O declínio irreversível do Socratismo?

«Começou o declínio -- espero que irreversível -- do socratismo», vaticina Luís Rocha no Blasfémias (20.1.2008). A não ser que Luís Rocha esteja a ver algo que me escapa, ou a ter em linha de conta algo que não estou a imaginar, custa-me a acreditar que estejamos no princípio do fim do Socratismo. Afinal, as escolhas do eleitorado são relativas e o meu problema é o seguinte: alguém está a ver parte significativa dos ex-eleitores de José Sócrates, em especial os chamados swing voters, ir a correr colocar a cruz no boletim de voto no rectângulo correspondente ao PSD de Luís Filipe Menezes?
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Sobre o paralelismo, caro Luís Rocha: a queda brusca e profunda na popularidade de António Guterres começa em Janeiro/Fevereiro de 2000. O desastre da ponte de Entre-os-Rios só ocorre em Março de 2001 (ver slide 5). Começa, precisamente, quando o PSD arruma a casa com os XXII e XXIII congressos, respectivamente em Abril/Maio de 1999 e Fevereiro de 2000 -- os dois congressos de eleição e reeleição de José Manuel Durão Barroso.
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Enquanto o PSD não arrumar a casa -- por arrumar a casa entenda-se correr com Luís Filipe Menezes, ganhar alguma credibilidade com uma nova liderança -- diria que existe um entrave profundo ao declínio irreversível do Socratismo.
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Aliás, especulativamente diria ainda que, tal como no caso do Guterrismo, o declínio irreversível do Santanismo (e antes do Cavaquismo) também só ocorreu depois de a oposição arrumar a casa.
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A existência de descontentamento popular não é condição suficiente para a mudança. É preciso alguém que a consiga capitalizar e não me parece que Menezes esteja à altura do desafio.
publicado por Joana Alarcão às 16:02 | partilhar