A "retirada" do Iraque

Barack Obama prometeu retirar do Iraque nos primeiros dezasseis meses do seu mandato. Mas esse compromisso vem do tempo em que os Estados Unidos pareciam estar atolados no Iraque. Depois disso tudo se modificou no terreno, mas Obama nunca desfez a promessa, e mesmo depois de tomar posse, manteve a intenção.

Esta semana Obama disse que pretendia retirar do Iraque em 2010, um ano antes do plano assinado entre a Administração Bush e o Iraque, mas deixando para trás 50 mil soldados como força de estabilização do país. Ora, isto não é uma retirada, mas sim a manutenção do plano Bush, que previa uma diminuição gradual de militares até o final de 2011, mas antevendo já uma possível renegociação para a extensão da presença americana após essa data. Eu apoio esta medida de Obama, que não compromete o sucesso alcançado no Iraque por David Petraeus. Mas não lhe fica bem chamar retirada: será mais uma diminuição do contingente militar.

Os liberais anti-guerra democratas não estão muito satisfeitos com este anúncio. Harry Reid, o tal que chegou a dizer que a guerra estava perdida, é um deles. Ele devia mesmo querer que os Estados Unidos perdessem no Iraque, mas agora é obrigado a apoiar os esforços do Presidente Obama. E a engolir um valente sapo, diria eu.
publicado por Nuno Gouveia às 23:39 | comentar | partilhar