Campanha

Acompanho com interesse mínimo a campanha. Paulo Rangel, a densidade de Paulo Rangel, a cultura política de Paulo Rangel, a oratória de Paulo Rangel. Quase um milagre político. É caso para nos perguntarmos: o que seria do nosso país se os partidos não fossem tão hostis às formas de vida inteligente? Vital Moreira é um milagre em sentido inverso. Foi anunciado com a aura messiânica do independente (um sinal do respeito que os partidos nutrem por quem neles chafurda), um probo consitucionalista cuja missão seria devolver a dignidade ao combate político. A meio da campanha, quando a maré ainda não lançou todos os detritos na praia, a dignidade do combate político situa-se algures entre a filosófica "roubalheira" e o episódio de ressentimentos amorosos que coloriu o 1º de Maio. Os restantes partidos representados na Assembleia da República (não me refiro a essa ficção parlamentar que dá pelo nome de "Os Verdes") andam pelas ruas do país na inútil procissão do costume. Visitam fábricas e minas, feiras e supermercados, acompanhados de jornalistas, a falar para os jornalistas e a agir para as câmaras (até a contribuição do sábio Rangel para o Banco Alimentar contra a Fome necessitou de um 2º take) num processo de autofagia mediática que "irrealiza" candidatos e que anularia as ideias, se por caridade alguém as tivesse. Dois exemplos de que os reinos dos partidos não são deste mundo: a sessão de esclarecimento do PSD em Barcelos e os eternos representantes dos trabalhadores ignorados por estes às portas da Auto-Europa. Os partidos portugueses pairam acima da sociedade. Esta campanha tem-no demonstrado com penosa eloquência.
publicado por Joana Alarcão às 15:10 | partilhar