Morte à banca internacional!


Gamei este gráfico no FT Com Alphaville. Os diabos que trabalham com mercados sabem o que é. O post que o acompanha leva por título Portugal na tempestade, e reza assim: «Será Portugal o próximo acrónimo porcino (riscado), o próximo dos países periféricos da zona euro a lançar tremores nos mercados?» (O governador do Banco de Portugal está a ajudar, cf. em baixo).

A pergunta é suscitada por este gráfico que acompanha um estudo do sector de Rendimento Fixo (Fixed Income) do Deutsche Bank. O que mostra? Mostra que Portugal não é o recordista europeu do endividamento público (medido em percentagem do Produto Interno Bruto). Tem (muito poucos) países à frente. Mas só é ultrapassado pela Grécia, quando se considera a natureza e o nível das carteiras em que se encontram os títulos - os bancos estrangeiros.

Se calhar, as vozes esganiçadas que se ouvem pela Pátria contra a «corja» das agências de rating deveriam atirar os uivos à banca internacional, aquela que verdadeiramente está a fazer baixar, através das suas compras e vendas de títulos, o valor das nossas OTs. É óbvio que a avaliação dos bancos não é imune à apreciação das agências de rating. É óbvio. Mas quem negoceia são, numa parte muito significativa, os bancos, e são as suas operações que estão a determinar o «spread» face às obrigações da dívida soberana mais segura. É óbvio: têm accionistas, estão cotados, têm contas a prestar e - horrível! -, por isso fazem contas e «benchmarcam-se».
publicado por Jorge Costa às 20:41 | comentar | partilhar