Famílias

Via Insurgente, fico a saber que Luís Filipe Menezes lamenta que "nós [o PSD] não nos estejamos a comportar como uma família".
Estou de acordo. Estou mesmo compungidamente de acordo. O triste espectáculo do nosso querido partido, em que cada um puxa para seu lado e todos criticam todos, parte-me o coração. Até parece que estamos em partilhas.
Mas este compungido acordo leva-nos à questão de definir o que seja uma família. Deduzo que o Dr. Menezes tenha de família uma noção idílica, judaico-cristã, de grande solar em que há paz e amor à volta da mesa onde todos os irmãos partilham a ceia de Natal sob o olhar benevolente do patriarca. Ou da matriarca. Pode ser matriarca, não pode?
Respeitando eu todas as famílias, atrevo-me a sugerir ao Dr. Menezes, em nome da tolerância, que seja um pouco mais aberto aos modelos familiares alternativos gerados pela modernidade. No nosso querido partido não queremos essas coisas ultraconservadoras da família-para-a-procriação, pois não? Nem essas coisas alienantes da família-ninho-de-amor, pois não?
Beijinhos, Dr. Menezes, e até ao Natal.
publicado por Pedro Picoito às 10:45 | partilhar