado incansavelmente para que os jornalistas recebam, para além do seu salário, direitos de autor, quando as suas peças são usadas noutros suportes que não aqueles para os quais foram contratados. Por exemplo, um jornalista escreve no jornal DN. Se a peça for para o site do DN têm que ser pagos direitos de autor. Se passar na TSF idem.
Esta posição é totalmente contrária à estratégia multiplataforma (papel, online, televisão, mobile TV etc.) dos grupos de media. A tendência é naturalmente aproveitar os conteúdos produzidos no grupo e fazer uma gestão inteligente dos mesmos que permita rentabilizar ao máximo a operação. Os grupos em Portugal sofrem com a escassez do mercado publicitário e precisam de procurar alternativas, nomeadamente outras plataformas (a maior parte delas ainda não rentáveis).
Há quem diga que esta é uma luta de vida ou morte para o Presidente do Sindicato: com os níveis de sindicalização a diminuirem para valores irrelevantes, a gestão de direitos poderia ser uma forma de voltar a ganhar protagonismo entre os jornalistas, especialmente os mais jovens, que não se identificam com o discurso - nem com o estilo - deste sindicato.
Apesar de considerar totalmente ultrapassada a posição do Presidente Maia, achei interessante um dos argumentos por ele utilizado: quanto mais longe for esta estratégia de rentabilização dos grupos menos jornalistas existirão; menos jornalistas significa menos pluralismo e diversidade de opiniões, tornando um dos pilares da democracia - o da liberdade de informar - mais frágil.
publicado por Francisco Van Zeller às 00:56 | comentar | partilhar