Só para Pagãos


É para verem. Neste país não se brinca com coisas sérias. Por cá os relativismos, os niilismos e os subjectivismos têm os dias contados. Isto é gente católica a sério. E mesmo os que não perfilham uma fé religiosa, ainda assim pautam a sua visão da realidade por normas e medidas objectivas. Venham lá os protestantes do norte da Europa, os ateus de França e aqueles agnósticos de Inglaterra com as suas modas, que a gente explica-lhes como é que é.
«O Natal é quando um homem quiser»? Era só o que faltava. Tal como se publicitou neste fim-de-semana, o Natal inaugurou-se a 25 de Novembro, na Praça do Comércio, às 20h30.
Mas, então, o que é o Natal? O inferno das compras, comer até rebentar, o borralho a crepitar, a festa da família, as crianças a abrirem prendas e o papá, ridículo, mascarado de Pai natal. Não será que nesta pluralidade de significados conflituantes se atesta a vitória do subjectivista? Nada disso. Essas modernices por cá não pegam. Na capital deste grande país erigimos um monumento, “que se pode já considerar o centro do Natal lisboeta” (segundo o site do Millennium bcp).
E o que é o centro do Natal? Uma árvore que atingirá 75 metros, o equivalente a 25 andares, onde cintilam 2,35 milhões de lâmpadas. E não é apenas uma árvore que se possa caracterizar (subjectivamente) como pitoresca, elegante, deslumbrante, esplêndida e brilhante. Ela é a maior. A maior da Europa. E assim fazemos ver a esses progressistas europeus, a essa canalha pagã, relativista, ateia e agnóstica que aqui o espírito natalício está bem vivo.
«Mas papá, a catequista disse que o Natal era quando o Jesus nasceu lá para os lados de Belém.» «Sim filho, mas ficas a saber que tudo começou com a estrela a vir aqui da Praça do Comércio». Ainda por cima, temos as beatices a estragar o espectáculo. Era só o que faltava. Já estou como o Afonso Costa do outro dia. Temos é que correr com esta padralhada daqui para fora. A educação dos nossos filhos não pode ficar a cargo dessa gente sem espírito natalício.
publicado por Joana Alarcão às 10:08 | partilhar