Ao centro do Tratado

Pouco mais de um mês depois do acordo quanto ao Tratado Europeu, o debate sobre a Europa está sentenciado de morte.

A sentença assim ditada parece resultar duma evidência: o debate da Europa faz-se em Bruxelas e nós, cidadãos europeus, devemos conformar-nos com o que é superiormente ditado.

A execução da sentença apenas está suspensa diante dum dilema: como é que melhor se assegura a morte: com ratificação na AR ou por plebiscito referendário? Tal como na IVG, o que interessa é que a coisa seja higiénica, indolor e perca o carácter de clandestinidade a que todos já nos resignámos.

O PSD adiantou-se ao politicamente correcto e defende a ratificação na Assembleia. O CDS joga o xadrez do tacticismo, aguarda a jogada do adversário para assumir um posicionamento que lhe assegure algum protagonismo. O PS, claro, não tem posição. A responsabilidade de ser Governo não lhe permite tais devaneios. Bons tempos os da oposição...

Tudo isto sem convicções, sem qualquer compromisso com o eleitorado, sem a mínima percepção do que é ou não importante para o nosso futuro de portugueses e de europeus. Tudo se resume a calculismo politico-partidário.

Pouco mais de um mês depois da análise do Pedro Mexia, as suas palavras mantêm-se totalmente pertinentes: cheira mal, cheira a centrão. E faz falta uma direita mais infame - e convicta, acrescento eu.
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 17:54 | comentar | partilhar