Entre cá e lá: é diferente, mas vendo bem

Jim Fitzpatrick, ministro do Ambiente britânico denuncia infiltração de radicais islâmicos no Partido Trabalhista.

Há dias, falando com uma amiga, dizia-lhe eu: «Começa a ser cada vez mais difícil respirar na Europa. Há dias impossíveis. De novo. Parece que desta é a nossa vez.» E ela respondeu-me: «Em Portugal, felizmente, as coisas não estão tão más como no resto da Europa.» Dizia-me: «Claro que há, como sempre houve, uma espécie de anti-semitismo larvar, que ao mínimo problema sério pode voltar a estalar. Mas, apesar de tudo,» insistia, «as coisas aqui estão mais calmas.»

Acedi. Não porque estivesse convencido do «ponto» que ela queria fazer, ou porque a calma (aparente) que a sossega (por enquanto) me engane, mas para quê insistir, explicar que não, nisto não há ilhas, e que o trabalho de preparação para a violência está outra vez em curso e com toda a clareza. Que a esquerda radical, bem mais do que a direita radical, tem, entre nós, feito por sua conta o que noutras paragens é obra partilhada com o radicalismo islâmico. (Sim, é claro, os judeus não são os únicos alvos do radicalismo islâmico. Mas, sim, é claro, são o catalizador do seu combate. E serão os primeiros a cair.)

Para quê lembrar-lhe os recorrentes textos de Alexandra Lucas Coelho, por exemplo, mas é só um exemplo, porventura o mais óbvio, onde o ódio a Israel - a alavanca do anti-semitismo contemporâneo -, sem qualquer inibição, tem, por cá, a respeitabilidade do que, só por ofuscação, se confunde com jornalismo. Por exemplo: no jornal Público, nesta entrevista, ainda há coisa de um ano, a Zeev Sternhell (sim, claro, aos judeus nunca faltaram judeus idiotas úteis ao serviço dos seus piores inimigos):

O historiador está a explicar à jornalista (?) o que entende ser a motivação da deslocação para a direita do eleitorado israelita.

Pergunta da jornalista do Público: Há também aquela frase que diz: «Mata tantos árabes quanto possível e fala tanto de paz quanto possível». Neste caso, trata-se de escolher quem mata muitos árabes e não fala muito de paz.

Resposta do entrevistado: (...).

Isto passa por jornalismo. É claro, que hoje, como no passado, o ódio aos judeus se propaga em nome do humanitarismo como ideologia. Israel, o único Estado judaico do mundo (e, já agora, a única democracia do Médio Oriente, onde, por exemplo, Zeev Sternhell é premiado pela sua obra científica e se pronuncia publicamente sempre que pode), é o mal. A humanidade pertence aos seus inimigos mortais. Nada de novo debaixo do Sol.
publicado por Jorge Costa às 13:15 | partilhar