Com tanto para olhar ainda sobra espaço para ver?

Passei uns dias em Londres. Mesmo tentando evitar o roteiro turístico, são inevitáveis certas ruas, museus, algumas lojas, o metro. Impressiona a quantidade de publicidade nos espaços públicos, até no metro e autocarro há som e televisões a passar anúncios. É impossível passar ao lado, fugir das imagens e do barulho, tão intrusivos que ocupam os sentidos, quando não a cabeça. Acaba por sobrar pouco espaço para ver a cidade e observar as pessoas.
Já sei que é o Natal, o apogeu do consumismo. Já sei que o frio não ajuda a levantar a cabeça. E que Lisboa não está melhor. Mas será que a globalização capitalista implica vendermos espaço e tempo nas nossas cabeças? Com que direito nos impõem um esforço permanente para preservar a liberdade de ver e pensar naquilo que queremos? E será que sobra espaço para ver alguma coisa?
publicado por Paulo Marcelo às 11:54 | comentar | partilhar